Higure Kaminari
6 A nova ninja da areia
Notas iniciais
O trio convenceu Baki-san a falar com o conselho para eu me tornar oficialmente uma ninja da areia. Como ele tinha certa influência nesse meio por ser um ninja respeitado, os três acharam que não seria difícil. Além de confiarem no sensei em relação a mim.
Eu não havia feito a escola de ninjas, nenhum dia, mas como treinava há um ano com todos, isso pelo menos me favoreceu. Eu teria “apenas” que fazer o teste de aprovação com o conselho, os doze jounins. Beleza...
Baki conseguiu convencer o conselho, mas isso demorou uns três meses. Meu teste estava marcado juntamente com os outros alunos, eu faria o teste em um mês. E com isso, fiquei obcecada com os treinos. Minha mira, taijutsu, ninjutsu. Meu genjutsu era, sinceramente, uma merda. Mesmo Kankuro me ensinando alguns jutsus, eu não via futuro para mim como ninja das marionetes. Eu gostava de lutar com as próprias mãos.
– Oe, Yuki-chan! – Tsuki me chamava enquanto eu treinava com as shurikens.
– Hai! – Eu disse ainda treinando.
Ela bufou e chegou mais perto.
– Oe, bakayuki! – Ela me deu um tapa na cabeça – Não exagere, seu teste é daqui a três dias.
– Eu sei, por isso que estou treinando. – Eu dizia pegando outra shuriken.
– Você está há um mês vindo aqui sozinha treinar. Não cansa não? – Ela cruzou os braços.
– Não. – Eu ri – Eu quero ser ninja. Uma shinobi tão boa quando os irmãos da areia.
Ela riu.
– Você sabe que nunca vai chegar no nível deles, né?
– Vou sim. Quero proteger a vila como eles.
– Mas você nem é daqui. – Ela deu de ombros.
Parei a mão com a shuriken, suspensa. Eu ia atirá-la de novo no alvo. Tsuki percebeu e ficou envergonhada.
– Desculpe.
– Sabe Tsuki-chan. – Me endireitei – Quero ser shinobi da areia... Porque eles me ajudaram. Eu não era nada e eles me ajudaram a ser alguém.
Ela me encarava, pasma e arrependida.
– Eu vou ser uma shinobi. – Sorri confiante.
Eu não vira, mas na entrada Mitsuri nos observava com as mãos nos bolsos.
...
Temari me trancou dentro de casa do último dia. Ela disse que eu havia treinado demais e precisava descansar para o teste. Ajudei com o jantar, mas na hora de comer apenas balançava a perna olhando para o prato.
Kankuro me olhou com cara de tédio.
– Oe, Ookami-chan. Pare de balançar a perna. Está me irritando.
Olhei para ele e dei língua. Ele foi para trás, indignado.
– Ela está nervosa. – Temari disse, comendo.
– Você vai se sair bem. – Gara disse, pondo a mão na minha cabeça.
Eu corei e virei um pouco o rosto. Temari e Kankuro perceberam. Desde o beijo eu já não ficava tão perto de Gaara. Algo havia mudado e toda vez que ele falava comigo eu abaixava a cabeça e corava de vergonha.
– Oe, Baka. – Kankuro disse – Eu te ensinei alguns jutsus, então você vai se sair bem!
Temari fez cara de tédio.
– Sei...
Eu ri de cabeça baixa.
...
Eu estava nervosa. A maioria já conseguira a bandana e eu ainda estava ali do lado de fora, esperando. Até Mitsuri conseguiu! Eu ficaria indignada se não conseguisse.
– Yuki... Dos irmãos da areia. – Um shinobi me chamou. Eu levantei e fui com ele.
Subimos alguns andares e ele me deixou numa grande sala. Os doze jounins estavam lá, sentados em uma grande mesa, de frente pra mim. Baki-san estava presente. Um deles olhava minha ficha.
– Hum... Você não é daqui né?
– Não... Senhor.
– Por que quer ser uma shinobi da areia? Você nem é daqui. Foi “adotada”. – Ele implicou.
Olhei para baixo, chateada.
– Eu...
– O que uma intrusa como você faz aqui? – Outro homem disse.
– Por favor, Dakura-san. – Baki-san pediu.
Olhei para o homem que havia falado isso. Dakura foi o homem que tentou passar a mão em mim no parque. Gaara o ameaçou. Ele não me importunou mais graças a Baki-san, mas me odiava claramente visto que seu rosto tinha a cicatriz do arranhão que eu dei. Quatro marcas distintas das minhas garras. Baki-san conseguiu “convencê-lo” de não contar nada. Ele disse a todos que um animal o havia atacado na floresta em uma missão a outro país.
Eu o fitei. Odiava ele! Não me esqueci o que ele fizera comigo um ano atrás.
– Posso até ser até uma intrusa, mas quero proteger esse lugar com minha vida, porque ele agora é meu lar. Dakura-san. – Eu disse sem expressão olhando fixamente em seus olhos.
Ele pareceu se irritar. Um jounin chamou sua atenção e me mandou começar. Eles já haviam feito um relatório sobre mim e da forma como eu lutava. Puseram um asterisco em “Grande força”. Fiquei nervosa. Fiz jutsus de transformação e outros básicos. Fui ótima na mira e nos ninjutsu. Dakura me olhava enfurecido e Baki-san deixava escapar um sorriso.
Estava saindo de dentro do prédio. Temari, Kankuro e Gaara me esperavam. Eu estava cabisbaixa, com as mãos para trás.
– E aí? – Kankuro disse.
Eu não respondi, estava de cabeça baixa.
– Não te aprovaram? – Temari disse surpresa.
Gaara apenas me olhava, parecia surpreso também. Olhei para Kankuro e sorri, um sorriso bem largo. Ele não entendeu. Tirei a mão de trás das costas e suspendi a bandana.
– Bakayuki! – Ele disse sorrindo.
Temari pulou de alegria e eu ri. Fomos comemorar.
Enquanto comíamos na rua, Mitsuri se aproximou de nós. Ele já havia amarrado a bandana da cabeça, como eu. Não perdemos tempo!
– Yo.
– Mitsure-kun! – Eu disse sorrindo.
– Pelo visto passou também.
– Hai! – Deu um gigante sorriso.
Ele corou, mas eu não notei.
– Hum... Nee. – Ele disse.
– Hum?
– Me pediram pra avisar a você.
– O que?
– Nós somos o time 3.
– “Nós”?
– Eu, você e o Gamira.
– QUE? – Quase engasguei – Eu estou no mesmo time que você? – Levantei.
– Não sou tão ruim! – Ele disse indignado.
– Sei... – Cruzei os braços.
Ele fez cara de tédio.
– A sensei disse para encontrarmos com ela daqui a quatro dias à tarde no campo de treinamento.
– Quem é?
– Também não vou falar! – Ele disse com as mãos nos bolsos.
Bufei. Mitsuri foi embora rindo, me vendo ficar vermelha de raiva. Temari ria assim como Kankuro. Gaara não demonstrava emoção, apenas me olhava quase explodir de raiva.
– BAAAAAKA MITSURI!!!!!!!!!!!
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