História Game Of Thrones - O Retorno Do Dragão
5 Capítulo IV
Notas iniciais

Alguns tiveram a forca como preço pelo próprio crime, outros, a coroa. — Juvenal
Porto real
A nova companhia dourada formada pelos segundos filhos e alguns dos comandantes que não atravessaram o mar estreito finalmente haviam chegado, para satisfação do Rei eles haviam trazido consigo mais de quarenta filhotes de elefante, Tyrion estava satisfeito em realizar o desejo do rei porém não escondeu sua surpresa quando Bran Stark propôs fazer um discurso para o povo, embora o rei sempre visitasse o povo ele nunca tinha proposto algo assim do tipo antes, falar para uma grande multidão.
— Povo de Westeros hoje é um grande dia, eu conheço o medo que assola vossos corações, medo de uma nova invasão, medo que chova fogo sobre nós novamente, mas vocês não precisam temer mais, eu estou aqui e eu irei protegê-los, eu mandei que colocassem armas por toda nossa fortaleza, armas capazes de matar um dragão, eu não parei por aí, como vocês podem ver o exército mais temido de Essos está aqui para proteger aqueles que eu mais amo, o meu povo, juntos com eles nós seremos imbatíveis, mas ainda sim eles não são nossa maior arma, sua maior arma sou eu, aquele que tudo vê, aquele que lhes mostrará a verdade, enquanto eu viver nenhum homem meu sentirá medo novamente, por sua segurança tudo o que eu peço é sua fidelidade e seu amor, aquele que me trair não traíra só a mim, mas sim todos vocês, portanto será punido com a morte, hoje daremos início a uma nova era, onde os Sete Reinos deixaram os dias de mentiras para trás...
— Seis Reinos meu rei – Tyrion lembra o rei que apenas olha para ele friamente com a sombra de um pequeno sorriso nos lábios enquanto todos observam atentamente.
— Como eu dizia, o dia que os Seis Reinos sobre meu poder deixaram os dias de mentira para trás, eu os mostrarei a verdade, por isso queimem as mentiras. – O Rei ordena e alguns soldados começam a derramar pilhas de livros no meio do povo, Sor Davos e Tyrion trocam um olhar surpreso nenhum deles tinham ideia do que significava aquilo.
— Para quem não sente nada o discurso dele foi bem intenso. – Bron sussurra pra Tyrion, eles observam os soldados entregando tochas para o povo.
— Cuidado com o que você diz amigo. – Tyrion sussurrou. As coisas pareciam estar saindo do seu controle, uma picada de medo crescendo em sua alma, mas ele ignorou, se o rei estava fazendo isso deveria haver um motivo maior, ele vê tudo, ele saberia o que era o melhor.
— Queimem esses livros, queimem as mentiras. – O rei declara e o povo começa a lançar as tochas nos livros. Sam se sente triste quando vê os livros sendo queimados, haviam grandes histórias ali, tanto conhecimento perdido. Mesmo o rei dizendo que são apenas mentiras isso não o faz se sentir bem, então o rei lança um livro no fogo, ele reconhece aquele livro, é sobre o casamento de Rhaegar e Lyanna, ele não consegue entender porque o rei está queimando aquele, não havia nenhuma mentira nele, então Sam se questiona enquanto a fumaça sobe e o povo vibra, talvez houvessem mais verdades do que mentiras ali, porém porque o rei os enganaria?
Solar cinco anos após a destruição de Porto Real
Daenerys sorriu aconchegada com seus dois filhos, ela havia acabado de dar um pequeno voo em Drogon com Duncan, seu garotinho amava seu enorme Dragão, Drogon tinha crescido bastante nos últimos anos, tendo quase o dobro do tamanho que ele tinha quando trouxe o corpo de sua mãe sem vida para aquela cidade, Daenerys desconfiava que o crescimento acelerado estaria ligado por estarem tão próximo do centro de Valìria, sempre que ia explorar a cidade ela podia sentir a magia presente naquela terra.
— Munē eu tive uma grande idéia – Seu menino sussurrou com a cabeça em seu colo enquanto a mesma descansava as costas em seu dragão.
— Qual a sua grande ideia meu pequeno dragão? – Ela questiona puxando o garotinho para sentar em seu colo, ela observa com curiosidade seu filho, o garotinho sorri e mexe em seu próprio cabelo agora mais curto depois que Lucius o cortou após o menino reclamar que ele ficava caindo em seus olhos.
— Porque não voamos em Drogon pra visitar o Kepa, assim ele poderia me conhecer. – Daenerys escuta a voz infantil de seu filho sugerir, seus olhos cinzas brilhando como se essa fosse a melhor ideia que ele já teve, então ela sente uma pontada em seu coração, sabendo que seu filho vai ficar decepcionado quando ela explicar que eles não podem fazer isso.
Quando Duncan começou a crescer e perceber o mundo a sua volta, ele começou a questionar sobre seu pai, então a platinada fez uma escolha, ela não queria que seu filho crescesse sabendo o que seu pai fez para eles, ela não podia contar a uma criança que seu pai havia sido responsável pela cicatriz horrível que ela tinha embaixo de seu peito, ela lembrava o quão horrível foi descobrir o que seu pai fazia com sua mãe Rhaella, mas ela não queria que seu filho crescesse odiando o pai, apesar de tudo que ele fez Jon havia dado a ela a coisa mais importante da sua vida, Duncan merecia saber que era fruto de um grande amor, então ela decidiu inventar uma história, ela diz que seu pai era um herói, que ele não estava com eles porque ele vivia em um lugar muito distante onde um rei mal, aquele que tinha a machucado comandava, seu pai havia ficado lá em uma terra além da muralha para proteger o povo livre desse rei, enquanto ele estivesse lá o rei os deixaria em paz, porém seu pai sofria muito por estar longe deles, ele os amava.
Seu filho acreditou, então começou a fazer perguntas sobre o pai, ela deixou que Arya contasse a maioria das histórias, história como a de quando Jon lhe deu agulha, histórias de sua infância juntos, as vezes seu filho pedia para ela contar algumas, então Daenerys tentava ignorar a dor que as lembranças lhe causavam e satisfazia a curiosidade de seu filho, suas histórias sempre eram da época em que eles se conheceram, do tempo que foram felizes juntos, sempre antes da sua chegada em Winterfell, que foi onde tudo desmoronou.
— Nós não podemos fazer isso pequeno Dragão, é muito perigoso, o rei mal poderia machucar nós dois. – Ela explica tentando afastar a ideia da mente de seu filho, no fim não é uma mentira, Bran não sabia sobre eles, a mulher esperava que as coisas permanecessem assim por muito tempo, até a própria Arya entendeu que seria melhor assim, eles não estavam prontos pra enfrentar Bran ainda.
— Mas nós temos Drogon Munē. – Ele explica e ela lhe dá um sorriso triste.
— Eles têm armas contra dragões meu amor, não é seguro, eu lamento muito, mas não esqueça, não importa a distância entre vocês dois, seu Kepa te ama muito. – Ela diz segurando o rostinho do filho entre suas mãos, a coisa mais importante da sua vida, a razão por ela ter forças para treinar todos os dias, a pequena razão do seu viver, a única razão por ela não se arrepender de ter amado Jon Snow.
— Tudo bem. – Seu filho diz desanimado, uma sombra de tristeza alcançando seus olhos, então ele olha em direção ao por do sol, ele fica quieto como sempre quando está triste, uma das características que herdou do pai.
