Notas iniciais
Se tudo der certo atualização da fic vai ser todo domingo a noite rsrs como eram os EPS da série. Detalhe os acontecimentos em Solar, Porto Real, Além da muralha não estão ocorrendo de forma simultânea ainda a partir dos próximos capítulos esses detalhes serão ajustados é isso bom capítulo tá enorme

A minha consciência tem milhares de vozes, / E cada voz traz-me milhares de histórias, / E de cada história sou o vilão condenado. — William Shakespeare

Bravos antes da grande guerra.

Melisandre sorri observando o jovem de cabelos castanhos distribuir moedas de ouro para algumas crianças, ele finalmente a vê, sua expressão fecha imediatamente como em todas as vezes em que eles se encontram. Ele se despede das crianças e caminha em sua direção.
— Vejo que continua o mesmo filho. – A sacerdotisa vermelha diz, ele revira os olhos, odiando o fato dela sempre agir naturalmente ao se redor como se eles tivessem algum tipo de intimidade.
— Você não tem o direito de me chamar assim, já conversamos sobre isso. – Ele acusa enquanto encara a mulher.
— Eu já disse que não importa o que eu fiz, fui eu quem trouxe você a vida, mas eu não vim aqui para discutirmos de novo, muitas coisas importantes estão prestes a acontecer, minha jornada nesse mundo está perto do fim, mas a sua está apenas começando. Você conhece o seu destino e sua morte, do mesmo jeito que eu conheço a minha, está na hora de você retornar a Solar. – Ela afirma enquanto dá um passo a frente para encarar seu filho mais de perto, ela sabe que é a última vez que eles iriam se ver, portanto olha tentando decorar os traços em seu rosto jovem, é a memória daquele rosto que ela deseja ver quando finalmente partir desse mundo, Lucius dá um passo para trás, quebrando o contato visual, não se sentindo nada confortável com a forma que a mulher a sua frente o está olhando nesse momento.
— Eu ainda tenho assuntos inacabados por aqui, além do mais não há pressa, ela está do outro lado do mar agora. – Diz enquanto observa algumas pessoas que estão passando por ali.
— Ela não permanecerá lá por muito tempo, e quando ela atravessar o mar mais uma vez, você deve estar lá para ela, é o seu destino, é a vontade do senhor da luz. – Ela sussurra enquanto cobre o rosto novamente com o capuz vermelho.

solar

Haviam se passado quase sete meses após sua ressurreição, demorou um tempo para que a platinada pudesse finalmente compreender como tudo havia acontecido, Lucius ou L apelido pelo qual ele gostava de ser chamado, contou a ela que seu dragão trouxe seu corpo sem vida para essa cidade perdida, muitos seguidores do senhor da luz viviam aqui, uma terra fértil ao leste das ruínas da antiga Valíria, escondida por rochosas montanhas. Kinvara, a sacerdotisa vermelha que havia a ajudo em Meereen estava aqui a sua espera, ela afirmou que o senhor da luz havia prenunciado sua chegada, todas as sacerdotisas se reuniram em um ritual para tentar trazer a rainha dos dragões de volta a vida, essa permaneceu morta por três dias, L confessou que eles já estavam perdendo a esperança.
Todos nessa pequena cidade acreditavam que Daenerys era o príncipe prometido Azor Ahai, embora a platinada se lembrasse perfeitamente da conversa que tinha tido com o senhor da luz, está ainda estava evitando pensar sobre as implicações daquilo que lhe foi revelado, depois de tudo que aconteceu tudo que Daenerys menos desejava era ser vista como um herói, como alguém a ser seguido, tudo que ela queria era criar sua criança em paz, seu filho crescia todos os dias em seu ventre, no entanto ela sabia que enquanto todos naquela cidade acreditassem que ela era a princesa prometida, ela e seu filho estariam seguros, a verdade é que não havia outro lugar que ela pudesse ir, pelo que haviam lhe contado o corvo de três olhos era um ser muito poderoso agora, as sacerdotisas vermelhas viram nas chamas que ele era o novo rei de Westeros, se ele suspeitasse que ela estava viva, seu filho estaria em perigo, Kinvara garantiu que ele não podia encontrar essa cidade pois essa terra estava sobre a proteção do senhor da luz, seu ódio pelo corvo era maior que sua raiva por Jon, ele havia feito ela perder tudo, seu dragão, Missandei, ele havia escravizado sua mente, o desejo era voar até Porto Real e queima-lo, no entanto ela sabia que não poderia fazer isso.
