História Game Of Thrones - O Retorno Do Dragão
4 Capítulo III
Notas iniciais

Existe uma linha invisível que une aqueles destinados a se encontrar, não há coincidências na vida, tudo conspira, tudo passa.
Num eterno ciclo, vamos ao abismo da tristeza ao ápice da felicidade.
Perdemos o passado a cada segundo e construimos o futuro sem termos consciência disso.
A distância é apenas um pretexto para que nosso reencontro seja mais aprazível — Victor Eduardo
SOLAR
Daenerys sentia como se seu coração fosse explodir de felicidade ao olhar para o pequeno pacote enrolado em seus braços, seu lindo bebê. O parto não havia sido fácil, ela acabou tendo um pouco de febre durante o processo, causando algumas alucinações, porque ela poderia jurar ter visto Jon ao seu lado no exato momento em que seu filho veio ao mundo, momentos antes dela desmaiar. Isso a chateava, naquele momento durante a sua visão, ter ele ao seu lado foi reconfortante, sua mão na sua por um breve momento lhe enviou forças para empurrar uma última vez, ela estava com muito medo de não conseguir, tudo aquilo era como uma piada ruim, o homem que a matou foi o que ela viu num momento daquele? Ele é o pai do seu filho também, uma voz soa em sua cabeça, Daenerys balança a cabeça, isso não importa mais, o que importa é o garotinho em seus braços, a mulher então inclina a cabeça depositando um beijo doce sobre pequenos fios de cabelo platinado.
Quando ela voltou a si após o desmaio e não conseguiu ver o seu filho o pânico tomou seu coração, L a acalmou explicando que as parteiras estavam terminando de limpá-lo, ele também disse que seu menino era um garotinho saudável e que tinha bons pulmões devido o quão alto ele chorou quando nasceu, rapidamente elas o trouxeram vestido com uma das roupas que algumas costureiras de Solar haviam feito questão de à presentear, ele estava enrolado com um manto branco. Daenerys ficou sem fala derramando algumas lágrimas quando finalmente o pegou em seus braços pela primeira vez, aqui estava ela o embalando com todo cuidado depois de tê-lo alimentando pela primeira vez, ele ainda não tinha aberto os olhos, então ela não sabia com quem seus olhos pareciam, se era com os dela ou os de Jon, mas o nariz era igual ao dele, embora a boca sem dúvida fosse sua, então ele se remexeu em seu braços, abrindo os olhinhos olhando pra a mãe pela primeira vez, Daenerys prende a respiração por um segundo, os olhos de seu filho são lindos, então ela passa o polegar levemente em sua bochecha.
— Claro que você tinha que ter os olhos dele não é? – Ela pergunta ao bebê que se remexe mais um pouco antes de fechar os olhos novamente. Pela primeira vez em meses Daenerys não sente apenas raiva ou mágoa ao pensar em Jon Snow, ela não se importa que seu filho tenha seus olhos, não importa o quanto ela o odeie agora, ela sempre vai amar a pequena vida que eles criaram juntos.
— Voltei, tive que arrumar algumas coisas em casa para quando você e esse rapazinho aí forem pra lá. – L disse entrando no quarto, Daenerys sorri assentindo, L não havia comentado nada sobre ela ter chamado o nome de Jon durante o parto, melhor assim, ela não queria falar sobre isso, foi tão real, no entanto o único homem ao seu lado havia sido seu novo amigo.
— Eu nem sei como te agradecer por ter ficado ao meu lado. – Ela começou, mas o homem a interrompeu.
— Nem eu sei, acredite, eu provavelmente estou traumatizado para o resto da minha vida agora, com certeza eu não pretendo ver outro parto nunca mais, você quase quebrou a minha mão. – Ele diz com ar brincalhão fazendo a platinada rir.
— Não seja exagerado, não foi tão ruim assim, eu fiz todo trabalho, quando forem os seus, duvido que você consiga esperar lá fora enquanto a mãe faz todo trabalho. – Daenerys brinca e a expressão do homem fecha por alguns segundos, antes de voltar ao ar travesso novamente.
