História De Amor
6 Apenas Acredite
Notas iniciais
Quero pedir desculpas pela demora em adicionar um novo capítulo, mas minhas aulas começaram de novo e eu acaba ocupando todo meu tempo. Prometo postar o próximo amanhã.
Boa leitura e obrigada.
A felicidade domina meu corpo. Passa pelas minhas veias como uma corrente elétrica fornece energia para uma cidade, transportando esse sentimento para cada parte de mim. É difícil explicar como eu me sinto neste momento. Mas de uma coisa tenho certeza, ao sentir os lábios de Hyoga nos meus, de uma forma tão delicada, doce e gentil, simplesmente esqueci qualquer problema que permanecia em minha mente. Admito estar muito confuso com o que aconteceu: o beijo, os toques, nossa conversa. Tão repentinos. Fui pego de surpresa e sem hesitar me entreguei, quero isso tanto quanto ele. Já está bastante claro o modo como o desejo.
Seu corpo colado ao meu, envolto em um abraço, sinto sua respiração acima de mim. Olho fixamente para seus olhos. Lindos como o dono. Sorri fazendo um leve carinho em meus cabelos, estreitando os braços, tornando mais aconchegante a proximidade. Sorrio quase sem acreditar, para mim era um sonho, mas se fosse sonho, com certeza teria acordado ao ver Esmeralda entrar em meu quarto, anunciando que tinha preparado um lanche para nós. Deparando-se com a cena, a loira fica totalmente sem graça. Enquanto eu quase como reflexo me solto de Hyoga e fico sentado na cama olhando qual seria o próximo passo da garota. Demonstrando ainda certo nervosismo deixa a bandeja sobre a cômoda.
–Bem, então aqui está o lanchinho. –diz sorrindo para nós.
–Obrigado. –agradece o russo muito calmo.
Não compreendo como ele pode manter-se assim. Imagina se ela comenta com Ikki? Eu acho que ele ficaria furioso, sobretudo com meu parceiro, afinal sempre expressou bem o que pensa dele em nossas conversas. Esmeralda não é do tipo que se mete na vida alheia, mas e se sem querer ela deixa escapar alguma coisa?
–O-obrigado Esmeralda. –também agradeço, porém não tão calmamente.
–Não tem o que agradecer. Bem agora eu vou indo. Prometi ajudar meu pai. –fala se retirando do local.
Vejo ela saindo um pouco rápido demais, a menina não costuma agir dessa maneira, sempre pareceu gostar muito de conversar e conhecer a todos. Por mais gentil que tenha sido conosco não conseguiu esconder o modo como ficou mexida com o que encontrou inesperadamente. A porta se fecha e Hyoga me diz:
–Fale com ela. Eu não me importo, mas você parece tenso Shun.
Apenas afirmo com a cabeça, dou-lhe um beijo na bochecha e saio do quarto.
–Esmeralda espere! –quase grito ao vê-la abrindo a porta de entrada para ir embora. –Preciso falar com você. –já adianto descendo as escadas.
–Claro. –me responde sorrindo e fechando a porta, caminhando para me encontrar, sua expressão mudou, não parecia mais nervosa, apenas a mesma Esmeralda de sempre.
–É... bem... sobre o que você... –eu sempre travo em situações assim, estou um pouco acanhado e sentindo o calor do meu rosto, posso dizer que estou vermelho. Abaixo os olhos para tentar continuar sem patinar tanto nas palavras até ser interrompido pela menina.
–Eu sei exatamente sobre o que você quer conversar. E o que eu vi foi uma cena linda, então não tem o porquê de ficar tão nervoso e envergonhado Shun. –termina me dando um abraço.
–Mas... no quarto, você pareceu um pouco... surpresa.
–Surpresa? É. Talvez. Eu posso dizer que fiquei um pouco sem saber o que fazer, quer dizer acho que encabulada. –ela completa a frase e sorri mais uma vez, continuando. –Mas não pelo que você pensa que eu fiquei e sim pelo clima chato de se sentir sobrando sabe? Atrapalhando, entende? E não por serem dois meninos, não seja bobo. E se pensar isso de mim eu me ofendo. –olhando seus gestos e a maneira como falava naturalmente, não tive dúvida que fui um imbecil por achar que Esmeralda saiu correndo por pensar mal de mim.
