História de Adônis e Hansuki (Bl)
3 Capítulo 3 – Ecos do Passado
Os dias que seguiram à revelação foram uma tempestade.
A internet virou um campo de guerra. Fãs divididos, especulações, manchetes sensacionalistas. Algumas marcas começaram a cortar laços com Hansuki. A assessoria de Adônis implorava para ele se pronunciar negando tudo, dizendo que era “apenas uma coincidência” — mas ele se recusava.
— Eu não vou mentir sobre quem eu amo só pra manter contratos — disse ele, encarando seu sócio com a firmeza que sempre o caracterizou.
Enquanto isso, Hansuki se recolheu. Pela primeira vez em anos, recusou campanhas, desativou o Instagram e parou de atender ligações. Estava cansado. Não só da exposição repentina, mas das memórias que voltavam à tona... lembranças de quando tudo começou.
[FLASHBACK – Três anos antes]
Era uma noite elegante em Tóquio. Um evento beneficente luxuoso, com artistas, empresários e modelos. Hansuki, recém-chegado do Japão para expandir sua carreira, usava um smoking azul-marinho impecável. Adônis, como convidado especial do evento, usava preto — sempre sóbrio, sempre intenso.
Eles se cruzaram por acaso no terraço do prédio onde acontecia a festa. Hansuki estava sozinho, observando a cidade, sentindo-se um pouco deslocado. Foi quando ouviu uma voz suave atrás de si:
— Às vezes também me escondo das multidões.
Hansuki virou-se. Adônis estava ali, com um copo de vinho na mão e um sorriso enigmático nos lábios.
— Está se escondendo do quê? — perguntou Hansuki, curioso.
— Do barulho. Da pressão. Da sensação de que todo mundo espera que você seja mais do que é.
Hansuki sorriu pela primeira vez naquela noite. Sentiu como se alguém tivesse lido seus pensamentos.
A conversa fluiu como se já se conhecessem. Falaram de música, de arte, de solidão em meio ao sucesso. Ao final da noite, trocaram apenas olhares — mas quando as mãos se encostaram brevemente num aperto de despedida, ambos souberam que algo havia começado ali.
[FIM DO FLASHBACK]
Hansuki enxugou discretamente uma lágrima ao lembrar daquela noite. Ainda estava no mesmo apartamento com Adônis, que preparava café na cozinha, alheio ao momento de melancolia.
Ele se aproximou e encostou a cabeça nas costas de Adônis, em silêncio.
— Você lembra da nossa primeira conversa? — sussurrou.
— Nunca esqueci — respondeu Adônis, desligando o fogão e se virando para abraçá-lo. — Foi a primeira vez em muito tempo que senti paz.
Hansuki fechou os olhos.
— Eu estou com medo... mas eu não me arrependo de nada.
— Nem eu. Se o mundo quiser lutar contra a gente, então que lute. Mas eu não vou soltar sua mão, Hansuki.
E ali, naquele abraço apertado e silencioso, ambos entenderam: o amor deles não era uma fraqueza. Era a força que os manteria firmes, mesmo contra a corrente.
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