— Eu não vou ter filhos Storm, eu sou um homem condenado, eu profetizei a minha própria morte lembra. – Diz com a expressão relaxada de volta a seu rosto, outro detalhe sobre Lucius desde que ele conheceu Daenerys. Ele havia lhe contado essa história sobre saber exatamente o dia em que ele vai morrer desde pequeno, o senhor da luz me mostrou, ele disse. No começo ela acreditou, para ser sincera ela até se sentiu mal por ele, no entanto, sempre que ela ou outra pessoa pergunta como ele vai morrer a resposta absurda é sempre diferente, então ela não tem certeza se essa é uma história verdadeira ou apenas uma de suas brincadeiras idiotas, a verdade é que seu coração prefere acreditar na segunda opção.
— Claro, essa história de novo, as vezes acho que é só uma estratégia sua para fugir das moças apaixonadas que querem mais do que uma noite com você. – Daenerys provoca e ele dá os ombros.
— Verdade ou não, funciona. – Responde piscando os olhos, a mulher então balança a cabeça em negativa tentando esconder um sorriso, seu filho mexe os bracinhos abrindo os olhos enquanto suga os próprios lábios a fazendo sorrir, L se aproxima sentando ao seu lado na cama para ver o bebê mais de perto.
— Ele é lindo não é? – A platinada pergunta enquanto olha encantada para o filho.
— Acho que a minha opinião sobre a aparência de recém-nascidos não é algo que você vai querer ouvir agora. – Ele diz a ela antes de se inclinar e sussurrar para o bebê: — Não se preocupe, você vai ficar bonito com o tempo, todo mundo nasce meio esquisito mesmo. – Ele diz divertido e logo sente quando a platinada dá um tapa em seu braço esquerdo.
— Ele não é esquisito. – A mulher diz apertando olhos na direção do homem que sorri.
— Eu não sou louco para discutir com uma mulher que acabou de ter um bebê, mas você já decidiu qual nome vai dar a ele? – Lucius perguntou encarando a platinada, a mulher respirou fundo olhando para o filho, alguns nomes rodaram a sua mente, talvez homenagear um velho amigo, porém, olhando para a criança em seus braços nenhum desses nomes lhe pareceu apropriado, a não ser um.
— Duncan Jorah Targaryen. – Ela diz orgulhosa, a criança olha para ela mexendo os pequenos lábios formando quase um sorriso.
— Parece que ele gostou. – O homem comenta e Daenerys sorri, mas logo depois faz uma careta quando tenta se mexer, seu corpo ainda estava muito dolorido do parto.
— Me dá ele aqui, vou olhá-lo um pouco enquanto você descansa. – Daenerys aceita a oferta, ela está realmente cansada, ela sabe que pode confiar em Lucius, então ela passa o bebê gentilmente para os braços do homem, que se levanta sentando na cadeira em frente à cama, quando fecha os olhos ela pode ouvir o homem falando com o seu filho.
— Ei, eu sou o seu tio Lucius, quando você tiver um pouco maior eu vou te ensinar alguns truques, como conquistar as garotas, se bem que se você puxar a beleza da sua mãe elas simplesmente vão cair aos seus pés, mas não deixe que isso te torne arrogante, as mulheres gostam de um homem confiante, mas não demais, isso pode te deixar um pouco babaca.
Daenerys sorri ouvindo suas palavras antes de finalmente se entregar ao cansaço e dormir.
— Ela finalmente teve o bebê, é um menino saudável, as parteiras disseram. – Kinvara avisa a Henry enquanto ele observa o exército treinar.
— Sim eu já fui informado, finalmente um motivo para comemorarmos. – Ele diz dando um pequeno sorriso para a mulher vermelha.
— Daqui a algumas luas ela poderá iniciar finalmente seu treinamento, já esperamos demais, cada dia que se passa a escuridão cresce do outro lado do mar meu senhor. – Ela diz ao loiro, que assente.
— Não se preocupe, no momento certo ela iniciará o treinamento, eu mesmo cuidarei disso, mais por enquanto vamos dar a ela um pouco de paz, e deixa-la aproveitar o nascimento do filho antes de incomoda-la com novas preocupações, ela pode não ser uma mulher comum, porém agora ela é apenas uma mãe que acabou de dar a luz ao seu filho. – O jovem disse encarando a sacerdotisa. Henry deseja dar ao menos um pouco de paz a mulher que chegou morta em seu vilarejo, antes de joga-la de volta aos jogos sombrios que conduzem o mundo agora.
