Notas iniciais
Antes de qualquer coisa infelizmente não deu de postar domingo, eu estava cheia de trabalho da faculdade é só terminei a última parte do cap na madrugada de sábado é a minha beta teve alguns probleminhas é não conseguiu editar antes, então sejam compreensivos, imprevistos acontecem...Mas eu fiz um vídeo novo da fic um pequeno bônus pra vcs o link https://youtu.be/9E91yolfBCc

Encontro-me no porão de minhas memórias,

E vejo os fantasmas do meu passado se agitarem em volta do meu presente. — Jaqueline Caretta

Winterfell

— Adeus prima. – Jon sussurrou enquanto fechava os olhos azuis de Sansa, ele logo se levanta pronto para sair, mas antes pega dois sacos de moedas de ouro, afinal, ele faria uma viagem para outro continente, então deduz que elas podem ser úteis em algum momento da sua jornada.

Antes que ele possa sair ouve um ranger vindo da porta, suas mãos vão imediatamente para o cabo de sua espada, concluiu que talvez alguém tenha finalmente percebido os dois guardas mortos do lado de fora, o corpo do homem fica tenso, ele finalmente respira aliviado quando dá de cara com Sam, cujo olhos caem em direção ao corpo sem vida da ruiva, ele arfa em choque absoluto.

— O que você fez Jon? – A voz de Sam sai trêmula quando questiona o homem a sua frente.

O moreno olha o corpo da mulher no chão mais uma vez, um fantasma de um sorriso cruza seus lábios, antes dele finalmente responder.

— Parece que eu matei a rainha certa dessa vez. – Suas palavras são frias como a neve que cobre o chão fora do castelo, isso assusta Sam, quanto mais tempo ele passa ao lado de Jon, mas ele sente que seu amigo desapareceu.

— Você precisa sair daqui agora, antes que alguém perceba. – Sam avisa. Ele sabe que eles não têm muito tempo, talvez Bran já tenha até percebido que algo errado está acontecendo no Norte, ele está certo que o que Jon acabou de fazer só deixa as coisas mais complicadas, então uma ideia cruza a sua mente.

— Jon, me acerte. – Sam pede e o amigo olha para ele surpreso.

— Como é? – Pergunta, franzindo a testa sem entender onde o homem a sua frente quer chegar com esse pedido.

— Eu não estava esperando que você fizesse algo assim, mas agora que fez eu tive uma ideia. Bran não pode ver o que aconteceu aqui ou que aconteceu quando nos encontramos, ele também não deve saber o porquê, então eu vou escrever a ele e dizer que sua irmã e eu fomos atacados em Winterfell, mas que eu não posso dar mais informações por enquanto, que trataremos em Porto Real, ele vai saber que há algo errado, mas ele não poderá te ver, então ele vai esperar por mim, me vigiar. Você vai poder usar esse tempo para ir embora de Westeros, antes que ele coloque homens atrás de você. – Sam explica. Ele sabe que esse é um plano perigoso, no entanto, presume que esse é o melhor que eles têm. Jon assente, o moreno sabe que o que o amigo está propondo é muito perigoso, ele lembra de sua época vivendo no muro, como ele e Sam costumavam ser, apesar de tudo, o homem na sua frente se arriscou vindo até ele, se ele não tivesse feito isso, ele não saberia sobre Dany, sobre seu filho, então ele teme pela vida do amigo.

— Sam, se Bran descobrir que você me ajudou de alguma forma, ele não vai te poupar. – Jon avisa. Depois de tudo que ele aprendeu sobre o corvo, ele sente um tipo de obrigação, de lembrar ao amigo de que fazer o que ele deseja, implica colocar sua própria vida em risco.

— De alguma forma, todos nós fizemos algo que o ajudou a tornar o que ele é agora, isso faz com que eu sinta que falhei com as pessoas. Durante a batalha da longa noite, houve um momento que eu entrei em pânico, então Edd me ajudou, e por causa de mim ele se distraiu e morreu, ele era um bom guerreiro, se eu apenas tivesse ouvido o conselho de vocês e ficado na cripta com os outros, talvez o meu amigo não tivesse perdido a vida naquela noite.

— Sam, não tem como você ter certeza disso. – Jon o interrompe tentando amenizar a culpa que vê refletida nos olhos do amigo.

