Notas iniciais
Não sei por quanto tempo minha inspiração continuará a fluir, mas espero que estejam gostando dos capítulos até agora *-*

– Por quê? Por quê? Por queeeeeê?

– O que houve?

– O que bakayuki? – Kankuro disse.

– Vou ter que fazer time com aquele garoto. Ele é BAAAKA!

Temari riu.

– Pare de reclamar. Já está feito. – Kankuro disse saindo da sala.

Bufei alto e comecei a bater na mesa de madeira da sala. Reclamava e continuava a perguntar por quê. Bati com tanta força que a mesa rachou ao meio. Fiquei paralisada. Temari ficou boquiaberta e Gaara surpreso, mesmo sem expressão.

– Bakanii-san vai me matar. – Eu disse suando frio e já começando a tremer.

– Yuki... – Kankuro rangia os dentes logo atrás de mim.

Me virei e o olhei com os olhos arregalados. Sua aura estava negra e obscura. Fiquei com tanto medo que minhas orelhas e cauda de lobo apareceram e ficaram em pé, tremendo como o resto do meu corpo.

Corri pela casa e ele atrás de mim. Fugi pela janela.

– BAKAYUKIIII!!!!!!

...

Quatro dias depois eu fui para o campo de treinamento. Gaara lia um livro no sofá e Temari mexia em seu gigante leque. Kankuro havia ido fazer uma missão.

– Estou indo! – Eu disse, sorridente.

Gaara me olhou sair. Temari percebeu.

– Oe.

Ele olhou para ela.

– Ela vai ficar bem. – Temari disse sorrindo.

Ele balançou a cabeça, concordando.

Corri pulando pelos telhados das casas. Parei em cima do grande portão do campo de treinamento. Mitsuri e Gamira já haviam chegado. Pareciam duas formigas de onde eu estava. Dei um salto e aterrissei próxima deles.

– Sempre discreta. – Mitsuri disse com cara de tédio.

Dei língua pra ele, ele fez uma expressão de indignação.

– Que troço é esse no seu cabelo? – Ele perguntou.

– Hum? – Pensei – Ah, uma fita. Trancei a mexa do cabelo com ela. – Sorri. Ele corou.

Sempre que eu sorria, ele corada. Garoto doido! Eu havia trançado uma mexa de cabelo com uma fita vermelha, no lado esquerdo da cabeça, próximo da minha franja. Queria ser um pouco original.

– Ah, perdoe-me. Yuki. Prazer. – Eu cumprimentei Gamira, mesmo já o conhecendo.

– Hum. – Ele me cumprimentou.

Gamira era um garoto com cabelo azul, amarrado em rabo de cavalo e com olhos cinza. Ele era bem reservado. Vivia calado nos treinos, mas quando se tratava de estratégia, era hábil e extremamente inteligente.

– Então? O sensei não chegou? – Perguntei a eles.

– Ela. – Mitsuri disse – Eu te falei antes.

– Mas fez o favor de não dizer o nome! – Fiquei irritada.

Ele bufou.

– Não importa. Ela está atrasada. – Ele disse, com as mãos dos bolsos.

– Ah... – Eu disse – Como será que ela é?

– Não sei. Acho que a vi uma vez na escola, mas não me lembro da cara dela.

– Não estou falando da aparência Baaaka! Das habilidades.

– Ela usa o elemento vento, assim como Temari-san. – Gamira disse, lendo um pequenino livro.

Fiz uma expressão de susto. Às vezes o jeito dele me assustava. De repente uma mulher alta apareceu do nada ao nosso lado.

– Yo, minna-chan!

– Ah!!! – Mitsuri e eu gritamos. Gamira apenas olhou para a mulher.

Ela riu.

– Já sei por onde começaremos.

Não entendi.

– Muito prazer, sou Dakai Yomi. – Ela dava um sorriso tão animado que assustava.

Yomi-sensei era alta, peituda, olhos roxos e cabelos longos com uma franja dividida do meio que sempre balançava quando ela tombava a cabeça para sorrir. Ela usava uma roupa azul da cor dos olhos de Gaara. Era como um vestido, mas em cada lado das pernas havia um grande decote que as deixava à mostra, dava para ver o short preto que ela usava e a meia preta, que chegava até a coxa.

– Nee, vamos nos conhecer! – Ela sorriu.

– Mas Dakai-sensei, você já não tem nossas fichas? – Mitsuri perguntou.

– Já sim. E me chame de Yomi-sensei. Não precisa ser tão formal! – Ela sorriu – Eu quero escutar seus nomes de suas próprias bocas. – Ela sorriu animada de novo.

Fiquei com medo.

– Ah... – Ele disse – Bem... Mitobi Mitsuri.

Ela sorriu e olhou para o próximo.

– Akishi Gamira. – Ele disse sem nem ao menos tirar os olhos do livro.

Apertei os olhos, desconfiada. Me perguntei se nos daríamos bem. Sensei fitou os olhos em mim.

– Ano... Yuki. – Eu disse docemente.

– Own. Kawai! – Ela disse quase se derretendo.

