Hipnotizados

1 A bruxa e o prodígio


Notas iniciais
Eaí pessoas, tudo bem com vocês? Espero que sim.

Bom, queria avisar que o nosso protagonista não aparece nos primeiros capítulos mas logo logo ele irá "dar as caras" por aqui.

Sem mais enrolação, boa leitura o/

A Inglaterra estava gélida e sombria naquela noite de outono. Espalhadas por ela, crianças corriam para dentro de suas casas, procurando fugir do frio junto de seus pais. Idosos conversavam sobre como tudo havia mudado desde a época em que eram jovens, casais procuravam bons filmes para alugarem e assistirem abraçados, gatos dormiam sobre telhados e bruxas cantavam ao redor de fogueiras, observando de longe as luzes da cidade e comemorando sua união mesmo após tantos conflitos, algo que iria durar por provavelmente muito tempo. Ou pelo menos, era isso o que elas gostavam de imaginar.

Helena afastou-se das demais e andou em direção á uma pequena gruta, pouco iluminada pela luz de uma lâmpada de querosene antiga. Lá, havia pedaços de madeira pregados nas paredes, onde vários frascos com pó, líquido e espécies de massa eram deixados, além de plantas serem vistas por toda a parte. Sua avó estava lá, como de costume. Parecia ler em tom baixo as frases de um livro escrito em uma língua antiga que a garota não conhecia muito bem, ao contrário da idosa, quem aparentava decifrar todos (ou pelo menos grande parte) dos símbolos escritos no papel amarelado.

Em silencio, a pequena bruxa sentou-se no chão, puxando uma mecha de seus longos cabelos cacheados para trás de uma orelha, deixando assim, que a luz iluminasse seu rosto, por onde expressava a curiosidade em saber do que se tratavam os assuntos que com tanta atenção a avó estudava.

A garota afastou-se e suspirou, chamando a atenção da mais velha e interrompendo sua leitura.

-A criança parece cansada... –Disse a avó. -... Entediada, talvez?

Helena suspirou novamente, até reunir forças para falar:

-Não consigo entender o que essas palavras antigas estão dizendo. –A garota tinha seus olhos fixos no chão. –Procuro me esforçar e meditar todos os dias, mas parece que nada funciona. Às vezes eu... –Hesitou em continuar sua frase.

-Continue.

-Às vezes eu penso que esse negócio de magia é uma ilusão. Bom, pelo menos para mim. Não importa o que eu faça, nada de impressionante parece surgir. As palavras que leio não têm efeito algum e quase todo mundo que eu conheço parece sentir a mesma coisa, mas todas continuam buscando por algo impressionante.

-Helena... –A velha sorriu e esperou um pouco antes de continuar a falar. –A magia existe e você sabe disso. Ela está em nós. Em todos nós.

-Mas...

-Cada pessoa possui uma opinião, um jeito, uma personalidade e também... Um tipo de magia. Buscamos essa magia em nós mesmos, mas ela não irá surgir de uma hora para a outra. É preciso se conhecer, se entender primeiro para que assim possamos aprender a controla-la, caso contrário, ela ficará adormecida pela eternidade. –A bruxa fazia movimentos circulares com o dedo indicador enquanto falava e uma pequena planta enrolou-se no dedo mindinho de sua neta, que observou com muita atenção e surpresa. –E é claro, podemos ter uma ajudazinha também. –Ela olhou para seus livros. –As palavras tem poder, Helena. Sabendo usá-las de maneira adequada, podemos despertar os instintos e conhecimentos adormecidos dentro de nós. Por esse motivo nossos ancestrais vêm passando seus conhecimentos de geração em geração. É uma pena que muitos não compreendam isso. –Riu ela em deboche.

Com essa última frase, a garota lembrou-se da cidade, onde todos eram muito diferentes dela e de sua avó. Poderia até arriscar dizer que eram desanimados.

