História Game Of Thrones - O Retorno Do Dragão
9 Capítulo VIII
Notas iniciais

O ódio não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente. — André Luiz
Solar
— É melhor que Ghost e Tormund aguardem aqui por enquanto. – Arya diz abrindo a porta casa de Henry para que o homem possa entrar.
— Porque? Eu quero conhecer o corvo bebê também. – Tormund reclama e Jon deixa escapar um sorriso ao ouvir o lamento do amigo.
— Não repita algo assim novamente, muito menos para se referir a Duncan, Daenerys seria capaz de cortar suas bolas se ouvir você chamando o filho dela de corvo bebê – Arya afirma rispidamente, o selvagem a encara confuso sem entender o que tem de errado na forma que ele falou, percebendo a confusão no rosto do ruivo, Arya toma uma respiração antes de explicar:
— É assim que todos nessa cidade referem a Bran.
— Pelo visto vamos ter que arrumar outro apelido para você pequeno cor..Jon, uma vez que eu estou satisfeito com as minhas bolas exatamente onde elas estão no momento, principalmente agora que estamos vivendo nessa terra de sol onde as mulheres andam praticamente sem roupas. – O selvagem disse surrando a última parte.
— Tenho certeza que você vai pensar em algo. – Jon disse tocando o braço do homem.
— Você vai poder conhecer o filho de Jon em um outro momento Tormund, eu não quero sobrecarregar o menino. – Arya diz.
— Tudo bem então, vamos sentar Ghost, parece que não vamos a lugar nenhum por enquanto. – O selvagem afirma chamando o lobo em direção a uma mesa onde há uma cesta de frutas.
— Talvez eu devesse permanecer por aqui também. – Sor Davos sugere, no entanto, a garota nega com a cabeça.
— Não, eu posso precisar de você caso as coisas fiquem complicadas. – Ela diz, a Stark sabe que se Daenerys e Lucius voltarem mais cedo ela com certeza vai precisar de ajuda, no momento o cavaleiro de cebolas era uma boa opção.
— Complicadas como? – Jon pergunta, sua irmã parece extremamente desconfortável desde o momento que ele a reencontrou, inclusive hesitando em responder algumas de suas perguntas sobre a platinada.
— Do tipo a Daenerys voltar mais cedo e tentar te matar, por exemplo. – Arya diz e Jon dá um sorriso debochado em resposta, ele está certo que sua irmã está exagerando sobre a situação, sim, Dany poderia estar chateada com ele, mas tentar mata-lo era uma ideia que ele não era capaz de conceber.
— Eu não estou brincando Jon. – Arya afirma depois de notar a reação do irmão, Jon certamente não está com a cabeça no lugar, ela lembra que ele estava cogitando se declarar para Daenerys, como ele poderia querer fazer algo assim depois do que aconteceu? Isso era algo que a garota não compreendia.
— Pelos Deuses Arya, eu não sou nenhum idiota, eu imagino que Daenerys deve estar chateada pelo que eu fiz..- Ele começou, então foi interrompido pela mulher.
— Chateada? Ela odeia você irmão, você a matou lembra? -Arya questiona e o homem sente seu temperamento começar a subir em sua cabeça.
— Sim eu me lembro disso, eu também me lembro que você parecia bem disposta a fazer o mesmo na época, de certa forma, você também me influenciou irmã a fazer o que eu fiz, suas mãos podem não estar sujas com o sangue dela como as minhas estão, no entanto você também faz parte disso, e ainda assim você está aqui Arya, você divide uma casa com ela, você viu meu filho crescer, ela te deu uma segunda chance, eu não entendo porque ela não seria capaz de oferecer o mesmo a mim. – Jon desabafa. Arya não tem o direito de falar essas coisas para ele, não quando ela estava lá, gritando pra ele sobre a mulher que ele amava ser uma assassina sem piedade.
— É diferente ela não me amava, eu nem a conhecia direito...
— Sim, você não a conhecia porque nenhum de vocês nortenhos estúpidos se permitiu ver o que ela era de verdade, porque vocês escolherem ignorar a mulher que veio salvar as suas bundas quando ninguém mais quis, então eu deixei que vocês me cegassem também. – Jon rugiu, então Sor Davos colocou uma mão em seu peito em uma tentativa de acalmar o homem a sua frente, Arya estava surpresa, Jon nunca havia falado com ela naquele tom antes.
— Creio que esse não é o melhor momento para vocês dois terem essa conversa. – Sor Davos interfere e a garota concorda com a cabeça, Jon encara o assoalho do chão puxando pequenas respirações com a boca na tentativa de se acalmar.
— Me desculpe eu não deveria ter gritado com você, eu estou feliz que você a encontrou e que são amigas agora, foi o que eu sempre sonhei. – Jon começou, mas Arya o interrompeu tocando o seu braço.
— Está tudo bem Jon, podemos conversar mais sobre isso depois, agora realmente temos que ir, eu prometi ao meu sobrinho que ele teria uma grande surpresa hoje. – A garota diz encarando o homem de olhos negros que abre um pequeno sorriso, então sua expressão muda de repente, Arya disse que Daenerys o odeia, então uma ideia terrível cruza a sua mente.
— Meu filho sabe o que eu fiz? – Ele pergunta temendo a resposta da irmã.
— Não, Daenerys não queria que ele crescesse com um peso desses sobre os ombros, ela disse a ele que você estava longe porque estava protegendo o povo livre da ira do rei mau que vive em Westeros, tudo que ele sabe sobre você são coisas boas, história da nossa infância, de como você sempre foi um homem honrado, um grande guerreiro. – As palavras da garota o fazem respirar aliviado, ao mesmo tempo que enchem o coração de alívio e de esperança, Arya disse que Daenerys o odiava no entanto, apesar de ter a oportunidade de colocar o filho deles contra ele, Dany escolheu não fazer, talvez ela não o odiasse tanto quanto Arya acreditava, talvez ela só estivesse magoada, tudo que ele precisava era de uma oportunidade de se explicar, então ele poderia acertar as coisas entre eles.