A verdade é que apesar dos fortes traços Valirianos, quando se tratava de sua personalidade Duncan parecia a fusão perfeita entre seus pais, apesar de ser um garotinho bastante extrovertido e determinado como a mãe, quando ficava chateado ou triste ele se fechava como agora, ele podia pensar por horas sobre algo como seu pai.
— Não fique triste meu menino, a tantas pessoas aqui que se importam com você, eu, tia Arya, Tio Lucius, Henry, Kinvara, seus amiguinhos.
— Eu sei Munē, mas eu só queria ver o Kepa pelo menos uma vez. – Seu menino diz com a voz triste, pequenas lágrimas se formando em seus olhinhos, isso parte seu coração, ela se recorda de desejar o mesmo quando tinha a sua idade de conhecer sua mãe, então ela o embala em seus braços, ela deixa duas grandes lágrimas rolarem pelo seu rosto, nessas horas ela deseja de todo o coração que as coisas pudessem ter sido diferentes, se olhar eu para trás estou perdido, ela fecha os olhos tentando se concentrar nesse pensamento, ela sente pequenas mãos tocando seu rosto.
— Não chora Munē, um dia quando eu for mais alto que o tio L e for um grande guerreiro como o Duncan do livro eu vou destruir esse rei mau, e aí o Kepa vai ficar livre pra vir morar com a gente. – Seu menino diz ela sabe que ele está tentando fazê-la se sentir melhor, inocente de que a última coisa que ela deseja é reencontrar seu pai, isso é outra coisa que ela ama em seu filho, sempre que percebe alguém da sua pequena família triste o garotinho faz de tudo para fazerem eles ficarem bem.
— Com certeza você vai meu amor, meu pequeno herói. – Ela diz beijando cada lado de suas bochechas, descendo suas mãos para sua barriga fazendo o menino gargalhar, seu filho nunca chegaria perto daquele continente, não enquanto o corvo não fosse destruído, apesar de todos os treinamentos Daenerys prefere fingir que ela não é a escolhida, a campeã do deus vermelho como Kinvara diz, porque isso significaria que um dia ela vai ter que deixar essa vida que ela ama, a vida que conseguiu construir nos últimos anos, e o pensamento de perder isso é mais do que ela pode suportar.
— Que tal um último voo em Drogon antes de voltar pra casa? – Ela sugere e o menino pula de seus braços animado.
— SIM SIM – Ele grita animado. – Então Drogon se abaixa o possível enquanto ela ajuda o garotinho a subir, Drogon nunca rejeitou seu filho, na verdade ele sempre fora protetor em relação a ele, o dragão sabia que ele era família.
— Segure firme pequeno dragão. – Ela pede e o garotinho se agarra com forças, então ela se abaixa segurando nas escamas ao redor do garotinho.
— Sōvegon. – Diz, então o Dragão começa a subir pelo céu.
Arya sentia a mão pesada ao terminar a carta para seu irmão, a poucos dias Kinvara lhe informou sobre uma visão que ela teve nas chamas, a vida de Jon estava em perigo, se ele permanecesse em Westeros ele seria morto, ela não teve outra escolha a não ser quebrar o juramento feito a Daenerys, mesmo sendo para salvar a vida do Jon ela não podia evitar de se sentir doente por trair a confiança da mulher que hoje ela considera família.
Elas tinham passado muitas coisas nos últimos anos, ela havia crescido para amar a mulher como uma irmã, ela finalmente viu porque Jon se apaixonou por ela, Arya teve que lidar com arrependimento de não ter dado uma chance a ela como Jon tanto pediu, embora não admitisse em voz alta, mas aqui com Daenerys, Lucius e Duncan ela se sentia mais em casa do que se sentiu em Winterfell na última vez que ela esteve lá, ela se lembra como foi fácil deixa-los, eles não eram mais família, ela lembra, Sansa virou uma cobra traiçoeira como os Lannisters, já Bran a garota nem gostava de pensar no que ele era agora, o único que por quem ela podia lamentar era por Jon, ela só esperava que Daenerys pudesse a perdoar, Arya entendia os motivos de Jon para fazer o que fez, ela mesmo havia o empurrado para aquela direção, mas depois de algumas conversas com Daenerys ela também começou a compreender a mágoa de Daenerys sobre ele, tudo isso era uma confusão total e Arya se sentia presa no meio dela, pelos deuses, quando a vida dela ficou tão complicada? A garota pensa.
— Você me garante que é seguro, tem certeza que Bran não vai perceber nossa mensagem? Ou que Sam não vai nós trair? Há muito em jogo aqui. – Arya pergunta preocupada, ela sabe que se a mensagem cair em mãos erradas eles estarão perdidos, não havia como sua mensagem chegar a Jon além da muralha, não era ambiente propício para ave que elas iriam usar, então Kinvara sugeriu que eles enviassem a alguém de confiança, alguém que se importasse com Jon, depois de um pequeno feitiço o senhor da luz apontou que Sam Tarly era a melhor opção.
— Águias são seres do senhor da Luz, o corvo de três olhos não tem domínio sobre ele, como eu já expliquei, Sam Tarly já percebeu que seu rei não é quem diz ser, ele tem uma história com Jon, é seguro, o senhor da Luz teria nos mostrado se não fosse, agora pare de se preocupar tanto. – A Sacerdotisas diz enquanto prende um pequeno saco com os amuletos de vidro de dragão em uma das aves, e na outra as três cartas lacradas, então segura os dois pássaros enquanto sussurra palavras em Valeriano embora não entenda muito bem a língua, Arya sabe que a mulher vermelha está recitando um tipo de feitiço.
— Abra a janela. – Ela pede enquanto termina, Arya observa que os olhos do animais estão de outra cor, um negro vibrante, então ela faz o que a mulher pede, Kinvara solta as aves que voam pelo céu.
— Espero que essa realmente seja a coisa certa a fazer. – Arya afirma enquanto observa as aves desaparecendo.
— Claro que é, você está tentando salvar o seu irmão, o que haveria de errado nisso? – A Sarcedotisas questiona Arya, que balança a cabeça, quem dera que tudo fosse simples assim, preto no branco.
— Não tenho certeza se Daenerys vai pensar assim. – A garota sussurra com preocupação sem desviar o olhar do céu, estava feito, não havia volta agora, ela pensou, a sorte tinha sido lançada.
Porto Real
— Então esse é o plano, amanhã após o jantar com o rei solicitaremos uma reunião com vossa graça para tratar desse plano absurdo de comprar escravos de Essos, somente pra escraviza-los novamente de uma forma doentia, e que em sua mente ele chama de liberdade. — Gendry baratheon exclama indignado para Edmure Tully e Howland Reed, ele sabe que esses homens partilham de sua indignação a mais nova ideia do rei.
Bran Stark decidiu que a construção completa de Porto Real estava levando mais tempo que o necessário e que apesar de várias pessoas dos outros reinos terem migrado para a cidade a mão de obra ainda era pouca, então ele sugeriu que eles começassem a comprar escravos do outro continente, claro que isso causou grande indignação por parte de seu conselho, então ele disse que compraria esses homens para liberta-los, no entanto ele gastaria dinheiro com isso, portanto ele faria com que esses homens servissem o reino até que eles conseguissem pagar a ele de volta o custo de sua liberdade, claro que também pagaria a eles por seus serviços, porém um preço muito menor do que os construtores atuais recebiam, o que já não era muito, apesar das críticas de vários membros do conselho o rei decidiu seguir com o plano.
