High School Blindspot
4 Go to the party
Notas iniciais
— Helen, amanhã terá uma festa. – Remi se arriscou a comunicar à mãe adotiva sobre o desejo de ir à festa do irmão de Patty. – Nós fomos convidados.
— E? Você veio me dizer que está querendo ir? – A ironia era perceptível na voz da mulher.
— Sim. Estou pensando em ir. E, Roman também. – Remi custou a convencer o garoto a ir com ela, pois sabia que seria mais difícil Helen concordar se o ele não fosse.
— Nada feito. Eu disse que não queria vocês de turminha. Já basta o que aprontaram no colégio anterior. – Helen se referia ao envolvimento de Remi com Oscar e de Roman com Kathy.
— Não é nada disso! Não é justo você nos proibir de sair e de conhecer pessoas! Nós ficamos isolados em casa por causa das suas paranóias. – Remi saiu batendo a porta com força como uma adolescente rebelde. Roman apenas foi para o quarto em silêncio.
Natasha ouviu a buzina de um carro na porta de sua casa. Temeu que pudesse ser Ricky. Olhou de soslaio pela fresta da janela e não parecia ser ele, então resolveu ir conferir.
— Que tal dar uma volta na minha ferrari? – Edgar saiu de dentro do velho chevrolet que não se assemelhava nem de longe a uma ferrari. Ele mostrava um sorriso de um canto a outro da orelha.
— Oh! Você conseguiu? – A garota correu ao encontro dele e o abraçou. – É um carro lindo!
— Também não exagere! Não é tão bonito assim, e também está um pouco velho, mas aos poucos vou colocá-lo do jeito que eu quero.
— Ah, mas tá muito legal.
— Quer dar uma volta? – O rapaz sugeriu timidamente, na verdade ele estava era ansioso para leva-la pra conhecer seu carro.
— Eu? Terei a honra de dar uma volta no seu carro? – Natasha tentou fingir espanto, mas ela estava lisonjeada com o convite dele.
— Sim, será a primeira a andar no meu carrão. Venha! – Edgar abriu a porta e a garota se acomodou sorridente no banco do passageiro.
Edgar ligou o carro e saíram pelas ruas da periferia de New York.
“Ela não é minha namorada, pelo menos não mais...” “Eu vejo vocês juntos.” “Ela não aceita o fim.” “Você vai na festa do Freddy?” “Ainda não sei. Helen não quer que nos enturmemos com o pessoal do colégio.” “Mas, isso são vocês que escolhem.” “Ela não aceita.” “Mas você quer ir na festa?” “Q-quero.”
Remi não conseguia tirar da cabeça a conversa que tivera com Kurt durante o jogo no colégio. As palavras dele martelavam em sua mente. A vontade era deixar de lado tudo que Helen lhes ensinara e mergulhar apenas naquilo que estava com vontade de fazer. Ela sabia que Helen os amava, por isso queria o melhor para eles, mas muitas atitudes dela eram exageradas e o que ela mais queria fazer no momento era ir nessa festa. Ela precisava encontrar um jeito.
— Vamos descer um pouco? – Edgar sugeriu quando chegaram a um parque. Já estava escurecendo e não estava de todo deserto, havia alguns jovens conversando em um dos bancos e outros jogando basquete na quadra improvisada logo à frente.
— Pode ser. – Os dois se assentaram em um dos bancos de cimento e ficaram em silêncio por um tempo.
— Está tudo bem? – O rapaz tocou no assunto e Natasha deu de ombros. – Sobre o que aconteceu hoje...
— Foi humilhante. Nunca pensei em passar uma vergonha dessas na frente de tanta gente. – A garota ainda estava se sentindo muito mal pela afronta de Ricky na porta do colégio. Fora uma das piores situações pelas quais já passara na vida.
— Eu sei. Foi horrível.
— Obrigada por me defender. – A garota dirigiu a ele um sorriso sincero que fez seu coração disparar. – Sobre o que ele falou...
— Não tem problema, eu não me importo com o que ele pensa. – Na verdade Edgar ainda estava sentindo muita raiva pelo que Ricky dissera sobre ele ficar correndo atrás dela. Ele não se sentia assim sobre ela. Eles sempre foram muito amigos, bem antes desse cara aparecer na vida dela e ele sabia seus limites e nunca ultrapassaria se não sentisse que fosse a vontade dela também.
