História de Adônis e Hansuki (Bl)
18 Capítulo 18 – As Estrelas Também Têm Nome
Aika tinha pouco mais de dois meses quando começou a apresentar algo… diferente.
Ela sorria olhando para o nada. Chorava em silêncio, sem lágrimas. E todas as noites, à mesma hora — 3h33 da manhã — seus olhos se abriam sozinhos, fixando o teto como se enxergasse algo que ninguém mais via.
Sora foi a primeira a perceber.
— Ela não olha pra gente. Ela olha através da gente — sussurrou certa noite para Hansuki.
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Adônis, preocupado, levou Aika a três pediatras. Nenhum achou nada de errado. Mas o sentimento crescia dentro deles como uma música sem letra: algo estava se formando… e eles ainda não sabiam o que era.
Até que, numa tarde de sábado, Hansuki recebeu uma visita inesperada.
Era uma senhora de cabelos brancos e olhos cinzentos. Ela se apresentava como Midori. Tinha um colar estranho no pescoço — uma pedra com um brilho levemente pulsante.
— Não vim machucar — ela disse, antes mesmo que Adônis pudesse falar algo. — Só vim explicar.
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Midori sentou no chão com Aika no colo, sem medo, como se a conhecesse há anos.
— Essa criança… não chegou a vocês por acaso.
— O que isso quer dizer? — perguntou Adônis, tenso.
Midori sorriu com ternura, olhando para Aika.
— Existem almas que vêm ao mundo com marcas mais antigas que os próprios nomes. Aika não é uma criança comum. Ela é uma “menina-ponte”. Uma alma que atravessa realidades. Onde ela estiver, conexões impossíveis acontecem.
Hansuki franziu a testa.
— Conexões…?
Midori olhou para os dois com seriedade.
— Vocês perceberão. Pessoas que sumiram da vida de vocês vão voltar. Memórias que achavam apagadas, retornarão. Amores desfeitos se curarão. Feridas antigas… também. Aika não é só filha de vocês. Ela é uma porta aberta.
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Naquela noite, algo inexplicável aconteceu.
Adônis sonhou com o pai. Um homem que nunca aceitara seu jeito, que o havia expulsado de casa ainda jovem. No sonho, o pai o olhava com olhos marejados.
— Me perdoa, filho.
E, ao acordar, Adônis encontrou no celular uma notificação antiga que tinha sumido: um e-mail de anos atrás, nunca lido, enviado pelo pai antes de morrer. Um pedido de perdão.
Ele chorou. Pela primeira vez, de um jeito que não doía. Porque doía… e curava ao mesmo tempo.
Hansuki o abraçou e, em silêncio, Aika sorria no berço — olhando para o teto. Ou para o céu.
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E assim, os dias seguiram. Pequenos milagres começaram a acontecer. Pessoas do passado de Hansuki reapareceram para dizer coisas não ditas. Sora pintava quadros que previam emoções antes mesmo delas acontecerem. Ren começou a sonhar com invenções que ainda não existiam… mas que ele acabaria criando.
E no centro disso tudo: Aika.
Pequenina. Silenciosa. E com olhos que pareciam saber muito mais do que podiam dizer.
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— O que ela é exatamente? — perguntou Hansuki, observando a filha dormir em seu colo.
Adônis o abraçou por trás.
— Talvez… ela seja o que o amor cria quando é tão forte que transborda o tempo.
Hansuki sorriu.
— Nesse caso… estamos criando uma estrela.
E como estrelas, eles brilhariam juntos. Até o fim. E além.

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