High School Blindspot
3 Together
Notas iniciais
Edgar abriu a janela do seu quarto após ouvir um barulho de algo batendo contra ela. Ele estava sozinho em casa, pois Emma, sua mãe era enfermeira e na maioria das vezes trabalhava à noite e sua irmã, Lis, tinha ido dormir na casa de uma amiga. A figura que o esperava lá fora o lembrou alguns anos antes, quando eram mais jovens. Ela sempre fazia isso, principalmente quando estava com algum problema e não queria preocupar os avós, e mesmo se não quisesse falar nada ia até ele só pela companhia mesmo. Ele sempre a acolhia, muitas vezes sem perguntar o motivo e ele apenas a acolhia. Edgar a ajudou a subir e ambos se assentaram na cama. Natasha trazia um semblante cansado o que o fez sentir uma pontada de preocupação.
— Está tudo bem? – A garota balançou a cabeça em negativa. – Quer conversar?
Edgar observou em silêncio enquanto Natasha abria o zíper e retirava a blusa de frio. O rapaz se assustou com o que viu, pois não esperava algo tão chocante.
— Tasha... – Ele sentiu sua voz falhar e não soube o que fazer. A garota trazia vários hematomas nos dois braços e em parte do pescoço e o restante se escondia por baixo da regata. – O que aconteceu? – Ele olhou pra ela que permaneceu em silêncio e ele soube. Ricky.
— Ontem à noite, ele estava diferente e eu não queria, pois fiquei com medo e ele me forçou, e... – Natasha não conseguia falar sobre isso com ninguém, mas não estava mais aguentando.
— Você foi na polícia? Isso não pode ficar assim. Temos que dar um basta nesse cara. Isso é muito grave. – Edgar ficou muito nervoso e sentiu seu sangue ferver. Alguém tinha que parar Ricky.
— Não vale a pena. Eu não vou mais vê-lo. Dar queixa só vai me expor e eu não quero isso. Uma hora ou outra ele terá o que merece.
Edgar não concordava, ele sabia que era preciso fazer alguma coisa, mas mostrar sua raiva e nervosismo agora não a ajudaria em nada, não foi por isso que ela veio até ele. Ela veio porque precisava de alguém em quem confiasse, e ele estava ali pra ela, sempre. O garoto pegou a mão dela e tocou suavemente nos hematomas ao longo do braço. Uma lágrima solitária rolou no rosto de Natasha.
— Dói muito? – Edgar perguntou e a garota negou com a cabeça.
— Ontem estava doendo, mas agora já me acostumei com isso.
— Você não tem que se acostumar a sentir dor. Vem cá. – Edgar a tomou nos braços e a confortou e Natasha se desprendeu em soluços. Ambos permaneceram nessa posição por longos minutos até que ela se acalmou e eles se deitaram na cama. O garoto escolheu apenas dar-lhe sua companhia e se ela quisesse falar mais alguma coisa ele estaria ali.
Ele a observou até que ela adormeceu. Quando viu que ela não acordaria a cobriu com um cobertor e afastou os cabelos que estavam em seu rosto. Seu semblante mostrava o sofrimento que ela trazia, talvez há algum tempo, e ele sentiu péssimo por perceber que ela não lhe contou antes o que estava acontecendo por não querer preocupá-lo e por ele estar envolvido em outras coisas e não estar ali pra ela. Ele não deixaria mais isso acontecer. Prometeu a si mesmo que prestaria mais atenção e procuraria estar mais perto. Ela parecia tão pequena e frágil ali deitada em sua cama que quem olhava não imaginava o sofrimento que havia dentro dela.
Edgar saiu do quarto e fez o que precisava.
— Dona Amélia?
— Oi, Edgar? Está tudo bem?
— Está sim, não se preocupe. Natasha está aqui em casa. Ela dormiu, só liguei pra avisar. Eu não quero acordá-la, porque ela parecia tão cansada.
— Ela está bem, meu filho? Eu não a vi sair.
— Agora ela está bem. Dormiu a pouco.
— Obrigada por avisar. Apenas cuide dela.
— Estou cuidando, dona Amélia.
Edgar desligou o telefone e voltou para o quarto. Pegou um colchão extra que ficava embaixo da cama e arrumou para dormir, pois queria dar espaço a ela. Quando eram crianças Natasha fazia isso sempre e muitas vezes os dois apenas assistiam algum filme ou jogavam video game. Quando estava tarde a mãe de Edgar, vinha até o quarto e se estavam dormindo ela ligava para a avó de Natasha e avisava que a garota estava em sua casa. Com o tempo eles foram crescendo e cada vez mais as visitias diminuíram. Já fazia tempo que isso não acontecia, alguns anos, por isso Edgar se surpreendeu ao vê-la.
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— Pai!? O que foi dessa vez? – Kurt se dirigiu ao pai que estava tomando café na cozinha.
— Tá falando de que, filho?
