Não tenho tempo para detalhes da noite por isso vou logo ao ponto: Prine Jackson é totalmente sem noção, louco, desmiolado, como você quiser chamar, mas essa é a verdade!

Fomos comprar meus materiais, até aí tudo O.K. Fizemos nossas malas certinho e esperamos a vinda de Prine, eu pensava que ele viria com um carro, um ônibus, poderia ter sido até uma carroça, mas sabe com o que ele veio?

Eu fiquei muito, mas muito irritado com o sonso do Prine. Ele veio com uma águia com corpo de leão e com duas asas. O animal fazia um som terrivelmente estanho que parecia estar sendo estrangulado, que segundo o Prine era um animal chamado por Grifo.

– Este é o Mont – disse Prine alisando as penas da cabeça do Grifo – São animais muito úteis para viagens.

– Meu filho não vai viajar nisso – indagou minha mãe – Você só pode ser louco!

– Ele vai ter que ir, é o único transporte permitido para entrar na HSM além dos golfinhos, se você quiser que ele viaje num golfinho tudo....

– Não!

Eu tinha de ir naquela águia se não nunca chegaria na escola, tive de implorar a minha mãe para me deixar ir, seu eu soubesse o que aconteceria uns trinta minutos após isso eu não insistiria assim não.

Eu deveria contar a vocês como montei no grifo, mas não é uma boa ideia.

Senti enjoo, subimos tanto, tanto no céu, eu gritava na minha mente: não olhe para baixo, por sorte não olhei (até àquela hora estava tudo bem).

Eu olhei para baixo e vi formiguinhas que pareciam os arranha-céus de Nova Iorque. E num piscar de olhos, eu estava segurando uma garra do grifo. Senti um vento forte bater em minhas costas, e assim, eu apaguei. (Cale-se Luiz)

***

– Oh, senhor Hunn... – uma enfermeira estava com um pano quente em minha testa – Finalmente acordou. Depois de quatro dias...

Fiquei quatro dias dormindo, ótimo!

– Quatro? Quer dizer que amanhã começam as aulas?

– Hum... É. – ela tinha uma pele morena e um cabelo que ia até seus ombros – Você já pode ir embora, mas vou ter que chamar Prine para te levar aos seus aposentos.

Eu não morri, eba.

A enfermeira pegou o telefone e discou oito números, começou a falar coisas como ”Venha busca-lo! Você é responsável por ele”, me tratavam como um bebê! Eu podia ir facilmente para meu quarto sozinho.

Após cinco minutos esperando Prine chegou ao quarto, exigi uma explicação do que aconteceu comigo depois que desmaiei. Ele me disse que me salvou e eu devia agradecer, disse que usou o poder de vento dele para me trazer de volta para cima do grifo. Eu ainda estava enjoado por causa do grifo.

Ele me levou até meu quarto, que eu iria dividir com um aluno que ainda não chegou, o quarto era de tamanho médio, tinha um beliche, dois criados mudos e um baú, era muito vazio, eu deveria decorar com o meu companheiro de quarto.

Fui até a porta e li um papel pequeno grudado na madeira: John Hunn, Elijah Cremers. 244. Elijah seria meu companheiro de quarto, um companheiro de quarto bem atrasado. Se era para vir dia quinze, por que ele veio dia dezenove?

Um garoto de pele escura, com uma mochila nas costas, uma jaqueta preta e jeans escura estava no fim do corredor, ele segurava um gato siamês. Ele chegou até a porta do quarto, estudou a escritura que estava na porta fez um hum e entrou sem nenhum cumprimento. Ele pôs a mochila no beliche de cima e pôs seu gato no chão. E esse era o Elijah.

– Miau! — miou o gato e Elijah deu uma bufada.

– Agora não, Danone. Não é hora do lanche! — disse Elijah, ele pegou o gato e pôs em cima de seu colchão.

Elijah veio até a mim e me cumprimentou.

– Oi, John — ele disse — Sou o Elijah, você ja deve saber.

Senti um ligeiro queimamento nos meus pés mas não me incomodei com aquilo. Elijah me contou sobre seus poderes sobre os animais, ele podia falar com todos eles. Ele só pôde trazer o seu gato de estimação preferido que se chamava Danone. Não pôde trazer outros porque a escola só permitia a entrada de um bicho.

Contei sobre os meus poderes, sobre a água e etc. Ele me contou que veio da Flórida. Disse que desde que nasceu já falava com animais, nunca matou uma formiga, e as vezes, quando se irritava, quem estivesse perto dele era picado por um enxame de Abelhas, eu disse que a história era impressionante, puxa.

Olhei para o beliche e percebi que Danone não se encontrava mais lá, Elijah olhou para baixo e ficou boquiaberto.

– DANONE — gritou Elijah, olhei para meus sapatos e vi a urina de gato descendo pelos meus pés, dei uma bufada e evaporei toda aquela urina, mas o fedor prevalecia (Luiz, da próxima vez que você fizer mais uma gracinha, eu dou um murro na sua cara!).- Desculpe, John. Ele faz isso quando acha que alguém está brigando comigo.

– Tudo bem. — menti.

Elijah fora estudar em mais de quatro escolas em somente um ano. Motivo? Trazia consigo mil baratas na mochila.

A mochila de Elijah começou a se remexer, Elijah, tentando escondê-la de mim foi para minha frente. De repente, outro gato saiu da Mochila dele, esse daí gostava de quebrar um monte de regras ein.

– MIAU!

– MIAU! — respondeu Danone para o gato que saiu da mochila de Elijah.

