Higure Kaminari
5 Yuki quer ser shinobi e uma surpresa inesperada acontece!
Notas iniciais
Eu já estava há quase um ano com o time dos irmãos da areia. E treinava todos os dias. Eles ficaram admirados e surpresos em relação a como minhas habilidades se desenvolviam rapidamente. Eu era boa no Taijutsu e no Ninjutsu, extremamente.
Dias depois, logo após o jantar, Gaara me levou para a sala e sentou comigo no sofá. Olhei para ele, estávamos sozinhos. Naquele tempo eu ainda não tinha vergonha na cara em relação à ele.
– Vai me beijar? — Abri um sorriso.
– Não... — Ele fez cara de tédio.
Meu pedido virou algo semanal.
– Mas por quê? Estamos sozinhos.
– E isso porque...
– Temari disse uma vez que era algo especial.
– E é... Mas...
– Então me beija! — Eu disse fazendo bico.
Ele ficou extremamente pasmo me olhando fazer biquinho.
– Onde você aprende essa coisas...
Desfiz o bico e já ia pedir novamente para ele me beijar, mas Temari e Kankuro apareceram com um bolo. Ele era pequeno e havia uma velinha no meio. Temari cantarolou meu nome e me deu parabéns. Já fazia um ano que eu estava lá. Meu cabelo havia crescido um pouco e estava no ombro, meus seios estavam um pouco maiores também e, pela minha falta de vergonha ainda, eu vivia os esfregando quando abraçava Gaara. Eu passei a gostar de quando ele ficava da cor do cabelo.
Kankuro comemorava também ao lado de Temari, assoprando um apito. Ele agora era meu bakanii-san. Acabou se acostumando comigo.
Vi o bolo e fiquei extasiada. Peguei na roupa de Gaara e comecei a sacudi-lo, como se ele não estivesse vendo o bolo. O abracei e agradeci. Kankuro parou de comemorar. Ele abaixou os braços lentamente e o apito ficou meio solto em sua boca.
– Você devia estar agradecendo a nós! — Ele gritou pedindo explicações.
Levantei e corri até eles. Abracei Temari primeiro, beijando sua bochecha. Quando fui abraçar Kankuro, ele estava com cara de tédio, indignado. Eu dei uma risadinha que o fez amolecer um pouco.
– Bakanii-san. — Beijei seu rosto.
Ele pôs a mão na bochecha e reclamou.
Cantamos parabéns pra mim. Eu pulava sem parar. De relance, vi Gaara dar um leve sorriso pra mim. Eu fiquei um pouco corada e sorri para ele de volta. Não sabia o que era aquele sentimento, mas eu gostava.
Tiramos uma foto todos juntos. Gaara à minha direita, Terami à minha esquerda e Kankuro ao lado dela. Eu dei um largo sorriso. Eles puseram a foto na sala e eu pus outra igual no meu quarto, na verdade no de Temari.
Não era exatamente meu aniversário e eu não fazia ideia, também, de quantos anos eu tinha, mas... Foi um dia muito, muito, muito feliz!
...
No treinamento, Temari nos mandou lutar uns contra os outros. Era pra valer e a luta terminaria se alguém desistisse ou fosse desacordado. Já que alguns eram bons no taijutsu, com certeza usariam isso. Eu estava muito próxima de Matsuri, Turi e Tsuki, elas eram minhas amigas agora. Torcia para não lutar com elas. Kankuro me ensinou algo que eu gostaria de usar.
Os restantes para lutar estavam na fila, de frente para os instrutores. As meninas ainda estavam nela, eu estava nervosa de ser escolhida com uma delas.
– Certo. — Temari disse — Agora... Mitsuri... E Yuki.
Respirei aliviada. Mitsuri era um garoto muito baka! Ele era magro, olhos castanhos, cabelo escuro e cheio de si por causa do taijutsu. Run! Só sabia isso! Ele era péssimo no ninjutu. BAAAKA!
– Vai ser mole.