— Como você deseja, meu senhor. Sabe, as chamas mostraram algo interessante em seu caminho. – A mulher diz sorrindo e o jovem a olha com curiosidade.
— O que elas mostram? – Ele pergunta, o jovem nunca viu nada nas chamas, mas ele sempre acreditou que elas mostram a verdade, a presença da princesa prometida em sua cidade era prova vida disso. A mulher sorriu se afastando lhe dando as costas, mas antes de ir embora ela sussurrou.
— Elas mostram ninguém.
Porto real
— Vossa Graça. – Sam cumprimenta o Rei ao entrar em seu quarto.
— Obrigado por vir Sam, eu tenho uma tarefa importante para você e os mestres da Cidadela. – O rei diz apontando uma cadeira para que o homem se sente a sua frente.
— O que você desejar sua graça. – Ele responde olhando para o Rei. O homem não vai dizer em voz alta, mas o olhar que o rei lhe dá causa um leve calafrio em seu corpo, ele tem a impressão que a sala está mais fria do que o normal para o clima de Porto Real.
— Eu preciso que vocês façam uma lista com todos os livros da cidadela, um pequeno resumo de seu conteúdo, acho que temos livros demais, livros com nada além de mentiras, então aqueles que se mostrarem inúteis serão destruídos. A verdade é que vocês não precisam desses livros, não quando tem aquele que conhece a verdadeira história do mundo. – Bran explica e Sam fica um pouco chocado, a ideia de destruir livros parece estranha pra ele, o homem se lembra que foi em anotações consideradas inúteis que ele achou a cura para Sor Jorah.
— Isso não seria um pouco radical Sua Graça? Acredito que em todo livro exista algo de útil, por menor que seja. – Sam argumenta e Bran o encara franzindo o cenho.
— Por anos a história foi escrita por homens Sam, homens mentirosos adulterando a história a sua própria versão, a revolução de Robert é um exemplo claro disso, eu não deixarei o meu povo continuar vivendo mentiras, então faça o que eu ordenei, não existem lugares para mentiras no mundo novo em que eu estou construindo. – Bran diz firme e Sam assente. Bran é o corvo de três olhos ele sabe de tudo, talvez ele esteja certo, na verdade quando ele pensa com calma a ideia lhe parece incrível, Bran poderia escrever a história como ela exatamente aconteceu, sem a necessidade de glorificar um lado ou denegrir outro com mentiras, criar contos inexistentes para enganar o povo.
— Faremos isso Vossa Graça, deve levar um tempo, existem muitos livros na cidadela, posso fazer uma pergunta sobre qual história o senhor pretende começar a escrever? – O homem pergunta curioso.
— A minha história, quer dizer, não a minha história exatamente, mas a história de como o corvo de três olhos foi criado por generosos Deuses que desejavam proteger o mundo da escuridão. – Ele responde e Sam olha para ele com curiosidade.
— Parece uma grande história. – Ele afirma.
— Ela é, a maior de todas. – O Jovem responde com um pequeno sorriso, ele sabe que tudo está se encaminhando como ele planejou e isso tudo é apenas o começo.
Solar
Daenerys sorri terminando de arrumar suas coisas, alguns dias se passaram desde o nascimento de Duncan, seu filho estava cada dia mais forte para sua felicidade, as parteiras finalmente haviam liberado sua volta para casa de Lucius, fechando a bolsa ela sorriu para o bebê enrolado em uma manta vermelha deitado em cima da cama.
— Ei, nós vamos para casa do tio L hoje, aposto que você vai gostar de lá, tem um quarto que nós arrumamos especialmente para você, Henry construiu um berço incrível pra você, madeira nobre digna de um pequeno príncipe. – Ela diz o pegando nos braços deitando uma cabeça sobre o seu peito, posição essa que ela descobriu sempre o acalmar quando ele ficava um pouco agitado, Daenerys ama a sensação que ela sente em seu coração sempre que segura seu menininho nos braços, ela estava usando um vestido vermelho muito parecido com os modelos que ela costumava vestir em Meereen.