— Eu sei disso, ainda assim, desde esse dia eu sinto como se estivesse vivendo uma vida emprestada, a pior parte é que eu odeio o que eu fiz com ela, há muito tempo eu comecei a perceber que tinha algo errado com seu irmão, e o que eu fiz? Eu fechei os olhos, eu justifiquei suas atitudes, não importa como eu me arrependo de ter feito parte disso por todos esses anos, isso não muda nada, mas pela primeira vez em anos eu tenho a chance de fazer a coisa certa, e ainda ajudar um grande amigo no processo, então não importa o que aconteça, eu não vou me acovardar dessa vez. – Sam explica, lágrimas não derramadas brilhando em seus olhos, Sam sabe que precisa fazer isso, não apenas por Jon, por Edd, sua família, ou o povo de Westeros, ele precisa fazer isso por si mesmo, para consertar seus erros.

— E sua família? – Jon questiona ao se lembrar de Gilly e os filhos de Sam.

— Eles estão em segurança, não desperdice seu tempo se preocupando comigo, você precisa ir agora, só tente ser feliz, obrigado por ser meu amigo quando eu mais precisava. – Sam diz enquanto dá um último abraço no homem que ama como se fosse um irmão, seus caminhos muitas vezes tomaram rumos diferentes, tantos reencontros, muitas despedidas, e ainda assim, sua amizade nunca esmoreceu.

— Obrigado Sam, por tudo. – Jon diz quebrando o abraço, uma simples frase, mas ele pode ver nos olhos do amigo que ele compreende a extensão do que aquelas palavras representam.

— Leve com você. – Sam diz retirando o amuleto de pedra de dragão do seu pescoço.

— Para Bran ficar de olho em mim, ele precisa me ver. – Ele explica enquanto coloca o cordão na palma do amigo.

— Agora você sabe o que tem que fazer. – Sam diz com humor, ao mesmo tempo que leva o próprio pulso fechado ao rosto.

— Adeus Sam. – O Targaryen fala e o amigo assente.

— Adeus amigo. – Diz antes de sentir o pulso de Jon contra o seu rosto, um golpe que é o suficiente para fazer com que ele perca os sentidos.

Enquanto tenta sair sem ser visto, Jon recorda do seu tempo de menino, se esgueirando nessas mesmas paredes, seja aprontando ao lado de Robb e Theon, ou tentando ficar fora da vista de Lady Stark. Os anos de experiência foram úteis afinal, é o que ele pensa quando monta seu cavalo fora da fortaleza nortenha, ele respira fundo por um momento, ele quer virar e olhar para Winterfell uma última vez, um último adeus ao lugar onde ele cresceu. Então a voz dela ecoa em sua mente, se eu olhar pra trás, estou perdido. Ela costumava dizer isso a ele no barco sempre que contava algo trágico em seu passado, então reconhece, que embora tenha amado sua família, nunca se sentiu realmente parte daquele lugar, foi por isso que ele escolheu a muralha, mas ele não encontrou o que procurava lá, só houve um lugar onde ele realmente se sentiu pertencente, onde ele se sentiu verdadeiramente feliz e em paz, no barco com ela, nos braços da mulher que ele amava.

— Você está certa amor, eu estou indo para vocês agora. – Diz tocando o lenço vermelho, agora preso a seu pulso junto com a pulseira de vidro de dragão. Suas mãos então descem para as rédeas do cavalo negro, ele aperta suas pernas em torno do animal, esse sinal é o suficiente para que o cavalo comece a trotar em direção a Porto Branco.

Jon Snow sente seu coração disparado enquanto o vento frio do Norte toca seu rosto, o sentimento de estar finalmente indo para casa, preenchendo todo o seu ser, casa nunca foi um lugar, Daenerys Targaryen era seu lar.

Atalaia da Água Cinzenta.