Drogon sempre a visitava, embora ele adorasse voar pelas terras de Valíria ele sempre retornava para sua mãe, as pessoas aqui não olhavam a fera vermelha com medo e sim com admiração, ele era o último dragão vivo no mundo, como sua mãe, Daenerys temeu que Bran pudesse fazer algo, ela sabia que ele podia entrar nas mentes de alguns animas, porém as sacerdotisas lhe tranquilizaram, um dragão não é um escravo. Elas lhe disseram que dragões nasceram dos poderes do senhor da luz, igualmente a outros animais, sobre estes o corvo não tem nenhum poder.
Kinvara a informou que Jon estava além da muralha agora, no verdadeiro Norte, na maioria das vezes a mulher evitava pensar em seu ex amante, embora a ferida em seu peito estivesse finalmente se curando, a platinada duvidava que a dor que ela sentia em se coração um dia fosse embora, Daenerys Targaryen conheceu muitas traições, mas nenhuma doeu tanto quanto a traição do homem que ela amava.
As lembranças de momentos que os dois compartilharam costumavam encher seu coração de alegria, agora só lhe trás dor e decepção, Daenerys nunca tinha sentindo sentimento tão profundo antes, então as vezes ela se pergunta se Jon Snow tivesse se sentindo da mesma forma, as coisas teriam sido diferentes, pensar nisso lhe trás lagrimas nos olhos, então ela afasta o pensamento, se eu olhar para trás, estou perdida, ela repete a frase algumas vezes em sua mente, então sorri sentindo a criança em seu ventre chutar, levando suas mãos na barriga ela acaricia o lugar onde seu filho mexeu.
— Você é tudo o que eu tenho agora, tudo que importa. – Ela sussurra e a criança chuta mais uma vez em resposta.
— Assim você fere meus sentimentos Storm, depois de tudo que vivemos nos últimos meses eu não sou importante para a senhora. – L brinca a chamando pelo apelido bobo pelo qual ele lhe insiste em chamar enquanto adentra o quarto que as parteiras arrumaram pra ela, carregando uma bolsa com roupas para ela e o bebe, essa cidade perdida tinha um costume estranho, quando as mulheres estavam perto de ganhar seus filhos eram enviadas para seu local, segundo eles isso poderia evitar complicações no parto já que as parteiras acompanhariam de perto todo o processo, apesar do estranho procedimento, Daenerys admite que isso a ajudou que ela ficasse mais tranquila, a verdade é que ela está com muito medo de não conseguir.
— Você sabe que sim, no entanto eu não gosto de falar muito sobre isso tenho medo que seu peito exploda com tanto ego. – Ela brinca e ele puxa uma de suas roupas da bolsa e joga em seu rosto fazendo com que ela ria.
Daenerys sente muita gratidão pelo homem a sua frente, ele havia compartilhado sua casa com ela, compartilhou com ela sua história. A vida do garoto não havia sido fácil, abandonado pela mãe que ela descobriu depois ser Melisandre de Ashai, fato que deixou Daenerys bastante surpresa, ele cresceu nas ruas de Braavos, foi lá onde ele aprendeu a arte do roubo, ele era muito bom nisso, quase tão bom quanto era no arco e flecha, ainda menino ele e Lys a garota que vivia com ele, foram capturados por mestres escravistas, L lhe contou que apesar da escravidão ser proibida em Braavos, isso não os impedia de capturar aquelas pessoas que não fariam falta a ninguém, afinal quem procuraria um menino uma menina de rua?. L ainda carregava nas costas algumas marcas desse período, mas Daenerys sabia que a maior marca ele carregava em seu coração, em uma noite chuvosa, L flagrou o seu mestre tocando em Lys de forma inapropriada, ela era apenas uma garotinha não havia nem sangrado ainda, então L o atacou, os homens do mestre logo chegaram e ele foi castigado, o mestre também jurou que o venderia para o pior dono de escravos que ele encontrasse. Quando L se recuperou ele sabia que ele Lys não poderiam permanecer ali, então ele elaborou um plano de fuga.