— Como ele é? Com quem ele se parece? – Jon pergunta se sentindo ansioso para saber mais sobre seu filho, a prova vida do amor deles.
— Que tal irmos agora, então você vai ter a chance de descobrir isso por si mesmo. – Arya sugere, ele concorda com a cabeça, eles se despedem de Tormund e Ghost, a garota vira em direção ao selvagem antes de sair.
— Tormund fique longe da porta dos fundos, tem um tigre lá e ela não gosta de estranhos. – O ruivo arregala os olhos surpresa e então engole a seco quando olha o corredor que aponta para a porta dos fundos.
— Você está brincando, não é? Não há um tigre realmente lá, certo? – Sor Davos pergunta quando eles começam a caminhar em direção a casa da platinada.
— Não tem realmente um tigre lá, mas vocês não precisam se preocupar, ele vai ficar bem contanto que mantenha distância. – A jovem mulher diz tranquilamente e os dois homens trocam um olhar nervoso.
No caminho Arya conta algumas coisas sobre como eles tem vivido os últimos anos, Jon escuta tudo com atenção, até que uma dúvida esmaga seu coração.
— Esse Lucius, ele e Daenerys estão juntos? – Jon pergunta tocando o braço da irmã a fazendo parar de andar para encara-lo, o primeiro instinto da garota é dizer a ele que isso não deveria importar a ele, fazê-lo entender que não existe mais chance para ele e Daenerys voltarem a ser o que eram, no entanto, quando ela olha para seus olhos cinzas cheios de tormentos, ela resolve por hora acalmar seu coração.
— Não estão. – Ela responde, então acrescenta mentalmente, embora eu não entenda o porquê.
— Bem chegamos, a casa é essa aqui. – Arya diz apontando para a casa de porta vermelha um pouco a frente deles.
— Dany sempre falou sobre um lugar na infância, o único lugar que ela se sentiu segura, uma casa de porta Vermelha, fico feliz que ela tenha encontrado isso por aqui. — Jon diz com sinceridade.
— Eu conheço essa história, foi por causa dela que L pintou a porta de vermelho, ele queria que Daenerys sentisse que essa casa poderia ser dela também quando Duncan nasceu. – Arya explicou fazendo com que uma onda de ciúmes e inveja o atingisse, esse homem teve a chance de estar lá por Daenerys quando ela precisou, que deu um lar a ela e a seu filho, uma vida inteira que deveria ter sido dele, se não fossem as armações de Sansa, as tramas de Bran, se Jon não tivesse se deixado levar pelas palavras venenosas de Tyrion.
— Ele parece ser uma boa pessoa. – Jon disse e a irmã sorriu.
— Eu não iria tão longe. – A garota diz em tom de brincadeira, então a porta da casa se abre, um homem loiro alto robusto sai de lá com um menino, o coração de Jon salta em seu peito quando ele avista seu filho pela primeira vez.
— Duncan vem aqui. – Arya chamou e o garotinho se aproximou com cuidado, estudando com curiosidade os visitantes.
— Quem são vocês? – O garotinho perguntou quando ficou de frente para eles, Jon não tinha certeza de como agir, o que fazer, não sabia ao certo como se aproximar, era seu filho ali, o homem temia fazer algo errado, estragar tudo.
— Duncan, lembra que você sempre me diz o quanto gostaria de conhecer seu Kepa? – Arya perguntou se abaixando para ficar na altura do menino, o garotinho balançou a cabeça concordando.
— Bem, esse dia finalmente chegou. – Arya disse olhando na direção de Jon, os olhos do menino se apertaram em surpresa, então ele se afastou da tia para ficar de frente a frente ao moreno.
— Você é meu Kepa? – O garotinho perguntou cheio de expectativa, Jon então se ajoelhou na sua frente tocando o lado direito de sua cabeça carinhosamente, ele não conhecia muito bem o idioma Valiriano, entretanto entendeu perfeitamente o que Duncan estava perguntando a ele.
— Sim eu sou, pelos deuses você se parece tanto com a sua mãe. – Ele diz enquanto encara o filho tentando gravar a imagem perfeita em sua mente, a emoção em seu peito é indescritível.
— Sim, mas eu tenho os seus olhos. – Duncan lembra, o menino sente que esse pode ser o dia mais feliz da sua vida, ele mal pode acreditar que seu pai está mesmo ali.
— Sim, com certeza você tem. – Jon diz tocando a bochecha do filho, encarando seus olhinhos que carregam o mesmo tom acinzentado que os dele, então Duncan salta em seus braços o surpreendendo, apesar do choque inicial o moreno logo desce seus braços entorno daquele pequeno corpo o apertando contra ele, a sensação de ter seu filho nos braços, sangue do seu sangue, carne da sua carne, é mais do que Jon Snow pode suportar, então ele finalmente permite que as lágrimas que ele tentou inutilmente segurar rompam através de sua face.
Arya troca um olhar com Henry, está feito, Jon enfim conheceu o filho, a garota esperava que isso fosse o suficiente para parar Daenerys, pensar na mulher fez com que a garota se sentisse mal pelo que estava fazendo, no entanto não havia outro jeito de manter Jon a salvo, Kinvara foi bem clara, também foi impossível não se emocionar vendo seu irmão e seu sobrinho finalmente juntos, ela só gostaria que isso tivesse acontecido em outras circunstâncias.
— Eu sempre quis conhecer você, mas a munē sempre diz você não poderia vir morar com a gente, porque você tinha que proteger o povo além da parede do rei mau, mas você está aqui agora, isso significa que você derrotou o rei mau? – O menino pergunta empolgado depois deles romperem o abraço.
— Não eu não lutei com ele, um amigo ficou no meu lugar para que eu pudesse vir até vocês. – Jon explica.
— Um dia eu vou ser um grande cavalheiro e vou derrotar ele Kepa, ele machucou a Munē. – Duncan afirma com tanta confiança que Jon fica encantado, ele pode ver muito de Daenerys nele.
— Então você quer ser um grande cavalheiro um dia? – Jon pergunta e o garoto assente.