Fiquei pasma. Mitsuri abaixou a cabeça e riu. Olhei para ele irritada. Yomi-sensei agarrou minhas bochechas e começou a apertar meu rosto.

– Você é tão kawai! Esse cabelo de neve com esses olhos azuis cristalinos são uma combinação perfeita! Kawai, Kawai. – Ela se derretia.

– Ano... Sensei. – Eu tentava respirar.

Ela me largou. Fiz carinho nas minhas bochechas.

– Para uma menina da sua idade você é bem avantajada.

– Hum? – Não entendi.

Ela pegou nos meus seios com as duas mãos e os apertou. Eu gritei e corei, abismada. Recuei extremamente para sair de perto dela.

– Oe, não faça isso! – Mitsuri disse indignado.

– Sensei hentai. – Gamira disse calmamente ainda lendo.

Ela estava na mesma posição como se ainda apertasse meus seios.

– Ah... Eles são bem redondos e macios.

Mitsuri corou. Gamira olhou para ela fazendo cara de tédio.

– HENTAI! HENTAI! – Gritei de longe.

Yomi-sensei riu.

– Hai. Hai. – Ela sacudiu as mãos como se não fosse nada demais – Vamos ver. Bem... No que vocês são bons?

– Estratégia. — Gamira disse.

– Taijutsu. – Mitsuri disse.

– É... Uma boa merda. – Resmunguei baixinho me aproximando de novo.

Ele me olhou com raiva, apertando os olhos em minha direção. Virei o rosto disfarçando, como se nem estivesse vendo.

– E você Yuki-chan! – Ela cantarolava meu nome.

Eu me arrepiava de medo.

– Ano... – Pensava – Mira.

– Mira? – Sensei ficou surpresa.

Mitsuri riu com a mão na frente da boca. Fiz cara de tédio.

– Bem... Eu não sei ainda quais técnicas exatamente quero me especializar.

– Ah, entendo. – Ela pensava com a mão no queixo – Bem, vamos ver isso no decorrer do treinamento.

– Hai... – Disse desanimada.

Yomi-sensei foi para o centro do campo de treinamento. Ela mexeu na parte de trás da cintura e tirou dois leques. Não havia notado que estavam lá. Ela os abriu, um em cada mão. O braço esquerdo abaixado e o direito suspenso.

– Bem... – Ela cantarolou.

Ela fez um movimento rápido abrindo e fechando os braços com os leques e um vento muito forte surgiu nos derrubando no chão. Yomi-sensei parou os braços como se estivesse se abraçando com os leques.

– Me ataquem.

Olhamos para ela assustados.

– Essa mulher é louca! – Mitsuri exclamou.

Gamira concordou com a cabeça. Eu olhava para ela boquiaberta, apavorada. Como a atacaríamos?!

Ficamos tentando quebrar aquela barreira individualmente até à noite. Era impossível! Já estávamos cansados e desgastados. Recuamos metros e acabamos nos reunindo. Yomi-sensei sorria, vitoriosa.

– O que vamos fazer? – Mitsure disse frustado – Ela bloqueia todos os meus golpes.

– Qualquer um bloqueia. – Eu brinquei.

– Pelo menos sei o que quero fazer. – Ele disse sério.

Olhei para ele e abaixei a cabeça, chateada. Ele notou, acho que se arrependeu de falar aquilo tão seriamente.

– Discutam depois. – Gamira começou a falar, tomando o controle.

Olhamos para ele, surpresos.

– Acho que tenho uma ideia. Mitsuri-kun, você consegue fazer aquele último golpe de novo?

– Sim. – Ele balançou a cabeça.

– Yuki-chan, você consegue saltar silenciosamente?

– Posso tentar.

– Você consegue saltar até o topo da parede?

– Hum?! O que?

– Isso mesmo. Pode? – Ele persistiu.

– Talvez... – Disse nervosa.

– Então faremos assim...

Yomi-sensei nos observava, cochichando de longe.

Tentamos atacar mais uma vez. Nós três corremos até ela, de frente. Gamira estava no meio. Eu à sua esquerda e Mitsuri à sua direta.

Gamira atacou diretamente, mas Yomi-sensei se defendeu e ele recuou um pouco, sorrindo maliciosamente. Ela notou e olhou para sua esquerda. Mitsuri já estava atacando. Deu um chute, ela o bloqueou, mas ele girou o corpo e tentou outro chute, porém com o calcanhar. Ela se defendeu com o leque, e com a outra mão o jogou para longe com o vento.

Os dois estavam a uma distância muito grande dela. Ela começou a me procurar, mas eu havia desaparecido há muito tempo.

– Onde... Onde?! – Ela olhava para todos os lados.

Uma sombra surgiu no chão e aumentava mais. Ela olhou para cima, eu estava caindo. Ela arregalou os olhos e eu a agarrei, prendendo-a com as pernas e a travando com os braços. Usei as linhas do chakra e com os dedos das duas mãos fiz Yomi-sensei jogar longe seus leques.

– O que...!

– Acabou... Yomi-sensei! – Eu disse, ainda prendendo-a.

