História de Adônis e Hansuki (Bl)

11 Capítulo 11 – Asas no Japão, Raízes em Casa




O aeroporto estava cheio, mas dentro daquele abraço apertado, o mundo parecia calado.


Sora e Ren embarcaram com mochilas cheias de sonhos e olhares brilhando. Hansuki deu um último beijo na testa de cada um. Adônis segurava firme a emoção, com um sorriso corajoso e olhos marejados.


— Se cuidem… — disse Hansuki, segurando a mão de Adônis logo depois que os viram desaparecer pelos portões.


— Eles vão voltar — respondeu Adônis, com aquele tom firme de sempre, mas a voz falhando um pouco.


Tóquio, dois dias depois…


O fuso horário bagunçou tudo, mas nada tirava o entusiasmo dos gêmeos. Hospedados com uma família acolhedora de artistas, descobriram que havia muito mais do mundo do que imaginavam.


Sora encantava a todos com seus desenhos delicados e expressivos. Ren, embora mais quieto, já ganhava atenção pela forma criativa com que construía pequenas esculturas com peças recicladas.


Num passeio por um templo antigo, Sora segurou a mão do irmão.


— Você acha que a vovó e o vovô paternos vieram aqui um dia?


Ren sorriu.


— Talvez… Mas mesmo que não tenham vindo, a gente está aqui agora. Por eles também.


De volta ao lar…


A casa parecia maior. Silenciosa.


Hansuki, agora com tempo livre, voltou a desenhar roupas, costurar ideias, experimentar cores. Adônis começou a escrever — algo que sempre quis fazer. Uma autobiografia, talvez. Ou uma história sobre um casal improvável e dois filhos mágicos que chegaram no momento certo.


Mas o que mais faziam era se redescobrir.


Numa tarde preguiçosa, estavam deitados no sofá, Hansuki com a cabeça no colo de Adônis, que folheava um caderno de rascunhos.


— A gente sempre foi uma boa dupla — disse Hansuki.


— Mas agora somos dois e meio — respondeu Adônis, rindo.


— Como assim?


— Porque metade de mim está aqui… e a outra metade foi com eles pro Japão.


Hansuki riu baixinho.


— Então somos quatro pedaços de um só coração.


E era verdade.


Enquanto isso, no Japão…


Sora escreveu no diário:


"Querido papai Adônis, querido papai Hansuki... Hoje entendi que saudade é tipo chá quente: no começo queima, mas depois aquece por dentro."


E Ren completou no e-mail que mandou depois:


"Não se preocupem. A gente tá crescendo, mas sempre voltamos pro nosso lugar. Vocês."



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