Porém Lys não conseguiu chegar no horário combinado, ele a procurou, mas não havia sinal dela em lugar nenhum, L sabia que seria vendido então ele não teve escolha, talvez a chance de fugir não viesse tão cedo novamente, então ele teve que partir, ele deixou um bilhete no quarto de Lys com uma promessa ele voltaria para liberta-la, quando ele voltou anos depois ele a observou na sacada da casa, ela tinha ficado linda, porém seus olhos carregavam uma intensa tristeza, ele tentou falar com ela, mas o seu antigo mestre havia dobrado a segurança ao redor de seus muros, ele poderia entrar, no entanto não tinha certeza se Lys conseguiria sair, então ele mudou o plano, roubou dinheiro, ele deixou bem claro para a platinada que nunca roubou daqueles que precisavam, apenas daqueles que tinham demais, segundo ele não era roubo, ele estava apenas equilibrando a balança da igualdade, e arrumou um homem para tentar compra-la, então Lys seria finalmente livre, infelizmente o homem voltou sozinho, ele contou a L que a garota tinha cometido suicídio, pelo que ele disse o mestre não só usava as garotas para o próprio prazer como deixava seus homens fazerem o mesmo, algumas até antes de sangrarem, L confessou que sentiu vontade de vomitar ao ouvir aquelas palavras.
— Use o dinheiro e liberte uma das garotas, de preferência uma das mais novas, era isso que Lys iria querer. – L disse ao homem em meio a sua dor, a assim o homem fez, antes de partir lhe entregou a ele uma corrente de prata com uma pequena flecha desenhada no centro, anos trás L havia roubado aquela corrente para a garota, que entregou para uma amiga antes de morrer; — ela tinha certeza que você voltaria pra ela, o homem sussurrou antes de partir. Depois disso L começou a ajudar alguns escravos a escaparem, ele diz que toda vez que liberta um homem, uma mulher ou uma criança, é o rosto de Lys que ele enxerga neles.
Ele também diz a Daenerys que depois que os boatos que a rainha dos dragões conheceu a morte atravessarem o mar estreito, algumas cidades que ela libertou, voltaram a praticar a escravidão, isso a entristeceu profundamente, ela tinha falhado com aquelas pessoas, seus filhos. L prometeu a ela que tudo ficaria bem, que um dia ela poderia voltar a ajudar aquelas pessoas, ao seu lado eles poderiam libertar muitos de suas correntes.
Daenerys se sentia bem ao lado de L, ela não sabia explica, mas ela sentia como se o conhecesse a uma vida já, também se sentia bem em Solar, se sentia acolhida, todos a olhavam com admiração, isso a assustava as vezes, porém ela estava começando a aceitar o carinho daquelas pessoas, afinal não foi isso que ela procurou desesperadamente em Westeros?.
Daenerys também havia ficado impressionada com a cidade, um pequeno paraíso escondido, o nome solar foi dado devido a cor do solo ser parecida com a cor do sol que cobria o céu, apesar do forte Sol a cidade era bastante ventilada, haviam pequenas cachoeiras, que garantiam o abastecimento de água, a cidade era vigiada constantemente, eles preferiam que sua existência permanecesse escondida do mundo, a localização que eles se encontravam lhes dava acesso a parte principal do que sobrou de Valíria, ou seja, onde haviam tesouros e segredos perdidos, alguns deles costumavam se arriscar em expedições, encontravam ouro, joias, isso todo ajudava no sustento da cidade, mas haviam segredos, livros, objetos mágicos, essa era a verdadeira razão de manter tudo escondido, embora eles tivessem seguros em Solar, apenas os mais treinados se arriscavam em Valíria, a terra tinham grandes períodos instáveis, algumas partes nunca haviam sido exploradas, L a levou perto um dia para que ela conhecesse.
Daenerys havia se emocionado em estar ali, ela podia sentir o sangue queimando em suas veias quando pisou naquela terra, apesar de Valiria ter começado com pequenos mestiços filhos de grandes casas, o sangue puro Valeriano havia se perdido, ela era a última de uma linhagem pura, Kinvara lhe disse que por isso a chama viva do mundo queimava em seu coração, ela não sabia o que as palavras enigmáticas significavam, mas a platinada sabia que simbolizava algo grande.
