História de Adônis e Hansuki (Bl)
17 Capítulo 17 – O Silêncio que Chora
Era fim de tarde quando chegaram em casa, depois da longa viagem. As malas ainda nem tinham sido desfeitas, e todos estavam jogados pelos sofás como se tivessem deixado a alma em Kyoto.
Ren ligou o videogame. Sora foi direto para o quarto, cheia de ideias pra pintar.
Adônis estava na varanda com um café na mão quando ouviu o som. Fraco. Choroso. Um choro de bebê, vindo da rua.
Ele arregalou os olhos e correu até o portão. No chão, entre a sombra das árvores, havia uma pequena cesta — daquelas que a gente só acredita ver em histórias.
Dentro, um bebê. Enrolado em um cobertor amarelo claro, com olhos enormes e assustados, e um bilhete mal escrito:
"Ela precisa de amor. Eu não posso dar. Perdoe-me."
Hansuki apareceu atrás dele, os olhos arregalados. Adônis olhou para ele em silêncio. Os dois sabiam. Não era coincidência.
Era destino.
**
Naquela noite, a casa que já era cheia de vida agora tinha mais um pequeno coração batendo.
Sora ficou encantada. Ren, um pouco assustado, mas já buscando vídeos de como cuidar de bebês. Hansuki abraçava a pequena menina como se ela tivesse saído dele. Adônis... bom, Adônis ficou ali, observando, tentando entender por que o universo continuava confiando tanto no amor deles.
Quando todos dormiram, ele foi até o berço improvisado no quarto deles. A menina mexia os dedinhos e sorria em meio aos sonhos.
Hansuki apareceu por trás, abraçando Adônis pela cintura, como sempre fazia quando queria lembrá-lo de respirar.
— Estamos prontos pra isso? — Adônis sussurrou.
Hansuki encostou o rosto nas costas dele.
— Nós não estávamos prontos pros gêmeos também. E olha onde estamos agora.
Adônis virou e beijou o topo da cabeça do marido.
— Então... qual vai ser o nome dela?
Hansuki sorriu.
— Que tal Aika? Significa "amor canção" em japonês.
— Aika... — Adônis repetiu, sentindo o nome vibrar no peito como uma melodia suave.
— Ela vai crescer cercada de amor. Como Sora. Como Ren. Como nós.
Adônis segurou a mão de Hansuki e sussurrou:
— Nossa família acabou de ganhar uma nova estrofe.
E assim, no meio do inesperado, o amor recomeçou mais uma vez.
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