— Então estão prontos? – Lucius pergunta entrando no quarto sem bater e Daenerys gira os olhos.
— Você deveria bater antes de entrar, eu poderia estar trocando de roupa. – Ela diz olhando para L que dá um sorriso travesso.
— Não é como se eu já não tivesse visto o que tem aí embaixo né, embora você estivesse meio fria e com certeza não é a minha melhor experiência envolvendo uma mulher sem roupas. – Ele brinca e Daenerys lhe dá um olhar de repreensão.
— Se depender de mim vai ser a única lembrança de mim sem roupa que você vai ter. – Ela responde e ele ri dando os ombros.
— Nunca diga dessa água não bebereis, porque vai que bebereis. – Lucius diz fazendo uma pose exagerada como se estivesse recitando um poema a fazendo gargalhar.
— Só você pra falar esse tipo de coisa, porque você não vem aqui me ajudar com essas coisas pra gente poder ir. – Ela diz, já estava ansiosa para ir para casa, à noite Kinvara iria ajuda-la com Duncan, a sacerdotisa vermelha havia oferecido e Daenerys havia aceitado, cuidar de um recém-nascido não era fácil, na verdade havia se mostrado um desafio maior do que cuidar de três dragões pequenos.
Quando finalmente deixaram o local, Henry estava os esperando lá fora numa pequena carruagem, quando os viu desceu imediatamente, se aproximando dela e do bebê.
— Como está o garotinho mais lindo de Solar? – Henry pergunta olhando para o neném em seus braços, Daenerys olha para Lucius ao seu lado lhe dando um olhar convencido, fazendo o moreno girar os olhos.
— Ele está bem, ansioso para ir pra casa e dormir no berço lindo que você fez pra ele. – Daenerys diz fazendo o loiro sorrir.
— Acho que a única coisa pra qual ele se sente ansioso por enquanto é comer. – Lucius diz e Henry ri, seu amigo continua o mesmo.
— Porque você sempre estraga os momentos? – Daenerys pergunta e ele dá os ombros.
— É mais forte que eu. – Ele responde sorridente.
— Ele sempre foi um idiota mesmo Daenerys, vamos eu ajudo você a entrar. – Henry diz enquanto abre a porta da carruagem para ela.
A viagem é curta, Daenerys está feliz que o balançar não incomodou o bebê que dorme relaxado nos braços da mãe, quando a carruagem para, ela já está se preparando para descer, mas é impedida pelo moreno, na verdade ela estava um pouco preocupada com ele, o moreno tinha passado a viagem calado e parecia um pouco ansioso.
— Qual é o problema? – Ela pergunta, então ele respira fundo antes de falar.
— Preciso que você feche os olhos quando a gente descer e só olhe quando eu disser que pode, sem espiar, eu preparei uma coisa para você. — Ela sorri encantada com homem a sua frente, Daenerys sabe que por trás de toda essa pose de arrogante e engraçadinho, ele carrega um homem doce.
— Tudo bem. – A platinada concorda e ele sorri.
— Sem trapacear. – Ele diz enquanto a ajuda a descer, Henry se despede dos dois, Daenerys ri da situação engraçada uma vez que Lucius não permite que ela abra os olhos nem para agradecer a gentileza do homem que os trouxe, eles andam com cuidado, o moreno a guiando com cautela.
— Pode abrir. – Ele diz quando eles param na frente da casa, Daenerys abre os olhos e ela não pode acreditar no que ela está vendo na sua frente, seus olhos ficam marejados.
— L... – Ela sussurra seu apelido enquanto encara a porta que antes era de cor marrom, agora está pintada de vermelho escarlate, quando Lucius contou sua história para ela, Daenerys havia contado da sua infância em Braavos e confessado que o único lugar onde ela havia se sentindo em casa era na casa da porta vermelha. Havia outro lugar, os braços de uma pessoa que também lhe causaram o mesmo sentimento, mas isso não era algo que ela gostava de lembrar, não mais.
