Era frio, frio de março, início de março. A velha casa na floresta, pequena e feita de madeira, acendia a lareira no fim da tarde.

–Está frio aqui... Não dá pra ligar isso logo? – resmungava Atsuki, enrolada no cobertor de pele de urso.

–Me desculpe mas por acaso tenho cara de tocha humana?

A noite caia, e as pequenas brigas amorosas, tais terminavam em beijo, tais terminavam porrada, isso variava de acordo com a situação.

Situação 1:

–Atsuki!

–Oi?

–Posso passar a mão em seu bumbum?

Bem... Não preciso contar como esse tipo de situação terminaria.

Situação 2:

Atsuki está fazendo cappuccino.

–Deixe-me pegar um cereal na prateleira, Atsuki – e Hiro passa seus braços por entre os da garota, e suavemente a abraça.

–Não sabia que seu cabelo cheirava a mel – sussurra nos ouvidos da amiga.

Ambos se beijam.

Conforme os dias se passavam, ambos acordavam mais tarde, dormiam mais tarde, e mais se amavam.

–“(...) e o dono da tabacaria sorriu”.

–Gostei mas... Qual seria o sentido disso tudo?

–Da vida?

–Sim, de tudo.

Hiro se levanta num salto, coloca seu cachecol e a pega pela mão.

–Enfim, vou te mostrar o sentido da vida.

–Mas... Hi-san... Não pretendia fazer isso hoje...

–Não é isso que você está pensando, mas todavia, se quiser entender este sentido da vida na volta, tudo bem – e mais uma situação 1 acontece.

Ambos começam a traçar uma trilha um pouco sinuosa e fechada, porém espaçosa. Não havia nada além de arvores e grandes matagais, exceto pelo final. Dalí a única coisa que podiam ver é que estava nevando, coisa que de casa poderiam ver, mas ao chegar no final da trilha encontraram um vale de montanhas. No vale haviam casas, com suas telhas cobertas de neve, e seus moradores passavam, com seus grandes chapéus, dois deles subindo um pequeno caminho, e o outro com um chapéu engraçado, como uma cabana, ia em direção oposta, segurando uma bengala. O clima noturno do lugar era tão revigorante que não haveria gente que não quisesse sair dali...

–Este é o sentido da vida.

–Uma cidade... Coberta de neve... Como uma obra de Hiroshige?

–Sim, e é aqui que iremos morar, ou melhor, viver para sempre – e ambos caminham para a vila...

Notas finais
Deixo aqui um enigma: Descobrir o local que Hiro descreve, no final da trilha. Já está fácil pela dica que Atsuki deu então...