História de Adônis e Hansuki (Bl)

19 Capítulo 19 – O Silêncio Entre as Estrelas




Aika crescia rápido. Não no corpo — ainda era um bebê delicado, risonho e calmo — mas no olhar. Aqueles olhos castanho-acinzentados pareciam carregar lembranças que nenhum bebê deveria ter. Era como se, em cada piscada, ela ouvisse o mundo sussurrar coisas que ninguém mais ouvia.


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Sora e Ren, agora com onze anos, tinham crescido cheios de curiosidade e sensibilidade. Sora se tornara uma menina sonhadora e reflexiva, com talento natural para pintura. Já Ren era o inventor da casa — desmontava controles, fazia aviões de papel voarem por mais tempo do que o normal, e até tentou construir uma "cama flutuante" no quarto.


Eles chamavam Aika de “estrelinha”. E tinham uma regra entre si:


— Nunca fale de um sonho estranho antes de tomar café da manhã.


Era uma brincadeira entre eles… até os sonhos começarem a se repetir.


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Certo dia, Sora sonhou com uma árvore enorme, com galhos que tocavam o céu, e frutos dourados que cantavam ao cair. Quando contou no café, Ren arregalou os olhos:


— Eu vi a mesma árvore. Mas… ela estava pegando fogo.


E naquela mesma tarde, Hansuki recebeu a proposta para um ensaio fotográfico… exatamente em uma cidade pequena chamada “Yamamori”, cujo nome significava: “floresta sagrada”.


Coincidência?


Adônis não achava.


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Mesmo com a agenda cheia, Adônis e Hansuki se revezavam em casa, tentando equilibrar suas carreiras e a vida familiar. A maternidade/paternidade improvisada tinha dado lugar a uma estrutura sólida. Eles se entendiam no olhar, dividiam as tarefas, e à noite, quando o mundo silenciava… voltavam a ser só eles.


Era nos toques sussurrados, nos beijos escondidos entre as portas do quarto, no abraço nu ao amanhecer, que reafirmavam que o amor não era só cotidiano. Era ritual. Era ponte. Era magia.


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Mas a magia também trazia enigmas.


Aika passou a emitir uma luz tênue durante o sono. Coisa pequena, quase imperceptível. Um brilho entre os dedos. Às vezes nos cílios. Uma noite, Ren a filmou. O vídeo corrompeu. Sora tentou pintar a cena, mas todas as tintas azuis da tela racharam quando secaram.


Eles não tinham respostas. Mas sabiam: estavam vivendo algo além da lógica.


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Então veio o convite.


Uma carta. Escrita à mão. Sem remetente.


> “A luz que vocês carregam pertence a mais do que este tempo.

Quando o sol tocar o lago escondido, tragam a estrela.

A resposta os aguarda.

Dia 14. Ao entardecer.”




Adônis e Hansuki se entreolharam. Aquilo parecia uma loucura. Mas no fundo… algo pulsava. Uma memória que ainda não era deles. Um destino que começava a se abrir.


Hansuki sussurrou:


— Você sente isso?


Adônis apertou a carta no peito.


— Como se o passado e o futuro estivessem se olhando… através de nós.


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Sora correu até eles com Aika no colo. Ren vinha atrás, com um protótipo de bússola que sempre apontava para o leste… mesmo quando ele girava.


— Aika apontou pra porta. Ela quer sair.


Hansuki sorriu com ternura.


— E quando a estrela quer sair, a gente segue o céu.


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E assim, sem saber exatamente onde aquilo os levaria, a família se preparou para partir. Não apenas em busca de respostas…


Mas para descobrir quem — ou o que — Aika era.


E no fundo, cada um deles sabia: o amor deles era forte o bastante para atravessar qualquer revelação. Mesmo as que vinham do outro lado do impossível.



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