Olhei para ele e fiz cara de tédio. Olhei para Kankuro e ele sorriu pra mim de braços cruzados. Já sabia o que eu faria. Modéstia parte? Muito fácil.
– Anda logo fracote. — Ele disse já posicionado.
O fitei, um pouco irritada.
– As damas primeiro.
Os alunos zombaram dele.
Mitsuri atacou com chutes, que eu logo bloqueei. Tentou golpes do ar com algumas cambalhotas, mas eu era mais rápida.
– Fica parada idiota! — Ele disse.
Tentou mais uma sequência com seu nosso golpe, um que ele se gabava constantemente aquele dia. Bloqueei o golpe apenas com uma perna e um braço em posição de defesa. Ele paralisou e eu pulei dando uma pirueta, e um chute em seguida. O joguei longe. Aterrizei no chão, encarando-o. Eu ri de deboche.
– Se mexa.
Seu lábio estava cortado. Ele limpou o sangue e se levantou, me encarando com raiva. Mitsuri é muito baka. Me atacou sem pensar, estava com raiva. Ele quis me dar um soco, mas eu me abaixei e me inclinei para frente dando um soco nele. Ele caiu de novo.
– Acabou. — Eu disse.
Kankuro sorriu em minha direção. Mitsuri levantou de novo.
– Só quando eu estiver desacordado! — Ele disse.
Eu sorri maliciosamente. Eu estava com uma mão na cintura, a outra estava livre. Comecei a mexer os dedos em compasso.
– Hã? — Ele olhou para o corpo. Suas pernas se mexiam, andando em minha direção — O que...?
Me aproximei também e ficamos frente a frente.
– Linhas de Chakra.
– Esperto. — Sorri — Vou te dar uma chance. Diga que desiste e eu não te machuco.
– Não vou fazer isso.
Meu sorriso desapareceu.
– Não sou muito paciente.
– Problema é seu.
Franzi a testa. Olhei para Kankuro, não podia desmaiar Mitsuri, eu estava controlando ele! Kankuro não fez nada, apenas observava. Encarei Mitsuri, queria recuar e soltar ele, mas não pude se não perderia. Pus na cabeça que seria tão forte quanto o time dos irmãos da areia.
– O que foi? Quer desistir? — Ele debochou.
Ainda o fitava.
– Desculpe. — Eu disse. Ele ficou surpreso.
Pulei e dei outra pirueta, uma mais rápida, e o joguei longe com um chute. Aterrizei agachada, com a mão apoiada no chão e a cabeça baixa.
– Vencedor: Yuki! — Temari disse.
Não me senti uma vencedora. Temari pediu para os outros ajudarem Mitsuri. Eles o puseram deitado numa maca. Agachei ao lado dele, escorada na parede enquanto as lutas continuavam. Eu nem prestava atenção, apenas ouvi que Matsuri seria a próxima. Olhei para Mitsuri. Garoto teimoso!
O treino terminou e alguns estavam indo embora. O trio se preparava para ir também. Eu ainda estava na mesma posição e Mitsure acordava, colocando a mão na cabeça.
– Desculpe. — Murmurei.
Ele olhou para o lado, surpreso.
– Não quero ajuda. — Ele disse se levantando aos poucos.
– Não disse que iria te ajudar. — Eu ri.
Na verdade eu queria saber se não havia machucado muito ele. Às vezes não tinha controle sobre minha força. Ela era anormal.
– Hum... — Ele resmungou.
– Era só isso. Até mais. — Eu disse caminhando.
– Obrigado... — Ele disse.
Olhei para trás, surpresa.
– Por não ter pena de mim.
O encarei sem entender. Apenas balancei a cabeça e fui embora.
No caminho Temari ficou curiosa. Eu estava calada e isso era bastante anormal.
– Nee, o que houve?
– Está chateada? — Kankuro perguntou — Você ganhou a luta.
– É! — Temari disse irritada — E você a ensinou as "Linhas de chakra"?
– Hehe, gomen, gomen. Ela pediu para eu ensinar algo novo a ela.