— Eu queria que você e Duncan sentissem que essa casa também é de vocês, eu também plantei um limoeiro nos fundos, mas esse deve demorar a crescer. — Ele diz parando a pequena lágrima que desce pelo seu rosto com o polegar. – Ela está sem palavras, aquela porta pintada de vermelho significava tantas coisas.
— Obrigada, essa foi uma das coisas mais gentis que fizeram por mim, você é uma pessoa incrível. – Ela diz enquanto aperta o braço dele com a mão livre, sua vontade era de abraça-lo forte, mas ela não pôde devido a criança que ela segura em seu outro braço.
— Eu sei. – Ele brinca, o coração do homem está acelerado, ele ama a emoção que vê em seu rosto, por R´hllor ele pintaria todas as portas da casa de vermelho para ver essa emoção refletida no rosto dela novamente.
— Vem, vamos a nossa casa. – Ela diz com a voz coberta de emoção o puxando pra dentro. Nossa casa, ele ama como isso parece certo quando ela fala.
Baia dos Dragões nove luas pós o nascimento de Duncan
Arya havia ficado um pouco frustrada, uma tempestade havia prejudicado sua viagem em direção a oeste, seu barco sofreu alguns danos e não poderia seguir viagem, por isso ela pegou um novo barco, uma nova direção. Quando Arya chegou nessa parte do continente de Essos se surpreendeu com as histórias sobre a Rainha Dragão, quebradora de correntes, Mhysa, era assim que muitos a chamavam nesse lado mar, talvez se a loucura não tivesse a alcançado ela poderia ter sido uma boa rainha e seu irmão não teria feito o que fez.
Sempre que Arya pensa em Jon seu coração se entristece, no fim o irmão que ela mais amava foi o único a perder tudo, Sansa teve o que sempre quis, Bran agora era Rei, a garota não entendia direito como esse fato aconteceu, mas Jon, foi mandado de volta ao lugar onde seus homens o traíram e o mataram, mas isso não foi o pior, o pior foram seus olhos quando eles se despediram, apesar da boa aparência, de suas palavras para eles três, ela podia ver atrás da máscara, seu irmão era um homem quebrado, ela temia que ele nunca se recuperasse, a verdade é que parecia que uma parte dele morreu junto com a mulher que ele amava. A garota balança a cabeça afastando esses pensamentos enquanto bebe uma cerveja e observa os dois homens que ela seguiu nos últimos dias.
A garota tinha ouvido uma conversa interessante dos dois, sobre uma cidade secreta, isso despertou seu interesse, isso atiçou a sua curiosidade, os homens eram cautelosos, ela tinha que admitir, porém não espertos o suficiente para notar a garota em sua sombra, eles partiriam no dia seguinte e Arya mal poderia esperar.
Eles tiveram uma pequena viagem de barco, Arya se escondeu na parte de trás perto de alguns mantimentos, ela olhou o barco, estudando o mapa ela percebeu a direção para onde eles estavam indo, uma pequena ilha a leste, próximos de outra ilha onde se encontravam o centro da cidade perdida de Valíria, a garota sentia que aquela história estava ficando cada vez mais interessante.
Quando o barco parou ela agiu rapidamente, os dois homens nem viram quem os atacou, ela não os matou, apenas os deixou desacordados, pequenas montanhas surgiram em seu campo de visão, fosse o que fosse que estivesse ali estava do outro lado, assim ela seguiu, estudando cada rocha em procura de uma abertura, depois de algumas tentativas a garota começou a pensar que talvez não tivesse sido uma ideia tão boa ter desacordado aqueles dois, ela notou uma grande pedra, ela empurrou com cuidado o suficiente para uma pequena abertura, ela logo viu uma passagem e se encolheu, passou nela e então caiu, do outro lado havia uma grande construção, uma pequena fortaleza de pedra protegendo o que quer que fosse que estivesse atrás daquelas paredes, em cima três arqueiros apontavam diretamente para ela, a garota se levantou e olhou para eles quase em desafio.
A garota deu um passo à frente, enquanto os olhava os homens permaneceram em suas posições prontos para atirar, mas não o fizeram, ela tentou novamente, mais um passo e nada, de repente o grande portão negro se abriu e um homem alto, loiro de olhos claros saiu de lá acompanhado de alguns guardas.
