História Sem Nome
15 Fim de Pete ou de Marco
Notas iniciais
– Ai minha cabeça dói. – falei passando a mão em minha cabeça.
– Nat, finalmente! – Mell gritou.
– Nat, achei que ia te perder também. – Jhon me abraçou com os olhos cheios de lágrimas. – Meu plano foi um desastre. Desculpa ter colocado sua vida em risco. – falou sussurrando.
– Tudo bem Jhon, você não tem culpa. A culpa é daquele verme do Pete.
– Calma Nat, você acabou de sofrer um acidente. Não está querendo ficar ruim né? – Mell perguntou.
Balancei a cabeça em negação. Como minha cabeça doía. Parece que levei um golpe na cabeça. O quarto estava cheio, até tia Jenny estava lá. Eu olhei em volta e ainda sim sentia falta de alguém. Matt. Onde ele estava?
– Vocês podem me deixar sozinha com Jhon um minutinho? – pedi educadamente.
Tia Jenny me deu um beijo no rosto e saiu. Mell relutou um pouco mais foi arrastada por T.T.
– Jhon, o que aconteceu com Pete?
– Morreu.
– Eu o matei não foi?
– Não, você se defendeu. Ele morreu sozinho.
– E Matt onde está? – perguntei ainda procurando ele pelo quarto onde eu estava.
– Ele disse que ia resolver algumas coisas. – falou indiferente.
– Jhon me diga por favor que ele não foi atrás do Marco. – a preocupação tomou conta de mim.
– Nat, eu realmente não sei... – Jhon foi interrompido pelo celular – Cara, onde você está? Nat está quase botando um ovo aqui por causa de você. – Jhon ficou mudo, com uma aparência assustada e me passou o celular.
– Matt! Você não falou nada...
– Querida, aqui não é o Matt quem está falando, é Marco. – falou soltando uma risada.
– Marco onde está o Matt? – gritei do telefone – O que você fez com ele? – e o medo tomou conta de mim.
– Você tem até amanhã de manhã para vir na minha casa pra salvar Matt. Se você não aparecer, nunca mais verá seu amado Matt. – soltou outra risada, dessa vez tão maléfica que fez o medo percorrer em minhas veias.
– Você não seria capaz de fazer isso com ele. Ele é seu filho. – uma lágrima rolou dos meus olhos.
– Não me teste. – desligou o telefone.
Eu sentia minha cara queimar com as lágrimas, o medo percorria por todo meu corpo, uma sensação de perder o meu Matt me fazia tremer. Eu olhei pra Jhon e ele estava imóvel, com a cara pálida, os olhos arregalados, parecia em transe.
– Jhon, ele vai matar o Matt. – falei com a voz rouca.
– Ele não vai Nat. Eu vou atrás dele e acabar com ele! – esbravejou.
– Não Jhon. Dessa vez, eu vou me arriscar de verdade. Dessa vez, eu vou atrás dele. Essa missão é minha.
– Não Nat, você não vai a lugar algum. Não sem mim.
– Você pode até ir, mas não me atrapalhe. – eu levantei da cama do hospital – Agora pode me ajudar a sair desse buraco?
Jhon pediu Jenn pra trazer algumas roupas pra mim. Ela me trouxe algumas roupas dela, me serviram perfeitamente. Eu estava usando uma calça de couro preta, uma blusa preta de malha, uma jaqueta de couro também e por fim, uma bota preta. Prendi meu cabelo num rabo de cavalo bagunçado, passei um rímel e um batom vermelho e pronto. Jhon conseguiu distrair o pessoal e pediu a ajuda de Mell para isso. Nós saímos pelos fundo do hospital sorrateiramente.
Pov’s Matt
Eu estava trancado no porão da casa de Marco. Ele mandava os capangas toda hora pra ver se eu ainda estava lá. Eu sabia que ele estava tramando algo e que ele tinha ligação com Pete, mas Pete agora estava morto e eu ainda não sabia qual era o plano dele. Escutei passos vindo em direção e olhei pra porta para ver quem era. Era o verme do Marco.
– O que você quer comigo? – indaguei.
– Sua doce donzela virá te salvar. Posso deduzir que ainda esta noite ela apareça por aqui. – falou dando uma gargalhada que me dava vontade de socar a cara dele até a morte.
– Ela não virá. Jhon não será tão bobo de deixar ela vir até você. – dei de ombros.
– Ela virá sim. Ela não perderá a chance de tentar salvar o amado dela.
– Eu odeio você! – gritei.
– Claro que sim, afinal, eu não quis você, nem te considero um filho. Pra mim você é nada. Não passa de um maltrapilho. – Marco fez uma cara de nojo.
– Eu odeio você não por mim, mas pelo que você fez com minha mãe. Você foi covarde. – senti meu sangue ferver com a fúria que eu sentia – Aliás, você não foi, você ainda é um covarde.
– Garoto não brinque comigo! – gritou.
– Você é um grande covarde! – gritei de volta.
– Chega! – ele gritou e me deu um soco na cara.
– Você é mesmo um covarde. Você teve coragem de abandonar sua mulher grávida de um filho teu, teve coragem de fingir uma morte, coragem de mandar os outros a vigiarem e até baterem nela caso ela arrumasse outro homem. Foi capaz de me deixar preso em um quarto sozinho sendo criado por longos anos por babás falando que minha mãe tinha morrido no meu parto e que era culpa minha enquanto você a ameaçava para que ela jamais denunciasse você para o FBI. – dei um sorriso fraco, mas forçado – E covarde o suficiente para bater em seu próprio filho agora, covarde o suficiente para se ausentar durante anos, covarde o suficiente para esquecer suas obrigações como pai, covarde o suficiente pra sequestrar seu próprio filho. E por fim, covarde o suficiente pra não falar o verdadeiro proposito de tudo isso. Então sim, eu te odeio!
