High School Magical
3 Charlotte se torna rebelde
Notas iniciais
No outro dia, acordei com os gritos de Elijah.
– DANONE? DANONE! JOHN ACORDA! — olhei para o despertador, nem seis horas eram.
– O que foi? — cocei meu olho e me levantei, estava exausto.
– O Danone não está aqui! Nem Lilly está aqui! — ele estava desesperado, talvez o gato estivesse no banheiro fazendo suas necessidades, né?
Fui obrigado a sair pela ala masculina a procura do Danone, fomos andando devagar para não acordar os outros, até que decidimos arriscar a fazer uma coisa proibida, ir até a ala feminina, mas saibam que a ideia não foi minha, foi do Elijah.
Andamos em passos lentos, Elijah disse que viu as pegadas das patas de Danone no jardim da ala feminina, só que desapareceram quando não havia mais terra para deixar rastros, eu não devia me importar muito com o gato de Elijah, mas eu entendia o desespero dele, sabia que não devia deixá-lo na mão, até porque eu o já considerava amigo.
Elijah disse que podia farejar Danone, mas somente ele. Ele disse que não pode cheira outros animais porque eles não são queridos.
Vimos um quarto aberto e com luz acesa, corremos para lá e encontramos Danone nos braços de uma garota magra, alta, usava uma calça justa e tinha cabelo loiro, ela estava acariciando Danone, não percebeu nossa presença, então resolvemos observar.
– Sr. L., eu não posso namorar você! — falava a garota, continuava a acariciar sua cabeça.
– MIAU — protestou Danone, parecia mais um lamento.
– Posso te dar um beijinho — ela trouxe o gato para perto de seu lábio e beijou a pequena boca, e depois começou a lamber sua cabeça e fez um som estranho que parecia um ronronar. Os dois ronronavam, ela era um tipo de gato, só que humano.
Então ela nos notou, estudou Elijah e pôs Danone no chão, ele começou a se espremer em sua perna.
– Vocês sabem que garotos não devem estar na ala feminina de noite? — ela perguntou, estava com um olhar de culpa para Elijah.
– E você sabia que você deveria estar dormindo? — rebati, a garota olhou para mim com um olhar do tipo “Retire o que você disse se não eu quebro a tua cara”, mas ao invés disso, ela pegou Danone e entregou á Elijah.
– Diga ao Sr. L. que ele pode vir me visitar todos os dias — ela disse, lambeu o pelo de Danone e entrou no quarto e bateu a porta na nossa cara.
– Sr. L? – Elijah me perguntou, mas eu não sabia responder, porque o nome do gato era Danone, e não Sr. L.
Durante a volta para a ala masculina Danone começou a se contorcer e tentou arranhar Elijah, ele queria voltar para o quarto daquela garota que o chamava de sr. L.
– Como assim você tá apaixonado por ela? – Elijah estava conversando com seu gato – O nome dela era Jesse? Do Alabama? Ela já namora? Ela tem instintos felinos? Poder de gato você quer dizer?
– MIAU – e essa era a grande conversa que eu observava.
A versão que Danone contou a Elijah foi: Jesse – apelido para Jessica, ele disse que ela não gostava de ser chamada pelo seu nome — era uma garota de quinze anos que tinha poderes de gato, ou seja, uma mulher-gato. Ela veio do Alabama e morava com sua avó, seus pais morreram num acidente de carro enquanto viajavam para Nova Iorque, quando ela tinha cinco anos, desde então ela descobriu que era uma gata – literalmente. E assim, Danone se apaixonou por Jesse.
***
– Bom dia, ahn – falava um homem baixo e barrigudo, ele tinha mais ou menos um metro e meio. – Eu sou Rick Stones – ele agarrou uma caneta e escreveu seu nome, e embaixo dele pôs: Combate – Serei professor de vocês durante esse ano junto com a senhora Shipman. Enfim, nós iremos estudar o básico este ano – então ele começou explicações e blablabla das aulas que vocês têm no dia-a-dia. Depois da aula todos fomos ter um intervalo de uma hora para o almoço.
Observei os alunos indo em direção ao refeitório e os segui, cheguei até Elijah e fomos juntos. Era um esquema muito simples para pegar sua comida, você devia informar aonde você estava indo sentar e o que queria comer tudo em um pequeno papel, ir na fila e jogar dentro de uma caixa, dentro de quinze minutos um prato cheio do que você quisesse estaria a sua frente.
Charlotte, a garota que vimos cochichando no auditório ontem se sentou a nossa frente e comeu delicadamente, ela era bonita. Ela olhou para nós, mas não falou nada. Comi a lasanha que pedi.
– Charlotte, onde você estava? – uma garota chegara e se sentara junto a Charlotte. Rapidamente a reconheci, era Jesse.
– Resolvi dormir no jardim, Jesse. Não queria ir para o quarto. – Charlotte e Jesse dividiam o mesmo quarto, por isso não a vimos ontem no quarto de Jesse.
Um prato com grandes filés de peixe apareceu a frente de Jesse, ela fez um som estranho e atacou o prato. Ninguém falou nada, ela nem ao menos olhou para mim ou para Elijah, ela realmente estava muito entusiasmada com seu prato.