— Você deve ter chegado bêbado de novo e esbarrou no meu carro quando foi colocar seu carro na garagem. – Kurt não era um rapaz fútil e apegado a bens materiais, mas estava cheio da bebedeira do pai.
Era essa vida desde que a mãe partira anos atrás. Kurt cuidava para que sua irmã não saísse prejudicada em toda essa situação em que viviam, por isso ele fazia o possível pra ser uma boa influência pra irmã de 16 anos que sempre se mostrara uma boa garota. Agora o rapaz se preparava para seguir a carreira militar, ele achava que conseguiria e se ingressaria no próximo ano.
Kurt retirou o carro da garagem e parou por um minuto pra olhar pra casa em frente. Ele conseguia visualizar a garotinha correndo ao descer as escadas sempre alegre. E se lembrou da noite em que ela fora morta vítima de um assassino brutal que nunca foi pego. Foi o pior momento da vida dele quando encontrou o corpo dela na mata, então ele se lembrou de Remi, a garota de sua classe, ele não sabia o porquê mas Remi o lembrava Taylor, talvez pela meiguice e o olhar suave.
A escola estava movimentada, pois era dia de jogo e logo cedo as líderes de torcida já se preparavam. Kurt até se arriscara jogar por um tempo, mas não quis seguir, preferia manter seu preparo físico correndo, coisa que fazia quase diariamente. Então ele a viu entrando na escola com o irmão. Ela olhou na direção dele e acenou, Kurt sorriu pra ela enquanto desaparecia junto com a multidão de alunos.
Quando chegou ao ginásio para o jogo Kurt a viu ao longe sentada com Patty e se atreveu a se assentar ao lado delas.
— Olá! Posso me assentar com vocês.
As duas assentiram e se prepararam para o início do jogo. Allie estava na torcida junto ao campo. Kurt e ela namoraram por um tempo, mas tinham poucas coisas em comum e o namoro foi esfriando, eles ainda se encontravam às vezes mas ultimamente ele sentia cada dia menos vontade de vê-la. Ele olhou para a garota ao seu lado e retribuiu o sorriso dela. Ela era verdadeiramente linda e os olhos verdes brilhantes pareciam o hipnotizar.
Natasha se juntou a eles na arquibancada e se empolgara bastante ao ver Edgar em um ótimo lance, ela não se conteve e gritou para o amigo que conseguiu marcar o touchdown dando a vitória ao time. Ele era a melhor pessoa que ela já conhecera e ela era muito grata por tê-lo ao lado dela. Ela nunca pensara nele como algo além de amizade, mas as vezes sentia o coração acelerar dependendo da maneira como ele a olhasse. A forma como ele a acolhida com seus problemas era diferente. Ontem à noite ele a deixou dormir na cama dele e ainda avisou sua avó. Seu coração se enchia com essas atitudes dele.
Ela não se conteve e o esperou sair do vestiário após se trocar e o recebeu com um abraço. Ele não se importava porque ela sempre fora de abraçar os amigos, mas algo parecia diferente e Edgar não conseguiu decifrar o que era. Natasha o viu olhar pro lado e seguiu seu olhar. Sarah. A garota estava saindo do vestiário com um outro jogador e ela viu Edgar se entristecer.
— Vamos sair daqui. – Natasha disse com os dentes cerrados e sentiu muita raiva pelo amigo. Como Sarah pode fazer isso na frente dele?
Ao saírem do colégio ela fora abordada.
— Natasha, vim te buscar. – Ricky se dirigira a ela como se fosse seu dono.
— Eu não vou a lugar nenhum com você. Vá embora! – A garota tentou não alterar o tom de voz, pois não queria chamar atenção de ninguém.
— Só vou se você vier comigo.
— Ela já disse que não vai com você! – Edgar não conseguiu se segurar e interviu.
— E quem vai me impedir? Você, seu moleque? Quando vai sair do pé dela e perceber que é a mim que ela quer e você sempre será apenas o amiguinho? – Ricky desdenhou da amizade deles. Edgar avançou pra cima dele e O garoto o empurrou o derrubando no chão.
— Vá embora cara, você não é bem vindo aqui! – Roman chegou e decidiu que deveria tomar um partido na situação.
— Agora você tem muitos defensores, Natasha! Aumentou seu grupinho de amigos?
— Eu não vou falar de novo. Se você não sair vou te acertar. – Roman já estava passando dos limites da irritação.
— Ela tem muitos amigos sim. Some daqui! – Edgar se levantou e foi para o lado do outro rapaz.
— Eu vou embora, mas isso não vai ficar assim. Eles não estarão sempre por perto. – Ricky subiu em sua moto e saiu a toda velocidade.
Natasha sentia tanto ódio e humilhação, pois odiava chamar atenção. Ela foi pro lado dos amigos que já estavam todos ali, Edgar, Kurt, Patty, a garota novata, Remi e o irmão e todos seguiram o caminho de casa sem muitos comentários sobre o acontecido.
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