— Prendam ela. – Ele disse e logo a garota deu um pequeno sorriso sentindo que aquilo seria divertido, ela já estava sentindo saudades de uma boa luta, os guardas se aproximam, ela se posiciona puxando agulha, não demora muito para derrubar um, dois e três, os guardas se levantam com dificuldade, ela já está pronta para a próxima rodada.
— Afastem-se, eu lido com ela. – O loiro diz e assim os seus homens o fazem. Arya pôde sentir a curiosidade brilhando naqueles olhos azuis, ela analisa o inimigo, ele não é um homem feio, ela pensa notando os braços fortes.
— Espero que você lute melhor que eles. – Ela provoca, ele dá um sorriso de lado.
— Pode apostar que sim, quando terminarmos você vai estar no chão. – Ele diz e ela dá um passo em sua direção.
— Isso é o que vamos ver. – Ela disse. Quando suas espadas se encontram ela observa o material que ela é feita.
— Aço Valeriano, nada mal. – Ela diz, eles logo separam a espada, ele é rápido isso ela tem que admitir, seu jeito de lutar lhe lembra um pouco de Lady Brienne.
Espada contra espada eles dançam juntos por mais alguns momentos, Arya gira e se abaixa sentindo o aço da espada dele tocar levemente suas vestes, ele ri convencido, um erro e ela o derruba, a espada dele vai junto, ela aponta agulha em sua garganta.
— Parece que eu venci. – Ela diz
— Eu acho que não. – Ele responde olhando para algo atrás dela, tudo acontece muito rápido, Arya sente seu corpo sendo lançado pra longe muito rápido, é como se ela fosse atingida por um bloco de mármore, seu ombro foi como o inferno, então ela pode ouvir os rosnados, a garota abre os olhos e encara o tigre branco rosnando em cima dela, Arya está paralisada, a agulha longe demais, um passo em falso ela sabe que o animal rasgaria sua garganta em segundos.
— O que vocês estão fazendo parados aí, amarrem ela. – Ela escuta o loiro falar para os soldados, o tigre se afasta somente o suficiente para eles amarrarem fortemente suas mãos.
— Junto Blue – O homem diz para o tigre, que na verdade Arya descobre ser uma tigresa pelo nome. Blue, ela imagina que o nome deve ser devido aos olhos azuis vibrantes do animal, ela observou em meio ao choque e uma pontinha de admiração o homem acariciando a fera como se fosse um gatinho, enquanto seus homens terminavam de amarrar seus pés.
— Como você se chama garota? — Henry pergunta encarando a mulher que invadiu solar, a técnica de luta dela era impecável, isso despertou sua curiosidade.
— A garota não é ninguém. – Ela responde e ele ri. Mesmo amarrada, segurada por seus guardas, depois de ser atacada por Blue a postura dela permanece a mesma, isso só aumenta a curiosidade do rapaz.
— Levem-na para dentro, vamos ver quanto tempo ela vai permanecer com essa postura. – Ele diz e eles atravessam os grandes portões.
Arya observa a cidade, as construções, as árvores, parece uma cidade como muitas pelas quais ela já passou, a não ser que ninguém sabia da existência desse lugar, ela pensa, alguns moradores param o que estão fazendo para olhar para a invasora. Então mais alguns passos e a garota fica pálida com a mulher segurando um bebê que surge na sua frente, ela pisca não acreditando que a imagem à sua frente é real.
— Você deveria estar morta. – Arya grita, a platinada também estava surpresa, mas logo se recupera do choque.
— Acredite, eu estive por um tempo, então como seu irmão e Beric, eu retornei. – Ela explica. Daenerys não entende o que a irmã de Jon está fazendo aqui, quando ela a viu amarrada com os guardas pensou que ela poderia ter sido enviada para ela, no entanto o choque nos olhos da garota lhe mostrara que ela estava tão surpresa quanto ela.
Ela foi ressuscitada, Arya conclui. O bebê nos braços da mulher se mexe olhando com curiosidade, Arya finalmente olha para ele de verdade, embora a aparência da criança não deixe dúvidas de quem é sua mãe, são os olhos do garoto que a fazem prender a respiração, é como se ela estivesse olhando dentro dos olhos de seu irmão.
