Hipnotizados
26 Inimigos em ação
Peter nunca havia se sentido tão bem, mesmo após a grande carga de dor e sofrimento que havia passado há poucos minutos. Seu corpo estava mais leve e sentia como se houvesse destrancado algo em seu corpo que liberou alguma espécie de substância em cada célula, deixando-o incrivelmente ágil e feliz.
Agarrou uma das mãos de Lana e correu com ela pelo galpão, tomando cuidado para não ser visto por David. E por falar nisso, Peter estranhou a ausência do homem. Por onde ele estaria? Mas essa era a menor de suas preocupações. Tudo o que precisava agora era de uma maneira de fugir daquele lugar.
[Flashback off]
Anúbis pediu para que Margot e Matt procurassem Peter, ele poderia estar apenas esfriando a cabeça por aí.
Aproveitando que os amigos estavam distraídos, ele não pensou duas vezes antes de ir imediatamente para o local combinado por Dave pelo bilhete. Não queria que os outros fossem obrigados a se meterem em um assunto pessoal. Sentia-se o responsável por tudo o que estava acontecendo e assumiria sua culpa, acabando de uma vez com tudo o que havia começado.
Não se importou em vestir roupas discretas ou esconder seu rosto. Tudo o que queria era chegar o mais rápido possível ao seu destino, ignorando tudo e todos ao redor. Iria resolver a situação com os próprios punhos.
Chegando ao galpão abandonado, não precisou de muitos esforços para encontrar quem procurava. Parecia, na verdade, que o velho já estava esperando por ele. Por algum tempo, os dois ficaram apenas se encarando, relembrando tudo o que aconteceu.
—O bom filho a casa torna. –Sorriu Dave.
—Cala a boca. –Apesar do reencontro, Charlie não queria enrolação. –Onde eles estão?
—Que maneiras são essas? Não quer nem ao menos se sentar para conversarmos um pouco?
—O que eu gostaria mesmo era de terminar de queimar essa sua cara. Ninguém te ensinou que não se pode brincar com fogo?
Dave Schade tornou-se obscuro. Anúbis havia tocado em seu ponto fraco, deixando-o furioso.
—Aqueles incêndios foram apenas um desvio dos meus planos. Não irá acontecer novamente.
—Deve ter sido um choque para você quando o primeiro casal fugiu. Sua experiência já estava destinada a queimar desde o primeiro momento. Se eu fosse você trocaria todas as caixas elétricas por novas e...
—Não. –Interrompeu-o. Seu olhar estava distante. –Não foi isso o que aconteceu... Foi algo... Inexplicável.
Anúbis parou. Tentava compreender a frase, mas não conseguia. David estava escondendo algo muito sério e logo voltou ao seu normal, notando que já havia falado demais.
Enquanto David tentava mudar de assunto, algo chamou a atenção de Max: Peter e Lana estavam escondidos, alguns passos atrás de Schade. Peter esperava o momento certo para atacar, esperando que Max lhe desse um sinal.
Dave voltou a falar e Anúbis estava pronto para dar o sinal ao rapaz, para que os dois atacassem juntos, quando ouviu um barulho familiar. Sirenes indicavam que a polícia estava chegando.
Antes que pudessem fazer algo, os quatro viram-se cercados por vários carros, impossibilitando uma fuga. Havia mais oficiais do que eles poderiam contar. Peter acatou a possibilidade de correr com a garota para dentro do galpão, mas os policiais apontaram suas armas, alegando que não seria uma boa ideia.
Anúbis não sabia o que sentir. Raiva, indignação. Oportunidade perdida; Não havia mais nada o que fazer. Quando um dos policiais colocou Charlie dentro de seu carro, não se importou em dizer:
—Você cometeu um erro, Maxfield. Chacais são deveriam sair à luz do sol.
☼ ☼ ☼
Charlie, Dave, Peter e Lana foram levados à delegacia mais próxima. Hector foi chamado para controlar a situação de seu cliente e foi acompanhado de Margot, extremamente brava por Max abandoná-la mais cedo, e Matt, que havia escondido suas pistolas em uma lata de lixo para busca-las depois sem levantar suspeitas.
Quando todos estavam reunidos e algemados, os policiais chefes reuniram-se para decidir que fim cada um levaria. Decidiram liberar Lana, afinal ela era menor de idade e causaria apenas mais trabalho para a equipe, que precisava voltar toda a atenção para os três assassinos presentes naquela sala. Peter pediu para que a garota fosse embora, mas ela preferiu esperar.
Um novo policial entrou na sala, avisando que Peter seria encaminhado para o prédio ao lado, pois haviam recebido instruções para isso, confirmadas pelo chefe.
—Para onde estão me levando?
—Você tem o direito de permanecer quieto, rapaz. A garota vem também.
—O que?! –Peter tentou livrar-se do oficial, mas ele apenas apertou ainda mais seu braço, conduzindo-o para fora, enquanto outro caminhava ao lado de Lana.
—Quanto a você, meu velho. –Um deles dirigiu-se a Dave. –Acho que não temos dúvidas, não é? Sua pena será aumentada.
David não respondeu.
—Chacal, seu advogado foi convocado. Embora eu não acredite que ele consiga suavizar sua situação... Levem-no daqui até que o advogado chegue.
Anúbis e Schade foram levados para pequenas celas diferentes, separados o máximo possível para evitar conflitos.
—Só uma pergunta. –Intrometeu-se Charlie. –O que há no prédio ao lado?