Logo quando terminou, ela ergueu sua mão até a boca e começou a lamber, observei seus movimentos, era uma gata muito mal-educada.
– Pode parar com isso? – Elijah disse erguendo a sobrancelha – É nojento.
– Ah, aí estão vocês. Não pararei, é minha higiene. Cadê o sr. L?
– Não é sr. L.! É Danone! – Elijah realmente gritou, eu me espantei – E eu não estou nem aí para a sua higiene, você está no meio das pessoas.
Jesse o ignorou e continuou a lamber sua mão, olhou para Charlotte, que enfim notou a nossa presença. (Luiz dá pra parar de fazer barulho quando for beber água? Anota isso para eles verem o quanto você é idiota).
– Oi – Charlotte limpou sua mão no guardanapo e estendeu a mão para nós dois – Charlotte Marrison.
– Elijah Cremers – respondeu Elijah.
– John Hunn. – estendi minha mão.
Jesse e Charlotte seguiram para a sala de aula novamente, porque estava na aula mais chata e detestável do mundo: Controle. Eu particularmente achava que era a disciplina em si, mas na verdade não era. Era a professora.
Uma mulher alta entrou na classe, observei Charlotte e Jesse do outro lado encostadas ao lado da janela. A professora tinha uma pinta enorme próxima ao seu nariz, ela carregava um livro enorme em suas mãos. Ela jogou o livro na mesa, sim, jogou. A voz dela mais parecia com uma unha arranhando as pedras:
– Queridos alunos – ela falava – Na minha aula eu não tolero: gracinhas, palhaçadas, desobedientes – então ela começou uma lista imensa sobre o que ela não gostava na aula dela. Ela apontou um dedo para um armário e o mesmo se abriu, dentro do armário havia um monte de livros iguais ao da professora (Que exigia ser chamada de senhorita Spencer, e não senhora).
Os livros flutuaram pela classe, cada aluno tomou um para si. Abri o livro, e percebi que não se tratava de um livro para estudo, e sim um livro empoeirado com mais de um milênio. Abri o final do livro, e ele continha mil trezentos e quarenta e duas páginas, e uma letra do tamanho de um grão de arroz.
– Vocês irão ler isso, e irão me trazer um resumo. Quero que vocês escrevam a mão, no meu tempo computadores e essas coisinhas não existiam. Se o resumo contiver menos de sessenta linhas você receberá um zero. Quero também que vocês façam uma biografia da autora, que sou eu – ela parecia se gloriar por ter feito aquele livro idiota.
A mão de Charlotte se levantou, a professora olhou por cima dos seus óculos para ela.
– Pera aí. A Aula é de Controle ou de literatura? – perguntou ela, a sala ficou olhando para Charlotte, afinal, ela já era acostumada com aquela professora, ela repetiu o primeiro ano.
– Ora, ora. Se não é a srta. Marrison – a professora deu um sorriso falso para Charlotte, que retribuiu da mesma forma.
– Senhora Spencer – o “senhora” irritou a srta. Spencer, ela foi até Charlotte e disse:
– Bem, eu acho que alguém deve ir a sala do diretor por ter questionado as ordens de uma professora, não? – a professora era parecida com um diabo (Não estou brincando, Luiz. Afinal, você não a viu!).
– Eu acho que não. – respondeu Charlotte, ela ergueu a mão para o chão, onde a professora estava pisando. No inicio nada aconteceu, mas de repente duas flores grossas apareceram próximo aos pés da srta. Spencer. As duas flores prenderam cada um de seus pés, ela tentou de tudo para se libertar, mas não conseguiu. A srta. Spencer tinha o poder sobre o ar, ela jogou uma rajada de vento por toda a classe para mostrar a sua fúria. – Bem, eu acho que estamos todos livres. Por hoje já basta, não é pessoal? Quem topa ir tomar um milk-shake na conta da srta. Spencer ein?
A classe se animou, todos saíram da classe, inclusive eu. E a professora Spencer ficou lá plantada com suas plantas.
***
No fim da tarde daquele dia, todos nós fomos chamados para a classe, para repor a aula que perdemos, e lá estava Charlotte. Charlotte não se incomodou com a presença da srta. Spencer. A srta. Spencer disse que por causa do erro de Charlotte – que não foi somente dela, mas de todo mundo – todo mundo iria pagar. Ela nos entregou mais dois livros, cada um com o número exato de oitocentos e quarenta e oito páginas, ela queria tudo para Quarta. Ela disse que adoraria reprovar Charlotte outra vez. Com o tempo, todos os alunos começaram a odiar a professora Spencer e aquela sua pinta que a cada dia ganhava vida (Sem ofensas).
(É assim que as coisas começam. Agora eu estou com um frio na barriga, estou a resolver se conto ou não o que ouvi... Luiz! Deixe-me roer, as unhas são minhas! Enfim, dessa vez sou eu quem quero terminar o capítulo. Charlotte, bem... Não vou dizer. Mas espero que vocês sejam pacientes pelo próximo capítulo, vou começar a contar sobre nossa jornada, você pode estar se perguntando o que é, mas vocês saberão. É só aguardar, tchau!)
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