Elijah pediu desculpas, disse que queria trazer a sua gata (Que não era um gato, eu errei) porque ela e Danone são muito apegados (Namorados, eu quis dizer). Não conseguem viver um longe do outro. Ele pediu para que eu guardasse segredo e eu prometi.

Saímos do quarto, fomos até a entrada da escola, muitos jovens entravam por ali, vi duas meninas asíaticas — provavelmente japonesas — entrando, constrangidas. Vi um menino de cabelo verde conversando com uma garota de cabelo ruivo, e…. (Luiz, eu não estava perdendo a concentração! Idiota) Muitas pessoas, é isso. A escola ficava no topo de um monte coberto de neve, eu não sabia onde estava, mas era muito alto, não dava para ver a superfície de baixo da montanha. A escola tinha um climatizador que deixava dentro da escola quente, quando me pus para fora da escola quase congelei (Não estou sendo exagerado gente, tá?)

Elijah me disse que éramos para decorar o nosso quarto com coisas que nós gostássemos, então eu peguei um copo d’água e pûs em cima do cômodo, estendi minha mão para o copo e um tentáculo de água sai do mesmo. O tentáculo congelou e eu pus como decoração, lindo, não?

– Não vai derreter? — perguntou Elijah, tocou no gelo e retirou a mão rapidamente.

– Não, só quando eu quiser — respondi

Dessa vez eu estava realmente disposto a ter uma vida social, resolvi fazer amigos, e já tinha conseguido um, o Elijah Cremers, que era quase igual a mim. Eu achava que as aulas seriam diferentes nas aulas que eu tinha quando eu achava que era uma pessoa quase normal, eu tinha um amigo na antiga escola, o John, sim, tinha o mesmo nome, ele era outro rejeitado, morava com os avós e sempre levava um dos biscoitos de coco da sua avó para mim.

Ao lado esquerdo de cada quarto na ala dos dormitórios masculinos, e também provavelmente na ala dos femininos, havia um porta correspondência, dentro do nosso tinha uma pequena carta e na mesma estava escrito:

“As aulas começarão amanhã (dia 20) ás 9:30h, todos os alunos do primeiro ano deverão estar na classe do térreo ao lado da sala dos professores, segue a lista de aulas que vocês terão durante os próximos dez meses:

Combate — das 9:30h ás 11:30h

Controle — das 12:30h ás 14:30h

Os professores serão trocados a cada dois dias, para entender melhor, leia abaixo:

Segunda á Quarta (Combate): Rick Stones

Quinta á Sábado (Combate): Maggie Shipman

Segunda á Quarta (Controle): Mary Spencer

Quinta á Sábado (Controle): Luna Ferr

Se não estão entendendo, compareçam ao gabinete do sr. Cliff.

Senhor Cliff era o tal diretor da HSM, eu o imaginava como um cara gordo, usando um paletó apertado e um pouco velho.

A noite chegou, fomos chamados para um tipo de “Abertura”, onde se encontravam doze professores reunidos em torno de uma mesa redonda enorme. O diretor estava em pé de frente a um pupito e todos os alunos, desde o primeiro ano até o terceiro, estavam sentados em cadeiras, eu me sentei no lugar onde menos tinha gente, o fundo.

Elijah sentou-se ao meu lado, com ele estava o seu gato Danone.

– Ele não queria ficar sozinho — começou — então eu o trouxe.

– Sem problema — respondi.

Os professores ficaram de pé e o diretor começou a falar no microfone:

– Hum, bem vindos á HSM — bateram palmas — Como amanhã começa o ano letivo, eu devo ser breve. Todos os alunos devem estar dentro de seu quarto a partir dás onze horas da noite — eu ouvi bufadas por entre as cadeiras — o corpo docente decidiu que os alunos não devem ficar até tarde fazendo baboseiras! — mais bufadas — SILÊNCIO! Quero que vocês recebam os novos alunos como vocês sempre fazem todos os anos!

Olhei para trás de mim, a menina ruiva que eu olhara na frente da escola estava lá, cochichando com uma outra garota, ela piscou o olho para mim e voltou ao cochicho.

– Quem é essa? — perguntei á Elijah.

– Charlotte, ela repetiu o primeiro ano....

Então… A HSM era quase uma escola daquelas que eu frequentava. Charlotte parecia uma garota inteligente, por que ela reprovou?

– Não foi por falta de pontos, pelo o que me disseram, ela desafiou o sr. Cliff. — Elijah deu um suspiro — Isso porque ele a obrigou a ir para casa no natal, mas ela não queria ir, então ela o prendeu numa árvore e deixou ele lá, a árvore estava dentro de uma sala, ficou dois dias preso, todos estavam procurando por ele, até que acharam, e ele mesmo a puniu.

Com essa explicação de Elijah, descobri que o poder de Charlotte era sobre a natureza, ela me lembrava duma garota rebelde da escola de antigamente.

Todos os professores sentaram, e uma mulher, aparentemente uma serviçal da HSM, entrou, e trazia na sua mão um imenso bolo. Ela o pôs na mesa dos professores, partiu muitos pedaços os colocou numa bandeja e distribuiu, com um toque. Sim, um toque, ela foi tocando em cada bandeja, e uma fatia de bolo apareceu na minha frente.

– Que se inicie mais um ano! — gritou o diretor, pôs um tipo de capa no rosto e se foi.

(Luiz, já quer ir embora? Idiota! Bem, vocês já sabem, ele disse que está com sono e já vai embora, mas na próxima semana a gente se vê! Não deixem de ler a história, espero que gostem. Talvez você venha a estudar na HSM algum dia, eu mando Prine ir te buscar, tchau!)

Notas finais
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