— Porque nós não vamos lá para dentro, assim você pode mostrar a sua espada para o seu pai. – Henry sugere ao pequeno Targaryen, se referindo a espada de madeira que ele deu a criança quando ele completou quatro voltas da lua, o homem sabe que Daenerys e Lucius não devem demorar muito mais.
— Você gostaria de ver a minha espada Kepa? – O menino pergunta animado.
— Eu adoraria. – Jon responde, então o garoto o puxa pela mão em direção a casa.
— E você, quem é? – Henry perguntou ao homem que chegou com o irmão de Arya.
— Sor Davos Seaworth, sou um amigo da família. – Ele explica e Henry o encara com suspeita.
— Da parte boa da família, eu espero. – O loiro diz estreitando os olhos na sua direção, o homem não esperava que o irmão de Arya trouxesse mais pessoas com ele.
— Sem dúvidas da parte boa. – O mais velho responde.
— Não se preocupe, ele é fiel a Jon, eu confio nele. – Arya diz tocando o braço direito do homem, o toque dela é o suficiente para afastar suas suspeitas, pelo menos por enquanto.
— Se você diz. – Ele responde, então se vira novamente para o homem ali presente.
— Seja bem-vindo a Solar Sor Davos Seaworth. – O loiro diz estendendo a mão, Sor Davos devolve o gesto apertando sua mão contra a sua.
— Uma cidade interessante que vocês têm por aqui. – Sor Davos diz, o homem estava bastante curioso sobre a existência desta cidade construída na ilha mais distante das ruínas da antiga Valíria.
— Você não imagina o quanto. – Henry responde de forma enigmática, atiçando ainda mais a curiosidade do cavalheiro das cebolas.
— Porque não nos juntamos a eles, e aproveitamos o tempo que nos resta antes da tempestade chegar. – Arya os convidou, passando entre os dois, indo em direção a entrada da casa, os homens a seguindo em silêncio, todos carregavam a mesma preocupação em seu coração, nenhum deles certo de como Daenerys Targaryen reagiria ao reencontrar o seu assassino.
— Eu estou sentindo um bom pressentimento sobre aqueles livros. – Daenerys comentou com Lucius quando eles já estavam próximos de casa, eles tinham acabado de deixar os livros no templo das Sacerdotisas Vermelhas, elas seriam responsáveis por procurarem alguma informação que pudesse ser útil para eles, como por exemplo, a receita para forjar aço Valiriano, segredo esse que eles tentam desvendar anos.
— Eu espero que seus instintos estejam certos, mas se não, pelo menos não foi uma viagem perdida. – Lucius diz apontando para a bolsa de couro onde ela tinha guardado os ovos de dragão.
— Sim. – Ela responde com um sorriso lindo nos lábios, que faz com que ele perca o fôlego por um instante, Lucius pensa como o dia de hoje tem sido extremamente difícil, para manter suas mãos longe dela quando a platinada está tão linda naquelas roupas de couro que ela costuma usar sempre que eles vão em uma missão de exploração a Valíria, seus cabelos parcialmente soltos, seguro por apenas algumas tranças laterais, então há também os constantes sorrisos que a antiga rainha está sempre distribuindo para ele, que quase são capazes de fazê-lo esquecer o motivo que eles não podem ficar juntos.
— Você ouviu isso? – Daenerys pergunta o puxando de volta a realidade, então ele escuta algumas vozes que ele não é capaz de distinguir vindo da casa deles.
— Parece que temos visitas, vamos entrar logo, eu realmente apreciaria um banho agora, aquelas terras de Valíria são sempre tão quentes. – Lucius responde sabendo que provavelmente é Henry lá na casa deles, talvez mais alguém da vila.
— Eu gosto. – A platinada responde se referindo as terras escaldantes da qual os dois acabaram de retornar.
— Eu não esperaria nada diferente de você Storm. – Ele brinca enquanto eles entram na casa, então Daenerys congela deixando a bolsa que ela carrega no ombro cair no chão, ela pisca uma, duas, três vezes, a mulher ofega, o coração disparando em seu peito, então os dois finalmente notam sua presença, dois pares de olhos acinzentados a encaram agora, um deles é de seu filho, seu pequeno Dragão, outros pertencem a alguém que não deveria estar ali, do homem que ela amou, a última coisa que ela viu antes de morrer anos atrás, os olhos de seu assassino.
Ela sente Lucius tropeçar em cima dela, então finalmente vê a cena que fez a mulher congelar no meio do caminho.
— Quem é ele? – Ele pergunta estreitando os olhos na direção do homem ao lado de Duncan.
— Munē, Kepus, vocês estão aqui.- O menino grita animado vindo na direção deles, rapidamente Daenerys o puxa pegando o menino em seus braços o apertando contra ela, como se estivesse com medo de que alguém o tomasse dela, os dedos de Lucius escorregam para corda do arco preso em seu ombro pronto pra agir se necessário. O estranho ainda está no mesmo lugar olhando diretamente para Daenerys, é quase como se ele não acreditasse que a mulher estava ali na sua frente, com esse último pensamento as peças na cabeça de Lucius começam a se juntar, porra.
— Você viu Munē quem está aqui? O meu Kepa, ele veio me conhecer. – O menino afirma entusiasmado, Arya e Henry surgem com seus rostos cheios de preocupação acompanhados de um homem que ele não conhece, seus olhos automaticamente encontram os olhos de Arya com uma pergunta silenciosa, o que foi que você fez.
— Você ouviu Munē o Kepa finalmente está aqui, ele disse que um amigo dele assumiu o seu posto então ele vai ficar com a gente agora. – O menino diz, seu som é a única voz que se pode ouvir no cômodo, ninguém fala nada, Lucius observa a expressão de choque finalmente abandonar o rosto de Daenerys, pouco a pouco se transformando em raiva, muita raiva, então finalmente alguém resolve fazer algo antes que as coisas percam totalmente o controle.
