Hipnotizados
27 O ataque dos chacais
Peter estava com medo. Reconhecia que ao seu lado havia uma pessoa, mas não fazia a mínima ideia de quem se tratava. Não sabia se era alguém perigoso e/ou psicótico. Continuou apenas observando, até que não conseguiu evitar o susto quando o estranho começou a conversar.
—Enfim uma companhia. –Disse ele, ajeitando-se em uma posição mais confortável. –Você não faz ideia de quanto tempo não tenho ninguém para conversar.
Sua voz estava rouca e gasta pelo tempo, mas parecia ser um homem simpático, que sorriu. Apesar da pouca claridade, o bruxo conseguiu visualizar que ele estava sujo e descuidado. Seus cabelos, compridos e maltratados, estavam escuros de sujeita e não parecia ter mais do que 25 anos. Sua pele estava pálida pela falta de sol e nutrientes devido a pouca alimentação. Suas roupas eram velhas e rasgadas. A barba comprida parecia familiar a Peter.
—Prazer, me chamo Noah. Eu te cumprimentaria, mas... Bem, não estamos nas melhores condições para isso neste momento.
Peter não respondeu, apenas analisava. Apesar de jovem, ele conversava como se fosse alguém mais velho.
—Pode conversar comigo. –Esforçou-se para rir. –Eu não mordo.
—Meu nome é Peter. –Ainda acanhado.
—Fico feliz por conhecê-lo, Peter. Embora eu preferisse recebe-lo em qualquer outro lugar, tirando este.
Os dois conversavam aos poucos. Não havia muitas opções de entretenimento naquele local. Apesar de não conhece-lo e desconfiar de cada palavra, Peter pensou que o homem tratava-se de uma boa pessoa. E o fato de ele estar preso no subsolo de uma das bases da AMCB, já o fazia ganhar pontos com o garoto.
—Por que você está aqui? Não me diga que também é...
—Sim. Um bruxo.
Isso era possível? O rapaz nunca havia pensado na hipótese de encontrar bruxas, quanto mais um bruxo. Queria saber de cada detalhe da vida do novo conhecido.
—Como Jorah te achou?
Noah sorriu, encarando o chão. Como se estivesse lembrando-se de toda a catástrofe de sua vida.
—Jorah é meu irmão. –Falou com uma naturalidade incrível. -Mais novo, inclusive.
Não podia ser verdade. Peter não conseguia acreditar. Agora, contudo, compreendeu o porquê de a barba ser tão familiar.
—Mas você parece ser apenas um pouco mais velho do que eu. São pelo menos 40 anos de diferença entre você e Jorah.
—Complicado, não é mesmo? Pouco antes de vir para cá, realizei um feitiço que acabou influenciando em minha idade. Vou continuar com essa aparência por umas boas décadas. E na verdade, não somos irmãos de sangue. Fui abandonado pela minha mãe quando era muito pequeno, pois ela estava sendo caçada. A família de Noah me adotou.
—Eu não entendo... Se vocês são irmãos, por que ele tem tanto ódio das bruxas desse jeito? Deveria ser ao contrário.
—Nossa relação foi complicada. Sempre me orgulhei de ser quem era, praticando livremente feitiços nem me preocupar com nada. As pessoas obviamente não gostam disso e começaram a nos acusar de bruxaria. Fomos perseguidos. Jorah sofreu sem necessidade alguma, pois toda a culpa era minha. Infelizmente, já era tarde demais. Não havia como provar que apenas eu era o bruxo da família e nossos pais acabaram morrendo tentando nos proteger.
Peter escutava tudo atentamente, sem perder um detalhe sequer.
—Nos afastamos cada vez mais e Jorah conheceu algumas pessoas que haviam perdido parentes e conhecidos graças a bruxas, ou pelo menos por pessoas que eles classificavam como bruxas. Mais tarde ele, com o apoio desses grupos, ressuscitou a AMCB, uma instituição que já teve grande força no passado, mas enfraqueceu com os anos. –Noah exibiu seu sorriso de consolação novamente, lembrando-se dos acontecimentos seguintes. –Apesar de todo o ódio que carregava, ele não conseguiu me matar por, de certo modo, ser meu irmão. Porém, me prendeu neste lugar horrível onde eu imaginei que iria passar o próximo século sozinho. –Ficou sério e falou para si próprio. –Como se eu já não tivesse sofrido o bastante...