Meera não chorou quando o corpo do seu pai chegou, ela não chorou quando os homens dele entregaram a ela a sua espada, ela se sentia amortecida, como se nada daquilo fosse real, mas agora quando ela lê a mensagem de Bran exigindo que ela jure fidelidade a ele, suas emoções finalmente a engole, ela grita derrubando tudo o que ela encontra em seu caminho, ele matou o pai dela depois de tudo que ela fez, depois de seu irmão ter sacrificado a sua vida por ele, de seu pai ter escolhido favorecer ele sobre Sansa Stark. Bran ousou assassina-lo, sem dar ao menos a seu pai um julgamento justo, tudo o que ele é agora, é graças a ela, ao fato dela ter o carregado o caminho inteiro até a muralha, quando eles finalmente chegaram lá ela lembra de desmoronar, não havia uma parte do seu corpo que não estava com dor, mesmo assim, tudo que ela recebeu foi indiferença, tudo bem, ela voltou para casa, eles vencerem os mortos, ela seguiu em frente, agora a garota sente que não pode ignorar a sua existência, não quando ele tirou dela tudo que restava da sua família, ele vê tudo, ela sabe, no entanto, o corvo não será capaz de entrar em sua mente, Meera decide que está na hora de visitar um velho amigo.

— Lady Meera, há algo errado com a senhora? — Sor Luther questiona ao encontrá-la sentada no meio do escritório que pertencia a seu pai, que agora se encontra praticamente destruído.

— Tudo em ordem, meu senhor, eu desejo que você organize os homens, Rei Bran deseja que eu jure fidelidade a ele, então eu decidi ir ao Sul cumprir o seu desejo, é o melhor para mim e para o nosso povo. – A voz de Meera Reed sai quase casual, seu rosto mascarando suas verdadeiras emoções.

— Depois do que aconteceu com seu pai eu temo que ir ao Sul não seja a melhor decisão no momento minha Lady. – Sor Luther sugere, o homem não tem certeza se a garota está pensando direito.

— Eu irei, meu pai podia não saber com quem estava lidando, mas eu garanto a você, meu senhor, eu sei exatamente quem Bran Stark é. – Afirma, a certeza na voz da garota é o suficiente para o homem não a questionar outra vez.

— Farei o que você deseja então, minha senhora.

Porto Branco

Jon confere uma última vez se o cordão de Ghost está bem preso no pescoço do lobo, ele sabe que Bran pode tentar wargar no animal, por isso tem que ser cuidadoso.

— Tem certeza que é isso que você quer, vir comigo? Deixar seu povo? Eu não tenho certeza se vou voltar um dia para o Norte. – Jon questiona Tormund, antes que o navio parta.

— Eu estou aqui, não estou pequeno corvo? – O ruivo responde dando os ombros, nos últimos anos ele acompanhou todo o sofrimento do homem a sua frente, mais de uma vez achou que ele estava perto de perder a cabeça, mas desde que ele recebeu a notícia sobre a rainha dragão, Tormund viu a chama da vida queimando novamente em seus olhos, Jon não sabe, mas foi Sam que pediu para que o homem grande acompanhasse o amigo, era uma jornada perigosa, o homem avisou.

— Vai estar um pouco quente lá. – Jon avisa e o ruivo sorri.

— Eu lutei contra mortos vivos Snow, um pouco de sol não vai me assustar. Escute, você fez muito por mim e meu povo, deixe eu fazer isso por você, e também alguém tem que manter você e essa sua bunda bonita fora de confusão, da última vez que nos separamos, você não se saiu muito bem, não foi? – O ruivo afirma enquanto eles embarcam no navio.

— Obrigado amigo. – Jon responde. Ele está agradecido pela presença do ruivo, é bom saber que ele não estará sozinho durante essa nova jornada.

Solar

Daenerys desperta de seu pesadelo tremendo e suando, ela puxa o ar com força e solta repetidas vezes tentando se acalmar, os gritos desesperados das pessoas naquele dia em Porto Real ecoam em sua mente, ela se culpa às vezes, não pelo que aconteceu naquele dia, aquilo não foi ela, foi o corvo, no entanto, é inevitável pensar que se ela não tivesse dado ouvidos as pessoas erradas, confiado em traidores, tudo poderia ser diferente, sente que deveria ter conquistado Porto Real logo quando chegou, como Lady Olenna sugeriu, então talvez o corvo não tivesse capturado sua mente, e aquelas pessoas poderiam estar vivas, no entanto, a platinada sabia que não havia forma de mudar o que aconteceu, o que estava em seu alcance era garantir que o corvo nunca tivesse controle sobre ela novamente, por causa disso, ela se reunia uma vez por semana com as sacerdotisas vermelhas, o controle sobre a magia em seu sangue era a chave para que o corvo nunca sequestrasse sua mente novamente, Kinvara garantiu isso a ela, Dany esperava que ela estivesse certa.

