História de Adônis e Hansuki (Bl)

10 Capítulo 10 – Seis Invernos Depois




O inverno chegou devagar, com flocos de neve cobrindo a cidade como se alguém tivesse passado um pincel branco nos telhados e calçadas.


Seis anos se passaram desde aquela primeira noite sob as estrelas.


A antiga casa agora estava maior — havia um estúdio de arte nos fundos, onde Sora passava horas pintando, e um canto só de livros e engenhocas, onde Ren criava mini robôs com o mesmo foco que Adônis tinha quando estudava contratos.


Sora cresceu com a doçura de Hansuki e o brilho dos olhos de quem carrega mundos inteiros dentro de si. Ren se tornara um menino calado e observador, mas de inteligência afiada e gestos gentis.


Adônis agora gerenciava sua própria empresa com mais equilíbrio, abrindo espaço para a família. Hansuki, entre trabalhos de modelo e design, tornara-se uma espécie de embaixador do lar deles — era quem acalmava, quem escutava, quem entendia.


Naquela manhã, Sora entrou na cozinha com as mãos para trás, sorrindo misteriosamente.


— Papai Hansuki… papai Adônis… podemos conversar?


Eles se entreolharam, já esperando alguma invenção nova ou pedido inusitado.


— É sério — Ren completou, entrando logo atrás, com um olhar firme.


— Ok, sentem-se, o que foi? — disse Adônis, já curioso.


Sora puxou uma caixinha e colocou sobre a mesa. Dentro, havia um panfleto: Intercâmbio cultural para jovens artistas e inventores – Japão.


Hansuki leu tudo com atenção.


— Isso é para vocês?


— É só por um ano… — Sora disse baixinho. — A gente quer conhecer mais do mundo. Crescer.


Ren completou:


— E conhecer o lugar onde nosso outro avô nasceu. A gente… a gente sente falta disso também.


Um silêncio cheio de emoção se espalhou pela cozinha.


Adônis sorriu, triste e orgulhoso.


— Vocês estão crescendo rápido demais…


Hansuki, com os olhos brilhando, apenas assentiu.


— É isso que pais fazem, não é? Ensinar… e deixar voar.


E naquele instante, perceberam que aquele novo inverno não era sobre o frio — era sobre amadurecer, sobre aceitar que os filhos, mesmo que encontrados no meio do caminho, crescem com raízes profundas… e asas.



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