— Ele é um idiota. Sabe, ele não era assim, talvez fosse e eu fui muito cega ou muito apaixonada pra perceber, mas nos últimos meses, ele mudou muito e eu não estava conseguindo sair desse relacionamento, por medo mesmo, sei que estou me arriscando e você também por estar aqui comigo.
— Eu não vou te deixar sozinha sabendo que esse cara está por aí disposto a te fazer mal.
— Eu não ligo pro que acontecer comigo, Ed, só não quero que aconteça nada com você por causa disso.
— Não diga mais isso. Se tiver que acontecer algo comigo em sua defesa eu não me arrependerei.
— Você também não deve estar muito bem depois de ter visto a Sarah....
— Na verdade acho que senti mesmo foi susto porque não esperava vê-la com alguém tão rápido, mas está tudo bem, não é de mim que ela gosta. Nem sei se gostava tanto assim dela.
— Ela é uma boa garota.
— É sim.
— Sabe, cada dia mais me vem a certeza do que quero fazer da minha vida.
— Hum. Será o mesmo desejo de infância?
— É. Quero ser policial. – Um sorriso brotou no rosto dela. — Quero defender pessoas. Fazer o bem pra esse país, que é minha pátria. Mostrar pra esses bandidos que comigo não se brinca. – Os dois caíram na gargalhada.
— Você está certa. Tem que fazer o que seu coração pede, mas tome cuidado.
A garota já chegara a fazer algumas pesquisas sobre o que era necessário pra seguir essa carreira e pretendia se dedicar ao máximo pra passar nos exames. Tinha muitos planos para o próximo ano, preparar seu corpo e sua mente para as provas que com certeza exigiriam muito dela.
Kurt não parava de olhar para o papel que ela lhe dera. O número do telefone fora escrito rapidamente, mas ele não tinha certeza se deveria ligar. Ela havia dito que a mãe adotiva não estava de acordo que ela fizesse amigos na nova escola. Ele achava bobagem, mas ela parecia ter muito respeito pela mulher. O rapaz guardou o papel e decidiu ligar pela manhã antes de ir pro trabalho.
#############################
O sábado amanheceu mais quente que o normal para a estação. Ela levantou bem cedo e fez sua rotina de exercícios junto com o irmão. No início eram exigências de Helen, mas hoje ela não conseguia deixar de fazê-los. Tinha plena consciência do quão forte seus músculos estavam ficando. Já havia finalizado suas tarefas domésticas quando ouviu o telefone tocar. Eles não tinham celulares, além de ser caros Helen não permitia, mas ela percebeu que no colégio poucos tinham, ao contrário de onde estudavam antes.
— Eu atendo! – Remi avisou vendo Roman ir em direção ao aparelho. O garoto apenas levantou as mãos em sinal de rendição e saiu da sala. – Alô!
— Alô! É a Remi? – A voz do rapaz chegou a vacilar do outro lado da linha. – Aqui é o Kurt.
— Ah, oi. Como você está? – O coração da garota acelerou, ela não sabia ao certo se era por ele ter ligado ou por temer que Helen lhe fizesse perguntas sobre o telefonema.
— Estou bem. Só queria saber se você vai à festa. Posso passar por aí e te pegar.
— Não! – Sua voz saiu um pouco mais alta que o pretendido. – Não tenho certeza ainda. Mas se for será com meu irmão.
— Tudo bem. A gente se encontra lá então.
Depois que desligou o telefone ela sabia que precisava abordar o assunto com Helen novamente. Encontrou a mãe no jardim cuidando de algumas plantas.
— Oi filha! Está aí há muito tempo? – Helen perguntou ao se levantar no meio das plantas e perceber a garota lhe observando.
— Não. Acabei de chegar. Queria te falar sobre a festa.
— Hum. Estive pensando. Talvez fosse bom vocês irem. Não quero ninguém comentando por aí que sou superprotetora com vocês.
— Obrigada! – Remi puxou Helen para um abraço de agradecimento.
Remi tinha consciência do quão superprotetora Helen era, mas ela sabia tudo que a mulher havia passado para ficar com eles. Ela enfrentara o mundo para conseguir tirá-los do orfanato onde eram mal tratados e trazê-los pros EUA. Ela às vezes tinha umas regras meio exageradas, mas ainda assim tinha o coração bom e os filhos sabiam como ela os amava.
Fale com o autor