Levantando da cama, ela afasta a pequena cortina em sua janela, ainda esta escuro lá fora, mas ela sabe que tentar dormir novamente agora não é uma boa alternativa, em noites como essas, os pesadelos simplesmente não a deixam em paz, então a platinada vai até a cozinha, talvez um chá de raiz Valiriana possa ajudá-la a relaxar.

Ela suspira sentindo o cheiro delicioso do chá quando ela o despeja em sua xícara, ela abre a janela da cozinha sentindo a brisa fresca contra o seu rosto, há poucas estrelas no céu essa noite, ela bebe um pouco do chá, então engasga quando sente uma mão tocar levemente sua cintura, ela vira para encontrar um par de olhos verdes a encarando.

— Você por acaso está tentando me matar do coração? – Daenerys pergunta a Lucius, a platinada perdeu a conta de quantas vezes ele e Arya a assustaram com esses malditos passos de gatos.

— Uma coisinha tão bonitinha como você jamais Storm. Pelo visto alguém caiu da cama hoje. – Ele brinca a fazendo girar os olhos ao ouvir seus galanteios baratos.

— Eu te acordei? – Ela pergunta, embora já saiba a resposta. Lucius era um homem de sentidos apurados, segundo ele, uma qualidade que qualquer bom ladrão deveria ter.

— Eu ouvi um barulho e quis checar, você sabe como eu sou. – Ele explica e ela assente, seu amigo era sempre muito cuidadoso sobre a segurança dela e de Duncan, ela estava feliz por ter alguém assim por perto.

—Tem chá, eu acabei de prepara-lo – Afirma enquanto se distancia dele, indo em direção a grande mesa de madeira que ficava no centro da cozinha, o homem pega uma xícara enquanto observa a platinada se sentar em uma cadeira, ele sente que tem algo errado, ele até imagina o que seja, então ele senta na ponta da mesa ao lado de sua cadeira.

— Pesadelos? – Lucius questiona tocando a mão dela, que estava livre sobre a mesa, ela balança a cabeça em afirmação.

— Algumas coisas são difíceis de esquecer, não importa o quanto eu tente. – A mulher afirma, deixando a xícara sobre a mesa, tocando inconscientemente a cicatriz embaixo de seu peito. Em dias como esse, a Targaryen sente quase como uma leve coceira no local, uma lembrança constante do que ocorreu a mais de cinco anos atrás.

— Não importa quanto tentamos, alguns fantasmas nunca se vão completamente, as vezes tudo que temos que fazer é aprender a conviver com cada um deles. – Lucius fala olhando diretamente em seus olhos, Daenerys sabe que ele, por experiência, nunca esqueceu a garota, a dona da corrente de prata que ele nunca tira do pescoço, a mulher que ele não conseguiu salvar.

— Eu sei exatamente, é o que eu tenho tentado fazer, no entanto, alguns dias são apenas mais difíceis que outros. – Ela explica soltando a mão dele, então o homem desce da mesa se ajoelhando a seus pés.

— Só porque eu disse que você tem que aprender a viver com seus fantasmas, não significa que você tem que fazer isso sozinha, eu estou aqui, e não há nada nesse mundo que eu não faria por você. – Ele afirma segurando suas mãos contra as suas, a mulher sabe que suas palavras são verdadeiras. Durante todo esse tempo, o homem tem se mostrado o mais fiel dos amigos, as vezes, quando ele olha tão intensamente como está fazendo nesse momento, Dany julga que talvez ele deseje um outro tipo de posição em seu coração, no entanto, nos breves momentos em que ela se mostrou disposta ao menos a tentar correspondê-lo, ele simplesmente se afastou, sim, houve breve momentos nos anos que passaram, em que ela o desejou, que ela se sentiu atraída não só por sua beleza, mas principalmente pela segurança, a confiança que ele transmitia, as coisas eram tão fácies ao seu lado, simples, preto no branco, mas reconhece que aqueles foram momentos de fraqueza, de uma extrema carência