— Você a conhece Daenerys? – O loiro pergunta.
— Sim, ela é Arya Stark. – A platinada diz ele dá um passo pra trás.
— A irmã do Corvo você diz. – Arya percebe que o tom do homem está raivoso, agora ele aperta a carne cortada do seu ombro, ela grunhe.
— Ele te mandou aqui? O que você sabe sobre nós? – Ele pergunta furioso.
— Não se preocupe, meu senhor, estamos seguros, não foi o corvo que a enviou, ele permanece cego sobre a existência desse lugar. Essa é a garota que matou o Rei da noite, quer dizer, apenas uma parte dele, se ela está aqui deve ser porque foi a vontade do Deus vermelho. – Uma voz diz, então Arya vira a cabeça e vê uma Sacerdotisa Vermelha se aproximando.
— Melhor conversamos lá dentro, toda essa comoção está chamando atenção demais. – A mulher sugere então eles a levam para dentro de uma das casas.
A cabeça de Arya parece que vai explodir, ela estava numa sala com o homem loiro, Daenerys que tinha deixado o bebê com uma outra mulher é uma sacerdotisa Vermelha que lhe disse coisas inacreditáveis sobre Bran sobre todo que aconteceu em Porto Real.
— Isso não é verdade eu vi você, você queimou aquela cidade e aquelas pessoas, ela é louca vocês deveriam tê-la deixado morta. — A garota diz, os olhos azuis esverdeados de Daenerys lhe encaram com frieza.
— Não seja boba garota, sim ela queimou aquelas cidade, mas ela só fez isso por que o seu irmão entrou na mente da nossa princesa e a confundiu, olhe as chamas e saberá a verdade.- A sacerdotisas diz algumas palavras em Valiriano e logo surgem chamas na lareira da sala, então ela vê o dia que o rei da noite tocou seu irmão, vê Bran dizendo a Sansa que se Jon fosse rei ela poderia ser rainha do Norte, vê Daenerys montada no dragão naquele dia, seus olhos mudando de cor em um breve segundo, exatamente como Bran costuma fazer, ela se recusa a acreditar se isso for verdade, não, isso não pode ser verdade Arya, a garota pensa.
— Você está tentando me enganar bruxa. – Arya diz e a platinada suspira.
— Acho que foi demais para ela por hoje. – A mulher sugere.
— Sim, talvez uns dias na cela a ajudem a pensar. – O loiro diz antes de levá-la ao lugar que ela passa os próximos dias.
As vezes um dos três vem visitar, ela e Daenerys não trocaram muitas palavras no entanto, ela apenas trás água e comida, Arya tem que admitir a mulher não parece nada com aquela que viu em Porto Real, da última vez que o homem veio ele disse que ela deveria tratar melhor a rainha dragão, por que ela é o único motivo dela ainda estar viva, ele explica que não é nada pessoal, mas se ela não pode acreditar neles, não há outra escolha senão executa-la, é o único jeito de proteger a cidade, ele não vai arriscar que ela fuja e traga perigo para seu povo, hoje quem vem antes de Daenerys é a sacerdotisa Kinvara.
— O conselho está perdendo a paciência, a nossa princesa os convenceu a lhe dar mais um dia, como você pode duvidar da mulher que apesar de toda miséria que sua família causou ainda luta pela sua vida, ela acredita que suas habilidades podem ser úteis para manter seu filho seguro e de grande ajuda na luta contra a escuridão, afinal você matou o rei da Noite, quer dizer, a parte dele que não havia se fundido ao seu irmão, eu partilho da crença dela em você – Arya apenas ignora a mulher, no entanto tudo que ela ouviu não parece mais tão absurdo.
— Você não é uma mulher comum, você viu muitas coisas nesse mundo, você conhece o mal, sabe que ele tem muitas faces, você escolheu deixar sua família, porque você viu que eles não eram as pessoas que você pensou, seu irmão Bran contratou o que restou da companhia dourada, eles devem estar chegando no continente agora, ele está se fortalecendo, eu sei que você sentiu a energia nele, o frio, ele usou todos vocês, olhe o que ele fez a seu irmão, Jon continua em seu exilio, porque nenhum de seus irmãos os libertou? Os imaculados foram embora a tanto tempo, pare de se enganar, eu sei que você conhece a verdade Arya Stark. — A mulher diz antes de deixá-la sozinha.