Porém nem todos os lordes estavam felizes com essa decisão, Lorde de Ponta da Tempestade tinha consciência que com o dinheiro que o rei daria essas pessoas elas nunca conseguiriam pegar sua liberdade de volta, considerando então o que o rei queria fazer era mais sujo do que o que os senhores de escravos do outro continente faziam, essas pessoas chegariam e seriam enganados com uma promessa de liberdade, só para descobrir depois que foram enganados e que nunca se libertariam das correntes.
— Lorde Stark se envergonharia se pudesse ver o tipo de rei que seu filho se tornou, se seus conselheiros não conseguem enxergar a razão ,nós o faremos, ele deve muito a minha família, ele não estaria vivo se não fosse por minha filha, então o mínimo que ele deve fazer é nos conceder esse pedido, se ele for homem de honra. — Howland Reed afirma aos dois homens. Gendry assente com a cabeça.
— Meu sobrinho tem que perceber que nós o colocamos no poder e nós podemos tira-lo, ele não tinha nenhum direito sobre a coroa, mas nós o escolhemos como nosso rei, porém ele não tem nos honrado, ele cobra impostos cada vez mais altos, para que? Para que nós realizemos seus caprichos, primeiro aquele exército estrangeiro que ele trouxe para as nossas terras junto com aqueles malditos elefantes, é caro manter aqueles animais alimentados, e agora isso? Nós temos terras e pessoas de quem cuidar também. – Lorde Tully afirma raivoso, há um bom tempo que não está de acordo com muitas escolhas que o sobrinho tem feito nos últimos anos.
— E se ele não nos escutar? Pelo que eu sei seus conselheiros tentaram fortemente dissuadi-lo dessa ideia e nada conseguiram. – Lorde Baratheon questiona franzindo o cenho em preocupação enquanto olha os outros dois, ele pensa em sua mulher e filho em casa, ele sabe que está fazendo a coisa certa porém ele não é como esses homens, ele ainda seria bastardo se não fosse pela Rainha dragão, então é impossível não temer o que o rei possa fazer.
— Se ele recusar falaremos com outros lordes, podemos sugerir uma votação, sei que não somos os únicos insatisfeitos com essa decisão. – Lorde Tully sugere.
— Uma votação para elegermos um novo rei? – Gendry questiona com a voz trêmula, ele não estava esperando por isso.
— Não idiota, uma votação a respeito desse assunto, quando o rei perceber que nós não iremos aceitar isso terá que recuar, não somos os únicos insatisfeitos, os outros só são bundas moles demais para tomar uma atitude, mas se nós tomarmos a frente eles irão no seguir. – O tio do rei explica fazendo o Lorde da Tempestade respirar aliviado. Eles tinham um bom plano pelo menos.
— Então amanhã? – O pai de Meera questiona.
— Amanhã. – Os outros respondem juntos.
Tyrion se sentia estranhamento nervoso ao adentrar o grande salão onde seria o jantar, os últimos dias não tinham sido agradáveis, o rei continuava insistindo naquele ideia estúpida de trazer escravos de Essos para Porto Real, Tyrion o avisou que vários lordes não concordariam com esse ato, porém o rei apenas deu um sorriso frio, dizendo que ele deveria então arrumar uma maneira de lidar com eles, afinal Tyrion era sua mão e estava ali para lidar com esse tipo de situação, Bran era extremamente teimoso sempre achando que somente ele sabia o que era melhor para o reino, apenas comandando ordens, muitas vezes desprezando as ideias do anão, por mais que Tyrion odiasse admitir muitas vezes ele sentia-se como no tempo que servia seu pai e isso era ruim muito ruim, ele não tinha mais certeza se a ideia de pôr um ser místico como Bran no trono foi uma grande ideia, ele achou que o Rei poderia ser controlado, eu vivo no passado agora foi o que ele lhe disse em Winterfell, no entanto o rei parecia cada vez mais ligado a sua vontade de construir um futuro a sua maneira e nem tudo nesse futuro parecia bom aos olhos do anão.
— Não beba tanto, alguns lordes pediram para se reunir com o rei após o banquete, você pode imaginar o teor do assunto? – Sor Davos questiona o anão quando o vê virar dois copos de vinho seguidos.
— Puta merda. – O anão pragueja. Tudo o que Tyrion desejava para noite era se embebedar e terminar com uma mulher ou duas, o homem tinham voltado com seus velhos hábitos, as vezes as coisas eram demais pra lidar, o rei, seus pesadelos constantes sendo devorado por Dragões, o cheiro de Varys queimando naquela noite anos atrás, tudo isso atormentando sua mente.
— Nós avisamos que isso iria acontecer, na verdade, desde que ele não voltou atrás dessa ideia eu tenho torcido para que acontecesse, já que ele não nos escuta mais, quem sabe escute alguns Lordes. — Sor Davos declarou. Em sua vida ele já havia servido três reis, e a verdade é que apenas um pareceu merecer seus serviços, com certeza não era aquele que entrava no grande salão, no momento sua cadeira empurrada por Sam Tarly e acompanhado por Humphrey Stone, um dos generais da companhia dourada, atual responsável pela guarda pessoal do Rei, um homem robusto de quase dois metros, barbudo e com uma cicatriz do lado direito da testa, cabeça raspada dos lados e uma grande trança, muitos o chamavam de o invencível, o homem nunca perdeu uma luta desde que chegou ao continente, seu olhar sádico causava temor em qualquer um que chegasse muito perto do rei.
— Bem vindos meus Lordes, hoje é um dia de comemoração, desde que eu assino o trono o nosso povo prospera, obviamente enfrentamos dificuldades devido o rastro de destruição que as últimas rainhas deixaram, porém a cada novo dia tenho a certeza absoluta que nos tornarmos cada vez mais grandes enquanto permanecemos juntos e fiéis a nossa causa. – O Rei afirma com convicção aos homens ali presente.
— E que causa seria essa meu rei? — Lorde Howland Reed questionou quebrando o clima, todos ficaram em completo silêncio, Tyrion bebeu um pouco mais de vinho pensando que talvez esse jantar não teria sido a melhor a ideia.
— Criar um mundo melhor para todos, não é o que temos feito até agora meu senhor? – O rei questionou friamente enquanto encarava o homem a sua frente.
— É claro meu rei, no entanto ao meu ver ainda temos que trabalhar muito para alcançarmos esse objetivo. – O homem respondeu.
— As pequenas vitórias então. – Tyrion sugeriu levantando a taça numa tentativa de restabelecer o clima de comemoração, todos na sala imitaram seu ato, menos o rei, embora tivesse lhes dado um pequeno sorriso, Bran Stark não bebia vinho, na verdade ele mal bebia alguma coisa.
— Porque não vamos jantar senhores, qualquer outro assunto pode ser tratado depois. – Cavaleira Brienne sugeriu e a mão do Rei agradeceu a mulher mentalmente.
— Essa noite parece que vai ser divertida.- Bron sussurrou ao anão percebendo a pequena tensão no ar, Tyrion lhe deu um olhar, antes de se afastar e procurar o seu lugar, outra grande ideia do rei, lugares marcados, Tyrion pensou que talvez Vossa graça estivesse temendo ter a mão espetada por algum lorde durante o Jantar, certamente alguns homens como Lorde Tully poderiam tentar algo do tipo, considerando olhar nada afetuoso que o homem direcionava ao sobrinho no momento.
