Notas iniciais
Oi! Capítulo meio chatinho pra introduzir. Espero que gostem! Mandem a ficha dos personagens até quinta, às 18. Espero que gostem. Comentem no final, amores

Aquele dia era um dia especial. Arrumei minhas coisas em uma bolsa, fiz um rabo de cavalo e me olhei no espelho. Estava pronta para sair para o passeio, com uma bermuda confortável, tênis e uma regata. Parecia uma exploradora.

Saí do quarto e me deparei com a família tomando café como habitual.

– Nossa você está parecendo uma apresentadora daqueles programas do Discovery Channel. – Meu pai observou com um gole em seu café expresso.

– Bom dia pai. – Ri eu, sentando-me à mesa. – Bom dia gente.

– Bom dia meu amor. – Minha mãe cumprimentou. – Tome cuidado hoje, viu? Está com o protetor solar, o repelente e tudo mais?

– Porque minha série não tem esses passeios? – Meu irmão mais novo emburrou-se.

– Sim mãe. Não se preocupe. – Tranquilizei-a e ignorei Hugo, meu irmão, com a sua birra.

Depois de tomarmos café, fizemos a oração e meu pai saiu comigo e com Hugo para nos deixar na escola.

Acontece que naquele dia minha classe ia sair em um passeio para uma trilha ecológica. Iríamos ter uma aula prática de botânica, analisando as folhas, árvores e flores, e não irei mentir: estava ansiosa para ter um contato maior com a natureza. Mas, é claro, mais ansiosa ainda para bagunçar com meus amigos.

Meu celular pipocava de mensagens de meus amigos no grupo, mas nem me dei o trabalho de ler. Durante o caminho até a escola, vi que as ruas estavam mais lotadas de policiais que o normal. Todos pareciam meio confusos, como se perguntassem a si mesmo o que estavam fazendo ali. Enquanto os observava, alguns helicópteros sobrevoaram a cidade.

– O que é isso? – Meu pai, Arthur, perguntou. – Pra quê tantos militares?

– Liga o jornal pai. – Hugo pediu. Meu irmão sempre fora o mais nervoso de nós.

Meu pai ligou, porém todas as rádios estavam fora do ar. Nesse meio tempo, chegamos à escola.

– Sérvia, tenha um bom passeio e fique com Deus. Eu te amo. – Meu pai se despediu de mim com um beijo na testa e desci do carro, também dizendo que o amava. Ele disse o mesmo para Hugo e saímos em direção à escola. Hugo agarrou minha mão nervosamente.

O portão da escola era grande e já estava cheio de alunos em sua frente, conversando. Os seguranças e o porteiro me deram bom dia e eu respondi, levando Hugo até a sua sala.

– Não fique nervoso. – Agachei-me para ficar na sua altura. – Não aconteceu nada demais. Encontro você mais tarde, tudo bem?

– Uhum. – Ele respondeu ainda com o cenho franzido. Beijei sua testa e me encaminhei até o portão traseiro do colégio, de onde os ônibus partiriam.

Vi Melissa logo de cara. Melissa era minha amiga desde o fundamental, com grandes cabelos louros e olhos castanhos grandes e expressivos, que a deixavam parecida com uma boneca de desenhos japoneses. Seus cabelos estavam presos também, mas ela vestia uma blusa comum e um short, segurando uma prancheta na mão e com uma expressão irritada.

– Tem como alguém me dizer quem faltou, por obséquio? – Pediu ela, quase gritando. – Sou tudo eu nesse lugar!

Eu ri. Melissa era a representante de turma. Para ser mais exata, a vice, porém Jonas (o verdadeiro representante) era terrivelmente preguiçoso e arruaceiro, deixando tudo nas mãos de minha amiga.

– Jonas, seu babuíno, vem me ajudar! – Gritou ela.

– Melissa, não enche! – Ouvi a voz de Jonas ao fundo, junto com seus amiguinhos metidos. Quando Melissa estava quase replicando, cheguei ao seu lado.

– Ei moça, cuidado pra não explodir.

– Ah, graças aos Céus, Sérvia. – Melissa fez uma expressão de alívio imenso. – Me ajuda, por favor. Todos estão uma pilha de nervos depois que aquilo aconteceu e tem gente que já até foi embora, estou me atrapalhando toda com a lista de chamada.

– O que aconteceu? – Perguntei curiosa. Mas nesse momento a professora chamou todos para fazer uma fila na saída e se encaminhar para os ônibus.