— Duncan, porque nós não procuramos o seu livro de desenho para mostrar para o seu Kepa enquanto ele e sua Munē conversam? – Henry sugere indo na direção de Daenerys e do garoto, que diz sim a sua proposta com a cabeça, ele tenta pega-lo dos braços da mãe que hesita por um segundo, o dando um olhar de desprezo, somente depois que a mão de L sobe para seu ombro o apertando gentilmente ela cede e o entrega ao loiro.
— Lá fora. – É tudo que a platinada diz antes de dar meia volta e marchar para fora da casa, seguida pelo homem ao seu lado.
Jon vai atrás dela, quando a platinada entrou na casa e ele a viu viva, um emaranhado de emoções tomou conta de seu coração, ele precisou de toda força do mundo para não correr até ela, não toca-la, ele queria toca-la desesperadamente, garantir que a Targaryen era real, não mais um sonho, uma alucinação, mas real.
Quando ele atravessa a porta da residência, Jon a vê lá fora de costas para ele falando com o homem que chegou com ela, tendo certeza que esse é o tal Lucius a quem sua irmã se referiu.
— Dany. – Ele a chama então tudo acontece rápido demais, Daenerys salta em sua direção o derrubando no chão, então há uma pequena lâmina contra a sua garganta.
— Se você me chamar assim novamente, eu juro que eu vou cortar a sua garganta. – Ela diz sua voz cheia de desprezo, um tom tão diferente daquele que ela usou na sala do trono quando o convidou para construir um novo mundo ao seu lado, olhar em seus olhos azuis praticamente queimam em sua pele, ele pode sentir o ódio emanando através deles.
Jon está surpreso demais para fazer algo, não foi bem assim que ele imaginou as coisas, o jeito que ela estava pressionando a pequena faca contra ele, a forma como Daenerys falou com ele, fazem homem perceber que aquela é uma ameaça real.
Então a Targaryen é puxada de cima dele pelo homem que a acompanhava, sua irmã logo está lá também se posicionando na sua frente, as palavras de Arya ecoam em sua cabeça, ela odeia você irmão, sem dúvida, essas palavras parecem muito mais reais agora.
— Storm pare com isso. – O homem pede, segurando seus braços a impedindo de avançar novamente contra ele.
— Parar? Eu quero mata-lo. Você sabe quem é esse homem? Sabe o que ele me fez? – Jon escuta quando ela pergunta, o homem assente. Então vira a cabeça dando um olhar para ele, antes de voltar a encarar a platinada.
— Eu sei, mas o seu filho está bem ali dentro agora, é isso que você quer que ele encontre quando sair dali? O corpo do pai que ele tanto sonhou em conhecer caído morto no chão? – Ele questiona, ele sabe que por mais difícil que seja precisa fazer ela ver a razão.
— Isso só pode ser um pesadelo, ele simplesmente não pode estar aqui. – Ela responde então Jon finalmente se levanta.
— Infelizmente ele está, por mais difícil que seja, você tem que manter a calma agora, pensar com a cabeça, por Duncan, depois em outro momento, você resolve o que vai fazer em relação a ele. – Lucius disse segurando o rosto dela entre suas mãos, Daenerys assentiu, por mais difícil que fosse manter o controle a mulher sabia que ele estava certo.
— Tudo bem. – Ela respondeu, ele depositou um beijo em sua testa, uma mensagem velada eu estou aqui por você. Jon observou os dois, a intimidade entre eles, Arya disse que eles não eram um casal no entanto passariam facilmente por um, quando os lábios do homem tocaram a pele dela foi inevitável sentir aquele picada em seu peito, ciúmes, e mesmo que ele soubesse que não tinha nenhum direito de se sentir daquela forma, ele simplesmente não podia se ajudar nisso.
— Você me traiu. – Daenerys disse se virando na direção dele, Jon estava pronto para argumentar com ela, no entanto se deu conta que a mulher não estava falando com ele, e sim com a sua irmã.
— Eu confiei em você Arya, aparentemente ninguém da sua família é capaz de manter a palavra, não é? O pior disso tudo é que você ainda usou o meu filho contra mim. – Daenerys acusou olhando diretamente dentro dos olhos da garota Stark, mesmo que Arya já esperasse por algo desse tipo, a garota ainda sentiu o efeito daquelas palavras.
— Eu não tive escolha, Kinvara me disse que Bran iria mata-lo. – A garota explica.
— Bem, isso teria sido um grande favor. – A mulher responde com frieza, a forma que ela olha quando se refere a ele é quase uma tortura para Jon.
— Ele é meu irmão, eu sei o que ele fez a você, mas Sansa é uma maldita traidora, Bran não existe mais, eu não podia deixá-lo morrer quando ele é a única família que eu tenho agora, por mais doloroso que isso pudesse ser. – Arya diz a platinada. A garota simplesmente odeia isso tudo, ela não queria machucar ninguém, muito menos a mulher por quem ela cresceu para amar como uma irmã.
— Eu achei que éramos sua família agora. – Daenerys diz e Arya geme em frustração.
— Vocês são, no entanto isso não anula o fato que ele também é. — Arya responde.
— Eu não deveria ter confiado em você, foi um erro. – Daenerys diz magoada.
— Ela só estava tentando me proteger. – Jon diz defendendo Arya, se não fosse por ela talvez ele nunca tivesse descoberto a verdade.
— Não faça isso. – Daenerys disse a ele enquanto fechava os olhos e tomava uma respiração, ela estava fervendo, a platinada não estava esperando a traição de Arya, muito menos encontrar aquele homem na sua casa, pior, ao lado do seu filho.
— Fazer o que? Defender Arya? – Ele pergunta a fazendo bufar.
— Achar que pode dirigir a palavra a mim. – Daenerys cuspe as palavras, então um rugido rompe os céus.
— Mande-o ir, ele está sentindo a sua raiva, não vamos complicar mais as coisas. – Lucius pede, então Daenerys fecha os olhos pedindo para Drogon ir.
— Kepa olha, esses são os meus desenhos. – Duncan disse saindo da casa com alguns papéis nas mãos. Jon vai na direção do filho pegando-os com cuidado, quando olha o primeiro fica surpreso, ele estava esperando apenas rabiscos devido a idade do menino, no entanto são realmente bons para um menino de quatro dias de seu nome.