Depois que todos se sentaram em seus lugares, os empregados revelaram as refeições e o clima tenso desapareceu, as pessoas começaram a comer e contar histórias, talvez não fosse uma noite tão ruim afinal. – Tyrion pensou antes de Bronn começar a tossir ao seu lado, por um momento ele achou que o amigo tinha se engasgado, no entanto outras pessoas começaram a fazer o mesmo Lorde Gendry, Tully e Reed, todos começaram a se movimentar.
— Ninguém toca em mais nada. – Tyrion grita quando nota o sangue escorrer pelos olhos de seu amigo, veneno ele conclui, Sor Davos estava tentando ajudar lorde Gendry a beber água, tarde demais, o garoto caiu morto nos braços do velho homem, uma baba verde escorrendo pela sua boca, o mesmo acontece com Bron, a maioria empurra seus pratos pra longe, todos estão com medo, o anão fecha olhos e espera que o mesmo ocorra com ele e os outros, mas ele não sente absolutamente nada.
— A justiça foi feita. – A voz do rei diz, então há um grande silêncio, Tyrion abre os olhos e ele vê que mais dois homens também morreram, o choque é quase absoluto, Sam Tarly não consegue parar de olhar os cadáveres mortos na mesa, suas mãos estão tremendo.
— O que você fez? – Sor Davos é o primeiro a falar, a voz do homem quebra e ele está olhando diretamente para onde o rei está sentando com uma expressão satisfeita no rosto.
— Qual é a sentença para crime de traição senhores? Alguém pode me dizer? – Bran Stark pergunta.
— A morte, meu rei. – O príncipe de Dorne responde, Tyrion percebe que o homem não parece nada chocado com o que acabou de acontecer, ele sabia, os venenos de Dorne são os melhores o anão se lembra.
— Lorde Gendry, meu tio e Howland Reed estavam conspirando contra mim, contra seu rei, aquele a quem eles juraram fidelidade, eles tinham um plano para me executar, nas palavras do meu tio, um aleijado não poderia ser tão difícil de matar, mas eles esqueceram um detalhe importante, que eu vejo tudo, ninguém pode esconder nada de mim, eu não sou um homem, eu sou mais que isso, então eles receberam o que os traidores merecem, a morte. – O rei diz e Tyrion finalmente sai do próprio choque.
— E Bron? ele não traíra você, ele tinha um nome agora, poder, foi tudo o que ele sempre desejou. – Tyrion diz evitando olhar o corpo do amigo ao seu lado, sua cabeça estava girando, com certeza não era pelo vinho, o homem pensou.
— Ele cometeu um ato ainda pior, ele estava roubando do reino, enquanto todos nós esforçamos para economizar, enquanto algumas pessoas não tem mais de uma refeição por dia, esse homem estava roubando nosso dinheiro para financiar suas orgias e putarias, ele não merecia viver. – Bran declara, Tyrion engole em seco, o anão só consegue pensar como o amigo foi idiota em roubar, ele achou mesmo que o rei não descobriria? Ele era a porra do corvo de três olhos.
— Deve haver algum engano vossa graça, eu conheço, quer dizer, conhecia Gendry muito bem, ele era um bom rapaz, ele não planejaria algo desse tipo. – Sor Davos declara, o homem estava visivelmente abalado com toda a situação, seus olhares são de total incredulidade para o que acabou de presenciar.
— Mais foi exatamente o que ele fez, homens cometem enganos Sor Davos, mas eu não. Meus Lordes eu lamento que terminamos o jantar dessa maneira, mas eu gostaria de conversar com meus conselheiros agora, os empregados vão os acompanhar até a cozinha, eles servirão comida para vocês, comida segura eu prometo. – O Rei pede, então as pessoas vão se movendo de seus lugares a saída, pouco a pouco, então restam na sala somente Sor Davos, Tyrion, Brienne, Pod, Sam e os guardas reais, incluindo o comandante da companhia dourada.
— Mesmo que isso seja verdade meu rei, eles foram executados sem um julgamento, esse não é o melhor caminho. – Brienne explica.
— Ela tem razão, você deveria ter nos comunicado sua graça, eu sou sua mão, estou aqui para aconselhar. – Tyrion afirma nervosamente, tudo que aconteceu essa noite parece irreal.
— Para você me trair como fez a Daenerys? Bron era seu amigo, você tentaria salva-lo como fez com seu irmão, o mesmo vale para Sor Davos que inclusive pelo que me lembro arrumou o barco em que seu irmão iria fugir com Cersei, emoções são a fraqueza dos homens, obscurece suas visões, eu evitei que vocês caíssem em tentação. Tyrion, você já imaginou o que teria acontecido se Cersei tivesse escapado? Ou você era idiota o suficiente pra achar que ela não voltaria e traria mais guerra para esse reino? é por isso que eu sou o melhor governante que vocês já tiveram, minha visão é sempre clara. Não há sentindo em fazer um julgamento aqui, não quando já se sabe a verdade, eles eram culpados. – O Rei declara com a voz calma, porém firme, o anão sente como se alguém tivesse cravado uma faca em seu peito ao ouvir essas palavras, tudo que ele fez foi por Jaime.
— A única coisa que peço então vossa graça é que permita que eu leve o corpo de Lorde Gendry para sua família. – Sor Davos pede tentando conter o nó em sua garganta, ele sente exatamente a dor que sentiu no dia que perdeu seu filho, a mesma dor que sentiu quando soube que a pequena Shireen morreu.
— Como ato de boa-fé as famílias eu permitirei, quando você chegar lá eu quero que a esposa de Lorde Gendry jure fidelidade a coroa. – Bran declara e Sor Davos assente sem olha-lo, o homem não consegue, a dor martelando em seu peito, ele se sente desesperado para deixar aquela sala, deixar a companhia do rei.
— Devo mandar enterrar Bronn na cripta ao lado do castelo? – Tyrion consegue perguntar, Bran teve a ideia de criar uma grande cripta em Porto Real onde os moradores pudessem ter seus corpos enterrados quando falecessem.
— Não, o caso de Bronn é diferente, eu quero que coloquem o corpo dele amarrado ao muro do castelo, eu quero que as pessoas vejam o que eu faço com aqueles que roubam do povo. – Bran declara a Podrick e Brienne, Tyrion sente o estômago revirar.
— Já que estamos todos aqui eu quero fazer alguns comunicados primeiro é sobre Aegon Targaryen, eu fui generoso com Jon ignorando sua traição por anos, matar a rainha foi algo muito difícil para ele, mas necessário para o povo, então eu permiti que ele sofresse isolado além da parede, mas não posso continuar fazendo isso ou ele retorna a muralha para fazer seus votos ou terei que ordenar que ele seja executado, as pessoas que são mandadas para muralha não podem achar que elas têm uma escolha. – Bran declara, então Sam percebe a oportunidade perfeita que ele estava esperando, depois de tudo que aconteceu essa noite ele sabe que tem que agir.
— Eu acredito que você está certo vossa graça, no entanto eu imploro permita que eu vá ao Norte e fale com ele, nós somos amigos eu sei que eu posso convencê-lo a cumprir seu dever por favor. – O homem pede com a voz trêmula, rezando aos deuses que Bran não desconfie de nada.
— Tudo bem eu vou permitir, mas se ele não aceitar você irá ordenar a sua execução entendeu? – Bran questiona o homem, que engole a seco.
— Sim senhor. – Sam responde sem conseguir olha-lo, ele tem medo que o rei descubra através de seus olhos suas verdadeiras intenções.
