História De Amor

7 A Curiosidade Matou o Ikki


Notas iniciais
Oi pessoal! Bem em primeiro lugar quero pedir desculpas por publicar apenas hoje este capítulo. E como escrevi ele um pouco rápido, revisei só com uma passada de olho, então se tiver algum erro ou algo que precisa ser mudado, por favor me avisem amores. Muito obrigada pela atenção, estou completamente feliz.
Esse capítulo eu novamente deixei os narradores Shun e terceira pessoa. Espero que gostem.
Mais uma vez obrigada e boa leitura =D

Segura o aparelho firme em suas mãos, a chance estava ali, apenas um toque e descobriria o motivo de tanto interesse do menino loiro em seu irmão. Alguns pensamentos já vagavam na cabeça de Ikki, mas este nunca deu importância, pois tem outros problemas maiores para resolver. Contudo, pensa se seria certo invadir a privacidade de Shun, já que o mais novo nunca foi intrometido em seus assuntos particulares e bisbilhotar o telefone do irmão poderia gerar desavença. O maior continua pensativo e apreensivo com a ideia que lhe rondava a mente. A decisão foi tomada, afinal o menor não tem nada a esconder, sempre foi um ótimo garoto. Novamente sem pestanejar leva o dedo até o botão e quando se preparou para apertar, escuta uma voz conhecida quebrar o silêncio.

-Ainda por aqui irmão? Pensei ter ouvido que iria visitar a Esmeralda. –fala Shun entrando na cozinha para pegar um suco.

-Eu tava procurando as chaves. Peguei as suas. Ta bem? –diz assustado ao ver o mais novo.

-Sem problema. –responde de costas abrindo a geladeira para tirar a jarra com a bebida que queria, virando-se pega um copo servindo o suco, toma um gole e percebe seu telefone na mão de Ikki que o observava em cada movimento. –Achou meu celular. Tava mesmo procurando ele.

-É. Aham, toma é seu. Tava tocando, eu só vi a hora. To indo nessa. Até depois. Tchau Shun. –diz Ikki soltando telefone de volta na bancada saindo em disparada.

Não entendo o motivo da pressa de Ikki, deve ser pela vontade de ver Esmeralda. Assim que ele sai deixo o copo sobre a pia, pegando o celular que segundo meu irmão estava tocando, vejo o sinal de sms. Uma mensagem de Hyoga. Lembro da expressão do mais velho no momento em que entrei. Do seu nervosismo, será que ele leu o que está escrito? Sinto-me aliviado ao ver que não. O símbolo do telefone ainda mostra o desenho da carta selada, além do mais Ikki disse que só estava vendo as horas, nunca foi de mentir, não tenho motivos para duvidar dele.

Meus lábios se abrem em um enorme sorriso ao ler o que Hyoga me mandou:

“Não consigo parar de pensar em você. Você é tudo que tem estado em minha mente, desde que te vi. Acredita em amor a primeira vista?”

Respondo:

“Você me faz acreditar em tudo.”

Tudo bem. Eu sei que a resposta foi sem graça, mas o que eu poderia dizer? Eu te amo? É cedo demais, e tenho medo dele pensar que possa me tornar um pé no saco. Eu me considero muito meloso, sobretudo por ele ter sido o meu primeiro beijo. E é tudo tão novo para mim, tão bom que nem consigo acreditar. É engraçado me sentir assim, sendo que pela manhã ainda estava como uma casca vazia. Enfim, agora não importa mais, é melhor subir para o meu quarto e continuar estudando. E esperar o loirinho me mandar mais alguma coisa.

Ikki sai no portão segurando o enorme urso, ajeitando a gola da camisa e dizendo para o bicho de pelúcia:

-Vamos lá amigão! Boa sorte para nós!

Segue pela rua até chegar na casa com o portão de grades verdes, olha atento e percebe que ainda estão acordados, não era tarde da noite, mas ainda sim incomodar a uma hora daquelas sem uma razão aparente poderia ser um tiro no pé. Respira fundo e aperta a campainha, não compreendia o porquê de estar tão nervoso. Espera alguns segundos e escuta barulho de chaves, provavelmente alguém abrindo a porta e de dentro dela sai Esmeralda.

