História Sem Nome
14 Festa a fantasia ou confusão a fantasia?
Notas iniciais
– Já estamos chegando Mell. – falei impaciente no telefone.
Mell desligou e eu guardei o telefone. Matt estava lindo, tenho que confessar. Jhon se fantasiou de policial, segundo ele as garotas adoram um policial bonito. Realmente, ele estava um gato. Estava tudo indo bem. A noite não poderia estar melhor. Depois de dez minutos tentando achar uma vaga para estacionar o carro, finalmente achamos. Custei sair do carro e ainda quase levei um tombo. Como sempre Natalie, você está sendo desastrada.
A festa estava lotada. Não tinha como se locomover no meio daquela multidão. Pra começo de história, tinha aqueles casaizinhos que ficavam se atracando no meio da festa, tinha os bêbados que como sempre, dando seus showzinhos, as patricinhas que de alguma forma não paravam de olhar pra mim, e por fim, aqueles caras que mechem com todo mundo. E que a festa continue. Quando vi Jenn entrando no local sabia que estava na hora do plano de Jhon entrar em ação.
O plano de Jhon era simples: Matt e eu teríamos uma DR de namorados (coisa que nunca tivemos) porque eu ficaria com ciúmes de Jenn. Jenn seria uma ex-namorada de Matt o que trazia certo incômodo. Para explicar como eu seria a isca é fácil: Pete vai ver a chance de me pegar e com certeza virá atrás de mim e tentaria um sequestro, mas o lugar está cheio de agentes do FBI o que resultaria sem sua prisão.
– Você está bem com tudo isso? – Matt perguntou.
– Não, não estou, mas se for pra eu ter paz o resto da minha vida eu vou arriscar tudo. – esbravejei.
– Então pessoal, hora do show. – Jhon falou indo pra pista de dança.
– Nat! – escutei alguém me gritar. Mell.
– Oi Mell. – falei abraçando-a – Você está demais!
Mell vestia a fantasia de Alice No País Das Maravilhas. A fantasia destacou os olhos verdes-azulados que ela tem, o cabelo dela estava solto, totalmente liso e um arco azul claro. A maquiagem da Mell estava leve, nada muito pesado, apenas um rímel, blush, delineado nos olhos e um batom vermelho bordo na boca. Pela primeira vez, Mell estava com uma maquiagem simples.
– Você está demais nessa fantasia de Cinderella. Acho melhor a verdadeira se cuidar. – falou dando uma piscadinha.
– Não é pra tanto. – falei timidamente.
– Então, alguém aqui quer dançar? – Matt perguntou estendendo a mão em minha direção.
– Claro príncipe. – falei com um ar brincalhão.
Achamos um lugarzinho no meio da pista de dança e começamos a dançar. A dança estava tão boa e divertida, que eu não queria colocar o plano em ação. Olhei em volta e Jhon fez um sinal positivo para que começasse a encenação. Ok, ok. Mesmo sendo uma encenação eu estava aflita.
– Vai dar tudo certo. – Matt sussurrou em meu ouvido.
Eu assenti. Então que o teatrinho comece!
Ele me encarou e eu sem saber o que digo. Como reagir aquele olhar? Meu deus, como ele é lindo! Eu amo esse cara. Eu preciso ser forte. Eu tenho que ser. Porque eu sei que no final quem vai se ferrar sou eu. Eu sempre me ferro.
– Você precisa escolher.
– Eu não posso, não quero te magoar. — ele falava olhando pra ela.
– Escolha. É simples. Eu ou ela? O silêncio tomou conta de nós dois.
Ele ainda olhava pra ela. Ele havia escolhido ela. Aquilo me corroía a alma.
– Vai. Ela está logo ali.
– Natalie... — e não conseguiu continuar.
– Eu não posso te prender a mim. Você não me ama. Nunca vai amar.
– Isso não é verdade e você sabe disso.
– Pode até ser que não seja verdade, mas você não me ama. Não como você ama aquela mulher. Então vá atrás dela! Não deixe ela escapar. Não deixe a sua chance de ser feliz escapar.
– Nath...
– Eu vou ficar bem Mat. Vai lá.
Ele se virou e foi até ela. Mas como aquilo doeu. Aquilo me desconcertou. Eu estava arrasada. Não consegui ficar na festa por muito tempo. Tudo que eu queria era ficar só. Eu estava despedaçada demais para continuar naquela festa idiota. Na verdade eu só não queria ver Mat com aquela mulher. Mas eu o amava demais para prendê-lo à mim.
Eu sei o que vocês estão pensando que estou sendo uma boba, mas se coloquem no meu lugar: você ter que passar por isso tudo pra ter paz na vida. Quando eu saí de dentro da boate, dei de cara com Pete.
– Ora, ora, ora. Parece que a mocinha está sozinha. – falou ironicamente.
– Me deixe em paz seu verme!
– Te deixarei em paz quando eu acabar com você. – falou apontando uma arma pra mim.
– Parado ai Pete! Deixe-a em paz! – e logo surgiram vários agentes do FBI incluindo Matt, Jhon e Jenn.
Em um movimento brusco e rápido, Pete me puxou e apontou a arma para minha cabeça. Todos arregalaram os olhos, ninguém esperava que isso acontecesse. Eu estava tremula, com medo e aflita. A expressão do rosto de Matt e de Jhon mudou drasticamente: pela primeira vez vi Jhon aflito de verdade.
– Se vocês não abaixarem as armas eu atiro nela!
– Não vamos abaixar as armas. – Jenn falou.
– Gente ele não tá blefando. Abaixem as armas é minha vida que está em jogo! – gritei.
– Vocês escutaram ela. – todos colocaram suas armas no chão. – E se tentarem alguma coisa, eu mato ela.
Ele me arrastou e me colocou em um carro preto que estava no fim da rua. Me sentou no carona da frente e amarrou minhas mãos, entrou no carro e saiu em alta velocidade. Eu pude ver uma moto perseguindo a gente.
– Eles acham mesmo que vão conseguir nos alcançar? – esbravejou.
Medo. Era tudo que eu sentia. O plano de Jhon foi um verdadeiro fiasco. Mas, eu não o culpo. Tudo que Jhon queria era me proteger. Então passou uma ideia na minha cabeça. Juntei minhas forças e comecei a lutar com Pete pra ver quem conseguia ficar no volante. O carro saiu da pista e voltou de novo, fazia vários ziguezagues na pista.
– Você é louca?! Está querendo nos matar? – berrou Pete tentando ficar no comando.
– Eu estou tentando salvar minha vida! – berrei de volta.
Continuamos lutando até que... O carro saiu da pista e bateu em uma árvore que estava no encostamento da rodovia. O impacto foi tão grande, que Pete voou do carro. Eu bati minha cabeça na porta do carro e senti alguns pedaços de vidro entrando em meu corpo. Minha cabeça doía muito. Quase não conseguia ver nada. Alguém abriu a porta do carro e me pegou no colo.
– Nat, você tá bem? – isso foi tudo que eu consegui ouvir.
Meus olhos se fecharam e eu não via e nem escutava nada, apenas sentia um dor latejante na minha cabeça. Era como se uma bomba tivesse explodido dentro da minha cabeça. Acho que... “Paz! Finalmente paz!” meu cérebro pensava. Mas será que é paz mesmo?
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