— Já que estamos falando do Norte, depois de analisar com cuidado a situação atual em que eles se encontram, eu concluí que dar a independência a minha irmã foi um erro, ela se mostrou incompetente nos últimos anos, ela mal consegue cumprir nosso acordo, eu não vou permitir que o Norte continue sofrendo, eu vou mandar uma mensagem a Sansa exigindo que ela dobre o joelho, eu ainda permitirei que ela seja Lady de Winterfell, mas com a condição que ela se case com alguém de minha escolha. – Bran declara, essa notícia parece ser o fato menos surpreendente da noite, a relação com o Norte tem se tornado difícil nos últimos anos, os conselheiros do rei sabiam que era questão de tempo até algo do tipo acontecer.
— E se ela não dobrar o joelho? Eu me lembro que ela estava irredutível sobre dar o Norte a Daenerys, apesar de ela poder queimar Winterfell abaixo se quisesse. – Tyrion explica. Ele ainda tem sentimentos por Sansa, sentimentos de proteção, talvez ele devesse ter seguido a mulher ao Norte e ter ajudado a reinar, quem sabe assim hoje o país estivesse em outra situação, o anão teme que o rei vá a guerra contra a própria irmã, depois dos últimos acontecimentos ele não duvida que Bran cortasse a cabeça da ruiva fora e a colocasse em exibição no centro de Porto Real.
A cavaleira do Rei se mexe inquieta na cadeira, se o rei fosse a guerra contra a rainha do Norte, o que ela deveria fazer? Ela jurou fidelidade ao rei, mas também jurou proteger a ruiva, ela sentia que no fim teria que escolher quem iria trair, isso causava repulsa na mulher, ela não era uma traidora.
— Não haverá guerra, você pode relaxar Sor Brienne. Tyrion, Sansa não é estúpida, ela sabia que a rainha Dragão amava Jon, então ela confiava que a mulher não queimaria a família do homem que ela amava, além de que na época ela tinha a lealdade do Vale, o que ela perdeu desde que rejeitou o casamento com Jon Arryn, muitos Lordes do Norte a abandonaram, eles clamam pelo filho homem de Ned Stark, eu tenho homens mais do que suficientes pra tomar o Norte, não importa se ela é minha irmã, eu farei o que for preciso para salvar o lugar onde eu nasci, então ela vai fazer o que é certo eu garanto. – O rei explica alternando os olhares entre os dois, eles esperam que ele esteja certo. Brienne se sente triste pela mulher, ela batalhou tanto pela independência do Norte e agora perderia a coroa para seu próprio irmão.
— Era isso, eu vou me retirar, o cheiro deles está começando a me incomodar. – Bran afirma fazendo sinal para seu comandante, se despedindo de todos antes de sair com seus guardas.
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Tyrion observa enquanto Sor Davos arruma suas coisas rapidamente, o homem parecia um animal enjaulado, o que era um pouco surpreendente, ele sempre fora um homem bastante contido. Ele viu um amigo cair morto na mesa de jantar, Tyrion lembra a si mesmo.
— Você não acha mais prudente partir amanhã sobre a luz do Sol? – Tyrion sugere, ele balança a cabeça negativamente enquanto termina de organizar as coisas, o anão percebe que ele está pegando tudo, não parece ser a mala de alguém que vá fazer uma pequena viagem, parece mais de alguém que não vai mais voltar.
— Nós cometemos um erro, um grande erro. – Sor Davos diz. Tyrion sabe exatamente o que essas palavras significam.
— Vossa graça pode não ter os melhores métodos, mas aquelas pessoas nos traíram, eu sei que você não quer acreditar que aquele garoto seria capaz disso, mas as vezes nos enganos sobre as pessoas, nem sempre as conhecemos tão bem como pensamos. – Tyrion diz preocupado que o homem faça alguma besteira.
— Quem está se enganando aqui é você Tyrion, eu sei bem quem aquele menino era, ele não a deu a eles nem um julgamento justo, porquê? A verdade é que nenhum de nós sabemos o que ele é de verdade, a única coisa que sabemos é que ele não é um homem. – Sor Davos questiona e o anão se aproxima dele.
— Ele é o corvo de três olhos, uma criatura criada pelos Deuses antigos para proteger a humanidade. – Tyrion diz numa tentativa de convencer o amigo, no entanto quando as palavras saem de sua boca elas parecem mais uma tentativa de convencer a si mesmo.
— E de onde você tirou isso? De um livro escrito por ele mesmo? isso é loucura Tyrion, magia é uma coisa perigosa, eu já vi o que ela pode fazer, eu não vou fechar mais os meus olhos para o que está acontecendo aqui. – Sor Davos fala com convicção, ele não consegue se esquecer da cena de Gendry morrendo em seus braços, sangue escorrendo por seus olhos, olhar desesperado em seu rosto.
— Você pode se ouvir? O rei tem razão, os sentimentos nos cegam, você não está pensando direito, você fez um juramento, não pode simplesmente ir embora. – O Anão argumenta se colocando na frente do homem numa tentativa de impedi-lo de sair.
— Sério? Você quer falar sobre juramentos agora? Eu não me importo com nenhum juramento, eu não vou fazer mais parte disso, diga ao rei que ele sabe onde me encontrar, caso queira cobrar o meu juramento, eu não passarei mais um dia sequer nesse lugar, o inverno não acabou Tyrion ele acabou de começar, um último conselho, vá embora daqui enquanto pode, você não é um homem burro, muito menos cego, adeus. – Ele diz e o anão balança cabeça negativamente antes de abrir caminho, ele deixa o quarto sem olhar pra trás. Tyrion cai no chão sentado. Sor Davos não entende, ele está errado, está deixando a dor tirar o melhor dele, Tyrion repete as palavras em sua mente, ele tem que acreditar nisso, ele precisa acreditar no que seu rei diz, porque se Sor Davos estiver certo eles estão fodidos, Tyrion sabe de todos os erros que cometeu na vida, e ele acredita que não pode aguentar mais um.
Gilly está chorando quando Sam se despede dela, a mulher sente algo muito errado dessa vez, principalmente devido a insistência dele em que ela e as crianças acompanhem sua mãe em uma viagem para Braavos, ela tentou convencê-lo a adiar para quando ele estivesse de volta do Norte, ele poderia ir junto, ele não quis.
— Você foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida, você e nossos filhos, obrigado. – Ele diz abraçando fortemente.
— Eu não gosto do rumo dessa conversa, só me diz o que está errado por favor. — Ela implora.
— Não há nada de errado, só faça o que eu te pedi por favor. – Ele implora e ela assente, algo está errado, Sam claramente não vai dizer a ela, ele não pediria isso a ela se não fosse importante, então ela assente e ele a beija, eles já se despediram tantas vezes, mas dessa vez é diferente ela pode sentir, ele também.
Além da muralha um tempo depois
Sam tentou fazer a viagem de forma mais rápida possível, finalmente ele iria encontrar Jon, então ele colocou o pequeno amuleto no pescoço, se Arya estivesse certa o objeto deixaria a visão do rei atordoada, ou seja, ele não saberia o que ele e Jon conversariam, um ponto cego.
— Ele não é mais o mesmo, a morte da Rainha dragão realmente o machucou, na verdade eu temo que ele esteja ficando meio biruta, ele diz que a vê as vezes, pela floresta brincando com um garotinho, eu tomaria cuidado se fosse você, ele não gosta muito de visitas. – Sam agradece o aviso de Tormund, ele está com um pouco de medo depois das coisas que ouviu do ruivo, mas Jon precisa saber a verdade.