A garota não usava seus vestidos habituais e sim um pijama rosa, composto por uma camiseta pouco larga e um short colado ao corpo da mesma cor, o cabelo preso em um coque, apenas com a franja solta, a qual ela cuidadosamente colocava para o lado quando ficava nos olhos, nos pés usava pantufas com estampa de doces e laços coloridos.

-Oi Ikki. — Caminha até o portão abrindo ele para o garoto entrar.

-Oi Esmeralda. –cumprimenta deslumbrado pela cena contemplada por ele, a menina continuava linda, até mais bonita do que o normal, espontânea como sempre, mas fisicamente mais natural, sem nenhuma maquiagem, nenhum batom, nada além da sua beleza intocada.

-Entre. –convida a menina, vendo Ikki entrar. –E então no que posso ajudar?

-Em nada. Eu só vim aqui agradecer você. –responde olhando nos olhos claros da garota.

-Eu já disse que gosto de vocês, não precisa me agradecer, além do mais são sempre muito amáveis comigo. –fala colocando as mãos na cintura.

-Mesmo assim, tem sido muito gentil. –diz Ikki sentindo-se estranho, dando um passo para trás.

-Você ta bem? –pergunta ela dando um passo para frente.

-Eu to sim. –confirma vendo ela se aproximar mais. –Pr-pra você. –anuncia entregando o urso para a menina, pensando como foi idiota no momento em que gaguejou, isso nunca tinha acontecido com ele.

-Ai meu Deus, é lindo. Obrigada. –agradece com um enorme sorriso, virando a face do animalzinho para a dela, como se brincasse com um bichinho de verdade. –Mas não precisava. Eu adorei. –continua abraçando o presente.

-Não foi nada. –diz fascinado pela reação dela.

O garoto se aproxima um pouco mais, e ela ao vê-lo mais perto de si, ergue a cabeça para olhar seu rosto. Ikki sente vontade de beijá-la, porém tem medo de estragar tudo se o fizer. Porque querendo ou não, é sensato o suficiente para entender que a menina loira é diferente, está conquistando ele pelo coração, com atitudes dignas, bondade e sensibilidade. Até agora ele se entregava por luxúria, desejo, tesão, coisas banais, nada que ele quisesse se apegar, apenas curtição. Seu relacionamento mais duradouro foi um cheio de complicações, que não passou dos três meses, desde então decidiu que uma noite ou duas bastava com a mesma pessoa.

Os olhares se chocam, fazendo com que ambos fiquem cada vez mais juntos. Agora se encaravam demonstrando o que sentiam, mesmo sem dizer nenhuma palavra. A proximidade faz o ar pesar, os segundos parecem anos, ambos admirando-se, voltando seu olhar quase sempre ao mesmo ponto: os lábios.

Permitiram os rostos quase se encostar, dessa maneira qualquer um dos dois teria a liberdade de tomar a iniciativa, chegando cada vez mais perto, ainda com os olhos abertos acompanhando cada passo.

E quando finalmente o beijo aconteceria, ambos ao mesmo tempo deixam o medo falar mais alto, virando o rosto para o lado oposto, fitando o chão. Com certeza não era o momento exato, tanto para um quanto para o outro, queriam algo extremamente especial, porém não sentiam-se preparados ainda.

-Então eu acho melhor eu ir. –diz o garoto um pouco sem jeito.

-Tem certeza? Se quiser pode ficar um pouco. –responde baixinho.

-Eu quero ficar, mas não sei se devo. –sua sinceridade tocou o coração da menina.

-Fica, eu quero você aqui. –fala encabulada.

-Eu também quero ficar. –leva suas mãos até o rosto da menina, fazendo um leve carinho, tocando os lábios em sua testa. –Mas eu preciso ir.

-Entendo. –diz com os olhos fechados ao sentir os toques vindos do maior.

-Boa noite Esmeralda. –lhe deseja sem ter a mínima vontade de se afastar.

-Boa noite Ikki. –fala abraçando-lhe com o braço livre, já que com o outro segurava o urso.

Desprendem-se do afago e ela abre o portão em silêncio, observando o menino sair e caminhar até quase chegar em sua casa. Paralisada no portão o vê andar com as mãos no bolso, de costas, parecendo pensativo e no seu mínimo movimento para retornar a residência escuta um grito.