–Obrigado Esmeralda de verdade mesmo. –abraço a menina tão feliz e com tanta empolgação que quase a derrubo. –Desculpe.
–Tudo bem. É muito bom te ver feliz assim. –responde ela também com um sorriso de orelha a orelha.
–Mas sabe... eu não contei para o... Ikki. –digo meio chateado, teria que contar para ele mais cedo ou mais tarde, mesmo tendo medo de sua reação.
–Conte quando estiver preparado e pode contar comigo. Quando fizer eu vou estar com você para te apoiar. Não tenho dúvidas que se irmão te ama muito e o máximo que vai fazer é colocar o loirinho na parede. –brinca ela.
–Eu acho que devo esperar um pouco.
–Como disse pode contar comigo. Além do mais, o amor não diferencia sexo, cor ou dinheiro. Amor é amor, Shun. Quando se ama uma pessoa não importa o que os outros pensam, por mais defeitos que eles possam apontar. Você sempre será perfeito para a pessoa que ama. Porque ele sabe o valor que você tem e o quanto você é único e a maneira como ele vai fazer você se sentir especial. Simplesmente porque ele acredita, confia e sabe o quão importante você é. –ela termina e me deixa pensativo.
–Mas eu não sei se é amor. Conheço ele há pouco tempo. –digo um pouco desapontado.
–Hmm entendo. E o que você sentiu quando encarou ele pela primeira vez? Não teve aquele friozinho na barriga? Ele não invadiu seus pensamentos?
–É. Como você sabe? –fico surpreso com o que Esmeralda falou, pois é exatamente o que aconteceu.
–Eu sinto o mesmo por uma pessoa. –fala timidamente e eu acho que sei por quem é.
–E como você sabe que ele gosta de você?
–Eu ainda não sei.- responde voltando os olhos para baixo, parecendo um pouco decepcionada. — Mas você já teve a prova de que o seu colega gosta de você além de amizade.
–Você acha? –pergunto intrigado.
–Ele falou com o Ikki e veio te ver, é sinal que se importa com você. Depois eu não sei o que aconteceu, mas os dois estavam daquela maneira em cima da cama e de verdade Shun, eu acho que nunca vi uma pessoa tão encantada por alguém como ele por você. Ele nem ligou por eu ter entrado, pelo contrário, quem se assustou foi você. Mas isso com o tempo você vai ver. –explica ela, tendo plena certeza do que dizia.
–Obrigado Esmeralda. –agradeço mais uma vez, não tem como não agradecer a ela que é sempre tão gentil com todos.
–Ah e aparece lá em casa depois para gente trocar umas dicas de livro. –diz piscando para mim.
–Eu vou sim. Pode deixar. –respondo a piscadinha
–Então eu vou saindo. –fala abrindo a porta. -Boa sorte. –me deseja em um sussurro ao sair.
–Obrigado. –falo também sussurrando.
Subo as escadas e passo pelo corredor para retornar ao meu quarto. Eu sei que ele ainda está lá. E poxa, veio em um dia que estou tão ao natural de pijama e chinelos, mas é como a Esmeralda disse: se ele gostar de mim vai ser pelo que eu sou e não pelo que aparento. Respiro fundo colocando a mão na maçaneta, girando ela e abrindo a porta, vendo Hyoga ainda deitado sobre a minha cama.
–Fico feliz que tenha voltado. Como foi a conversa? –pergunta sem rodeios.
Sento de frente para ele, abaixando o rosto para responder, porém ele pega em minha mão e com a sua livre levanta meu queixo.
–Eu adoro seu jeitinho Shun. –diz me dando um selinho e em seguida leva a boca ao pé do meu ouvido falando. –Pode olhar para mim quando estiver falando, eu prometo não morder.
Meu rosto pega fogo, ao ouvir aquelas palavras eu sinto vontade de tomar distância, mas não o faço, apenas quer contato visual enquanto converso com ele. Isso é normal e completamente compreensivo. Droga! Estou pensando demais, ele já está percebendo minha inquietação.
–Foi legal. Esmeralda é um amor, como você deve ter percebido.
–Muito gentil mesmo, me ajudou a te encontrar, sou eternamente agradecido por isso.