-De fato, não é igual para todos. –Continuou a avó. –Algumas pessoas possuem uma magia interior tão fraca que nem a sentem, já outras são concebidas com uma incrível quantidade de poder. A grande maioria prefere ignorar, simplesmente não acreditam ou até mesmo não sabem que algo assim existe, mesmo estando dentro de si mesmo. Você acha mesmo que coisas como Déjà Vu, pressentimentos e intuição são simples confusões humanas? Podemos ser muito mais do que isso, usando-as a nosso favor e treinando-as cada vez mais.

-Talvez eu não sirva para isso.

-Uma vez reanimada, a magia pode ser cada vez mais aprimorada. –A planta cresceu e se enroscou ainda mais no mindinho da menina. — Não é sobre isso que vocês tanto estudam? Bem, é verdade que algumas pessoas não têm talento para decifrar o que nossa mente está querendo dizer, mas também não chega a ser um “bicho de sete cabeças”, se prestarmos bastante atenção.

Os longos cachos castanhos se pareciam com a planta que aos poucos se desenrolava de seus dedos, até libertarem a bruxa completamente.

-Obrigada, avó. –Sorriu.

A garota levantou-se a andou em direção à saída, até que um chamado a parou no meio do caminho.

-Helena, — A avó aumentara o tom de sua voz. –Você é mais do que imagina.

Essas palavras ecoavam nos pensamentos de Helena o tempo todo, mesmo que ela ainda não acreditasse na possibilidade de ser verdade.

Todos os dias, ela tentava ler os livros que sua mãe lhe passara, mas sempre tinha tontura enquanto tentava decifrar as palavras e símbolos antigos para si. No que era para ser apenas mais uma deprimente e vã tentativa, as letras se embaçaram completamente. Tudo parecia girar e escurecer, então a garota precisou sentar-se e fechar os olhos, desejando que tudo voltasse ao normal depressa. Mesmo com o absoluto escuro, tudo parecia estranho e diferente, inclusive seu corpo.

Minutos se passaram até que Helena sentiu-se confiante para abrir os olhos. Estava sozinha em sua pequena casa, onde não havia muita coisa. Procurou por algum recipiente até encontrar um copo e o encheu com a água que sua mãe trouxera do lago próximo à vila. Sentou-se em uma cadeira de madeira apoiando-se na mesa e suas mãos tremiam levemente enquanto tentava engolir o líquido frio.

Uma passagem de tontura a fez largar o copo, derrubando a água que havia sobrado. A garota o olhou fixamente, dando tempo para que os rastros de vertigem á abandonassem. Helena concentrou-se tanto no velho copo que seus olhos sequer piscavam. Mantinham-se imóveis e concentrados no objeto até que algo a fez sair de seu transe: O copo mexeu-se levemente.

Levando um susto, a bruxa moveu seu corpo para trás, duvidando de que aquilo pudesse ter acontecido por sua culpa, como imaginava, mas logo concentrou-se novamente. Seus olhos pareciam querer embaçar, contudo ela estava disposta para que isso não acontecesse novamente. Sua cabeça recebia pontadas de dor que cresciam cada vez mais e uma suave linha de sangue foi expulsa de seu nariz quando o copo, trêmulo, ergueu-se pelo comando de Helena.

A partir daí, a jovem garota passou a praticar sua magia todos os dias, na qual era incrivelmente talentosa. Todas as bruxas da vila maravilham-se e inspiravam-se na jovem, determinadas a tornarem-se boas em executar sua magia, que aparecia levemente em apenas algumas delas, já em outras, não havia o menor rastro. Como no caso de Clarisse, a irmã de Helena.

-Isso não é justo. –A garota era mais velha, mas mesmo assim não se conformava com o fato de a irmã ser incrível utilizando sua magia e ela nem ao menos ter descoberto a sua própria ainda. –A Helena consegue manipular todos os objetos que ela quer! Ela pode mover talheres, artesanatos, erguer instrumentos e agora está tentando até fazê-los tocarem-se sozinhos! E quanto a mim?! Por que não tenho nada de especial?