Talvez Lucius pudesse enxergar esses sentimento através dela, ele sempre foi tão bom em lê-la, ela acredita que essa seja a explicação por trás das atitudes do rapaz, então no lugar de se sentir ofendida pelas suas rejeições anteriores, se sente agradecida, porque constata que nunca seria capaz de dar ao homem a sua frente o que ele merece, seu coração, porque ele não era seu para dar, havia um fantasma residindo dentro das muralhas que ela ergueu, e por causa dele, a platinada sentia que nunca seria capaz de amar alguém daquela forma novamente, Jon Snow não havia deixado apenas uma cicatriz marcada sobre sua pele, a maior delas estava marcando profundamente seu coração, ele deixou um vazio que nem seu filho conseguiu ocupar, talvez em outra vida, uma vida em que ela não tivesse caído tão profundamente por um homem que foi capaz de tirar sua vida, ela poderia ter se apaixonado pelo garoto de sorriso fácil e olhos verdes, infelizmente, essa vida não era essa, a mulher conclui que o que ela sente por ele, cruza a linha do que ela sentiu pelo seu velho urso, no entanto, se encontra a milhares de milhas do sentimento que ela teve por seu sobrinho.

— Eu sei, e eu sou muito grata por isso, eu só não quero falar sobre isso agora. – Daenerys responde. Ela sabe que ele vai dizer o mesmo de sempre, você não tem culpa, é difícil saber os passos dos inimigos quando eles trabalham nas sombras, ela sabe que ele tem razão, e por agora ela deseja apenas pensar em algo diferente por enquanto.

— Como você desejar, minha rainha. – Ele brinca se referindo a ela por um título que a mulher não usa a muito tempo, então deposita um beijo em sua palma antes de se levantar.

— Isso me lembra algo que eu esqueci de te informar, Verme Cinzento mandou notícias, os últimos escravos que libertamos se adaptaram com sucesso na ilha de Naath. – Daenerys revela, recebendo um grande sorriso do homem a sua frente, há anos atrás, após a chegada de seus aliados a esse continente, Kinvara avisou que os Dothraki retornaram a Vaes Dothrak, no entanto, seus imaculados ainda estavam se preparando para uma viagem em direção às ilhas de Naath, então, em uma noite escura ela voou até eles, Verme Cinzento era um homem que não costumava demostrar muitas emoções, no entanto, nem ele conseguiu mantê-las para si quando reencontrou a mulher que o libertou viva, os imaculados queriam segui-la até Solar, mas ela negou, ela conhecia o desejo de seu comandante de proteger a terra onde sua amada nasceu, por Missandei ela os deixou ir, ainda assim, eles juraram servi-la sempre quando ela precisasse, não importa o que, para aqueles homens, essa mulher sempre seria sua rainha.

Então, quando ela juntamente com algumas pessoas de Solar, começaram a libertar escravos de algumas cidades escondidos, ela procurou pelo auxílio de Verme Cinzento, a ilha de Naath se tornou um lugar perfeito para enviar esses homens e mulheres, uma vez que o veneno das borboletas mortais mantinham muito invasores longe, há anos o povo de Missandei havia desenvolvido um antídoto a partir de ervas nativas, no entanto, sua existência era segredo para a maioria dos povos desse continente, os poucos homens que ousaram arriscar-se na ilha, foram surpreendidos por um exército de imaculados.

— Bom, logo poderemos enviar mais alguns então. – Lucius afirma enquanto bebe um pouco do chá que a mulher preparou.

— Estou surpresa que Arya não saiu do quarto ainda para mandar “a gente calar nossas malditas bocas, porque ela está tentando dormir” – Dany brinca apontando para a porta do quarto que a garota Stark divide com Lucius, o homem lhe dá um sorriso malicioso.

— É porquê ela não está aqui – Ele responde, então a platinada franze a testa, erguendo uma sobrancelha em sua direção.

— Onde ela está então? — Ela questiona.

— Onde você acha que ela está? – Ele retruca, e a mulher sorri. Ela sabe que Arya tem tido alguns encontros noturnos com o Conselheiro chefe de Solar. Desde que avô do homem faleceu anos atrás, Henry foi eleito para comandar a cidade, na época, Daenerys também conseguiu um cargo no conselho, “afinal, quem melhor do que uma ex rainha para ajudar o conselho a liderar essa cidade?” Foram essas as exatas palavras de Henry na época, ela aceitou e se candidatou ao cargo, ser a princesa prometida lhe garantiu alguns votos, o poder sempre veio com alguns fardos, no entanto, Daenerys descobriu que as coisas eram mais fácies quando existiam pessoas para dividi-lo com você.

