Hiro - O Herói Renegado

7 Ato 7 - Triângulo Rosa


–Então... Você quer entrar para nossa banda?

–Sim, sim, sou um ótimo baterista!

–Patrick também é um ótimo baterista.

–Eu... Eu... Posso fazer as camisas da banda e... Olhe só, que tal usarmos camisas com triângulos rosa?

–Não... Não somos gays como aqueles caras.

–Mas... Mas...

–Você pode ser nosso roadie, não temos vaga para isso, ainda.

–Tudo bem!

Toda essa conversa vinha de uma das mesas do refeitório da conceituada faculdade de Harvard, em meados dos anos 90. Uma das figuras que ali frequentara foi Rivers Cuomo, membro principal da banda Weezer (e também possui um pé maior que o outro).

–Rivers! Você vai precisar de alguém pra te segurar se tropeçar na perna maior? – Hiro tirava sarro, sempre quando se encontravam.

Hiro estava naquela faculdade apenas por Rivers estudar lá, queria fazer parte de sua banda, de algum jeito, ou viajar para o Japão junto deles. Nada mais que isso. Os dias de rádios grandes e cabelos longos eram os melhores, e todos os fins de semana acompanhava o ensaio de sua banda favorita. Estava realizado.

–“Eu sou burro e ela é lésbica, sério?” – retrucou Rivers, segurando a letra de uma música qualquer.

–E o mais interessante é que no final você descobre ser gay – Hiro como sempre animado.

–Espera que eu cante isso?

–Claro!

E mais dias se passaram quando Hiro decide acordar cedo e andar por campus desconhecidos. Nunca havia ido no campus de intrapessoais. Ficava abismado sempre quando passava pelas salas de psicologia, por sua mãe ter sido psicóloga e nunca ter ido num psicólogo. Entrou na sala, e lá encontra uma garota de cabelos vermelhos, óculos maiores que os próprios olhos e de fato lendo um livro qualquer.

– A vida de um psicólogo é fácil? – começa Hiro.

A garota o olha de relance, não pensava que estava a falar com ela. Ao perceber que era a única pessoa na sala, monta algumas palavras em sua cabeça.

– B-bom... Não sei e-eu ainda estou no primeiro ano e tudo o mais...

–Ah, que coisa – ele se aproxima – qual seria seu nome, garota que cursa o curso de psicologia?

–A... Alice, e o seu?

–J...Jeff.

A garota se espanta quando ele fala seu “nome”.

–Sério que falou que seu nome era Jeff pra ela?

Era sexta de noite, e Rivers e seus amigos estavam indo para alguma festa (de fato).

–Sim... Parece que ela se espantou com o nome, aliás, ela está indo para a festa, ok?

–Ah, então você arrumou mais uma ajudante para carregar nossas coisas?

Ao chegarem, uma típica festa americana de quando os pais estão de férias, com copos de plástico vermelho e músicas aleatórias.

–Hiro, ajuda o Patrick a tirar a bateria, depois leve os amplificadores e as guitarras.

–Entendido Mr. Cuomo.

Indo de um lado para o outro, não teve como reparar na garota de cabelos vermelhos e óculos grandes sentada, sozinha, na varanda da casa. Ele a olhava, ela olhava ele, ele ia e voltava, dizia “oi” na ida, ela dizia “oi na volta, e assim conversavam. No fim, Hiro se senta ao lado dela.

–Alice! Quanto tempo – não havia se passado nem um dia.

–S-sim Jeff-kun.

–Você já ouviu Weezer? Bem, vai adorar se ainda não ouviu, eles vão lançar um novo álbum e eu ainda estou ajudando eles a compor. Nada demais mas já fiz três músicas.

–Gosto muito d-de músicas alternativas.

–Vai adorar eles e... Por que você é tão envergonhada? Eu não mordo, exceto se você quiser que eu te morda – ele pega seus braços e finge que a morde, ela sorri.

Após uma noite cheia de brincadeiras, muita música, bebidas (refrigerante, lógico) piadas não britânicas, Rivers anuncia no palco:

–Essa é a nossa nova música, se chama “No one else”.

–Alice.

–Oi Jeff, o que há com você?

–E-eu... Eu posso te beijar?

–M-mas por que aqui e a-agora? –ela estava mais nervosa do que quando normalmente se falavam.

–Essa música... Você... Eu... Rivers...

Não foi necessário mais que isso para que suas bocas se juntassem, se seus rostos já se tocavam. Até o fim da noite suas mãos ficaram juntas, e viram as estrelas, do telhado da casa. Tudo estava perfeito para ele, fazia “parte” de sua banda favorita, tinha uma “namorada” e estava numa das universidades mais conceituadas do mundo com apenas 14 anos. Até que certo dia.

–Vamos gravar esta sua música, mas ao invés de se chamar “Aventuras lésbicas” vai se chamar “Triangulo Rosa”. Nos encontre às quatro da tarde no estúdio para gravar. Não se atrasa!

Foi correndo avisar Alice. Pulava, saltitava, até que a viu de malas feitas em frente de seu dormitório, um carro e de mãos dadas a uma garota.

–J-Jeff... Me desculpe... – ela entra no carro.

–A-A-A-Alice?! – e lá se vai o carro...

Cabisbaixo, cai ali mesmo de cansaço mental.

–Sério? Então o que você escreve dá certo? – Rivers estava surpreso.

–Acho que sim... Não tenho mais rumo, mas foi bom conhecer vocês.

–Como assim cara, é apenas uma garota!

–Eu sei, mas... É a vida, tenho de ir agora.

–Para onde você vai?

–Japão, vou cortar meu cabelo e virar um monge.

– Bem, sempre que precisar de algo, sabe que pode vir pra cá, e obrigado por toda a ajuda.

–Certo... Adeus, Rivers.

–Adeus, Hiro.

E Hiro foi para o Japão, mas sem Weezer...

(Voltando para o presente)

–Ei, General sexy! Não vou deixar mais nenhuma garota roubar uma garota que amo! Atsuki e eu vamos nos casar, e ninguém vai me impedir!

–Não fale bobagens, baka! Agora vamos, querida, temos um casamento para planejar.

Atsuki o fita, e dali sussurra algo como “me desculpe”, e entra no zepelim, com lagrimas no rosto.

E ali estava Hiro, novamente sem Weezer.