—Posso imaginar. Ser odiado por todos logo na infância deve ter sido uma experiência terrível.
—Não foi apenas isso.
O garoto se interessou:
—Está tudo bem, pode me contar.
Com o silêncio que se seguiu para que o mais velho prosseguisse com sua história, ele respirou fundo e continuou.
—Quando eu e Jorah nos separamos, cada um foi para um lugar diferente. Enquanto eu estava sozinho um louco apareceu, me chamando de filho. Ele sequestrou uma garota também e fez coisas horríveis. Isso foi um pouco depois da época em que descobri os meus poderes. A garota que estava comigo não resistiu aos danos mentais e acabou se suicidando logo depois de voltar para casa.
Peter achou essa história muito familiar. Então ele estava de fato conversando com uma das vítimas do primeiro caso de Dave.
—David Schade, não? Ele torturou outro casal há alguns anos atrás. E iria ocorrer novamente, mas, por sorte, deu errado. Eu iria fazer parte dessa nova geração.
—Está brincando? Uau, eu pensei que ele estava apodrecendo na cadeia. –Encostou sua cabeça na parede. –Mas acho que quem está apodrecendo sou eu... Sabe, eu não penso em me vingar dele ou de meu irmão. Eu apenas gostaria de sair deste lugar.
—Mas... Como você conseguiu escapar daquele homem?
—Bem, — Sorriu. –Pelo menos uma lembrança boa eu tenho. Deixei o lugar em chamas.
—Por isso ele tem marcas de queimadura e seu corpo. –Peter sorria também. Imaginar Schade desesperado em meio ao fogo o fazia se sentir um pouco melhor. –Ele deveria ser muito estúpido para deixa-lo em um lugar em que era possível iniciar um incêndio.
—Oh, isso não foi por culpa dele.
O rapaz não entendeu, de modo que o outro precisou continuar.
—Este é o meu poder, Peter. Eu consigo criar e manipular fogo. Mostraria para você, mas isso é impossível agora. –As algemas de Noah eram especiais. Cobriam toda a sua mão.
—O que?! Isso é incrível! Eu adoraria ter assistido a cena de David ganhando sua cicatriz.
Noah riu e os dois continuaram conversando sobre as histórias individuais de cada um. O tempo passava incrivelmente mais rápido dessa maneira.
☼ ☼ ☼
Alguns dias se passaram quando Matt resolveu ir ao prédio da Associação Mundial Contra as Bruxas. Pediu encarecidamente para que lhe dessem notícias sobre Peter, mas era proibido e ele deveria sair do local imediatamente.
Sem sucesso, foi encontrar-se com Margot, contando-lhe que era impossível.
—Isso não pode ficar assim! –Ela estava completamente irritada. Seu cabelo estava naturalmente liso, porém, não abria mão de sua maquiagem escura. –Temos que ajuda-lo. Pelo o que Charlie disse, aquele garoto está em perigo nas mãos de um pessoal estranho do manicômio. Não podemos deixar que ele acabe assim.
—Nós não podemos simplesmente entrar lá e trazer o garoto de volta. Aqueles caras são poderosos! Já temos dois dos nossos atrás das grades, se nós também formos presos está tudo acabado.
—Precisamos falar com Maxxie, ele saberá o que fazer. Mas...
—O que foi?
—Não acha estranho que ele ainda não tenha dado um jeito de fugir da cadeia? Quer dizer, eu sei que faz pouco tempo e que é preciso ser cuidadoso, mas pela situação em que estamos ele não iria esperar muito. Principalmente agora que está tão perto de sua vingança contra Dave.
—Vamos visita-lo, Hector também precisa estar lá hoje.