— Você desenha muito bem, filho. – Jon elogia.
— Eu aprendi com o meu Kepus. – O menino diz apontando na direção de Lucius, não deveria, no entanto, o fato o incomodar.
— Arya. – Daenerys chama o nome da garota, quando a Stark encara seus olhos azuis ela lê facilmente a mensagem atrás deles, tire ele daqui.
— Duncan, seu Kepa e o amigo dele precisam ir agora. – Arya diz para o menino, Daenerys precisava de tempo, já havia sido muito por um dia, depois ela mesma conversaria com a Targaryen e tentaria resolver tudo.
— Ir para onde? Você não vai me deixar de novo, vai Kepa? – O garotinho pergunta com os olhos temerosos.
— Eu não vou te deixar nunca mais filho. – Jon promete ao menino, com o canto do olho ele pode ver Daenerys balançar a cabeça negativamente enquanto parece estar tentando evitar olhar para eles dois juntos, sem dúvida, Jon ainda tinha muitas coisas para colocar em ordem com a platinada, mas de uma coisa ele estava certo, ele não seria capaz de deixar o seu filho nem mesmo por ela, ele já amava o garotinho de todo coração.
— Duncan, seu Kepa não vai embora, ele apenas vai ficar na casa do Henry por enquanto, já está tarde e nós temos que arrumar a casa ainda, guardar as coisas dele, esse tipo de coisa. – Arya explica ao menino.
— Porque o Kepa não pode ficar com a gente? No quarto da Munē tem bastante espaço. – Sugere de forma inocente, os deuses me fodam, pensa Arya.
— Eu não posso ficar com vocês porque eu trouxe alguns amigos, eu não posso deixá-los sozinhos na casa de Henry, mas eu prometo que sempre que possível estaremos juntos, tem tantas coisas que eu quero saber sobre você filho, que eu quero te mostrar. – Jon diz tocando o cabelo platinado do garoto, então o menino sorri amplamente, até o sorriso do filho dele é igual ao dela.
— Eu também quero te mostrar muitas coisas papai, tia Arya disse que você tem um lobo gigante, você o trouxe com você? – O menino pergunta, seus olhos cinzas brilhando de excitação.
— Sim, Ghost veio comigo, eu posso trazê-lo da próxima vez que eu vir te ver. – Jon segure, então ganha outro sorriso.
— Amanhã? – O menino pergunta, Jon encara Arya sem saber ao certo o que responder.
— Amanhã você tem lições na casa do mestre Perse. – Daenerys responde, cada minuto com aquele homem ali era uma tortura pra ela.
— Munē me deixar faltar só amanhã por favor, eu acabei de conhecer meu Kepa, eu quero passar um tempo com ele. – O menino diz olhando para ela com os olhinhos brilhantes e uma carinha de pobre coitado que lembrou Jon de Bran quando era criança, sempre fazia esse tipo de expressão quando queria algo, ele balançou a cabeça afastando a lembrança, aquele Bran havia desaparecido e no lugar dele havia nascido um monstro.
— Lições são importantes, eu não quero que você falte por minha casa. – Jon disse e o menino bufou.
— Não fique chateado Duncan, tenho certeza que seu pai pode vir jantar com você amanhã e até trazer o lobo dele para você conhecer. – Lucius sugere, Daenerys o olha chocada.
— Você pode? – O menino pergunta a Jon, ao mesmo tempo que a platinada questiona o amigo sobre o que ele está fazendo.
— Posso, eu acho. – Jon responde sem saber ao certo o que dizer, já que também foi pego de surpresa. Já Lucius só responde Daenerys com um daqueles olhares que querem dizer, eu sei o que estou fazendo, confie em mim.
— Então é isso, nós realmente precisamos ir agora Duncan. – Henry pede, o homem tem certeza que nunca esteve numa situação tão tensa como essa antes, batalhas não se comparavam nada a isso em sua opinião.
Jon se despede do filho, ele tenta dizer alguma coisa a Daenerys, mas ela o ignora novamente, quando eles estão prestes a sair a Targaryen vira em direção a Arya e diz.
— Você deveria ir com seu irmão. – Então chama o filho para eles voltarem para dentro de casa.
— Eu sei que vai ser difícil ela entender, mas eu só queria manter meu irmão a salvo, mas eu garanto que eu só fiz tudo isso porque Kinvara arrumou um jeito seguro, eu nunca faria isso se não fosse, eu posso ser uma traidora, mas eu nunca colocaria Duncan ou Daenerys em perigo gratuitamente. – A garota explica para Lucius, por mais que ele também esteja chateado com a situação, ele entende.
— Eu sei disso, ela vai entender em algum momento, Storm só precisa de um tempo agora. – Lucius explica tentando dar algum tipo de conforto a Arya.
— Melhor eu ir agora, acho que ela está precisando de você nesse momento. – Arya diz antes de partir em direção da casa que ela conhece tão bem.
— Então como foi? -Tormund pergunta quando eles voltam para casa do conselheiro chefe de Solar.
— Eu diria que bem. – Sor Davos responde e todos os outros viram a cabeça para encara-lo.
— O quê? Ele está vivo, não está? Sinceramente eu não tinha muita certeza se ele sairia vivo do seu encontro com ela. – Sor Davos diz, Arya se permite rir por um momento.
— Ele tem razão, eu estava certa que se ela não o matasse, mataria a mim. – Arya responde.
— E a mim. – Henry diz deixando escapar um pequeno sorriso.
Jon se levanta indo em direção a janela, o encontro com seu filho havia sido perfeito, no entanto, os eventos que se desdobraram depois haviam o deixado extremamente abalado, como ele faria Daenerys ouvi-lo se a sua mera presença parecia insuportável a ela?
Lucius entrou com cuidado no quarto de Daenerys, ele a encontrou sentada sobre a madeira da Janela.
— Duncan? – Ela o questiona.