— Até agora? Isso é novo, será que ela finalmente aceitou o pedido dele? – Daenerys pergunta ao amigo, embora um pouco cética de que isso realmente possa ter acontecido, ela conhecia a garota Stark, ela era teimosa como o irmão, a mulher pensa, então fecha os olhos por segundos enquanto toma um gole de chá, ela abre tentando se concentrar no homem na sua frente antes que seus pensamentos a traiam novamente.

— Arya nunca, Henry é um tolo em pensar que ela faria. – Lucius responde simplesmente, ele conhece como a garota se sente em relação a ideia de casamento.

— Ele a ama, não podemos culpa-lo por tentar. – Daenerys defende.

— Às vezes não importa como nos sentimos, quando a maré está contra você, não adianta remar contra ela. – Lucius diz enquanto desvia o olhar do seu, se concentrando nos pequenos raios de sol que começavam a refletir contra o vidro da janela, a maneira que as palavras deixaram seus lábios soaram tão tristes aos ouvidos da platinada, que ela tinha quase certeza que ele não estava se referindo a situação de Henry e Arya.

Henry estava roncando deitado ao seu lado, a garota observou os pequenos raios de luz tocando a janela do quarto, ela nunca ficou tanto tempo, ela já deveria ter saído, no entanto, hoje particularmente ela não tinha vontade de deixar essa cama, Henry havia passado os últimos dias distante desde que ela rejeitou o seu pedido de casamento, ela não estava esperando aquilo. Quando eles começaram esses encontros, Arya havia deixado claro que o que aconteceria entre eles seria algo físico e nada mais, no entanto, em algum momento, as coisas mudaram para o rapaz, então ela teve que fazê-lo entender que ela não poderia dar ao homem o que ele mais desejava, o amor era uma prisão, em sua opinião, a garota não foi feita pra ele, ela fora forjada para liberdade. — Amor é um sentimento que não se pode controlar Arya – Ele disse a ela uma vez.

— É justamente por isso que ele é um sentimento tão perigoso. – Ela lembra de responder, o amor tinha o poder de transformar o homem mais sábio em tolo, sua vida já estava complicada demais nesse momento, ela não precisava de um marido para deixá-la ainda mais complicada, tudo que ela desejava era um pau grande o suficiente para foder a merda fora dela, ela tinha que admitir, o loiro era muito bom nisso, tão diferente do seu primeiro amante, seu amor jovial, na sua primeira vez, Gendry a tratou como se ela pudesse quebrar a qualquer momento, com respeito e gentileza, apesar de seus sentimentos doces por ele, sua primeira vez havia sido exatamente da maneira que ela imaginou que seria, então Henry aconteceu, ela amava como ele era quente na cama, não havia nenhuma doçura, muito pelo contrário, os acoplamentos entre os dois poderiam ser descritos como uma batalha, onde os dois lutavam entre si pelo controle.

Na noite anterior, quando Kinvara revelou que Jon recebeu sua carta e estava a caminho, ela sabia que tinha que contar a alguém, ele era o membro mais importante do conselho, mais que isso, a garota sabia que ele se importava o suficiente com ela para não condena-la pelo que fez. Mas quando ela chegou, as coisas não ocorreram como ela tinha planejado, quando ela notou, ela estava moendo sua buceta contra o seu pau gigante, pelos deuses, foi tão bom que ela esqueceu o motivo que eles tinham parado de fazer uma coisa tão boa, e a razão de ter ido até ali, infelizmente, agora ela lembrava perfeitamente.

— Você ainda está aqui. – O homem murmura depois de despertar de seu sono, seu timbre mais grosso do que o normal devido ao sono, seguido por uma expressão de completo espanto em seu rosto.

— Esse é um jeito estranho de me pedir para sair. – A garota fala ao mesmo tempo que se senta com apenas o lençol branco guardando sua nudez.

— É o meu jeito estranho de perguntar o que está errado. – Ele explica, tocando seu braço quando ela já se preparava para abandonar a cama, Arya solta um longo suspiro cansado antes de finalmente responder, a garota sabe que precisa revelar a ele o que fez.

— Eu fiz uma coisa. – Ela responde tentando pensar na forma melhor forma de contar o que aconteceu.

— Porque eu sinto que é melhor para mim não saber o que foi? – Ele questiona encarando os olhos da mulher seminua na sua cama.