O sistema em que as pessoas vivam ali também chamou atenção, não haviam reis ou senhores, mestres, a cidade era administrada por um conselho de oito pessoas, eleitos diretamente pelo povo por voto, qualquer pessoa poderia se candidatar quando uma vaga surgia, havia claro o grande conselheiro cujo o maior poder estava centralizado em suas mãos, bem com as maiores responsabilidades, no entanto a maioria das decisões eram tomadas em conjunto, depois de eleito o conselheiro só poderia deixar o cargo em caso de doença, morte, crime, ou falta de responsabilidade com o cargo, ou seja se seus serviços não fossem satisfatórios ao povo, para se candidatar a conselheiro chefe você teria que já fazer parte do pequeno conselho, afinal era um cargo muito importante, era necessário uma experiência, atualmente a conselheira chefe era uma mulher, Ella uma senhora que a lembrava bastante de Olenna Tyrell, a platinada gostava dela e o sentimento parecia ser recíproco.
Seu neto era um bom homem também, todos da cidade o admiravam, ele era o responsável por treinar o pequeno exército de solar, Henry era um homem alto, loiro de olhos claros, roubava suspiros das jovens pela cidade, e provavelmente substituiria a avó quando o momento chegasse.
— Eu trouxe os contos de Dunk e Egg para sua mãe ler para você. – O Jovem diz sentando ao lado da platinada tirando um livro velho da bolsa, ele toca levemente seu estômago, e o bebê responde com um leve chute.
— Obrigada. – Ela diz sorrindo agradecida pelo gesto doce, pegando o livro da mão do homem a sua frente, nos meses em que seguiram após sua ressurreição, conforme sua barriga foi crescendo, o bebê nela passou a mexer por horas a noite impedindo seu sono, L e Dany descobriram que aquele livro era a única coisa capaz de fazer com que ele pegasse no sono dentro de sua barriga, Daenerys já sabia grande parte da historia decorada, mas seu coração se aqueceu com o cuidado com que homem a tratava, Lucius não a tratava com o príncipe prometido, como a rainha dos dragões, ele a tratava de forma simples e natural ela amava isso.
— Daenerys sem querer ser indelicado, afinal você já foi uma rainha e tudo mais, porém parece que você mijou na cama e isso é bem nojento. – L disse se levantado fazendo cara de nojo, Daenerys ofegou sentindo uma dor atravessando.
— Isso não é xixi, chegou a hora do bebe nascer. – Ela disse sentindo o pânico tomar conta de seu coração, ela não suportaria perder outro filho, e se ela morresse como sua mãe, pelos deuses ela não queria deixa-lo.
— Eu vou chamar as parteiras elas saberão o que fazer. – L disse nervosamente, a platinada não tinha ideia de como ela era importante para ele, como aquele homem faria de tudo para que ela e seu filho ficassem em segurança, quando Kinvara e as outras sacerdotisas deixaram seu corpo sem vida aos seus cuidados, ele lembra do vazio que sentiu em seu peito, ele não tinha contado a Daenerys, mas ele a conhecia muito tempo antes dela sonhar com a sua existência, ele costumava sonhar com ela, a rainha dos dragões, quebradora de correntes, antes dela L não acreditava em amores a primeira vista ou coisas do tipo, ele havia se apaixonado por ela em seus sonhos, isso parecia loucura, e a cada história sobre ela que ele escutou nessa terra só tinha piorado a situação.
Quando ela voltou à vida o vazio se foi, ele deveria se afastar dela, as coisas seriam bem mais fáceis se ele fizesse isso, no entanto ela era uma pessoa quebrada quando voltou, mesmo que ela tenha melhorado, ele ainda pode ver a tempestade se formando em seus olhos, às vezes. Ela se abriu com ele, contou sua história, suas dores, então ele simplesmente não podia sair, quem ele estava enganando, ele não queria, ele sabia que ela estava se apegando a ele também, E embora a platinada negasse ele sabia que ela ainda amava Jon Snow, o homem que a matou, o pai do filho dela, mas a dor da traição era maior que esse amor agora, L sabe que deveria se afastar, essa mulher já conheceu tantas dores, ela não precisa de mais, porém ele sabe que não vai conseguir, Daenerys era sua perdição, a força que o puxava para ela era maior que qualquer boa intenção que ele tivesse, ele iria ficar, eles precisam um do outro no momento, ele cuidaria dela, a protegeria, no entanto não importa o quanto ele deseje, ele jura que nunca vai atravessar os limites, ele aprendeu cedo que algumas coisas na vida não são para ser.
L volta para o quarto com cinco mulheres, elas trazem água, lençóis limpos, então uma pede para que ele saia, elas prometem que vão cuidar de Daenerys e do bebê, quando ele se prepara para sair à voz angustiada da mulher na cama o para.