Margot concordou com um sinal de cabeça. Matt continuou:
— Se for o caso, até o ajudaremos a fugir.
☼ ☼ ☼
Chegando à prisão, Matt e Margot foram surpreendidos com a notícia de que Anúbis estava ocupado no momento e não poderiam visita-lo. Ao questionarem o motivo, foram informados de que ele estava em uma de suas sessões de terapia obrigatórias.
—Não me diga que... –Margot sussurrou para Matt.
—Sim. Amelie.
A expressão da mulher tornou-se obscura imediatamente. Max já havia lhe contado sobre Amelie, e Margot detestava a loira com todas as suas forças.
—Eu odeio essa mulher!
—Eu sei disso... –Matt já havia perdido as contas de quantas vezes já ouvira essa mesma frase. –Veja se consegue fazer alguma coisa. Hector deve estar por aqui, vou dar um jeito de encontra-lo e quem sabe, com a ajuda dele, podemos tirar Max daqui.
☼ ☼ ☼
Enquanto Matt procurava discretamente por Hector, Margot esperou até que a sessão de Max terminasse. Após um bom tempo, pediu permissão para que pudesse falar com Anúbis, que dessa vez lhe foi concedida. O policial explicou que não planejava liberar visitas, mas após as sessões de terapia os criminosos apresentavam um comportamento muito mais adequado, então decidiu abrir uma exceção.
—Maxxie, oi! –Margot, embora animada, falava o mais baixo possível, para que o guarda não ouvisse sobre o que conversavam. –Precisamos sair daqui!
Anúbis não respondeu. Ele nem sequer havia olhado para Margot.
—Maxxie. Maxxie!
Dessa vez, ele finalmente encarou os olhos da morena, mas estava sem expressão. Era como se Max estivesse sonâmbulo, mas sem fechar os olhos.
—Oh não... Não me diga que você esteve assim durante todos esses dias.
Nenhuma reposta. Nenhum movimento. Nada.
—Maxxie o que está acontecendo? Não consigo ver você desse jeito. Preciso que nos ajude a encontrar o Peter. Sabe-se lá pelo que ele está passando nesse exato momento. Você mesmo disse que aquelas pessoas atrás dele eram sinistras!
O máximo que Charlie conseguia fazer era observar Margot. Ela não sabia se ele estava prestando atenção em suas palavras, entretanto, precisava insistir.
—Você não pode ficar aqui. Peter, Matt, Hector, eu... Estamos todos te esperando! Até mesmo Dave Schade. Sua maior ambição na vida não era vingar-se? Pois lá está ele, preso, apenas esperando que você resolva sair dessa jaula e tomar uma atitude. –A morena enraivecia cada vez mais. –Ou será que você se esqueceu de tudo pelo que já passou?
Sem perder o fôlego, ela fez questão de contar detalhadamente o que Anúbis lhe dissera sobre seu passado. Ele moveu os olhos para baixo, com a vaga lembrança de tudo o que ocorrera. Com o tempo e as palavras de Margot, toda a raiva e ódio que haviam desaparecido do nada, voltaram aos poucos. Num estalo, como se tivesse saído de um transe, o chacal voltou ao corpo de Charlie Maxfield.
—Margot.
Ao ouvir seu nome, ela finalmente calou-se. Ele continuou:
—Eu vou dar um jeito de sair daqui, confie em mim.
—O que você...
—Eu... –Ele ainda estava sonolento. Não queria admitir o que aconteceu, mas viu que precisava contar a verdade. –Eu passei por uma sessão de hipnose. Isso tem ocorrido todos os dias. Terei uma nova sessão daqui a pouco.
Amelie estava começando a tomar atitudes mais radicais em suas sessões de terapia. Queria “curar” seus pacientes a qualquer custo, mesmo que isso significasse criar pessoas completamente alienadas e sem alma, assim como ela mesma.
Nos mesmo instante, a mulher enfureceu-se novamente. Viver um romance durante tanto tempo com Charlie, era uma coisa. Mas tentar retirar forçadamente toda a sua personalidade, que ele construíra por anos? Isso já era demais.