— Terminando a lição. – Ele responde sabendo que ela só quer ter certeza que seu filho está bem.
— Tudo bem. – Ela responde, então volta a olhar a paisagem enquanto gira um objeto pequeno em sua mão direita, quando chega mais perto o homem se dá conta do que se trata, a pequena adaga que eles retiram do seu corpo quando a mulher chegou morta em Solar.
— Dia agitado? – Ele pergunta em tom de brincadeira, tentando amenizar o clima pesado no ar.
— Eu ousei acreditar que nunca o veria de novo, eu ainda não consigo acreditar que Arya foi capaz de fazer algo assim. – Daenerys diz e ele é capaz de ler a mágoa em suas palavras.
— Storm, eu sei que é difícil pedir isso a você, mas por favor, tente perdoa-la, Arya não fez isso para te machucar ou ferir, ela fez isso para salvar seu irmão. – Lucius explica numa tentativa de intervir em favor da garota Stark, ele nunca teve uma família antes, e agora ele tinha finalmente construído uma com eles, então ele não queria ver essa família ruir por causa de um homem.
— Para salvar homem que me traiu, me assassinou. – Ela responde ríspida.
— Isso é o que Jon Snow representa para você, ela entende isso, você consegue entender o que ele é para ela? Ele é aquele que foi seu irmão favorito durante sua infância, aquele que aceitou como ela era, que lhe deu uma espada que ela carrega até hoje, que nunca desejou que ela fosse uma senhora ou algo do tipo só por ela ser uma menina, ela te traiu sim, mas apenas porque a vida dele estava em perigo, mas Storm, ela traiu ele por você também quando escondeu dele a existência de Duncan por tanto tempo. – Lucius argumenta, então ela desvia seu olhar do dele, é um bom ponto ela reconhece, ainda assim, não se sente preparada para perdoar a garota.
— Escondeu dele até agora. – A Targaryen lembra, então Lucius sorri sentando no espaço vago na beira da janela.
— Ela só contou a ele porque Duncan era a chave para que você não matasse o irmão dela no momento em que os pés dele tocassem essa terra. – Lucius fala.
— Garota esperta. – Daenerys afirma e o homem assente, sabendo que ela tem razão, afinal nem mesmo ele desconfiou de algo.
— Eu não sei o que fazer, Duncan passou a tarde falando sobre como hoje foi o dia mais feliz da sua vida. – A platinada desabafa, então ele puxa a mão dela para segurar na dele.
— Você não tem muitas opções agora, Arya apenas usou em você uma armadilha que você mesmo criou, eu nunca fui muito fã dessa sua ideia de mentir para Duncan sobre o pai, você deixou que ele pensasse que seu pai era um grande herói. – As palavras de Lucius são como um tapa em sua cara, porque ela sabe que o homem de olhos verdes sentado em sua frente está certo.
— Mas você pode contar a verdade a ele agora ou arrumar uma forma de suportar a presença de Jon Snow na vida dele. – Lucius sugeriu. Ela não era capaz de contar a verdade ao filho, ela sabia que Lucius também não.
— Ou posso mata-lo e jogar o corpo dele no mar. – Ela disse com humor o fazendo rir.
— Eu posso ajudar. – Ele diz depositando um beijo na palma de sua mão.
— Mas Duncan ainda iria sofrer. – Lucius diz deixando a brincadeira de lado.
— Eu sei. – Ela responde sabendo que não há outra alternativa, se não a que ela tem em mente.
— Então o que você vai fazer? – Ele perguntou, então ela respirou fundo antes de responder.
Cena bônus – colocar música para tocar
https://youtu.be/dvTOZWfKjWQ
Daenerys puxou o ar respirando fundo antes de finalmente bater na porta da casa de Henry, foi Arya que atendeu, uma expressão de surpresa cobriu o seu rosto.
— Aconteceu alguma coisa? – A garota perguntou preocupada com o sobrinho.
— Não, acho que precisamos conversar, eu, você e seu irmão. – Daenerys decretou, um tempo depois eles estavam sentados na sala de jantar de Henry.
Daenerys pegou o lugar na mesa mais distante dele, apesar do seu desprezo, ele se sentia tão bem apenas em vê-la ali viva.
— Eu cheguei à conclusão que há duas saídas para essa situação, eu odeio as duas, a primeira é contar a verdade a Duncan dizer a ele o que o seu querido pai fez comigo, conosco na verdade. – Assim que as palavras deixaram a boca de Daenerys o coração de Jon entrou em completo desespero, não, ela não podia fazer isso com ele, Jon não suportaria a ideia de que seu filho, aquele menino lindo o olhasse com desprezo.
— E a segunda? – Arya perguntou, a garota tinha quase certeza que Daenerys não seria capaz de machucar o filho daquela forma.
— Tentar tolerar a presença de Jon na vida dele. – Daenerys diz olhando diretamente para ele, seus olhos carregados de sentimentos que ele não foi capaz de identificar.
— Você é um homem de sorte Jon Snow, eu amo o meu filho, mais do que eu odeio você, se não fosse por Duncan, eu teria te matado no momento em que eu te vi lá, mas eu prefiro sofrer com a sua presença do que machucar meu filho. – Ela diz, suas palavras são duras, no entanto, Jon se sente bem porque essa mulher na sua frente disposta a se sacrificar pelo filho é exatamente a mulher por quem ele se apaixonou anos atrás.
— Obrigado Dan... Daenerys. – Ele corrige recordando de sua ameaça mais cedo.
— No entanto, tudo se dará sobre os meus termos. – Daenerys dita e ele assente. Jon sabe que não tem nenhum direto de exigir nada agora.
— Sua irmã pode confiar em você, mas eu não, isso significa que sempre que você estiver com Duncan eu quero alguém da minha confiança com vocês, eu não quero ele nunca sozinho com você. – Daenerys exige. Essa é sua principal condição.
— Eu nunca faria mal a uma criança, muito menos ao nosso filho. – Ele responde, então ela abre um sorriso debochado.
— Você o matou uma vez. – Ela afirma com a voz cheia de veneno.