— Fica comigo, por favor, eu estou com medo L, muito medo. – Ela pede entre pequenos ruídos de dor. — O pedido é suficiente para ele correr para o seu lado na cama agarrando a sua mão.
— Eu estou aqui, vai ficar tudo bem, você vai conseguir eu prometo. – Ele diz enquanto as outras mulheres começam a trabalhar.
— Como você pode ter tanta certeza? – Ela pergunta buscando algum tipo de consolo naqueles olhos verdes.
— Porque você é Daenerys Targaryen, sangue da antiga Valíria, até os deuses se curvam a você.

Porto Real meses pós partida do Jon
Tyrion sorri olhando da janela a reconstrução da cidade, nos últimos meses eles tem trabalhado para restaurar toda destruição que a rainha dragão deixou para trás, apesar de suas limitações Bran tem se mostrado um bom rei, preocupado com o povo, apesar de estar preso em uma cadeira de rodas, seu desejo de acompanhar seu povo de perto é maior, sempre pedindo aos soldados que o transportem para conferir de perto o trabalho, eles tem contando com o auxílio dos outros reinos, um imposto que Bran sugeriu para reconstrução, embora independente, o Norte também colaborava, era um acordo entre os irmãos Starks, Tyrion admitia que o preço era um pouco salgado, no entanto era necessário.
— Sua graça deseja vê-lo, lhe aguarda na sala do conselho – Sor Davos diz tirando o anão de seus pensamentos.
— Obrigado, irei a seu encontro. – Tyrion diz se despendido do homem velho.
Bran estava sentado em sua cadeira de rodas em seu lugar a mesa, cercado pela sua guarda real, Tyrion não contaria a ninguém, mas o olhar enigmático do rei às vezes causava calafrios nele, um sentimento bobo, talvez devido sua experiência com os últimos reis que ele serviu.
— Me informaram que sua graça gostaria de falar comigo. – Tyrion afirma e Bran concorda com a cabeça fazendo gesto para que ele se sente, o anão puxa uma cadeira que lhe permite se sentar de forma que lhe fique de frente ao rei.
— Sim, eu tive uma ideia e gostaria da sua opinião. – Bran explica e o Anão assente o esperando continuar.
— Não podemos permitir que o que aconteceu aqui se repita, meu povo tem medo Tyrion, medo é um sentimento muito ruim, mesmo sabendo que a rainha dragão está morta eles temem um novo ataque, o dragão está por ai e por algum motivo que eu não entendo o porquê, não consigo encontra-lo. – Bran explica parecendo frustrado.
— Nós já começamos a tentar replicar os escorpiões, logo poderemos construí-los e colocar uma dúzia em cada portão dessa cidade, isso vai fazer o nosso povo mais confiante talvez. – O anão sugere e Bran pensa um pouco antes de falar.
— Isso seria útil, mas não é isso que eles temem, eles também temem invasores estrangeiros, que alguém do outro lado do mar, se levante contra nós novamente, nossos exércitos tem ótimos guerreiros, no entanto não me parecem suficiente para garantir a segurança do reino, Sor Bron descobriu que uma parte pequena da companhia dourada não atravessou o mar estreito, depois das baixas em Porto Real eles se juntaram com os segundos filhos, com eles ao nosso lado tenho certeza que o povo se sentirá mais seguro, estamos com pouco dinheiro eu sei, mas tenho certeza que um homem inteligente como você será capaz de negociar mais alguns empréstimos com o banco de ferro, além dos mais ofereceremos a esses homens mais do que a sua irmã lhes deu, oferecemos terra, então eles serão um de nós. – Bran explica como se fosse algo simples e casual, embora Tyrion não tenha certeza que esse seja o momento certo para mais empréstimos, ele entende as preocupações do rei, toda noite Tyrion é capaz de ouvir rugidos de dragões em seus sonhos, estar sóbrio tem se tornado cada dia mais difícil.
— Eu vou tentar o meu melhor sua graça. – Tyrion afirma e o rei lhe dá um pequeno sorriso.
— Não esqueça os elefantes. – Bran diz quando a mão do rei se preparava para sair, Tyrion olha chocado para o seu rei.
— Não acredito que isso seja possível meu rei, minha irmã tentou trazê-los e não obteve sucesso. – Tyrion afirma engolindo o nó que se formou em sua garganta, falar de sua irmã sempre o faz lembrar de Jaime.
