Histeria - Interativa.
10 A menina com o boné é minha
Notas iniciais
O dia mal havia amanhecido, porém todos no pequeno depósito já estavam muito bem acordados.
Amanda, a líder, estava entrando no supermercado. Alguns zumbis que entraram durante a noite foram para cima dela, querendo um pouco de carne de café da manhã, e a moça logo tratou deles.
Um surgiu pelas costas e agarrou seus ombros, fazendo o cheiro podre chegar às narinas da mulher. Ela se virou, tirando uma faca do cinto, e fincou-a na cabeça do bicho, que caiu para trás desfalecido. O outro veio na mesma direção quase mordendo o pescoço moreno de Amanda, que o jogou no chão e pisou repetidamente em sua cabeça.
Se tinha algo que ela odiava mais do que ter que lidar com aquele grupinho molenga, eram esses bichos. Ela olhou com desprezo para o primeiro e cuspiu no corpo desfalecido do que um dia fora uma pessoa.
Com calma, a mulher entrou no depósito.
No local se encontravam uma moça e um rapaz. A moça sentava-se desleixadamente numa cadeira carcomida e fazia pequenas tranças, desfazendo-as repetidamente. O rapaz sentava-se em outra cadeira, e ao ver Amanda entrando no depósito a encarou impaciente.
– E então, vai ficar por isso mesmo? – Perguntou ele, com um sotaque enrolado.
– A vingança é um prato que se come frio, Lee. – Amanda respondeu, com a voz calma, encarando o rapaz.
– Eles mataram o Pedro. – Replicou irritado. – Mataram um dos nossos. Temos que fazer algo.
– E alguém disse que não faremos? – Ela se sentou. – Eu...
– Dane-se você Amanda! – O homem explodiu, se levantando. – Estou me lixando pra você! Cansei de seguir essas suas malditas regras. Nunca ninguém te elegeu a líder do grupo.
A tal Amanda continuou sentada, encarando o homem com a mesma tranquilidade assustadora.
– Você sabe que posso acabar com você quando eu quiser, não é? – Perguntou ela. – Sabe, você tem a força, mas de nada adianta sem um cérebro. Eu tenho um cérebro Lee. Eu sei como planejar, eu sei como fazer as coisas direito. E se você tiver o mínimo de inteligência sei que você vai seguir as minhas ordens. Você sabe por que eu fui internada naquele maldito manicômio, Lee?
– E lá vamos nós. – A segunda moça falou com tédio, desfazendo pela milésima vez uma trança.
– Nara, fique calada. — Amanda ordenou com frieza.
– Não. – O tal Lee se limitou a responder.
– Eu fui entregue a eles pelo chefe da máfia com quem trabalhava. Eu planejava os próximos passos e ele foi inteligente o suficiente para perceber que o meu próximo passo era acabar com ele. Boa parte dos estragos que aquele grupo causou tem meu nome envolvido. Você se arrisca a me desafiar?
Lee ficou calado, enraivado, mas se sentou novamente.
– E qual o seu plano? – Perguntou com desdém.
– O primeiro passo é estar à frente deles. Quando estiver na hora, eu contarei o que pretendo pra vocês. Logo que Juan estiver recuperado nós agiremos. Podem fazer o que quiserem com os outros, — Um pequeno sorriso percorreu os lábios de Amanda como um fantasma. – Mas a menina com o boné é minha.
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