— Meu irmão está vindo para Solar, eu contei a ele sobre o corvo, sobre tudo. – Ela diz sem enrolação, melhor assim, ela pensa. Henry esfrega o rosto com a mão duas vezes, ele quer acreditar que isso era apenas um sonho.

— O rei iria matá-lo, o Deus da luz mostrou a Kinvara, eu não tive escolha, eu tinha que contar, você não precisa dizer que foi arriscado, eu tenho consciência disso, no entanto, estamos seguros, eu não revelei a nossa localização certa ainda, eles estão usando aqueles amuletos que as sacerdotisas criaram. – Ela cuspiu as palavras em cima dele, Henry sentiu sua cabeça latejar a cada explicação nova da garota.

— Daenerys vai mata-lo. – Ele afirma com convicção, porque sabe que é exatamente isso que vai acontecer no momento em que o irmão de Arya pisar em sua cidade.

— Ela não vai, eu tenho um plano. – Arya diz antes de explicar detalhadamente seu plano ao loiro.

— Você tem razão, ela não vai mata-lo, vai matar você, e como eu estou feliz em fazer parte dos vivos, eu vou simplesmente fingir que essa conversa não aconteceu. – Henry afirma. Então Arya bufa, enquanto ele deita novamente, dessa vez de costas pra ela.

— Eu vou precisar da sua ajuda. – A filha de Ned Stark anuncia enquanto o puxa para olhar em seu rosto, seus olhos redondos o encarando com expectativa, ele pode ver que ela não está feliz em admitir isso, também sabe que ela não está satisfeita com o que fez, essa foi a única razão dele poupa-la do seu discurso de como foi arriscado e imprudente o que a garota fez.

— Você não vai aceitar um não como resposta, vai? – Ele questiona e ela responde com um simples aceno negativo o fazendo soltar um gemido frustrado.

— Tudo bem, você venceu, só espero que ela não nos dê de refeição para Drogon, uma sombra de sorriso surge nos lábios da garota.

— Bem, nós não seríamos uma refeição saudável, isso eu posso garantir. – Ela brinca o fazendo sorrir.

As coisas que eu faço por amor. Henry pensa antes de puxa-lá contra o seu corpo.

Porto Real

Tyrion se sente assustadoramente tenso quando o rei visita as suas câmeras naquela noite, acompanhado, é claro, do comandante da companhia dourada. Tyrion não gosta dele, o homem é sempre silencioso demais, como uma raposa sorrateira esperando o melhor momento para atacar.

— Sansa está morta. – O rei afirma e o anão se desequilibra, quase caindo da pequena cadeira onde se encontra sentado.

— Por ordens suas, eu imagino. – Sua acusação sai mais ríspida do que ele pretendia, no entanto, tudo que ele consegue imaginar é o corpo da ruiva agora frio o sem cor, ele se pergunta como foi, ela sofreu? sentiu dor? O anão torce que a resposta para essas perguntas seja não. A verdade, é que ele tinha muito apreço e admiração pela jovem rainha, às vezes, até se questiona se ele não teria tido mais sucesso servindo a rainha do Norte do que o Rei do Sul.

— Não. – O rei responde. Então o anão olha com os olhos arregalados em completa surpresa.

— Então quem? Rebeldes do Norte? – Pergunta agitado, cenários muito ruins cruzando sua mente nesse momento.

— Eu não sei, Sam enviou uma mensagem. Tudo que ele disse foi que ele e Sansa foram atacados, afirma que me contará detalhes quando voltar a Porto Real, algo sobre não achar apropriado nos contar o que ele sabe por mensagens, sente que não é seguro. – O rei afirma. Desgosto em sua voz, o anão percebe.

— Você não pode simplesmente ver o que aconteceu? – O Lannister sugere.

— VOCÊ ACHA QUE EU NÃO TENTEI? – O rei cuspe as palavras em seu rosto, ele está com raiva, o anão pode perceber, isso é demasiadamente estranho, ele nunca o viu assim, na maioria das vezes seu humor é frio, contido e extremamente controlado.

— Eu não consigo ver nada sobre a morte de Sansa ou até mesmo localizar Jon, em sua mensagem, Sam afirmou que não conseguiu encontra-lo, eu já enviei uma mensagem ordenando ao Lorde comandante da patrulha que envie seus homens para uma expedição além da muralha para descobrirem o que aconteceu com ele, eu estou monitorando o retorno de Sam Tarly, enquanto isso, manteremos a morte da minha irmã em segredo, pelo menos por aqui, há algo muito errado acontecendo aqui Tyrion, e eu não vou parar até descobrir o que é. – O rei afirma usando o seu tom usual, uma ameaça velada.