Ok. Ele já pode parar de ser fofo, pois eu já estou completamente caidinho por esse loiro russo lindo.
–Shun do que está rindo? –questiona ao ver o sorriso bobo causado pelos meus pensamentos.
–Nada não, só tava pensando.
–Em que? –realmente parecia curioso.
–Segredo. –respondo em tom de brincadeira.
–Prometo não contar para ninguém. –diz se aproximando mais de mim.
–Eu também não. –acabo por não contar, afinal como poderia falar do estou rindo, ele com certeza ficaria me achando um crianção. -Com fome? –pergunto pegando a bandeja e colocando entre nós.
–Você não é muito bom em trocar de assunto, não é mesmo? –retruca.
–Eu acho que não. –digo um pouco chateado.
–Tudo bem. –fala fazendo carinho em meu rosto. –Eu gosto assim.
Começamos a comer os deliciosos doces que Esmeralda preparou para nós. Eu acho que nunca comi algo tão bom em minha vida e não entendo como ela fez tão rápido. Não posso esquecer-me de perguntar para ela qual o seu segredo.
Enquanto nos deliciávamos com os quitutes, acabamos por ficar um tempo em silêncio. Então reparo que além de comer, ele também parecia um pouco distante, mas não pergunto o que se passava em sua mente, pois tinha absoluta certeza que receberia a mesma resposta da minha brincadeira anterior.
–Você ainda quer sair comigo no sábado? –pergunta rompendo a quietude.
–Quero sim. A não ser que você não possa...
–Eu posso. –me interrompe antes de completar a frase.
–Sendo assim eu vou. –concordo largando o chocolate que comia de volta na bandeja.
–Shun. –volta a chamar minha atenção.
–Fale Hyoga. –digo desconfiado pelo seu tom de voz.
–Eu acho que devemos trocar o programa. O que você me diz?
–Desculpe, eu não entendi.
–Não vamos sair para estudar. Sair sabe?!? –tenta explicar de com gestos, apontando com as mãos para ele e para mim.
–Deixa eu ver se entendi. –começo a pensar e a entender. –Quer dizer...
–Um encontro Shun. Você e eu. Nós dois.
–Cl-claro. Eu adoraria. –respondo muito nervoso.
Fui pego de surpresa. Um encontro, mas não apenas um encontro, o meu primeiro encontro. E vai ser com o Hyoga, não posso dizer que não gostei, pelo contrário, eu estou encantado pelo convite, porém muito agitado, minhas mãos tremem involuntariamente, meu coração dispara como se quase saísse pela boca, sinto uma alegria enorme e estampo um sorriso em meu rosto que não consigo esconder. Tudo bem, é assim mesmo que devo me sentir, mas e ele? Queria saber ler pensamentos, só para ter noção do que se passa na sua cabeça.
O fim do dia está perto e o loiro precisa voltar para casa, o acompanho até a porta.
–Nos vemos na escola. –me diz puxando-me pela mão.
–Claro. Até amanhã. –falo junto a ele.
–Você tem meu número. Se precisar, basta ligar e logo estou aqui. –diz colocando uma mecha do meu cabelo para trás da orelha.
–O mesmo vale para você. –ainda um pouco tímido, passo a mão nos seus fios loiros.
–Bem, então eu estou indo. –me trás pela cintura, em seguida me beijando.
Depois de terminarmos o beijo, apenas digo: “Até amanhã!” Eu sei que já havia dito isso, mas minha cabeça não está funcionando direito. Toda embaralhada. Um turbilhão de emoções, dúvidas, vontades, sentimentos e até mesmo medos, mas por hora nem quero pensar nisso, apenas desejo voltar para o meu quarto e lembrar o que se passou.
Recordar os doces lábios de Hyoga, a maneira como mostrou se importar, o modo como agiu comigo o tempo inteiro e a sua delicadeza. Não posso esconder que estou apaixonado, mas não tem como não gostar dele. Difícil vai ser esconder o sorriso bobo que fico ao pensar nele. Ainda sinto seu cheiro impregnado no travesseiro, então deito sobre ele e fico perdido nas lembranças até escutar um barulho vindo lá de baixo. Levanto da cama e vejo Ikki, vou correndo em sua direção, dando-lhe um abraço, meu irmão retribui o gesto.