Quando Daenerys vai vê-la, Arya sabe que não pode fugir da verdade, ela lembra do olhar de Bran quando ela partiu, ela podia ver o gelo em seus olhos e em sua alma.
— Eu sei que você não tem motivos para confiar em mim, mas eu peço uma chance de mostrar a você quem eu realmente sou, eu nunca tive nada contra nenhum de vocês Arya, na verdade tudo que eu sempre quis foi que você gostasse de mim, eu amava muito o seu irmão, eu admiro você, o que você se tornou, tudo que venceu, apesar de tudo que aconteceu, você é família agora, eu nunca tive uma família, eu não estou fazendo isso por você ou por mim, estou fazendo isso pelo meu filho, seu sobrinho, eu gostaria que ele pudesse conhecer sua tia – Daenerys explica, suas palavras expressam seus sentimentos. Arya era família de Duncan, ela não poderia fazer mal a garota, de todos os Starks essa era única pessoa daquela família por qual ela não nutria rancor, Daenerys não acredita que o reencontro delas foi obra do acaso.
— Eu acredito em você, só é muito difícil admitir isso, porque isso significa que aquelas pessoas, meu irmãozinho não existe mais, eu sinto muito pela forma que eu te tratei, eu só estava tentando manter minha família a salvo.- Arya admite e Daenerys lhe dá um sorriso de compreensão, a garota lembra de todas as histórias que ouviu sobre a mulher neste continente, Daenerys não era uma mulher cruel, Jon estava certo.
— Nós podemos fazer diferente agora. – Daenerys diz pegando as chaves para abrir a cela, ela sente que a menina não mente.
— Sim podemos, Jon ficou destruído depois do que aconteceu, eu nem sei como ele vai reagir quando descobrir sobre você, descobrir que ele é pai de um garotinho lindo. – Ela afirma, então a platinada fecha as grades novamente, Arya vê o fogo nos olhos dela.
— Ele nunca vai saber, eu não posso perdoar o que ele me fez, contar para ele só colocaria todos nós em perigo, se Bran descobrir sobre mim, sobre Duncan, não estaremos seguros, além de que eu sei que você ama seu irmão, se Jon aparecer de novo na minha frente eu sou capaz de mata-lo, eu o amava, e quando eu mais precisei dele, ele me colocou de lado e Bran entrou na minha mente. Eu sei que Jon não sabia disso, mas ele apenas me abandonou, desistiu de mim sem ao menos tentar, mesmo depois de tudo que eu sacrifiquei por ele, então você tem que jurar para mim, que você não tentar nada a respeito. – Daenerys pede. Ela sabe que diferente da irmã Arya tem honra, ela sabe que ela ama Jon também, então ela faria isso para protegê-lo.
Arya quer defender seu irmão, mas ela sabe que não seria prudente, não agora, ela pode ver a dor nos olhos dá mulher ao falar em Jon, com certeza ela não estava brincando em matá-lo, ela também está certa sobre Bran, então ela faz o que é o certo no momento, ela lembra do rostinho inocente do garotinho que tem olhos de seu irmão, ela faria tudo por essa criança, a família dela não estava acabada afinal, um lobo protege a matilha, pelo menos o que restou dela.
— Eu juro. – Ela diz então a platinada toma algumas respirações tentando se acalmar, ela abre a cela.
— Ótimo, então porque você não toma um banho, eu trouxe roupas limpas, aí você pode conhecer o seu sobrinho. – Daenerys sugere a Arya que assente, as duas mulheres sentem que fizeram a escolha certa, elas não estavam perto de ser amigas nem algo do tipo, porém as duas queriam o mesmo no momento, manter o filho de Jon seguro, nesse momento isso era o suficiente.
No próximo capítulo
Companhia dourada 2.0 chega em Porto Real.
O tempo passa
A Rainha do Norte e o Rei do Sul discordam
Arya faz uma escolha
Trecho:
— Ela está viva – Ele diz sabendo que isso é a única coisa que vai parar o amigo.
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