- Olá, meu nome é Fernando, eu tenho 25 anos e decidi que não iria mais viver de forma "normal". Eu venho de uma família rica aparentemente normal e de bons costumes. O canalha do meu pai é um empresário, um dos mais conhecidos no Brasil. Minha mãe, coitada, é uma dona de casa que a vida inteira viveu a dispor do marido e dos filhos. Meus irmãos são os mais problemáticos possíveis. Acho que com uma família dessa fica quase impossível se tornar uma pessoa “normal”. Bom, mas pra vocês não ficarem perdidos nessa história sem saber o motivo deu estar dizendo essas coisas, vou começar a contar a história desde o início. Meu pai se chama Alberto, ele é mais um desses homens que fingem querer construir uma família bem sucedida, feliz e de bons costumes. Ele sempre foi uma pessoa focada, ambiciosa e rude. Diz ter vindo de uma família pobre e ter passado por muitas coisas quando era pequeno. Coisas que geraram fortes traumas em sua vida. Ele sempre procurou uma "mulher perfeita". Aquele tipo de mulher que a sociedade idealiza como mulher perfeita, sabe? Uma mulher submissa, amorosa, agradável, zelosa e todas as outras “qualidades” que vocês já devem saber quais são. Coitado, os anos se passaram, o mundo mudou, mas sua mente não. Sua família sempre prezou muito os valores evangélicos, ditos como "valores éticos não só da igreja, mas que fazem parte da história". Todos os domingos iam à igreja. Sim, eles eram aquela família maldita que tem como rotina todo domingo de manhã irem fingir que são felizes e obedientes a Deus. Sua vida se resumia a casa, escola, trabalho e igreja. Foi durante esses encontros que as igrejas fazem que ele conheceu uma doce menina de cabelo preso, saia longa, sapatilha, com o rosto puro e sem nenhum retoque, sem nenhum método artificial como maquiagem, plásticas, etc. prontos para esconder defeitos em seu rosto, afinal, ele não tinha. O nome da garota era Isabel. Ele sempre disse que quando bateu o olho nessa menina, ele sentiu que ela seria a mulher perfeita por quem ele tanto procurara. Vocês querem saber o que aconteceu entre os dois? Eu respondo pra vocês: — Ele foi à casa dos pais dela, pediu a mão dela, namoraram, casaram, tiveram 6 filhos e um deles está aqui, falando sobre o lado que vocês ainda não viram nisso tudo. O lado trágico, hipócrita e repugnante de toda típica "família do porta retrato".