Sam seguiu pela floresta e viu a pequena tenda, o lobo branco correu em sua direção o cheirando.
— Eu também senti sua falta Ghost. – Ele diz acariciando a cabeça do lobo, então uma voz preenche o silêncio da floresta.
— O que você faz aqui? – Jon pergunta surgindo atrás das árvores, Sam ofega com a imagem do amigo, Jon realmente parece um selvagem agora, seus cabelos e barbas são grandes agora de um jeito que o Tarly nunca viu, suas roupas não passam de trapos, e a expressão em seu rosto e sombria, o homem está chocado demais para conseguir dizer alguma coisa.
— Quer saber não importa, eu não quero saber, apenas pegue seu caminho de volta Sam. – Ele diz com a voz firme feito aço.
— B r a n m e enviou para fa..la.r com você. – O homem gagueja a primeira coisa que vem a sua mente, Jon não parece nada do homem que ele conheceu.
— Como eu disse não importa, só vá embora, eu não dou a mínima para o que Bran quer. – Jon disse virando de costas andando rapidamente, então Sam sai finalmente do choque, ele não pode ir assim não sem ouvir o que ele tem a dizer.
— Ela está viva. – Ele diz sabendo que isso é a única coisa que vai parar o amigo, ele está certo, Jon para, então vira para ele com uma expressão chocada cobrindo seu rosto.
— De quem você está falando Sam? Quem está viva? – Jon pergunta desesperado, seus pensamentos embaralhando sua mente, dizendo que ele ouviu errado.
— Daenerys. – Sam consegue dizer, então Jon de repente está na sua frente segurando seus braços.
— Porque você está fazendo isso comigo? Foi isso que Bran mandou você fazer aqui, me enganar? Brincar com a minha dor? – Jon acusa o apertando cada vez mais, olhos vermelhos injetados de raiva.
— Não, Bran não sabe sobre ela, foi por isso que eu vim para te avisar, eu não brincaria com algo assim, você me conhece Jon. – Sam diz tentando ignorar a dor em seus ombros, Jon finalmente o solta totalmente perplexo pela revelação.
— Como? – Ele questiona, ele não tem certeza do que sentir, do que acreditar, talvez isso seja apenas mais um de seus sonhos estúpidos.
— O dragão dela a levou para sarcedotisas vermelhas do outro lado do mar, elas a trouxeram de volta, Arya não deu muitos detalhes sobre isso.
— Espera, você disse Arya? – Jon questiona, o homem sente seu coração martelando muito rápido dentro do seu peito.
— Foi ela que descobriu sobre Daenerys, escute Jon, eu sei que é muita coisa, mas não temos muito tempo, o que você precisa entender antes de tudo é que nós não derrotamos o rei da Noite completamente, uma parte dele ficou presa a Bran, Daenerys não teve culpa pelas mortes em Porto Real. Bran a manipulou ele entrou na mente dela e bagunçou as coisa. – As palavras de Sam atingem Jon mais rápido que uma faca, ele cai no chão as palavras de seu velho amigo girando em sua cabeça, Daenerys, Bran, o Rei da Noite, as lágrimas começam a cair pelo seu rosto, se aquilo era real, significava que ele a matou por nada. Antes que ele pudesse pôr os pensamentos em ordem Sam está colocando uma carta em suas mãos e uma pulseira que parece ser feita de vidro de dragão.
— O que é isso? – Ele questiona.
— Apenas leia você vai entender. – Sam pede então ele abre o papel com as mãos trêmulas, ele reconhece a letra de Arya.
Jon eu espero que essa carta tenha chegado a você, antes de tudo irmão peço que me perdoe por não ter te contando antes, eu não podia, não era seguro, eu nem tenho certeza se agora é, no entanto sua vida corre perigo, então eu não poderia continuar mantendo a verdade de você.
Daenerys está viva, ela foi ressuscitada por um grupo de Sacerdotisas vermelhas, elas dizem que ela é a princesa prometido, depois de tudo que eu vi eu também acredito nisso, foi por causa disso que Bran fez de tudo para destruí-la, nosso irmão morreu, ele é outra coisa agora, corvo, rei da noite, eu não sei dizer, mas ela é luz e ele escuridão, ele entrou na mente dela naquele dia em Porto Real , ela não sabia o que estava fazendo Jon, mas ele não fez isso sozinho, eu não sei a extensão da participação de Sansa nisso, mas eu sei que ela nos traiu, ela mandou um corvo para Porto Real avisando a Cersei sobre onde Daenerys estaria, foi por isso que a frota de ferro sabia onde ela estaria, perder Missandei, perder um de seus dragões, ser traída por seus conselheiros a deixou vulnerável para Bran, então ele fez o que fez e você melhor do que ninguém sabe como termina a história.
Eu sinto muito irmão, eu nem consigo imaginar como você está se sentindo agora, mas há outra coisa que você precisa saber. Daenerys estava grávida quando você a matou, ela teve um filho seu, ela o nomeou de Duncan Jorah Targaryen, seu filho é uma criança maravilhosa irmão, quando nos encontrarmos eu falarei mais dele para você.
Bran não sabe sobre eles, é por isso que eu não disse nada antes, para manter sua família segura, Bran vai tentar te matar, eu não sei porque agora, as chamas não explicam muitas coisas, você precisa ir embora daí, navegue para Essos e siga até a cidade de Volantes, quando você chegar no templo do senhor. da luz diga quem você é, diga que é meu irmão, elas guiaram você até nós, Daenerys não sabe que estou fazendo isso, ela não concordaria jamais, ela sofreu muito com tudo que aconteceu, você estava certo sobre ela, eu lamento não ter percebido antes.
Use os amuletos que eu enviei, se Kinvara estiver certa eles criam um ponto cego na visão de Bran, então você estará seguro, eu espero te ver de novo em breve, tome cuidado pois a noite é escura e cheia de terrores.
Sam não sabe de Duncan, não conte a ele.
Queime a carta.
Arya Stark.
Quando Jon terminou de ler a carta de sua irmã sua vista estava turva pelas lágrimas, milhares de emoções invadindo o seu corpo, ele finalmente entendeu o porquê sempre sentiu que tinha feito a coisa errada, Daenerys era inocente, eles tinham sido apenas peças no jogo de Bran, então ele grita, grita desesperadamente, a raiva explodindo em seu peito, ele matou a mulher que ele amava por nada, seu filho não nascido, a traição dele foi pior do que ele pensava.
— Jon você precisa ficar calmo agora. – A voz de Sam pede e ele se levanta desesperado.
— Calmo, como você pode pedir isso de mim, eles fizeram eu matar a mulher que eu amava, ela morreu olhando nos meus olhos, sabe o que eu vi no olhar dela? Medo, decepção, no momento que eu fiz eu sabia que tinha algo errado, nesses últimos anos tudo que eu tenho feito foi buscar motivos para explicar o porquê ela fez algo tão cruel, ela não era assim, ela não era, então eu achei que tinha sido toda a dor, o medo a rejeição, e agora isso. – Jon diz em meio a grunhidos e choro, então Sam o abraça.
— Eu sei, eu lamento, ele me usou também, na noite que eu te contei a verdade sobre sua linhagem, ela tinha acabado de me falar sobre meu pai e meu irmão, eu estava com raiva, então Bran disse que eu era único que poderia te contar, ele sabia que eu tentaria fazer a sua mente contra ela, eu não estava pensando direito, eu só conseguia pensar que ela era igual a Cersei ou pior. – Sam confessa e Jon se afasta dele.