No meio de toda aquela manada de elefantes apressados, me perdi de Melissa. Ouvi meu celular tocando, porém não consegui atendê-lo no meio de toda aquela multidão e quase morri quando finalmente me sentei no ônibus.

Depositei minha bolsa debaixo da cadeira e peguei o telefone, vendo que a ligação perdida era de minha mãe. Retornei, imaginando que fosse para me dar um bom passeio, mas ao atendê-la ouvi sua voz nervosa.

– Sérvia, como você está? – Me perguntou com urgência. – Como está Hugo?

– Mãe, calma. O que houve? Eu estou no ônibus. – Comecei a ficar nervosa.

– Como assim no ônibus? Seu pai vai buscá-la agora! Ele saiu do trabalho. – Ela parecia prestes a chorar.

– Mãe! Calma, por favor, você está me deixando muito nervosa. – Ao contrário das outras vezes, todos que estavam no ônibus estavam falando no telefone ou calados, com olhares assustados.

– Filha, eu... – De repente, a ligação caiu e uma voz irritante da operadora informou que a linha estava congestionada. Eu estava totalmente perdida, sem saber de nada e com vontade de chorar. Bernardo, um amigo meu, veio e sentou-se do meu lado.

– Você não sabe de nada que está havendo, não é Sérvia? – Ele me encarou com os olhos tristes.

– Me explica, por favor.

– Digamos que parece que não vai haver mais passeio nenhum.

__

Então quer dizer que aquela maldita doença havia chegado à cidade.

Já fazia alguns dias que eu vinha lendo os jornais e vendo os noticiários com aquela mesma notícia: a maldita doença. Dizem que começou na África e se espalhou para os outros continentes, mas todos juravam que não viria para a América do Sul devido às condições climáticas.

Juro pra você que nunca achei que ela se espalharia para cá, assim como todos os outros. Mas se espalhou para o Brasil. Atingiu primeiro São Paulo, e ficamos alarmados. Mas morávamos num interior, e continuei acreditando que nada aconteceria por aqui. Afinal, alguém teria que conter aquilo! Mas aconteceu, durante a madrugada. Indiferente do que eu desejava ou não, a doença chegara à pequenina cidade onde eu morava.

– Hugo. – Foi apenas o que eu consegui balbuciar depois de Bernardo explicar. Nesse mesmo instante, vários alunos estavam indo embora, com medo, e a professora entrou no ônibus para anunciar algo. Porém, antes de ouvir o que ela iria falar, eu levantei e desci do ônibus correndo. Corri com força até a sala de Hugo e, ao chegar, abri a porta de supetão.

Um alívio imenso percorreu meu corpo ao ver que ele estava bem. Todos da classe viraram as cabeças para me encararem, mas ignorei ofegante.

– Professora, o Hugo está indo embora. – Eu me limitei a dizer e fui até Hugo, puxando o pela mão, sem tempo até dela se opor. Ao sair da sala, o abracei com força.

– O que houve? – Perguntou confuso. – Você tá grudenta de suor.

– A gente tem que... – De repente, ouvi um grito na portaria do colégio. O tipo de grito que dá calafrios e faz os pelos da nuca se eriçarem. – Ah não.

Ouvi grunhidos preguiçosos e assustadores logo depois, com o som de arrastar de pés saindo do corredor. Mais um grito. E enfim eu os vi.

Não eram como eu imaginava, podres e decompostos. Eram pálidos, quase transparentes. As veias estavam negras e podiam-se ver em contraste com a palidez, os cabelos estavam oleosos e os olhos com uma película leitosa os encobrindo. Vi primeiramente uma moça. Ela vestia o uniforme de alguma clínica e tinha um buraco esverdeado no pescoço, de onde escorria um sangue negro e que exalava um cheiro podre, mesmo de longe. Seus cabelos eram castanhos, estavam empapados de sangue, e ela se locomovia como se tentasse correr, mas suas pernas não permitiam. Era um andar cambaleante, pendendo para o lado esquerdo, se aproximando mais rápido do que eu gostaria.

Eu estava quase em um transe, mas fui bruscamente arrancada dele com o choro de Hugo ao meu lado. Os outros no pátio já gritavam e corriam, as salas se esvaziavam com alunos desesperados, e peguei meu irmão pela mão e corri o mais rápido que pude, o forçando a me acompanhar.

Ao chegar ao portão traseiro, todos me olharam curiosos. Deviam ter ouvido os gritos

– O que está havendo? – Um aluno do convênio me perguntou nervoso.