Ouvi passos em nossa direção. Vi um de seus capangas adentrar pela porta e falar algo no ouvido de Marco, o que fez ele dar um sorriso diabólico. O medo percorreu em meu sangue. Por favor, não me fale que era Nat que estava ali. Se for ela, eu não me perdoarei se acontecer algo com ela.
– Acho que você tem companhia pra essa noite. Carlos, mande-a entrar.
Uma mulher entrou junto com um dos capangas de Marco. Ela tinha a pele pálida, alguns ferimentos em seu rosto, usava roupa de couro e uma bota como se fosse para alguma batalha. Seu cabelo estava preso em um rabo de cabalo bagunçado, usava também um batom vermelho que destacava seus lindos olhos azuis. Natalie estava diferente, mas continuava sendo ela.
– Matt! – ela se soltou do capanga de Marco e veio correndo pra mim. – Você está bem? – ela perguntou segurando meu rosto em suas mãos.
– Estou. Mas o que você está fazendo aqui? – falei encarando-a.
– Vim salvar você. – ela me puxou e me deu um beijo apaixonada. – Eu não irei deixar Marco encostar em você. – e me abraçou forte e eu apenas retribui o abraço.
– Bravo! Bravo! – Marco falou batendo palma – Você acha mesmo que o salvará?
– Você falou que se eu viesse soltaria Matt! – ela falou me colocando atrás do corpo dela.
– E você acreditou? – ele soltou um sorriso sarcástico. – Você é muito inocente.
Ele veio andando em nossa direção, e ela continuou me segurando atrás dela.
– Você não vai fazer nada com ele! Fique longe dele! – ela gritou.
– Fique longe do meu caminho! – falou e a jogou de lado.
– Não! – eu corri e a peguei. – Nat você está bem?
– Estou sim. – ela arregalou os olhos. – Matt cuidado! – não deu tempo de olhar o que era, ela me puxou e eu senti apenas um vento passar do lado do meu braço esquerdo.
– Você está me atrapalhando garotinha. – ele deu de ombros. – Carlos, Jay, acabem com ela.
Eu ia ajuda-la mas Marco me pegou e me jogou pra longe. Eu me levantei e vi ele caminhando em minha direção. Juntei minhas forças, a raiva e a fúria que eu estava sentindo por ele ter acabado com minha vida, acabado, arruinado minha noite e quase ter matado Nat e me concentrei nele. Quando ele ia me dar um golpe. Eu segurei a mão dele e o joguei no chão. Soquei a cara dele, uma, duas, três, quatro vezes. Eu estava pronto para dar o meu último golpe nele, mas ele foi mais rápido. Senti meu corpo voar na parede. Me levantei e ele me deu um soco na cara.
– Matt! – escutei Nat me gritar, olhei pra ele e ela apontou para trás de mim.
Me virei bruscamente vendo Marco vindo com uma faca pro meu lado. Parti pra cima dele tentando tirar a faca de sua mão. Dei um soco no estômago dele e ele caiu de bruços no chão. Me virei e fui caminhando em direção a um dos capangas de Marco que estava lutando com Nat e ela arregalou os olhos em minha direção, apontou pra algo atrás de mim. Em um movimento brusco me virei e me deparei com Marco mais uma vez com a faca na mão tentando me acertar. Por um fio ele não me acertou, lutei mais uma vez com ele, só que desta vez, ele apontou a faca pro chão. Quando ele ia me dar-me uma facada, eu consegui desviar a faca que acabou pegando nele. Ele caiu imóvel e com os olhos arregalados. Tirou a faca do local onde eu a tinha depositado e ficou ali sangrando. Caminhei em direção a Nat e a ajudei a acabar com os capangas de Marco.
– Você está bem? – perguntei ela segurando seu rosto.
O rosto dela estava vermelho e cheio de lágrimas. Ela me abraçou forte e eu pude escutar os soluços dela.
– Eu tive tanto medo de te perder. – ela falou secando as lágrimas de seu rosto.
– Eu estou aqui. Eu estou bem. – segurei seu rosto ela fechou os olhos com o toque de minhas mãos em seu rosto. – Vai ficar tudo bem. – falei dando-lhe um beijo.
Pov’s Nat
– Nat! – escutei alguém gritar meu nome.
– Estou aqui. – e Jhon entrou como um furacão onde eu estava.
– Você está bem? – perguntou preocupado.
– Estou sim.
– Vamos sair daqui. – Matt falou me arrastando.
Eu só consigo pensar que ele estava ali. Só consigo pensar que ele está aqui e comigo. Eu só tinha uma certeza: que eu queria ele. O puxei e beijei-o como eu jamais tinha feito antes. Um beijo suave mas ao mesmo tempo intenso. Quando finalmente não conseguia mais respirar o soltei encostando minha testa na dele.
– Eu te amo Matthew. Eu te amo como nunca amei ninguém. Então por favor, não me faça passar por isso de novo.
– Eu também te amo Natalie. E eu prometo não fazer você passar perigo de novo por minha causa.
– E fique sabendo que eu iria até o fim do mundo por você.
– Ei, os dois pombinhos, poderiam namorar depois? – Jhon perguntou com um sorriso maroto no rosto. – É que eu quero sair daqui logo.
Apenas rimos.
Então era isso. Então, eu finalmente poderei ter paz. Quer dizer, espero.
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