—Aquela... –Pensou por uns instantes antes de continuar. Decidiu mudar de assunto. –Eu posso te ajudar a fugir. Vou dar um jeito na terapeuta e se precisar de mais ajuda depois, eu encontro uma maneira de voltar para cá.
—Tem certeza que consegue fazer isso sozinha?
—Sim, pode contar comigo. –Sorriu, pensando no que poderia fazer.
Max concordou com a ideia e combinou que eles se encontrariam novamente depois. Infelizmente, ele não havia percebido que suas ideias eram completamente diferentes.
☼ ☼ ☼
Margot, ao invés de ir embora, direcionou-se ao consultório de Amelie, onde, discretamente, trancou a porta após entrar. Amelie estava mexendo com uma papelada e apenas depois notou a presença da morena parada em frente a sua porta.
—... Olá. Quem é você? –Levantou-se e se aproximou da visita repentina.
—Que irônico. –Riu. –Já ouvi tanto de você, mas você não ouviu sobre mim nem uma vez. Aliás, bela mobília. –Uma das maiores características de Margot era observar tudo ao seu redor. –Eu gosto da sua luminária.
—Desculpe, nos conhecemos?
—Eu poderia me apresentar e conversar com você por horas. Quem sabe uma consulta, han? –Sentou-se na poltrona que a doutora utilizava para conversar com seus pacientes. –Mas não tenho tempo para isso. E cá entre nós, nem é meu objetivo.
—Não estou entendendo... O que você veio fazer aqui?
—Entenda isso como um acerto de contas, querida. Nada pessoal. –Analisou por um breve momento e logo se corrigiu. –Não... É bem pessoal, na verdade.
—Tudo bem, vamos nos entender antes de tudo. Como me conhece?
—Você, docinho, causou muito sofrimento para o nosso querido Maxxie. E agora finge que não sabe de nada, mas a verdade é que está acabando com ele! Hipnose? Céus! Como uma pessoa é capaz de fazer isso a alguém em pleno século XXI? Você acha mesmo que consegue “curá-lo”? É você quem precisa de cura!
—Escute, eu não sei quais são suas intenções, mas se não retirar-se imediatamente, irei chamar os guardas. –Estava quase correndo para sua mesa novamente, onde poderia acionar o alarme com o simples toque em um botão escondido.
—Escute você! –Margot a empurrou contra a parede, segurando seus braços com uma mão e quase a sufocando com a outra, tapando sua boca. –Já ficou em nosso caminho por tempo demais. Não se atreva a chegar perto do meu Maxxie, entendeu? –Sorriu confiante – Se bem que, você nunca conseguirá fazer isso novamente.
Com um movimento brusco, ela derrubou a doutora no chão, ficando por cima. Agarrou a luminária de sua mesa, arrancando-a da tomada. Ainda pressionando a boca de Amelie para que a mesma não gritasse, utilizou a outra mão para acertá-la com o objeto várias vezes seguidas, sem interrupção, até que ela parasse de lutar e o sangue manchasse sua roupa social.
Margot, ofegante, observou sua obra de arte por alguns instantes e levantou-se, cansada. Tentou limpar o sangue de sua própria roupa, embora ele não saísse tão facilmente. Antes de deixar a sala, olhou novamente para a loira que já não respirava. Margot sentia-se triunfante, como se houvesse acabado de tirar uma pedra do caminho.
—Adeus, docinho.
☼ ☼ ☼
—Hector!
—Não me assuste assim! Além disso, você não deveria estar aqui, fale baixo.
Matt finalmente o encontrou, depois de procurar em várias salas. Hector estava participando de uma reunião com outros advogados, que discutiam a situação dos criminosos naquela prisão e o que poderiam fazer.
—Margot já foi falar com o Anúbis. –Informou Matt. –Precisamos dar um jeito de encontrar o garoto, ele não está em boas mãos. Caso Max tenha dificuldade para sair, preciso que me ajude a encontrar um jeito de tirá-lo daqui.
