Hiro - O Herói Renegado
8 Ato 8 - Hiro e o zepelim
Lá no alto o zepelim subia, por entre as nuvens frias, para o desconhecido. Hiro, ainda no chão, deita e fita as estrelas, que há tanto tempo não o fazia.
–Há quanto tempo... – seu braço se esticava, tentando inutilmente alcançar as estrelas, dali do chão.
–Você perdeu alguém de grande importância, Hiro-san?
Era o Yukio, o senhor que limpava a neve da casa das pessoas.
–Sim Yukio-san, e se foi...
–Oras, por que não vai atrás dela, então?
–Olhe Yukio-san, ela está longe, o zepelim não deve nem mesmo estar aqui.
–Então voe.
Voar? Como voar? Estava ai uma questão que...
–Use meu balão – Yukio ia saindo da casa (ou do que restou dela) – vamos?
Hiro o acompanha, passando pela vila, subindo até um lugar que aparentemente não sabia que existia. Ao chegar lá se depara com um balão, não muito grande, exceto por estar prendido a uma...
–Bicicleta?!
–Sim, esse é meu balão, movido a força manual.
–Tudo bem, como eu piloto isso?
–Muito fácil, primeiro suba nele.
Ele o faz, com um pouco de medo.
–E agora?
–Pedale, pedale muito.
Hiro começa, um tanto lento.
–Vamos! Mais rápido!
Ele gradua suas pedalas, tentando não parar.
–Ah é, esqueci de tirar o freio – Yukio retira do pneu traseiro uma pequena tarraxa que o prendia no chão.
Desprezando toda a física, o balão simplesmente se submete a uma velocidade que o faz desaparecer dali num instante.
–Yuuuuukio, seu!
–Boa viagem, Hiro-san!
E lá estava ele, voando tão rapidamente que mal podia ver ao seu redor. Não sabia por onde ia, simplesmente seguiu o caminho por onde o suposto zepelim havia desaparecido. Quando conseguiu se estabelecer no ar, subiu desceu um pouco e lá estava ele, o gigante zepelim, e uma grande armada de aviões que o seguiam. Aos poucos foi descendo e logo estava atrás de um dos aviões que o seguiam. Eram aviões pequenos, monomotores, não levavam mais de duas pessoas.
–Você ai, no balão, o que faz por aqui?! – grita um dos pilotos do avião mais próximo.
–Eu? Bem, vim buscar minha namorada, e vocês?
–Você vai morrer
Hiro continua pedalando, e logo o piloto começa a atirar nele.
–Droga, não vou conseguir derrubar o avião desse jeito, exceto se...
O balão cai, e a bicicleta parece abandonada.
–Haha, Esse maldito teve o que mereceu! Agora vamos continuar a retaguarda, no fim beberemos um whiskey do bom, está me escutando?
Não havia ninguém atrás, o piloto olha para baixo e vê seu copiloto caindo.
–O quê?
–Aqui é seu comandante Hiro, um aviso: Você terá muita turbulência soldado! – então corre para a asa direita, fazendo peso, logo o avião virando. Hiro se segura na asa, pula para a cabine e toma o controle.
–Vamos mudar o nome desse avião para “Free Fighters”.
Outros dois aviões, percebendo a ausência de seu comandante, desaceleram, indo para trás do “Free Fighter”. Os aviões de trás começam a abrir fogo, mas Hiro faz um looping e se estabiliza atrás deles.
–Tudo bem, vocês podem pular agora mesmo.
–Nunca!
Os aviões inimigos fazem um looping também.
–Renda-se, agora!
–Vamos ao paradoxo!
Hiro faz outro looping, seguido do looping inimigo, e consecutivamente vários e vários loopings. Ao ver que seus inimigos estavam fazendo loopings e loopings, saiu do meio de tudo isso e continuou seguindo para o zepelim. Ouve-se uma explosão atrás, mas ele a ignora. Chegando perto do zepelim, não sabia onde deixar “Free Fighter”, então o estabiliza embaixo da central de comando, e dali pula para um duto de ar. Lá se vai “Free Fighter”...
Estava perdido no meio de tanto ar corrente, sobe, vira para direita, esquerda, e finalmente...
–Ufa onde eu...
Lá se depara com um arsenal, um tanto grande, e logo avista um general, um tanto novo, de cabelos negros, sua estrutura física era magra, mas tinha uma postura rígida.
–Oi, então, você sabe onde está minha namorada? Atsuki? Ela é meio magra, dessa altura, cabelos pretos, usa um cachecol e um batom?
–Me desculpe senhor, você está na seção de testes.
–Tudo bem, mas você sabe onde posso encontra-la?
–Desculpe-me, você tem que passar por mim, não me reconhece?
–Não, deveria?
–Ettan Brock.
–Ainda não conheço.
–Talvez isso deixe bem claro.
Por algum motivo, o jovem se despe, ficando apenas com as calças. Esfrega uma mão a outra, até que faíscas começam a sair dali. As faíscas aumentam, e aumentam, até que seu braço, frenético, começa a pegar fogo também, logo todo seu corpo, exceto as pernas.
–E agora?
–Ainda não conheço.
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