– Run. — Temari disse irritada se voltando em seguida para mim — O que houve?
– É que... Hum... Posso ser... Shinobi?
Os três se entreolharam.
– Yuki, você sabe que isso é perigoso né? — Temari disse.
– Eu sei! Mas... — Cruzei os braços, resmungando — Se vocês conseguem eu também posso.
Temari quis rir.
– Argh... — Ela resmungava rindo.
– Eu sei que eu não sou daqui, mas os outros já vão receber as bandanas e ir para missões, e eu... Só vou ficar nisso? Não tem como eu me tornar alguém daqui? Ser uma shinobi da areia?
– Quem disse que não é? — Gaara disse, acho que sem pensar, pois ele abaixou a cabeça em seguida.
Olhei para ele, surpresa.
– Certo... — Temari dizia — Vamos ver isso.
– Verdade?
– É.
Pulei em cima dela, rindo. Caímos no chão.
– Oe, Yuki!
...
Eu também aprendi a ler e à noite estava lendo um livro quando a lâmpada da sala queimou.
– Ah... — Resmunguei, olhando para a lâmpada.
– O que foi? — Temari perguntou.
Eu já estava em cima de uma cadeira tirando a lâmpada.
– Ah! Eu pego outra. — Temari disse abrindo uma gaveta no armário.
Enquanto eu tirava, senti algo. Algo familiar. Olhei para minha mão, havia um ponto de luz surgindo nela. Olhei para cima e toquei no lugar onde eu deveria pôr a lâmpada. Uma corrente elétrica saiu e veio até minha mão. Eu abria e fechava a mão para ver se aquilo era real, eu não sentia dor alguma.
Gostei daquilo e concentrei meu chakra sem querer, olhando para minha mão. O que parecia ser pequenos raios dançantes ao redor na minha mão, aumentou de proporção e iluminou a sala. Temari percebeu a iluminação, ela estava procurando ainda a lâmpada na gaveta. Olhou para trás e se espantou.
– O... Que é isso?
– Eu não sei. — Sorri olhando para minha mão.
Percebi que ela estava assustada e meu sorriso desapareceu, como aqueles raios. Quando Gaara e Kankuro chegaram, Temari contou o que houve. Fiquei no quarto, sentada no chão atrás da cama enquanto eles conversavam na sala. De novo, não sabiam o que era aquilo que eu havia feito. Mais uma coisa que nem eu sabia sobre mim. Eu fiquei triste por ela ter ficado assustada com o que eu descobri e mais ainda por eu não saber o que eu era. Afinal, já fazia um ano que eu estava com eles... E nada sobre meu passado.
Abracei meus joelhos e apoiei minha cabeça, começando a chorar baixinho. A porta do quarto se abriu, pensei que fosse Temari. Mas era Gaara. Ele chegou perto de mim e me viu chorar. Ficou parado, me olhando e depois se sentou no chão ao meu lado.
– Nee, Gaara... — Eu disse ainda de cabeça baixa, o som mal saía — Eu sou um monstro?
Ele pôs o braço envolta de mim. Ele nunca fizera isso antes. Não sem eu pedir, ainda mais quando eu comecei a não pensar mais como uma criança.
– Não. — Ele disse — Você não é um monstro. Você apenas não sabe de onde veio ou quem é.
– O que eu sou. — Corrigi.
Ele olhou para mim e pôs a mão na minha cabeça, fazendo com que eu a levantasse para olhá-lo. Pôs a mão na minha bochecha.
– Baka. — Ele disse e me beijou.
Eu mantive os olhos abertos, estava estática. Eu vivia pedindo para ele me beijar, mas nunca imaginei que ele fosse realmente fazer isso um dia. Ele parou e eu ainda estava estática, olhando para ele. Ele sorriu, ainda próximo do meu rosto. Eu abaixei as pernas e pus as mãos no colo. Estava envergonhada.
– O que houve?
– Nada. — Eu disse docemente, com a cabeça baixa.
Menti. Uma coisa, que eu não sabia o que era, havia mudado tudo.
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