-ESMERALDA. –fazendo a garota colocar a cabeça para fora. –O FILME AINDA ESTÁ DE PÉ? –continua Ikki a berrar.

-ESTÁ SIM. –responde também aos berros.

-ENTÃO COMBINAMOS MELHOR AMANHÃ. DORME BEM. –fala acenando para ela.

-VOCÊ TAMBÉM. –grita rindo ao ouvir os latidos dos cães da vizinhança, entrando contente em casa.

Ikki volta para sua moradia. Assim que entra na sala, chama por Shun algumas vezes. Sem obter resposta, sobe até o quarto do menor, vendo que dormia em cima dos cadernos. Cena típica em períodos de prova, o que não era o caso, então decide ajeitar o irmão na cama. Ao pegá-lo no colo, percebe que o garoto segura em uma das mãos o seu celular, algo incomum, já que o menino nunca demonstrou grande interesse por este tipo de coisa, atiçando mais ainda a curiosidade do mais velho, que mais uma vez resiste bravamente e sai às pressas do quarto, antes que fizesse o que não deveria.

Na manhã seguinte acordo em minha cama com o barulho do despertador, provavelmente Ikki me arrumou ontem à noite quando chegou. Levanto muito animado doido para ver Hyoga na escola, me apronto e desço respondendo seu sms de bom dia.

-Bom dia Shun. –cumprimenta o irmão ainda com a pulga atrás da orelha, perguntando-se o que tem de tão interessante no telefone.

-Bom dia mano. –respondo ainda olhando para a tela e sentando a mesa.

-Dormiu bem? –pergunta puxando assunto.

-Dormi e você? –digo dando continuidade a conversa, soltando o aparelho ao lado da minha xícara.

-Muito bem. –fala esboçando um sorriso enquanto bebe o café.

-Como foi com a Esmeralda? –sei que é por isso o motivo de tamanho bom humor.

-Foi maravilhoso, ela é linda. –caidinho pela menina.

-Ta ficando apaixonado não é mesmo? –questiono, mesmo sabendo a resposta.

-Completamente. Esmeralda é encantadora. –diz soltando uma risadinha.

-Ikki, promete não brincar com ela? –peço com a melhor das intenções.

-Nunca faria isso Shun, não com ela. –tinha absoluta certeza do que afirmava.

-Eu fico feliz por vocês dois. –digo muito alegre, feliz mesmo pelos dois se entenderem.

-É, mas eu não sou o único. Você também está muito alegre desde ontem. –percebo uma ponta de desconfiança.

-Claro que estou. E você sabe o motivo. –falo sorrindo para ele e pegando uma fatia de pão.

-E então preparado para sua primeira consulta? –pergunta soltando o jornal na cadeira

-Sim. Você vai comigo né? –quero muito a companhia dele.

-Vou sim. –responde positivamente.

-Obrigado irmão. –agradeço e ele sorri em resposta.

-Hm vou tirar o carro da garagem. –sai da mesa tomando o último gole do seu café, pegando as minhas chaves novamente, passando a mão no meu cabelo deixando todo bagunçado quando passa por mim.

Eu também termino e subo para escovar os dentes, pegar minha mochila. Pois pelo jeito o dia seria agitado, assim que volto à sala meu irmão já buzina indicando que me espera pronto para partir. Tranco tudo e entro no carro dizendo:

-Vamos?

-É pra já.

Meu irmão liga o rádio e cantamos com ele, há muito tempo não fizemos isso, foi muito bom. Errar a letra e o outro acertar, abrir as janelas e sentir o vento, lembrar como a vida pode ser boa, por mim ficaríamos assim o dia todo, mas logo encerra a diversão. Em pouco tempo estou no portão da escola, dando até logo para Ikki, que sai dizendo que passa para me buscar no mesmo horário de sempre.

Caminho adentrando no colégio, me deparando com Saori que também seguia para a aula.

-Bom dia Shun.

-Bom dia Saori. Como foi a aula ontem? –pergunto preocupado por ter perdido aula.

-Foi o mesmo de sempre, sem nenhuma novidade. Eu posso te emprestar o caderno e explicar a matéria caso queira. –oferece ajuda, sendo muito educada.