— Eu disse a você, talvez eu devesse ter explicado melhor, ter dito que seu pai e seu irmão eram dois traidores, que eles traíram a mulher a quem sua casa era juramentada, que seu doce irmão matou homens que cresceram ao seu lado.- Jon diz com raiva, Sam sabe que ele está dizendo isso pra lhe causar dor, Tormund estava certo, ele não era mais o mesmo.
— Isso não importa mais, todos nós cometemos erros, mas a vida está te dando outra chance Jon. Ela está viva, você poderá ir até ela agora, temos que ser rápidos, antes que Bran dê conta que tem algo errado, ele é muito poderoso agora, você não tem ideia, pegue, aqui tem roupas e tesouras, se arrume, nós partimos amanhã de manhã, coloque a maldita pulseira e não a tire mais, eu sinto muito Jon por tudo, eu nunca imaginei que as coisas terminariam assim. – Sam diz entregando um saco pra ele, Jon respira tentando manter as emoções sobre a superfície, ele se concentra em único pensando ela está viva, nós temos um filho, todos esses anos ele orou por um milagre, uma segunda chance, ela finalmente chegou, ele não deixaria que nada e nem ninguém tirasse isso dele novamente.
Jon tomou banho, cortou o cabelo e aparou a barba, ele não conseguia lembrar a última vez que ele tinha feito essas coisas, também vestiu uma das roupas que Sam trouxe, a verdade é que nos últimos anos ele havia sido apenas um fantasma, Tormund ficou tão chocado quanto ele quando ouviu a história de Sam, então o selvagem decidiu que iria com ele para o outro continente, Jon levaria Ghost dessa vez, ele não conseguiria deixar ele para trás, seu único companheiro nos últimos anos, ele só esperava que o lobo se adaptasse ao clima quente, ele não dormiu naquela noite, tudo que ele conseguiu pensar foi em Daenerys e seu filho, será que ele se parecia com o garotinho em seus sonhos? Ele espera que sim, a verdade é que antes da chegada de Sam, Jon se sentia como se estivesse na beira de um precipício, ele estava chegando ao próprio limite, viver sem ela foi a pior coisa que aconteceu com ele, mesmo que ele sentisse que merecia sentir toda aquela dor, estava se tornando demais para suportar, os pesadelos se tornaram piores, ele e ela juntos em vários cenários diferentes sempre terminavam do mesmo jeito, ele colocando uma faca em seu coração, mas também haviam os sonhos bons ou as alucinações, onde ele podia ver ela andando pela floresta o chamado e sorrindo pra ele, o convidando para se juntar a ela, se Sam tivesse demorado mais alguns dias talvez teria sido tarde demais.
Mas agora deitado em sua tenda segurando o lenço vermelho que ele guardou por tanto tempo, pela primeira vez em anos ele sente esperança, ele está indo recuperar sua família, nada e nem ninguém vai ficar em seu caminho dessa vez.
Pela amanhã Sam consegue os atravessar pela muralha, Jon precisa ir escondido dentro da carroça com Ghost, então Sam diz que eles precisam se separar, ele diz que precisa passar em Winterfell primeiro, ele contou que Bran deseja que Sansa dobre o Joelho, Jon sorriu pensando na ironia disso, depois de tudo que ela fez, perderia sua preciosa coroa para seu irmão.
— Eu vou com você Sam. Tormund, me espere em Porto Branco, vou encontra-lo lá, leve Ghost com você, eu não vou demorar. – Jon diz e os dois homens o olham surpreso.
— Eu só quero me despedir de casa, provavelmente essa é a última vez que piso no Norte. – Jon explica tentando parecer calmo. Sam olha pra ele com desconfiança.
— Não acho que é uma boa ideia Jon, é arriscado e perigoso. – Sam tenta explicar, ele não sente um bom pressentimento sobre isso.
— Relaxe Sam, eu sei o que estou fazendo, confie em mim, eu preciso desse fechamento, vamos só estamos perdendo tempo. – Jon explica e o homem assente.
— Tome cuidado pequeno corvo, nós estaremos esperando por você. – Tormund afirma antes deles se separarem.
Winterfell
Sansa estava sentado em sua mesa, ela havia lido a mensagem de Bran milhares de vezes, ela não podia acreditar que ele estava fazendo mesmo isso, ela travou o maxilar, maldito traidor, ela pensa.
A verdade é que os últimos anos não foram fáceis para ruiva, o Norte não estava indo bem, muitos Lordes passaram acreditar que seus problemas eram falta dela ter um marido ao seu lado, aqueles idiotas de merda, muitos Lordes desejando roubar sua coroa através do casamento, ela não era ingênua, porém havia outro motivo, ela poderia ter se casado com seu primo, ele tinha o vale, isso a tornaria forte, mas ela não conseguiu, Ramsey estava certo, ela não conseguiu se libertar dele, depois que sua família partiu os pesadelos retornaram, ela sabia que não conseguiria ter as mãos de algum homem sobre seu corpo novamente, então houve pequenas rebeliões, que só fizeram as coisas mais difíceis, e agora ela tinham quase certeza que havia a mão de Bran naquilo, ela se sentia sozinha, tão sozinha, ela não tinha escolha, Bran não estava brincando ele a mataria.
— Vossa graça. – Ela escuta uma voz dizer entrando na sala, seus olhos não acreditam em quem ela vê.
— Jon, é você mesmo? – Ela pergunta se levantando da cadeira.
— Em carne e osso. – Ele responde lhe dando um pequeno sorriso.
— Bran disse que você está no Norte além da muralha, o que você está fazendo aqui? Não que eu não esteja feliz em te ver, eu só estou surpresa. – Ela diz dando a volta ficando na frente de Jon, ela o abraça, mas ele afasta rapidamente, tem algo errado, ela pode sentir.
— Eu estava, mas Arya escreveu pra mim, ela me disse coisas interessantes. – Jon diz Sansa lhe dá outro olhar de surpresa, ele não poderia ir embora antes de resolver as coisas com ela, não antes de esclarecer tudo.
— Arya? O que ela te disse? Ela não me manda notícias há anos, porque ela escreveu para você agora? – A ruiva diz parecendo confusa, talvez Arya soubesse o que Bran está fazendo e tenha mandado Jon para ela, o coração da ruiva se enche de esperança com esse pensamento.
— É por causa de Bran não é, ele não é mais o nosso irmão, ele virou outra coisa agora Jon, ele é mau, ele está tentando tirar o Norte de mim. – Sansa começa a falar antes que o moreno tenha chance de dizer qualquer coisa.
— Sim tem a ver com ele, Arya diz que uma parte do rei da Noite vive dentro dele agora...- Antes que ele possa terminar, ela o interrompe
— Isso faz todo sentido Jon, na verdade isso explicaria porque ele tem agido assim, ele me enganou, ele diz que iremos construir um mundo melhor juntos. – Sansa declara então percebe a raiva brilhando nos olhos do homem que ela considera um irmão.
— Qual o problema? Você está diferente, eu não sei o que é, mas tem algo errado. – Ela afirma tocando o seu ombro, ele recua para trás desviando do toque.
— Você me traiu. – Ele acusa sentindo toda raiva que ele tentou conter desde o momento que ele descobriu a verdade queimando em seu sangue.
— Eu não tive escolha, você estava cego sobre ela, você não conseguiu enxergar a mulher cruel que ela era até ser tarde demais, na última vez que nos vimos eu achei que você tinha me perdoado. – Ela afirma nervosamente e Jon lhe dá um sorriso debochado.