—Isso, meu amigo, são informações sigilosas.
☼ ☼ ☼
Peter e Lana foram deixados em uma sala qualquer, porém sem janelas, do prédio. Embora o local fosse completamente novo e desconhecido para o garoto, ele reconhecia muito bem aquele estilo de decoração. Tentou fugir, mas a porta estava trancada.
Não demorou muito até que surgisse figura familiar, que iniciou a conversa:
—Peter Landon Chevalier. Você tem noção de quanto eu te procurei? Quanto tempo e dinheiro foram gastos mandando pessoas atrás de você? Mas isso não importa. O que importa, é que agora você está aqui, bem na minha frente. –Sorriu.
—O que você quer?
—O que eu quero, garotinho, é que você pague por tudo o que seus ancestrais fizeram. E não digo apenas por mim; Oh não, não estou sendo egoísta. Digo por todos aqueles que sofreram nas mãos daquelas malditas bruxas por todos esses séculos. Se tiver dúvida, pergunte para todos aqueles que se juntaram à nossa instituição.
—Escute, eu sei que muitas bruxas podem ter cometido atos horríveis no passado, mas tudo está diferente agora. –Peter sentiu uma forte emoção ao lembrar-se de sua mãe. –Eu prometo deixa-lo em paz, podemos esquecer essa intriga e...
Jorah riu, coçando sua barba embranquecida pelo tempo.
—Sua linhagem é amaldiçoada, Landon! –Agora estava furioso, falando muito próximo ao garoto. –Uma família inteira constituída por bruxas. Um sobrenome que carrega o pacto com o diabo em si! Não sei como você, um menino, conseguiu nascer. Quase não existiram bruxos homens na história, tanto é que nem sequer aparecem nos registros. Mas... –Desviou o olhar, como se estivesse relembrando informações guardadas em sua cabeça. –Sua raridade é o que os tornam tão poderosos. Você é um perigo para este país, Peter Landon! E eu não vou deixa-lo livre. Iremos fazê-lo pagar por todo o mal que seus parentes nos causaram.
O garoto queria ataca-lo imediatamente, mesmo que fosse apenas com os dentes. Entretanto, era possível notar a presença de guardas do lado de fora da sala, de modo que essa não fosse a melhor opção para o momento. Precisava de uma estratégia se para que seu plano realmente funcionasse.
—Eu não conhecia esta garota. –Continuou. –Também é da linhagem dos Landon? Bem, não importa, iremos descobrir logo. Ela também será estudada e observada.
Lana sempre soube que Peter carregava algo sobrenatural consigo, mas não imaginava que por trás de tudo isso havia uma linhagem de bruxos e bruxas tão antiga. Ao invés de amedrontar-se, ela sentiu admiração.
—Fique longe dela! –Gritou o bruxo.
—Mas, continuando: Tem recebido notícias de seu avô, Peter?
O garoto congelou. Não havia recebido sequer uma informação sobre Isaac, embora sempre desejasse que nada de ruim houvesse acontecido com ele. Contudo, não queria mais chorar, nem entristecer-se. Não mais. Tudo o que possuía agora era ódio e o usaria a seu favor.
—Sonhei com o dia em que poderia descrever todos os mínimos detalhes para você. O traidor pagou todos os seus pecados com a corda em seu pescoço, assim como o filho dele. Mas, não se preocupe, o seu fim será muito pior...
—Não fale nunca mais do meu avô! –Não conseguiu se conter e avançou na direção de Jorah.
Dois guardas, que esperavam a conversa terminar, entraram imediatamente, agarrando Peter pelos braços, o que era uma tarefa difícil, já que ele não parava de se mexer. Um dos homens segurou Lana, com medo que ela também pudesse atacar.
—Levem a garota para um dos quartos, irei interroga-la mais tarde.
—E quanto a ele?
O velho parou. Algo mexeu com seu ser intrínseco, como uma lembrança. Falou um pouco mais alto do que um sussurro:
—Levem-no para baixo. Quero descobrir quais poderes ele tem, mais tarde.
—O senhor quer dizer naquela sala, lá embaixo?
Peter compreendeu que aquela sala tinha um grande significado ou guardava algo muito importante para eles, que Jorah desejava manter às sete chaves.
—Você sabe muito bem qual sala, idiota! –Estava quase chegando ao ponto de explodir. –Não faça eu me lembrar de coisas desnecessárias.
Sem mais uma palavra sequer, os guardas foram cumprir as ordens recebidas.
☼ ☼ ☼
O bruxo foi arrastado para o piso inferior, até chegar à sala mais distante possível, mantida muito bem fechada e protegida.
Lá dentro, foi forçado a sentar-se no chão e seus braços foram amarrados severamente em novas algemas, fixadas em correntes prendidas na parede. Após verificarem que o garoto estava devidamente preso, o abandonaram naquela espécie de masmorra contemporânea.
O local era escuro e maltratado, não recebia a limpeza devida e definitivamente não era um lugar confortável de se ficar. Principalmente para claustrofóbicos.
Enquanto o rapaz tentava manter a calma, ofegante por ter tentando lutar no percurso até ali, e analisar o espaço a sua volta, foi surpreendido por uma espécie de barulho que o deixou alerta. Sentiu como se algo houvesse se mexido e começou a prestar mais atenção ao seu lado, onde havia correntes fixadas na parede iguais as que prendiam suas algemas.
Não estava sozinho.
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