—Matt, você tem certeza de que tudo isso vale a pena?
Embora já estivesse acostumado com esse tipo de conversa de Hector, Matt odiava a descrença do amigo. Era algum tipo de crise existencial que o atingia de vez em quando. Geralmente após passar algum tempo com os “colegas” da advocacia.
—Veja só a nossa situação. –Continuou Hector. –Já estamos afundados demais na lama e só pioramos cada vez mais.
—Hector. –Falou suavemente, compreensivo. –Você acredita mesmo que o nosso lugar é ao lado dessas pessoas normais? Levando uma vida normal? Cá entre nós, isso é muito chato. Max é único porque ele vive completamente no limite, fora de qualquer padrão. E a nossa missão é deixa-lo continuar assim para sempre. –Sorriu. –O lugar de um chacal é no perigo na noite, encarando suas presas, e não em uma jaula. Vamos viver todos como chacais. Alguns deles andam em grupo, não é mesmo?
—É... –Concordou, após pensar um pouco. Apesar dos pesares, Hector presava o ser humano em si, e não os padrões que exigiam que ele se encaixasse. E se ele e seus amigos mantinham essa linha de pensamento, ele não seria capaz de desviar-se. –É, acho que você tem razão.
Quando estavam preparados para sair, um advogado entrou na sala, adiantando-se para a próxima reunião.
—Ora, se não é o advogado do Sr. Maxfield. Aliás, não sabia que podia trazer convidados para esta sala. –Analisou Matt de cima a baixo, que não tinha uma aparência muito apresentável. Logo o julgou como “rebelde”.
—Isso não vem ao caso. Já estamos saindo, de qualquer maneira.
Observaram que ele possuía o desenho de uma pequena e discreta chama em seu terno, símbolo da instituição que perseguia Peter. Provavelmente estava ali apenas para investiga-los.
—Aproveite que pode sair. Não posso dizer o mesmo do seu cliente...
—Meu cliente só diz respeito a mim, com licença.
—Francamente, Hector. Você não sabe nem ao menos defender uma pessoa! Ele já estava na pior e agora vai apodrecer na cadeia. Ainda bem que eu não dependo de você para garantir minha liberdade.
Matt, que ouviu quieto por muito tempo, não se conteve.
—Ei, você não pode falar desse jeito...
—Está tudo bem, Matt. –Interrompeu Hector. –Eu estou acostumado a ouvir esse tipo de coisa. É um assunto bem comum entre os advogados daqui.
—O que? –O quase ruivo estava à beira de perder toda a sua paciência. Não podia acreditar que Hector era alvo de chicota todo esse tempo.
—Algum problema entre os dois, ou já posso ir embora?
Com o sangue nos olhos, Matt não poderia esperar mais. Retirou a pistola do bolso de sua jaqueta e apontou para o Advogado que lhe deixara a beira dos nervos.
—O que é isso, Matt? –Indignou-se Hector. –Achei que tivesse se livrado dessas armas antes de entrar aqui.
—Eu tentei, mas voltei para pegá-las. Não me sinto seguro sem as minhas bebezinhas.
—Ei cara, mantenha a calma. –O homem, com as mãos erguidas em sinal de trégua, temia por sua vida. –Não vamos levar isso tão a sério e...
O estrondo sacudiu o quarto. Matt havia atirado e o advogado caiu no chão, marcando o mesmo com o sangue que saía do buraco formado em seu peito. Poderia muito bem ter utilizado uma arma que não fizesse barulho, mas Matt gostava de marcar sua presença, mesmo em uma situação perigosa e arriscada como essa. Estava ali para mostrar quem ele realmente era.
—Não me venha com desculpas.
—Você enlouqueceu?! –Hector estava desesperado. –Estamos dentro de uma cadeia!
Matt parou por alguns instantes. Assoprou a fumaça que saía da pistola para resfria-la e a guardou novamente. Só então decidiu se apressar.
—Corra.
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