— Cersei cometeu o erro de querer transportar elefantes adultos, eu estou me referindo a pequenos filhotes de elefantes, quando eles cresceram e nossos exércitos foram legiões, ninguém será capaz de atravessar essas fortalezas novamente. – Bran disse e Tyrion assente.
— Vou fazer o meu melhor para realizar o seu desejo meu rei. – Tyrion diz, após deixar a sala do rei ele questiona, se dar tanto poder de fogo a um homem seria apropriado, afinal ele viu a destruição que muito poder poderia causar, então ele balança a cabeça, Bran não é um homem comum, ele não tem sede de poder ou ambições, tudo que ele quer fazer o seu povo seguro, Tyrion sabe que não havia nada a temer, os dias de reis tiranos haviam acabado.

Além da Muralha
— Você não precisa viver isolado, nós do povo livre não vamos comer você, apesar desse seu rosto bonito que você tem pequeno corvo. – Tormund disse naquele dia quando Jon se juntou a ele para uma caçada. – Jon balançou a cabeça em negativa, ele não tinha nada contra essas pessoas, no entanto o nortenho preferia viver sozinho agora, sozinho com seus fantasmas.
— Eu sei que perder a rainha dragão foi um golpe duro para você pequeno corvo, ela era uma grande mulher, quer dizer, em tamanho ela era menor do que você, ela não era como a minha Brienne, mas ela era grande em várias outras coisas. Você lembra do dia que ela nos salvou, eu quase me caguei quando tive que subir naquele dragão. – Tormund lembra sorrindo com a lembrança, então o moreno para de repente e encara o ruivo como se esse o estivesse atingido com um punhal em seu peito, sim, ele se lembra como ele poderia esquecer, Daenerys havia vindo com seus três dragões salva-los, ela perdeu um filho naquele dia por isso, por causa dele, porque ele teve a ideia daquele plano idiota que no fim não havia resultado em absolutamente nada, Cersei Lannister os traiu, ele nunca tinha pensado sobre como Daenerys se sentiu sobre essa traição, ela sentiu como se o sacrifício do seu filho fosse em vão? Eles nunca deveriam ter confiado nos Lannisters.
— Eu não deveria ter falado nela, você precisa seguir em frente pequeno corvo, quem sabe encontrar um novo corpo para te aquecer a noite, tem algumas garotas beijadas pelo fogo que eu posso te apresentar. – O selvagem sugere, só o pensamento de estar com outras mulheres depois do que aconteceu é o suficiente para Jon sentir como se um animal estivesse mordendo seu estômago, ele não faria isso com ela, mesmo que ele tenha abandonado a patrulha e consequentemente os seus votos, ele jamais tomaria outra mulher em seus braços.
Só havia uma mulher no mundo que Jon Snow desejava ter ao seu lado, essa mulher estava morta agora, quando Jon conheceu Ygritte, ele achou que aquilo era amor, Daenerys mostrou que ele não poderia estar mais errado, ele amou a ruiva sim, no entanto esse sentimento não representava um terço do sentimento que ele desenvolveu por sua rainha.
E mesmo assim você a matou.
Uma voz disse em sua cabeça, não havia um dia em que ele não se culpava, um dia em que se questionasse esse fez a coisa certa. Nem Tyrion Lannister, o homem que o incentivou a cometer tal ato o soube responder, o homem que hoje era mão do rei, enquanto ele havia sido enviado para patrulha, a ironia nisso o fazia quase rir.
— Eu não preciso de mulheres, eu preciso que você me deixe em paz, o Jon Snow que você conheceu morreu com ela em Porto Real, agora eu sou apenas a sombra de um fantasma, condenado a sofrer pelo resto dessa vida miserável me lembrando das escolhas que eu fiz. – Jon diz cheio de amargura, surpreendendo o ruivo, então puxa sua caça e segue pelas árvores sozinho, como todos os dias.
Mais tarde naquele noite Jon agarra o pequeno lençol vermelho, tudo que havia restado dela, então ele chora novamente, porque eu não foi capaz de fazer nada, Jon percebeu como ela se sentia sozinha no Norte, como depois da morte do Sor Jorah ela havia ficado abalada, não importava se eles tinham ganhado a grande guerra, não importava se ela tinha sido aquela a sacrificar tudo, seu povo permaneceu a olhando como uma estranha, como a filha do rei louco, Eles verão você pelo que você é, ele disse a ela uma vez, doce engano, Sansa nem se esforçou para aceita-la, Daenerys só conheceu ingratidão, foi por isso que ela se entregou a dor e a loucura? — Que seja pelo medo então. – Essas: palavras nunca abandonam sua mente, talvez ela estivesse cansada, ela deu tudo a eles e não recebeu nada em troca, Varys quase a matou, talvez Daenerys só estivesse cansada de lutar, todos achavam que ela era seu pai, então porque ser diferente?