-Você deve ser paciente, menina... –Falava a avó. –Ainda irá encontrar o seu poder, assim como sua irmã. Mas deve saber que as circunstâncias não serão as mesmas.

-Ora, Clarisse. –Helena tentava animá-la. Vamos, não fique chateada comigo.

A garota mais velha, que também possuía longos cabelos cacheados, não demostrou uma melhor reação. Sem resposta, Helena insistiu: Trouxe uma pena flutuando para perto da irmã, como se a própria brisa estivesse a movendo. Antes que pudesse perceber, Clarisse já estava gargalhando com as cócegas que a pena manipulada por sua irmã lhe faziam e assim, a mais nova começou a rir também.

Em meio á tantos risos, a mãe de Helena e de Clarisse aproximou-se da mais nova. Ela tinha uma novidade para lhe contar.

☼ ☼ ☼

Na cidade próxima dali, um garoto também dava gargalhadas com seus pais, sentados na mesa de jantar.

-Você viu, querido? –Dizia orgulhosa uma bela mulher de cabelos escuros como a noite. –Nosso filho está se destacando muito na escola.

-Não é? Esse rapaz é um verdadeiro gênio!

-Pai... –Protestava Freddie enquanto tinha seus cabelos lisos, tão escuros quanto os da mãe, bagunçados pelo pai. –Eu só tenho notas boas, não quer dizer que eu seja o novo Albert Einstein ou algo do tipo.

-As melhores notas que seus professores têm visto em muito tempo. –Corrigiu a mãe. –Não são todos que fazem uma prova para pular para o próximo ano letivo á pedido dos professores.

-É, tanto faz... –Freddie fez uma careta de tédio.

-Bom, — O pai pegou o jornal que estava próximo de si e procurou por coisas de seu interesse. –Quais são os signos de vocês? Vamos ver se o destino dessa família anda de bom humor.

-Ora, querido –Riu a mulher –Acredito tanto nessas coisas quanto no fato do Fred arrumar seu quarto nos finais de semana.

-Ei! –O garoto chamou a atenção, discordando — Talvez eu crie uma nova teoria para acabar com essas crenças bobas do jornal... E, além disso, não é tão bagunçado assim.

-Não foi exatamente o que você disse quando escorregou em algumas coisas espalhadas por lá, esses dias. –Lembrou a mãe de Fred.

O garoto ficou em silêncio e mudou a direção dos olhos.

-Talvez esteja... Um pouco.

Todos riram da situação. Sempre se reuniam para conversar e passar o tempo. O pai de Freddie leu o que o jornal dizia sobre os signos, mesmo não acreditando, assim como os outros dois que ouviam sua leitura, curiosos em saber se as pessoas pensavam que aquilo iria realmente acontecer.

O garoto olhou pela janela, como tinha o costume de fazer. Conseguia enxergar a floresta que estava um tanto longe de sua casa. Já ouvira falar que algumas pessoas, conhecidas como hippies, moravam por ali, mas nunca teve a oportunidade de conferir se eles estavam lá. Talvez algum dia fizesse uma visita e quem sabe até enxergaria seus pais observando a floresta pela janela, assim como ele fazia.

No próximo dia, Fred foi para a escola normalmente, mas havia algo diferente. Todos estavam mais agitados que o normal, principalmente os alunos de sua sala. Foi então, que a mais recente novidade chegou até ele: Uma aluna nova acabara de chegar à escola. Mas ela não era comum como os outros, seu estilo era diferente. Alguns começaram a espalhar que a nova garota era uma Hippie.

Notas finais
Hey, pessoas!

Adoro ler e responder reviews, então fiquem à vontade para deixarem suas opiniões sobre a história, deixarem possíveis sugestões ou desabafarem sobre a vida -n

Até o próximo capítulo o/