-Eu aceito sim. –digo empolgado por estar interagindo e me dando bem com meus colegas.

-Hoje temos um período vago. O que acha de ficar na sala e eu te ajudar? –propõe sorrindo para mim, parecia muito disposta e contente por me auxiliar com o conteúdo perdido por mim.

-Ótimo. Obrigado Saori. –agradeço a ela.

-Imagine, eu sei que faria o mesmo por mim. A propósito, sem querer parecer intrometida. Por que não veio ontem? Esta tudo bem? –pergunta parecendo preocupada, não apenas para especular o motivo.

-Tudo sim, eu só dormi demais. –contei apenas essa parte, melhor não entrar em maiores detalhes.

-Eu sei como é isso. Sábado passado me atrasei por ter dormido demais, para minha aula de piano.

-Eu acho lindo piano. –realmente é o instrumento que mais gosto.

-Sério? Vou me apresentar no teatro daqui a duas semanas o que acha de me ver tocar? –faz o convite muito entusiasmada.

-Eu adoraria. Se me passar o endereço eu vou com todo prazer. –aceito o convite demonstrando minha euforia.

-Toma. Aqui está sua entrada e nela tem o endereço certinho, a June também vai ir. –diz me entregando uma cortesia.

-Obrigado, então vou perguntar se ela não quer me acompanhar. –novamente agradeço sua gentileza, guardando dentro do bolso da mochila a entrada.

-Se quiser pode resolver isso com ela no período vago, ela também vai ficar conosco. –fala já passando na porta da nossa sala.

-Mais uma vez obrigado. –respondo entrando em seguida.

-É por falar nela, me pedindo para ir até o banheiro. –anuncia soltando a bolsa na classe e olhando a tela do celular. — Você quer vir?

-Acho que vou ficar por aqui. –não seria uma boa ideia ficar de guarda na porta do banheiro feminino, esperando as garotas.

-Então até logo. –despede-se ela , indo encontrar a amiga loira.

Começo a tirar o material da minha mochila quando escuto uma voz animadora:

-E ai galera, sexta-feira que beleza, graças a Deus final de semana chegando.

-Seiya por que você é tão escandaloso? –repreendo Shiryu como sempre.

Eu rio virando-me para eles e dando bom dia, ambos me respondem vindo em minha direção. Seiya foi o primeiro a perguntar o motivo da minha falta, respondi o mesmo que falei para Saori, o moreno foi mais atencioso, perguntando se dormi por cansaço ou por não estar passando bem. Nessa ele me pegou. Então apenas disse que estava com dor de cabeça e o assunto encerrou ali.

Conversamos por um tempo, agora estou mais solto, não quero mais me esconder debaixo daquele escudo criado por mim, ainda continuo o mesmo Shun. Tímido, medroso e que gosta de ajudar as pessoas, o que mudou em mim foi minha auto-estima que agora tento elevar. Fico ouvindo as histórias malucas de Seiya até ouvir alguém interrompê-lo:

-Suas histórias são demais, mas eu duvido que você realmente corra mais do que o seu cachorro. –retruca Hyoga que havia entrado na sala e colocava sua mochila na classe.

-Ah qual é Hyoga? É você e o Shiryu sempre cortando o meu barato. É claro que eu corro mais do que o Pegasus.

-Tudo bem Seiya. Nós acreditamos, agora pare de gritar. –retruca Shiryu.

-Olá Shun. –cumprimenta sentando e ficando de frente para mim.

-Oi Hyoga. –respondo olhando para ele.

Nossa mudança foi visível, nos aproximamos sorrindo um para outro, um clima se estabeleceu, chamando a atenção dos dois que acabaram sobrando.

-Hãn-hãn. –tosse o garoto de cabelos castanhos, nos fazendo acordar em um estalo, nos deixando sem graça.

Então voltamos a conversar os quatro normalmente, porém cada vez que Hyoga falava comigo, tornava o tom de voz mais suave do que com os outros amigos, isso acaba por me deixar vermelho, entre sorrisos. Ao me ver rindo ele também acha graça e esboça seu rosto sorridente. O sinal toca anunciando o inicio da aula. Seiya e Shiryu se dirigem para seus lugares assim como a sala começa a encher e se movimentar.