— Eu nunca teria feito aquilo se eu soubesse que você estava grávida. – Jon responde imediatamente, ele não seria capaz de machucar uma mulher grávida, muito menos do seu filho.
— Me conte o que você teria feito então Jon Snow? Teria esperado eu dar à luz, e o que? Você teria arrancando o meu filho dos meus braços antes enfiar aquela adaga no meu coração? Ou você nem teria me dado a chance de segura-lo antes de fazê-lo? – Daenerys questionou, Jon achou que já tinha tido o suficiente.
— Arya saia por favor, eu quero falar com Daenerys sozinho. – Jon pede olhando para a irmã, a garota tem quase certeza que essa é uma das piores ideias que Jon já teve.
— Melhor não. – Arya responde, então Daenerys se levanta.
— Você pode ir, eu prometo que não vou tentar mata-lo de novo. – Daenerys diz a surpreendendo, Arya hesita, ela não confia nesses dois sozinhos numa sala, da última vez que isso aconteceu um deles acabou morto.
— Por favor irmã. – Jon implora, esse foi o momento que ele tanto esperou, uma chance para ficar sozinho com ela, uma chance de se explicar, de pedir perdão.
— Tudo bem, só não façam nada que um de vocês possa se arrepender depois. – Arya avisa antes de sair.
— Não houve um dia em que eu não lamentei o que eu fiz a você. – Jon diz se aproximando para ficar de frente a ela, tê-lo ali tão perto dela novamente faz com que as emoções que ela enterrou por tanto tempo subam a superfície.
— Há muitas coisas que eu lamento também, como ter me apaixonado por um homem que apesar de tudo que eu dei a ele não foi capaz de manter o único segredo que eu implorei que ele guardasse, sabe qual é a pior parte disso? É que eu não fiz aquilo por causa do maldito trono de ferro, eu fiz porque eu sabia que quando outras pessoas soubessem, elas fariam de tudo para nos colocar um contra o outro, eu não suportava a ideia de te perder. – Ela confessa, suas palavras o machucam no fundo da sua alma, sim ela, implorou para ele, foi essa a verdade que os destruiu.
— Perdão. — Ele começa, mas ela o corta imediatamente.
— Perdão? Para que? Por não me amar o suficiente para estar ao meu lado no momento em que eu mais precisei de você? Por não perceber o quanto os olhares desdenhosos de sua irmã e do seu povo me machucavam? Você era a pessoa mais importante para mim Jon, mesmo depois que você me traiu, mesmo depois que me rejeitou, eu ainda queria construir um mundo novo com você ao meu lado, Bran poderia ter mexido com a minha cabeça, mas eu quero que você saiba que eu quis dizer aquilo para você. – Daenerys confessa, por tanto tempo ela acreditou neles, que ele era tudo que ela sempre quis, que estavam destinados a ser.
— Se eu pudesse voltar no tempo, eu faria tudo diferente, eu juro a você. – Ele diz puxando a mão dela contra a dele, sua mão está diferente agora, a pele macia se tornou um pouco mais áspera, ele percebe, então ela puxa dando alguns passos para trás, criando uma distância entre ele.
— Mas você não pode. – Ela responde friamente.
O coração de Daenerys bate descompassado dentro de seu peito, esse menino bonito de cabelos encaracolados, a quem ela entregou seu coração, a quem ela deu tudo, não achou que ela merecia uma chance, ele simplesmente desistiu, a deixou sozinha, escolheu outras pessoas sobre ela, e tê-lo ali na sua frente de novo é mais do que ela consegue administrar. Quando Daenerys o viu essa manhã, ela sentiu alívio pois tudo que ela sentiu foi apenas ódio e raiva, no entanto, agora que ela deixou seus verdadeiros sentimentos saírem chega a conclusão que o motivo dela estar ainda estar ali ouvindo o que Jon tem a dizer, expondo como ele a machucou, é porque ela quer que ele sofra, veja como ele os destruiu, isso não é apenas porque ela o odeia, e sim porque uma parte dela ainda o ama.
Aquela parte dela que guardou a adaga que ele usou para matá-la por todos esses anos, esperando inconscientemente a chance de um dia retornar o favor, seu amor por ele havia se misturado tão profundamente com o ódio em seu coração, que eles pareciam um só agora.
— Tyrion encheu a minha cabeça com mentiras, sobre o que você havia se tornado. – Jon argumenta, tudo que ele quer é fazê-la entender o porque ele fez o que fez.
— Essa é sua grande desculpa? Pobre menino. Tyrion te usou porque até ele percebeu que seu amor por mim era fraco, ele te usou para fazer o que ele não seria capaz, quem melhor que o herói Jon Snow para libertar o mundo da rainha louca, não é? Meia dúzias de palavras foram o suficiente para fazer com que você desistisse de mim. – Ela acusa. Jon sente seu peito apertar com aquelas palavras.
— Eu tinha visto você queimar uma cidade inteira Daenerys, então Tyrion estava lá falando que a minha família nunca estaria segura devido a sua sede de poder, o que você teria feito no meu lugar? – Jon praticamente grita essas palavras em seu rosto, porque ele precisa fazê-la ver a posição em que todos eles, Tyrion, Arya, Sansa, Bran, haviam o colocado.
— Eu teria conversado com você, tentado mudar a sua mente, feito qualquer coisa que não envolvesse enfiar uma adaga em seu coração. – Ela cuspiu de volta.
— Eu fiz isso, eu tentei mudar a sua mente, eu poderia estar confuso sobre a nossa relação, mas eu nunca parei de te amar. – Ele afirma lembrando da conversa deles na sala do trono. No primeiro momento ela olha confusa sem parecer entender direito o que ele quer dizer, então o brilho da compreensão enche seus olhos.