Pensei que estava acabado, mas surgiu uma fumaça e ela desapareceu.

– Bunshin? – Disse já no chão – Quando...?

Ela apareceu atrás de mim e me deu um golpe, me fazendo cair no chão. Com uma kunai, ela me prendeu no chão.

– Ah... – Yomi-sensei cantarolava com um olhar malicioso.

Mitsuki e Gamari estavam espantados. Achamos realmente que daria certo!

Ela me largou e levantou. Sentei no chão, frustada.

– Bem... – Ela cantarolou, cruzando os braços – Querem me contar o plano?

Eles se aproximaram e eu levantei. Gamari contou tudo. O plano era Gamari-kun dar o primeiro golpe para distraí-la e em sequência Mitsuri-kun dar o último golpe. Isso para me fazer desaparecer da vista dela. Eu dei um salto bem alto. Não consegui saltar até a altura da parede, mas consegui ficar bem acima da cabeça da sensei.

– Então foi isso... – Ela pensava – Por que fizeram isso?

– Achamos que daria certo. – Mitsuki disse com as mãos nos bolsos.

– Por que achariam que daria certo? – Ela perguntou.

– Porque mais nada deu. – Eu disse.

– E por quê?

Mitsuki e eu nos entreolhamos.

– Porque estávamos atacando sozinhos. – Gamari disse.

Yomi-sensei sorriu. Eu entendi tudo!

– E da próxima vez irão fazer o que?

– Trabalhar em equipe. – Mitsuki resmungou.

Todos nós compreendemos. Além da sensei ser completamente louca, ela nos fazia pensar. Precisaríamos aprender a trabalhar juntos, como uma equipe. Três horas para terminar nessa conclusão!

– Eu pago o jantar. – Ela disse, sorridente.

Isso nos animou! Fomos comer ramen.

Estávamos comendo e Yomi-sensei perguntava sobre tudo de nós. Praticamente um interrogatório, porém agradável por causa da comida.

– Ne, ne. Yuki-chan. De onde você veio?

– Eu não sei. – Disse enquanto comia – Gaara e os outros me acharam na estrada.

Eu ainda não havia aprendido a ficar de boca fechada. Os meninos me olharam, espantados.

– Sabaku no Gaara? – Ela disse, espantada.

– Hai! – Sorri.

– Hum... E você não se lembra de nada?

– Não. Me machuquei. – Eu disse com a boca cheia.

– Ah...

– Você come demais! – Mitsuri exclamou – É a sua terceira tigela!

– Estou com fome! – Resmunguei.

Yomi-sensei via sua carteira escondida, ela ficou com cara de choro. Quando os meninos foram embora, ela e eu fomos pelo mesmo caminho. Eu estava com medo dela apertar meus seios de novo, mas fiquei pensando em como ela era forte.

– Nee, Yomi-sensei?

– Hum?

– Eu... Posso confiar em você?

Ela ficou surpresa, mas balaçou a cabeça dizendo que sim. Pedi para voltarmos ao campo de treinamento. Quando estávamos lá, ela ficou curiosa.

– O que foi, Yuki-chan?

– Eu perdi a memória. E até hoje não recordei nada.

Ela prestava atenção.

– Às vezes descubro algo novo sobre mim. E na maioria das vezes assusto as pessoas.

– Como assim?

– Os... Irmãos da areia.

– Ah, entendo.

– Descobri algo... Há algum tempo. Queria saber se Yomi-sensei me ensinaria a controlar.

– Posso tentar. – Ela disse.

Estiquei a mão e ela a fitou. Aos poucos apareceram os pequenos raios ao redor da minha mão. Os fiz aumentarem um pouco de proporção para sensei poder ver melhor. Dias depois de descobrir o que podia fazer, eu treinava raramente para tentar controlar aquilo. Conseguia apenas fazê-los aparecer e aumentar minimamente sua proporção.

– Você... Usa o Raiton! – Ela disse.

– O que?

– É um elemento para ninjutsu. Mas... Como consegue fazê-lo sem os selos? – Ela disse sem compreender.

– Eu não sei. – Disse irônica, com cara de choro – Yomi-sensei é forte... Pensei que saberia alguma coisa sobre isso.

Yomi-sensei compreendeu bem minha frustação. Ela ficou me olhando, pensando no que faria.

– Hum... Vou te ensinar.

Enxuguei com o braço as lágrimas que já caíam. Sorri novamente. Ela sorriu de volta. Yomi-sensei me compreendia. Mesmo eu não sabendo o que era e muito menos como eu conseguia fazer aquilo sem os selos das mãos, esperava que de alguma forma aquilo me ajudasse. Tanto como shinobi... Como em descobrir quem eu era.

Notas finais
Pensarei com carinho qual será o próximo capítulo *o* Acho que ficarei um tempo sem postar nada. Tanto porque é um capítulo bem grande que acho que terei que dividi-lo em duas partes, como estou toda enrola com trabalhos da faculdade. Espero que esperem pelo próximo ansiosos ;) É sobre os pais de Kaminari. Surpresinha *o* Semana que vem estarei postando (sem dia previsto). Beijos lindos! ")