– Eles estão aqui. Entrem todos nos ônibus. – Consegui dizer, a respiração difícil.

Houve uma histeria quase coletiva, e corri com Hugo para um dos ônibus.

Os alunos começavam a sair deles e imaginei que o passeio houvesse sido cancelado. Vi Melissa saindo de um e, ao me ver, sua expressão se tornou preocupada.

– Não dá tempo para explicar. – Logo comuniquei. – Entre no ônibus.

Entrei com ela e todos os alunos arrumavam-se para deixar o veículo.

– Não saiam!- Gritei. – Eles estão aqui. Nós vamos ter que ir embora.

A professora Márcia, que organizava o passeio, arregalou os olhos. Virou-se para o motorista e disse para seguir caminho.

– Vou parar para pegar minha família. – Ele avisou.

– Faça o que quiser, só saia daqui primeiro. – A única filha dela, Juliana, estava no ônibus. Imaginei que fosse sua única família.

Todos os outros alunos começaram a falar ao mesmo tempo. “E meus pais, minha família?” era o que eu mais ouvia. Mas tudo isso teria que esperar. Primeiramente iríamos para algum lugar seguro.

–

Depois de muito tentar ligar para os meus pais e ouvir milhões de vezes que a linha estava congestionada, resolvi parar. O motorista, depois de pegar sua família, dirigia-se para algum lugar fora da cidade.

Alguns no ônibus choravam, outros conversavam nervosamente, e alguns simplesmente olhavam o caminho.

Hugo estava sentado do meu lado, quase catatônico. Estava me preocupando. Melissa chegou então e sentou-se na cadeira de trás.

– Que bagunça. – Falou apenas.

– A maior que eu já vi. – Sorri tristemente. – Como vão seus pais?

– Não quero pensar nisso Sérvia. – Baixou os olhos. – Eu sei lá o que vai acontecer. Acho que vou dormir um pouco.

– Eu também acho que... – De repente, o ônibus derrapou. Gritos se fizeram ouvir e então tudo escureceu.

–-

Quando acordei, minha cabeça queimava de dor. Pisquei algumas vezes para focar a imagem e senti que um filete de sangue descia pela minha testa. Hugo estava desacordado ao meu lado, e às minhas costas não vi Melissa. O ônibus estava tombado, alguns alunos estavam acordados, outros desmaiados.

– Hugo, acorde. – Sacudi meu irmão. – Hugo, acorde, por favor.

Vi que seus olhos se abriam lentamente e me aliviei.

– Minha perna. – Ele balbuciou. – Minha perna dói.

Direcionei meus olhos para sua perna e quase vomitei. Um imenso ferro atravessava a perna de Hugo, que estava ensanguentada e em carne viva.

– Calma. – Disse, mais para mim do que para ele. – Tudo está bem. Não olhe para a perna.

Fiquei raciocinando como iria tirá-lo dali. Comecei a me desesperar ao perceber que a única maneira era arrancar o ferro.

– Hugo, segure minha mão e feche os olhos. – Tentei manter a calma. – Isso pode doer um pouco.

– O que você vai fazer? – Ele perguntou nervoso. – O que tem na minha perna?

Não respondi. Ao invés disso, agarrei o ferro e puxei. Hugo gritou alto e dolorosamente, lágrimas escorreram de seus olhos. O ferro ainda continuava ali, porém estava quase saindo. E então ouvi grunhidos preguiçosos.

– Merda. – Xinguei, e puxei o ferro novamente. Hugo berrava e chorava, e isso cortava meu coração, me fazendo chorar também. Puxei-o mais uma vez e então saiu, mas Hugo não chorava mais.

– Saia daí! – Ouviu uma voz masculina. Olhei para frente e vi um bicho vindo em nossa direção. Peguei um Hugo desacordado no colo, mas não conseguia me levantar. Minha cabeça girou e caí com meu irmão no chão.

Quando o bicho quase nos alcançava, vi duas mãos agarrando seus ombros e fincando um pedaço afiado de vidro em sua cabeça.

E então desmaiei de novo.

Notas finais
Ficha: Nome do personagem: Idade: Nacionalidade: Sexo: Habilidade: Característica predominante da personalidade: Característica predominante da aparência: Algum familiar/amigo: Bom/mau: Alguma crença?: Descrição (linhas livres): PS: Ao mandar o personagem você está de acordo em permitir a autora determinar o rumo do (a) tal.-Você também pode opinar, se desejar! Logo postarei o próximo.