–Olá Shun, também fico feliz por te ver, mas vai com calma.
–Desculpe Ikki. Senti sua falta hoje. –reparo em como ele se alegra em me ver assim.
–Eu também irmão. Tive que resolver alguns assuntos, mas agora ta tudo bem. –diz se soltando do abraço e caminhando até o sofá, retirando os sapatos.
–Que assuntos? –me volto para ele, enquanto se acomoda no móvel.
–Assuntos de trabalho. –responde colocando os pés na mesa.
–Hmm e o seu dia como foi? –pergunto puxando assunto e sentando na poltrona.
–Cansativo. E o seu? –fala parecendo cansado mesmo, fechando os olhos.
–Foi bom, fiquei com a Esmeralda e depois o Hyoga veio me ver. –falo sorrindo, afinal ele nem estava me olhando mesmo.
–Ah é mesmo, o loiro aguado. –resmunga com um certo desprezo.
–Ele é legal depois que você conhecesse. –não entendo por que Ikki não gosta do russo, ele deve ter seus motivos.
–Escute Shun, mudando de assunto agora. O que você me diz de conversar com uma pessoa? –diz abrindo os olhos.
–Como assim? –fico curioso ao ouvir o que ele disse.
–Eu encontrei um especialista para te ajudar. –novamente fecha os olhos, pendendo a cabeça para trás.
–Ta. –dou uma resposta curta, até mesmo porque não precisa mais delongas.
–Se não quiser não precisa ir. Só pensei que você poderia gostar de ter uma opinião diferente, alguém que te compreenda de outro jeito. –continua.
–Sem problemas, quando começa?
–Eu marquei amanhã à noite, assim eu posso te acompanhar. –abre os olhos mais uma vez enquanto eu levanto da poltrona que estava sentado.
–Ta bem mano. Vou subir para estudar um pouco. –digo subindo as escadas.
–Espere. Você sabe me dizer se a Esmeralda ta em casa? –pergunta tirando os pés da mesinha e sentando normalmente.
–Ela ta sim. Até me convidou para ir lá, mas acho que ela vai gostar mais de receber a sua visita do que a minha. –falo já entrando no corredor, sem receber resposta vinda do meu irmão.
Entro no meu quarto pegando meus livros e cadernos, escutando o mais velho passar em direção ao banheiro, depois de um tempo percebo barulho de água, provavelmente do chuveiro, Ikki estava tomando banho. Depois de um tempo ele entra no meu quarto, arrumado e perfumado, conseguia sentir o perfume se espalhar pelo cômodo.
–Shun, vou ver a Esmeralda, pedi pizza, fica atento na campainha.
–Ta certo. Boa sorte com ela. –falo fazendo anotações.
–Você acha que ela vai gostar? –pergunta me mostrando um enorme urso branco que segura um coração.
–Nossa que lindo! Tenho certeza que ela vai adorar.
–Então eu vou indo lá.
Vejo meu irmão fechar a porta e começo a pensar que dessa vez Ikki foi fisgado pelo cupido. Conheci algumas meninas de seus namoricos anteriores, mas nada demais, o máximo que ele fazia por elas era levar para jantar. Nunca comprou flores e nem ursos, lembro dos presentes que lhes dava, geralmente lingeries. Acredito que meu irmão nunca amou ninguém além dos nossos pais e de mim. Espero que Esmeralda não seja apenas mais uma na vida dele, pois ficarei muito chateado caso isso ocorra.
Ikki desce apressado. Queria logo ver a menina que tanto gostava, assim que chega na sala procura suas chaves e lembra que as deixou no automóvel, com preguiça de ter que ir até lá, vai para a cozinha pegar as pertencentes ao menor. Elas sempre estão penduradas no chaveiro. Pega o que procurava e quando se prepara para sair, ouve um telefone tocar, o de Shun, esquecido acidentalmente na bancada quando o menino foi beber água, há um tempo atrás. O garoto por curiosidade olha a tela do celular que anunciava: “Nova mensagem: Hyoga.”
Como não gostava muito do loiro tomou o celular em suas mãos e destravou o teclado sem nem pensar muito. Fixou os olhos na opção “Ler” levando o dedo até o botão...
Continua...
Notas finais
Obrigada pela leitura e beijinhos.
Uma ótima noite.
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