-Não disse? Ta rolando alguma coisa. –fala Seiya para o amigo enquanto procuram seus assentos.

-E eu já disse que é melhor você se concentrar nas aulas. –responde sentando.

-Você é muito sem graça cara. –resmunga o outro.

-Escute Seiya, se o Shun e o Hyoga realmente estiverem juntos. Teria algum problema para você? –questiona o moreno, na intenção de fazer o parceiro pensar sobre.

-Acho que não. Por quê?

-Então deixe que eles procurem a felicidade. Deveria procurar a sua também.

-Você é sempre muito filosófico. Dá medo às vezes. De verdade. –termina virando para frente vendo o professor entrar na sala cumprimentando a todos.

O professor que entra parece severo, ainda não o conheço, me dá as boas vindas e sem conversar muito pede para abrirmos na página 102 do livro e começa a passar o matéria na lousa.

-Hyoga quem é ele? –pergunto, pois ele apenas me disse “Bem vindo!” com um sorriso meio forçado.

-Shura. Ele é um professor muito bom. Não se assuste, mas preste bastante atenção porque ele cobra até as vírgulas passadas em aula nas provas.

-Ta bem. –digo copiando as fórmulas em meu caderno de física.

Depois da cansativa aula do severo professor, tivemos o esperado período vago. O qual Saori me ajudaria com a matéria do dia anterior. Pego meu caderno e meu estojo indo em direção as meninas.

-Aonde você vai Shun? –pergunta Hyoga pegando sua carteira, preparando-se para sair, pois depois desse tempo teríamos o intervalo.

-Saori prometeu me ajudar com a matéria de ontem, vou ficar aqui por enquanto.

-Então eu fico com você. –fala caminhando até mim.

-Não precisa. Os outros estão te esperando, quando tocar para o recreio eu vou até o banco que vocês sempre ficam. –digo apontando para os dois meninos que estavam na porta.

-Tem certeza? –continua.

-Vocês vem ou não? –grita Seiya.

-Tenho sim, até depois. –ao terminar de falar, ele se aproxima de mim, como se fosse me beijar, mas percebendo que estávamos em publico se afasta rapidamente.

-Até. –despede-se desconcertado, saindo com os meninos.

Fico com as meninas. As duas são muito legais, sobretudo June com seu estilo super sincero, falando que Shina disputa Seiya com a Saori, de que ela tem dúvidas sobre a sexualidade de Marin, de Jabu estar a fim de Mino, enfim, foi divertido, me deixando a par de todos os assuntos da sala. Fica calada por uns instantes, enquanto a outra me ajuda, ambas fazem a dupla perfeita, são quase opostas e por isso se dão tão bem. Não demoro para entender tudo que perdi na aula e ficamos apenas combinando a nossa saída para o recital de Saori. O sinal toca e eu me despeço delas, combinei com Hyoga que o encontraria no banco assim que o intervalo começasse.

-Ai meu Deus, Saori eu te amo. –diz a menina muito empolgada abraçando forte a amiga.

-Por quê? –pergunta Saori sendo amassada pela força do carinho de June.

-Você convidou o Shun, sabendo que eu iria. Essa é minha chance. –responde soltando a garota.

-Eu acho que você deveria ir com mais calma. –aconselha pegando um livro de dentro da pasta.

-Ah fala sério. Você e o Seiya estão indo tão devagar quanto uma lesma e não saem do lugar. –compara a loira.

-Eu não gosto de Seiya. Quando você vai entender? –fala irritada, uma das poucas coisas que tiram a menina do sério.

-Ai tudo bem. Não falei por mal. — desculpa-se com a companheira.

-E então vamos à biblioteca comigo? Ou prefere ir à cantina primeiro? –convida Saori.

-Vamos na biblioteca. Depois passamos na cantina, não seria legal derramar refrigerante nas fichas da Eiri de novo. Não é mesmo? –lembra com um expressão de: “Não quero nem lembrar que passei por isso.”

-Eu lembro como ela ficou quando viu. Ficamos uma semana ajudando ela depois da escola. –concorda suspirando.

-É. Eu que não quero sofrer daquele jeito de novo. –continua a conversa, levantando-se da mesa que estava escorada.