— Você não sabe de nada Sansa, Daenerys não era cruel, ela libertou pessoas, Winterfell só ficou de pé porque ela veio até nós, e mesmo depois de toda merda que ela recebeu aqui, ela não foi embora, ela ficou e lutou por nós, ela quase morreu me salvando. – Jon praticamente rosna as palavras contra ela. Sansa dá um passo pra trás.
— Você está defendendo-a agora, por acaso você esqueceu que a sua querida Rainha queimou milhares de pessoas? – Sansa diz ríspida, ela acha que talvez o tempo de Jon no verdadeiro Norte tenham feito dele um louco.
— Aí que está Sansa, não foi ela, foi Bran, ele estava dentro da cabeça dela. – Jon grita as palavras em seu rosto fazendo a ruiva ofegar.
— Não pode ser. – Ela sussurra mais para si própria do que para o homem a sua frente.
— Mas ele não teria conseguido isso sem ajuda da sua preciosa irmã, eu sei que foi você que contou a Cersei sobre os nossos planos de guerra, por sua causa ela perdeu Rhaegal e Missandei, mas isso não era o bastante, você ainda quebrou o juramento que fez para mim na frente da árvore do coração, por que Sansa? Por causa de uma maldita coroa? – Jon a questiona apertando o braço da mulher enquanto encara sua expressão surpresa, seu coração batendo fortemente eu seu peito.
— Eu não fiz isso Jon, eu não fiz – Ela nega puxando seu braço de volta.
— Só pare de mentir pra mim porra. – Ele vocifera em fúria, ele não vai suportar mais mentiras. O coração dela dispara, pela primeira ela sente medo do homem a sua frente, ela olha a mensagem de Bran em cima de sua mesa, Sansa sabe que não tem outra escolha.
— Sim fui eu, mas eu não fiz por mal, eu só queria manter as pessoas seguras, manter o Norte seguro, Bran me usou também, ele disse que achava que ela era perigosa, que por algum motivo ele não podia ver as verdadeiras intenções dela, que ele temia pelo povo e por você, ela queria que você abdicasse do reino por ela Jon, eu tinha certeza que ela não faria o mesmo, eu vi a sede de poder nela, então eu achei que se eu contasse a Cersei ela pararia Daenerys, se ela morresse isso forçaria você assumir a coroa, você é um homem bom irmão, você iria buscar justiça para sua rainha, então Cersei seria parada também e nossa família estaria segura, você queria a verdade, essa era a verdade. – Ela tenta explicar, lágrimas brilhando em seus olhos.
— Você deixou de fora a parte em que você pediria a independência do Norte e finalmente conseguiria tudo o que você sempre quis, que é ser rainha, e no final foi exatamente o que você recebeu. Mindinho teria ficado orgulhoso, mas pelo que eu descobri acho que as coisas não estão indo muito bem para você não é. – Sansa sente o sarcasmo em sua voz quando ele fala cada uma dessas palavras, ele está certo sim, ela queria a coroa, quando eles recuperaram o Norte dos Boltons graças a ela, a ruiva realmente acreditou que eles fariam a ela o que era seu direito, mas não, ele deram a Jon então ele o entregou na primeira oportunidade, e isso a ressentiu profundamente.
— Eu fiz pelo Norte sim, mas eu também fiz pela nossa família. Eu tinha me apaixonado antes e eu sabia como era, eu não podia deixar que você cometesse os mesmos erros que eu, depois do que aconteceu em Porto Real eu achei que tinha feito a escolha certa, eu não sabia que tinha sido Bran, como eu poderia saber que ele tinha a capacidade de fazer algo assim, eu lamento por você irmão, eu lamento por Daenerys também, todos nós cometemos erros e Bran se aproveitou de todos eles, mas ela está morta agora, você está com raiva, eu entendo, mas nós ainda somos família. – Sansa argumenta, ela precisa de Jon, precisa que ele enxergue a razão.
— Você está enganada de novo irmã, Arya a encontrou, Daenerys está viva.
— Como? – A ruiva pergunta sem entender.
— Do mesmo jeito que eu estou, apesar de tudo que Bran fez ele não conseguiu derrota-la, e a melhor parte disso é que ele nem tem ideia disso, talvez ele não seja tão poderoso como pensa afinal. – O homem explica, então Sansa finalmente entende.
— É por isso que você está aqui, você está indo embora, você vai atrás dela. – A mulher concluí e o homem acena com a cabeça.
— Sim, mas eu preciso ouvir a verdade de você antes. – Ele afirma.
— Me leve com você, Bran vai me matar se eu não fizer o que ele pede. – Sansa implora. Se Daenerys ainda está viva ainda existe uma chance de vencer Bran , ela ainda tem o dragão, talvez até um exército, como Jon disse o rei não sabe, Sansa sabe que se Bran tivesse essa informação ele já teria feito algo, se eles vencerem então ela ainda poderá manter sua posição, ao menos permanecer como Lady de Winterfell, ela pode tentar ganhar a confiança da platinada dessa vez, Arya estava com ela, então já era um ponto a seu favor.
— Levar você? Depois de tudo que você fez. — Jon questiona, ele simplesmente não consegue acreditar na mulher em sua frente.
— Por favor Jon, eu não sabia, ele me usou também, eu sou sua irmã, nós somos família, juntos podemos vencer Bran, você tem que acreditar em mim, eu só fiz o que fiz porque eu acreditava ser o certo. – Sansa apela, ela acredita ver um lampejo de dúvida cruzar o rosto de Jon, então ela diz algo que ela tem certeza que vai fazê-lo ver a verdade, ver que ela ainda é sua família.
— Quando a neve cai e os ventos brancos sopram, o lobo solitário morre, mas a matilha sobrevive. – Ela diz tocando o seu braço, então Jon sorri pela primeira vez desde que entrou na sala.
— Você está certa. – Ele diz e a abraça, finalmente a ruiva respira aliviada, ela sabe que obteve uma pequena vitória.
— No entanto você esqueceu um pequeno detalhe. – Ele afirma tocando seu rosto carinhosamente quando eles deixam os braços um do outro, ela franze o cenho confusa, ela não tem a menor ideia sobre o que ele está falando.
— O que? – Pergunta encarando os olhos escuros na sua frente, então o homem se inclina em sua direção, como se fosse contar um segredo.
— Que eu não sou um lobo, eu sou um dragão. – Ele sussurra em seu ouvido, antes que ela possa entender o que aquelas palavras significam ela sente a pequena faca cortando sua garganta, ela engasga levando as mãos ao pescoço tentando conter o sangue, os olhos azuis em completo choque, então ela cai, seu corpo convulsionado enquanto seu sangue se espalha pelo chão de pedra.
Embora Jon tenha encontrado satisfação ao tirar a vida daqueles que levaram a dele, não houve prazer nisso, no entanto dessa vez é diferente, ele sente uma espécie de contentamento pelo que acabou de fazer, sua prima finalmente ganhou o que mereceu e o que homem pensa quando a vida finalmente abandona o corpo da mulher caída no chão, também sente que finalmente compreendeu o significado de ser um Targaryen, fogo e sangue, esse foi o lema de sua casa, e a partir desse dia isso seria o que seus inimigos receberiam dele. Mate o menino e deixe o homem nascer, supõe então ter entendido o verdadeiro significado por trás daquelas palavras, o dragão acordou.
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