— Tenho certeza que vai, Sua graça, eu concordo com seu plano, nesse momento é importante sermos cuidadosos. – A mão do rei afirma, então acrescenta:

— Eu lamento a morte da sua irmã.

— Eu sei que sim. – O rei responde sem nenhuma emoção em seu rosto, as palavras de Sor Davos ecoam na mente do último Lannister. A verdade é que nenhum de nós sabemos o que ele é de verdade.

Quando o anão desperta no dia seguinte se assusta com a figura sentada a beira da cama, sua irmã está vestindo um vestido dourado como as cores de sua casa, degustando uma taça de vinho como sempre costumava fazer.

— Olá monstrinho – Ela diz e o anão está certo que isso é algum tipo de alucinação.

— Você está morta. – Ele afirma e Cersei sorri.

— Parece que eu estou melhor que você. – A mulher ironiza. O anão ignora, fechando olhos esperando que ela desapareça.

— Nosso pai deveria ter matado você quando teve a chance, você é amaldiçoado, primeiro, assassinou a nossa mãe, então traiu sua família, minha filha morreu por sua culpa, Jaime morreu por sua culpa, você escolheu a filha do rei louco como rainha, e uma cidade queimou por isso, seu mais fiel amigo queimou por que você o traiu, e agora você errou novamente, e por causa disso pessoas estão morrendo, tudo que você ama morre, veja só como a garota Stark terminou, sim irmão, eu sei o seu segredinho, você a amava, você não conseguia ver, foi por isso que ela morreu, por causa da sua maldição, nada de bom pode vir de você. – As palavras de Cersei são como facas cortando sua pele, porque mais de uma vez ele questionou o grau de sua responsabilidade em alguns desse eventos.

— Então aquela pobre mulher, que teve o azar de cruzar com você, a única pessoa a te amar verdadeiramente além de Jaime, como era o nome dela irmão? – A mulher pergunta olhando com aqueles olhos verdes de serpente e um sorriso de escárnio nos lábios.

— Só cale a sua maldita boca irmã. – Ele implora. Ele não pode lidar com mais isso essa noite, os últimos dias o levaram ao limite, depois de um longo tempo o rei permitiu que ele enterrasse os restos mortais de Bronn, por dias, a imagem e o cheiro do seu corpo em plena decomposição permaneceram com ele, então Bran lhe deu a notícia sobre a morte de Sansa, ele estava segurando suas emoções por um fio.

— Tysha da Casa Punho de Prata, eu me recordo, você se lembra como ela implorou quando o nosso pai obrigou a estupra-la, eu nunca tive a chance de perguntar, você gostou? Jaime me disse que ela desmaiou no final, você não é um bom homem Tyrion nunca foi. – Antes que Cersei dissesse outra palavra, o anão pulou em sua direção enrolando suas mãos em torno da pele macia do seu pescoço, ondas de raiva explodindo em seu coração.

— Vamos irmão, isso é o mais forte que você pode fazer? Você não passa de um bêbado inútil. – Ela afirma antes de cuspir na sua cara, então o homem perde o controle, ele aperta o pescoço da irmã mais forte que pode, todo ódio que ele guardou pela mulher por anos vindo à tona, ele não para quando seu corpo começa a se contorcer debaixo dele, ou quando ela começa a sufocar debaixo dele, ele sonhou com esse momento por um grande pedaço de sua vida, então quando a vida deixa o seu corpo, ele fecha os olhos, apreciando o momento, porém, quando ele abre não é o corpo da irmã que ele vê.

— Puta merda, o que eu fiz? – O homem murmura, suas mãos tremem enquanto ele observa o corpo sem vida da prostituta de cachos dourados que passou a noite com ele em suas cameras.

Próximo Capítulo

Sam recorda de seu juramento na patrulha da noite.

Meera chega em Porto Real.

Jon encontra um velho amigo.

Notas finais
E Henry é Arya o que acham? E sobre o novo trailer da fic? Quem tá gostando é não comentou ainda a cada novo capítulo uma nova oportunidade hehehe. Recomendem a fic para os amigos quem puder. Bjs