— Você realmente não sabe de nada Jon Snow, você trocou meia dúzias de palavras comigo, então você conclui que eu não tinha mais salvação, nossa como você se esforçou para mudar a minha mente, não foi? Talvez se você tivesse me dado pelo menos alguns dias poderíamos ter percebido que aquilo que aconteceu em Porto Real não fui eu, que havia sido Bran, você foi tão sujo, você não gritou comigo, ou me chamou de louca, você me disse que eu sempre seria a sua rainha e me matou, eu nunca teria sido capaz de fazer algo assim com você, nunca. – A certeza em sua voz e a dor em seus olhos é o suficiente para que as palavras faltem a Jon, homem sente que nenhuma de suas inúmeras explicações irão fazer algum sentido agora, não depois de tudo o que ele ouviu.
— Meu amor por você não era fraco Daenerys, mas homem que eu era sim, no momento em que eu atingi você com aquela adaga eu sabia que tinha feito a coisa errada. – Ele assume, ele vê as lágrimas em seus olhos, ele se dá conta que também está chorando.
— Eu prometo a você que eu não serei mais esse homem, eu nunca mais vou te ferir dessa forma. – Ele diz chegando perto o suficiente para sentir a respiração dela contra a ele, todo o resto poderia ser condenado, tudo que importava agora para ele, era essa mulher e seu filho.
— Suas palavras não significam mais nada pra mim Jon Snow, na verdade, nada disso importa mais, o que está feito não pode ser mudado, apenas não machuque o meu filho, porque eu te juro que você não vai sobreviver a isso. – Ela ameaça, então dá um passo para trás, ela precisa ficar longe dele, longe do seu cheiro, ela adorava respirar o seu perfume sempre que eles se abraçavam, as lembranças tristes são difíceis, mas com elas Daenerys se sentia capaz de lidar, agora as outras essas eram um grande problema.
— Isso pertence a você. – Ela diz colocando a adaga que ele empurrou em seu coração em sua mão, Jon joga o objeto sobre a mesa, então puxa o lenço vermelho dela que ele guardou por todos esses anos, o estendendo na sua frente, ele quer mostrar a ela que nunca a esqueceu, que sempre guardou um pedaço dela com ele, quando reconhece o material em sua mão, Daenerys paralisa.
— Eu disse para você não deixar marcas. – Ela reclama quando vê no espelho as pequenas marcas roxeadas no seu pescoço, obra de seu novo amante.
— Você não reclamou ontem a noite quando eu estava as fazendo. – Jon responde, enlaçando sua cintura com o braço direito e depositando beijos molhados no seu pescoço, Daenerys sente aquela chama dentro dela começar a queimar novamente, aquele fogo que apenas ele foi capaz de despertar.
— Eu estava distraída demais com outras coisas, agora imagine o que os lordes do Norte vão pensar amanhã quando virem sua rainha chegando com essas marcas. – Ela responde virando de frente pra ele, passando os braços ao redor de seu pescoço.
— Hum, você poderia usar algo assim. – Ele diz pegando o lenço vermelho que estava por cima da cômoda, ela o pega da sua mão e vira de frente para o espelho, o trazendo até a região do pescoço observando como ele ficaria, ela gosta do resultado.
— Vermelho definitivamente é a sua cor. – Ele diz, então arranca o lençol de sua mão jogando de volta ao lugar onde ele achou, a girando para deixá-la de frente para ele novamente.
— Agora que o nosso problema foi resolvido, porque você não me diz que coisas foram essas que estavam te distraindo tanto ontem? – Ele pergunta sussurrando sensualmente em seu ouvido.
Aquele lenço e todas as lembranças que o envolviam foram demais para ela, Daenerys sentiu que estava a um passo de desmoronar, então ela puxou ar pela boca tentando se acalmar, a platinada sabia que precisava sair, a dor no seu peito naquele momento parecia maior do que no dia que Jon cravou adaga nele.
— Eu preciso ir agora, lembre-se do meu aviso sobre Duncan. – Daenerys disse antes de virar na direção da porta, saindo o mais rápido que suas pernas permitem, ela não iria dar o prazer a Jon Snow de vê-la desmoronar na frente dele.
— Tudo bem? – Arya pergunta ao ver o seu estado, ela apenas acena positivamente com a cabeça.
— Vejo você em casa? – Daenerys ainda tem forças de perguntar, Arya errou, mas como Lucius disse ela ainda era sua família, e famílias podiam ser bastante complicadas as vezes.
— Sim, você realmente está bem? – A garota pergunta novamente, então as lágrimas começam a ruir pelo seu rosto.
— Eu preciso ir. – Ela diz, então apenas deixa a casa como um furacão, a garota Stark resolve ir atrás dela, no entanto, ela vê um homem lá fora esperando Daenerys na metade do caminho, Arya volta, uma vez que sabe que a mulher está em boas mãos agora.
Jon surge atrás de Arya querendo ir desesperadamente atrás da Targaryen.
— Não, você já fez demais hoje, ela está exatamente com quem precisa agora. – Arya diz observando Lucius segurar Daenerys fortemente em seus braços quando a mulher finalmente desmorona.
Daenerys não conseguia enxergar nada devido as lágrimas correndo pelo seu rosto, aquele maldito lenço havia a quebrado, ela não entendia porque aquele homem teve que voltar para sua vida logo agora, somente para despertar todas aquelas lembranças, todos aqueles sentimentos que a platinada trabalhou tão durante para enterra-los em seu coração. Ela não havia percebido a presença de Lucius até que sentiu os braços dele ao seu redor, então depois de molhar sua camisa com algumas lágrimas ela finalmente teve coragem de se afastar apenas o suficiente para olhar em seus olhos.
— Duncan? – Sua voz sai quebrada quando ela pergunta sobre o filho.
— Com Kinvara, ele é seguro não se preocupe. – Ele responde enquanto traça o seu polegar em sua bochecha direita limpando algumas lágrimas que escorrem por ali.
— O que você está fazendo aqui? – Ela pergunta inclinando a cabeça com o seu peito.
— Eu sempre sinto quando você vai precisar de mim, então eu vim o mais rápido que puder. – Lucius responde enquanto a aperta ainda mais contra ele.
Próximo Capítulo
Bran vai até a Meera
Jon perde o controle
Daenerys procura conforto nos braços de um amigo.
Um jantar acontece.
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