Todos os dias ele procura explicações para o massacre que houve em Porto Real, porque não importa o que ela fez, o sentimento de ter feito a escolha errada nunca o abandona, e quanto mais o moreno reflete sobre o que aconteceu, ele percebe que a morte daquelas pessoas, o sangue derramado em Porto Real, não foi consequência da atitude irracional de uma mulher ferida, e sim consequência de uma sequência de erros, traições. Sim, eles haviam empurrado Daenerys no caminho da perdição, seu maior arrependimento é não ter percebido isso antes de ser tarde demais, talvez ela só precisasse de um tempo, talvez se ele tivesse ficado ao seu lado, eles pudessem ter ido embora, vivido mil anos naquela cachoeira como ela sugeriu, apenas os dois juntos, com esse pensamento Jon se deixa levar pela imaginação e adormece, então ele sonha:
Jon abre os olhos, ele está em um corredor de pedras, então ele escuta uma mulher gritando, ele conhece essa voz, então ele corre, ele sabe que precisa encontrá-la.
— Dany. – Ele grita seu nome, mas ela não responde, Jon para há três portas na sua frente, ele abre a primeira na esperança de encontrá-la, então ele é atingindo por milhares de corvos, ele cai no chão, eles estão o atacando ferozmente, Jon pode sentir o sangue escorrendo por sua carne, ele não consegue se levantar, eles são muitos, então uma matilha de lobos selvagens surge, atacando os corvos Nymeria, a loba de Arya está entre eles.
Os gritos de Daenerys estão mais altos agora, apesar de ferido ele se esforça para levantar, ele precisar chegar a ela, se arrastando pelas paredes ele se esforça para abrir a outra porta, o cheiro podre o faz querer vomitar, um cervo e um peixe, mortos no canto da sala, na boca deles há uma espuma verde, mas o que mais chama a sua atenção, é o corpo de um lobo no centro da sala, diferente dos outros animais esse tem um corte em sua garganta.
— O lobo solitário morre. – Uma voz sussurra. Então os gritos de Daenerys ressurgem mais altos agora, Jon deixa a sala com dificuldade, então ele abre a última porta, Daenerys está gritando, as mulheres ao seu redor dizem para ela continuar a empurrar, o coração de Jon acelera quando percebe o que está acontecendo, a visão da sala e das pessoas nela é nublada, porém a imagem de Daenerys é vivida, o cabelo da mulher é uma bagunça completa e o suor escorre pelo seu rosto, meio a dor ela olha pra ele.
— Jon você está mesmo aqui? – Ela pergunta, ele se arrasta para o lado dela.
— Onde mais eu poderia estar? – Ele responde e sua visão está cada vez mais turva, mas ele se sente tão bem, pela primeira vez em meses ele se sente vivo novamente, olhando em seus olhos cor do mar Jon se sente completo.
— Vamos lá Daenerys você está indo muito bem, eu preciso que você empurre agora com toda força. – Uma das mulheres pede, então Jon segura sua mão tentando apoia-la, a platinada respira e empurra exatamente como a mulher pediu, então um choro rompe a sala, Jon sorri sentindo uma emoção encher seu peito.
— É um menino. – Uma voz diz.
— Nosso filho. – Daenerys sussurra antes de desmaiar. – Então Jon sente como se estivesse sendo puxado.
Jon sente algo gelado tocando seu rosto, quando ele abre os olhos, se depara com Ghost lambendo seu rosto, ele afasta o lobo e senta frustrado, o vazio retornando ao seu coração.
— Foi apenas mais sonho garoto. – Ele diz enquanto acaricia o pescoço de seu companheiro, não havia bebê, Daenerys estava morta, não havia nada além de dor pra ele.

Notas finais
E aí o que acharam? Sim o L é filho da Melissandre, surpresos? Acho que sim hehehe é esse sonho do Jon? ...comentem o que acharam, se tiverem dúvidas podem perguntar também... se não for spoliers talvez eu responda rsrs dedos cruzados aqui esperando a opinião de vcs até o próximo bjs