-Então vamos. Se não iremos ficar só conversando e não fizemos nada. –diz a outra menina caminhando em direção a porta chamando sua amiga, partindo rumo à biblioteca.

Avisto os meninos sentados no lugar de sempre, caminho até eles e me acomodo ouvindo a sua conversa. Falavam sobre times de futebol, eu como mau entendedor do assunto, apenas escuto sem compreender muita coisa do que diziam e argumentavam. Pego um pacote com balinhas de chocolate começo a comer, ofereço a todos, mas nenhum aceitou. Já me sinto deslocado demais, não tenho como dar uma opinião sobre um algo que não tenha pleno conhecimento, então decido ir ao banheiro lavar meu rosto.

Abro a torneira e deixa a água cair sobre minhas mãos, levando até minha face, isso me tranquiliza de alguma maneira. Olho-me no espelho ainda com o rosto molhado e retiro uma toalha de papel para secar.

-Tome. Vai precisar mais do que uma para secar o rosto. –fala Hyoga me entregando outra toalha.

-Obrigado. –pego de sua mão, um pouco surpreso por vê-lo ali, nem percebi sua chegada.

-Tudo bem? –pergunta se escorando na pia.

-Sim, vamos voltar? –digo colocando o papel na lixeira.

-Shun, o que foi? Eu fiz algo que não te agradou? –questiona se aproximando de mim.

-Não Hyoga. É que eu não entendo nada sobre futebol. –respondo rindo.

-Trocamos de assunto. –diz com aquele seu jeito frio, mas que eu sei que se importa.

-Não precisa, eu vou acabar aprendendo de tanto ouvir o Seiya falar. –falo olhando para ele.

-Ele é tagarela mesmo. Mas é legal. –concorda me pressionando contra a pia.

-Eu sei. –abaixo a cabeça com que o loiro faz, ficando muito próximo. -Hyoga aqui não. Não sei se é. –antes de completar a frase sou beijado, mesmo pensando que poderiam nos pegar me entrego aos seus lábios.

-Não se preocupe. Já falei que não me importo que nos vejam. –termina encostando sua testa na minha, com os olhos fechados.

-Acho melhor voltarmos, podem dá por nossa falta. –digo colocando a mão sobre seu peito.

-Você realmente não é bom em mudar de assunto. –resmunga me dando mais um selinho e saindo comigo do banheiro.

Assim que saímos ouvimos o toque para recomeçar as aulas. Juntamos-nos aos demais e entramos na sala. A manhã passa normal, sem grandes acontecimentos, apenas mais uma sexta comum, daquelas que contamos os milésimos de segundos para a aula acabar podermos aproveitar o final de semana.

Finalmente o término é anunciado e a maioria corre em disparada como se fugissem de algo, ficando poucos colegas dentro da sala, incluindo Hyoga, Marin, Jabu, Saori e June. As duas meninas são as primeiras a sair da sala, desejando um bom final de semana de a todos, em seguida Jabu se despede e Marin apenas acena sorrindo para nós, eu coloco meu estojo na mochila, observando que o russo já guardou tudo e poderíamos ir.

Saímos passando pelo corredor conversando besteira, coisas sobre os professores mesmo. Então uma voz chama:

-Hyoga! –era Camus e parecia zangado. –Olá Shun, está melhor? –cumprimenta, mas ainda esta encarando o loiro.

-Shun, nos vemos depois. Tenho umas coisas para resolver. –despede-se virando o rosto para o homem que o chamará.

-Sendo assim até mais. Bom final de semana senhor Camus. –digo dando adeus.

-Igualmente Shun. –responde educadamente.

Caminho até chegar ao portão de entrada com Ikki já me esperando para ir embora, entro no carro e seguimos para casa no mesmo ritmo em que chegamos. Almoçamos e ele volta para o trabalho. Eu fico estudando e depois vou me arrumar para a primeira consulta com o psicólogo. Estou animado, vai ser bom ter alguém além do meu irmão e amigos para poder me abrir e dar conselhos.

No final da tarde Ikki retorna indo direto para o banho, se aprontar para ir comigo até consultório. Não demora muito e caímos na estrada.

-E então nervoso Shun? –pergunta virando o rosto para mim.

