Histeria - Interativa.

2 Um lar temporário


Notas iniciais
Oi! Gente, eu sei que vocês não me esperavam aqui tão cedo, mas já adiantei tantos capítulos e estou tão feliz que eu tenha recebido tantos personagens (mais do que eu esperava!) interessantes hoje que resolvi postar mais uma parte em agradecimento. É curto, mas amanhã tem mais. E - tcharam! - temos personagens novos. A Yasmim é de minha invenção, assim como o Sávio, mas temos aqui o Markus Hanns que é do Sir D Black. Espero que vocês, e em especial o criador do personagem, gostem do capítulo. Ele ainda vai aparecer muito, e será bem importante. Os outros que me enviaram aparecerão ao longo dos próximos capítulos e também terão uma participação significativa. PS: Lembrando que quem é leitor novo pode escrever suas fichas também! Estou formando alguns grupos de sobreviventes, e embora eles talvez não apareçam imediatamente eu farei o possível para colocá-los na estória no tempo certo, para que ela não fique tumultuada.

Quando acordei novamente, não estava mais no ônibus. Agora estava deitada numa cama macia, num quarto com cheiro de naftalina que irritou meu olfato.

A primeira coisa que veio em minha mente foi Hugo. Não sabia se estava bem, muito menos se estava vivo. Sentei-me bruscamente e senti minha cabeça girando, e ao levar automaticamente minhas mãos ao local do corte percebi que havia uma gaze o cobrindo.

Depois de a tontura passar e eu finalmente me sentir firme para levantar, me pus de pé e vi que o quarto tinha um bom espaço. Havia um armário de madeira, assim como uma cômoda e uma penteadeira com um grande espelho. O chão era de tábuas e as paredes eram beges, com uma janela coberta por uma cortina com blecaute.

Ao encarar minha imagem no espelho, percebi que eu estava completamente horrível. Meus cabelos castanhos estavam embaraçados e sujos de sangue, a maior parte dele fora do rabo de cavalo. Minhas roupas estavam igualmente ensanguentadas, e não conseguia distinguir se o sangue era apenas meu. Isso me assustou.

Mas o que mais chamava atenção era um hematoma considerável no lado direito da minha testa. Estava inchado e roxo, coberto por uma gaze. Fiquei profundamente agradecida a quem quer que tenha feito isso.

Cuidadosamente abri a porta do quarto e encontrei um corredor vazio, de onde eu conseguia ouvir vozes vindas da sala.

“É nosso dever cuidar deles Markus” Uma voz idosa e feminina falou. “São crianças”.

“São um fardo” rosnou uma voz masculina, provavelmente o tal Markus.

“Olhe aqui, eu o aceitei nessa casa de braços abertos” a voz feminina se irritou “e não tente discutir minhas decisões, pois eu sou a dona dessa casa. Se você está incomodado, pode ir embora”.

Antes que Markus pudesse responder, eu me encontrava na sala. Os dois me encararam e a mulher se pôs de pé de supetão.

– Olá. – Sorriu calorosamente. – Eu sou Yasmim.

Yasmim era uma senhora que aparentava ter sessenta anos. Seus cabelos brancos eram no estilo Joãozinho, bonitos, e seu sorriso era confortador. Baixinha e vestida com roupas simples, veio ao meu encontro. Automaticamente dei um passo para trás.

– Não se assuste. – Ela riu. – Não vamos te fazer mal.

– Ela não vai. – Markus murmurou irritado, sem me olhar, e Yasmim o ignorou.

– Meu irmão... Onde ele está? – Eu perguntei, soando como uma garotinha assustada.

O rosto da senhora se fechou.

– Seu irmão... Bem, ele está bem agora. – Disse, e um calafrio percorreu minha espinha. – Seus amigos estão com ele. Venha, eu mostro onde eles se encontram.

Yasmim seguiu pelo corredor e eu segui seu encalço, dando uma olhadela para Markus, que estava mexendo nas unhas distraidamente. Ele era um homem alto, com cabelos louros espetados e olhos azuis intimidadores. Dava-me medo.

A senhora entrou por uma porta e pude ver, em uma cama parecida com a minha, Hugo. Ele estava estendido no colchão, pálido, e sua roupa havia sido trocada por uma blusa que era vários tamanhos maior que o dele. Do lado da cama havia duas cadeiras. Em uma delas se encontrava um menino simpático que aparentava ter dezessete anos, e em outra estava Melissa. Os dois cochilavam, e ao ver minha amiga senti um grande alívio.

Mas então meu olhar escorregou para a perna de Hugo e caí no chão de tanta surpresa.

Do joelho para baixo, Hugo estava sem a perna.

–

– A perna... A perna dele... – Eu tentava articular uma frase, sem sucesso. Yasmim havia me servido água com açúcar e eu estava sentada no sofá ao lado de Markus, que devorava um prato de almôndegas requentadas, indiferente a mim.

– O médico teve que amputar. – A senhora disse. – Nós temos um vizinho que é médico, sabe. Ele a amputou e receitou alguns antibióticos. Você fez bem em retirar o ferro de lá. O menino nos contou.

– Ele vai ficar bem? – Olhei esperançosa para Yasmim, que me sorriu compassiva e passou a mão nos meus cabelos.

– Claro que vai.

Respirei em alívio, fechando os olhos. De todos os males, o menor.

– Onde eu estou? – Finalmente perguntei.

– Um pouco distante da estrada. Só conseguimos salvar você e os outros três.

– E os outros no ônibus? – Um calafrio percorreu minha espinha.

Silêncio. Só a mastigação de Markus se fazia ouvir.

– Oh... – Tentei assimilar que minha classe inteira havia virado jantar.

– Markus Hanns é filho de um amigo meu já falecido. – Yasmim prosseguiu. – Ele veio de São Paulo para cá quando soube de tudo isso. Eu era sua única referência em outra cidade, e o recebi. Eu sei que ele parece um insensível, mas é um bom rapaz. Em parte.

– Sabe, garota, eu posso ser insuportável às vezes. – Me disse, cuspindo um pouco de carne. – Mas não sou mau.

Ele parecia mais calmo agora que aceitara que eu não iria embora. E ao que tudo indicava parecia estar querendo ser agradável.

– Você está querendo ser agradável comigo por quê? Eu achei que eu era um fardo. É porque agora meu irmão é aleijado? – Fui sarcástica, despejando as palavras.

Markus me encarou longamente.

– É, acho que sim. – E continuou comendo suas almôndegas.

Notas finais
E então? A personalidade deles vos foi apresentada, mas assim como na vida real, ainda temos muito o que conhecer dos personagens. Comentem, e você que é novato não esqueça de deixar sua ficha e sua percepção da fic. Obrigada e digam o que acharam!