-Só um pouquinho. –respondo mostrando com a mão, como se demonstrasse a quantidade.

-Você parece ter gostado da ideia. –comenta olhando para a frente novamente.

-Eu gostei. Vai ser legal mano. –falo olhando para fora. –Mas onde fica o consultório?

-Logo ali. –aponta para um enorme prédio com grandes janelas de vidro.

Deixa o veículo no estacionamento e vamos para o terceiro andar do grande edifício, chegando lá sinto um cheiro esquisito, mas que não dou importância, deve ser os produtos de limpeza utilizados pelo funcionários.

-Boa noite. No que posso ajudar? –diz a recepcionista.

-Uma consulta marcada com o Mu. –responde meu irmão a ela.

-Claro. Shun Amamiya? –pergunta a moça, depois de mexer no computador.

-Isto mesmo. –afirma o mais velho.

-Por favor aguarde um minutinho. Não querem nada? Um suco? Café? Água? –oferece, muito simpática.

-Não obrigado. Estamos bem. –agradece Ikki, vendo a moça se retirar.

Sentamos nas confortáveis cadeiras da sala. Um local bem peculiar, cheio de pinturas diferentes, esculturas, mensagens escritas na parede, fico fascinado pelo vejo.

-Diferente aqui. Você gosta né? –diz o maior ao ver meu encantamento pelo lugar.

-Muito. –respondo admirando cada canto.

-Senhor Amamiya. O seu filho pode passar. O senhor Mu está esperando. Se quiser pode acompanhá-lo. –anuncia a garota assim que volta

-Você vem mano? –convido levantando do assento.

-É melhor ir sozinho para se conhecerem. –responde sorrindo para mim.

-Tem certeza? –pergunto mais uma vez.

-Claro Shun. –afirma novamente, fazendo um sinal de cabeça.

-Ah só uma detalhe. O senhor Mu pede para não levar aparelhos eletrônicos, segundo ele isso pode distrair você durante a sessão. –alerta a menina.

-Tá certo. Irmão, fica com meu telefone? –peço para Ikki.

-Fico sim. Agora vai lá. –fala pegando o aparelho da minha mão.

-O senhor não deseja nada mesmo? Não quer assistir a nenhum canal? Vai cansar de ficar esperando. –a moça realmente é muito atenciosa.

-Um café então. –responde o garoto.

-Que ótimo, eu também vou preparar um café. Como quer o seu com leite? Cappuccino? –começa a dizer as opções.

-Preto. –escolhe antes da garota dizer.

-Então eu já volto. Gostei da simplicidade. –responde sorrindo e dando uma piscadinha.

Enquanto espera o seu café, fica observando a sala mais atento. O estilo dela não lhe grada, mas não dá importância. Imaginando como está Shun com o psicólogo.

-Aqui está. –diz trazendo a bebida em uma bandeja até o rapaz.

-Obrigado. –agradece pegando a xícara.

-Cuidado, está quente. –diz a menina.

-Ta bem. –responde tomando um gole. –Qual seu nome?

-Freia. Muito prazer. –se apresenta voltando a sua mesa.

-Prazer é meu. E então como é trabalhar aqui?

-É legal. Conheço muitas pessoas. Me dou bem com todos que frequentam o consultório. Até fico amiga de alguns pacientes. O doutor é muito bom, com certeza Shun vai gostar.

-Ele parecia animado. –completa o irmão.

-Ele e o senhor Mu vão se dá bem. Hmm coloquei pouco açúcar para mim. Vou adoçar mais um pouco. O seu está bom?

-Ta sim. Muito bom. Obrigado.

-Já venho. –diz se retirando de novo.

-Beleza. –fala Ikki.

Novamente fica sozinho e uma ideia tentadora lhe vem a cabeça, olha para os lados para ter certeza que não vinha ninguém e puxa do bolso o celular do caçula. Dessa vez sem hesitar destrava o telefone e vai direto para as mensagens, entrando na opção conversas, sendo de Hyoga a pasta com mais itens. Ao abrir o primeiro sms arregala os olhos, ficando completamente sem reação, apenas chocado com o que lia...

Continua.

Notas finais
Obrigada pela leitura e beijinhos ♥
Tenha uma ótima tarde ^.^