Notas iniciais
Nossos queridos jovens estão enfrentando momentos difíceis, a distância e saudade daqueles que amam. Vamos ver como estão se saindo.

Natasha

O tempo voa... Hoje completam exatamente dois meses que Ed foi embora, e eu estou como? Morta de saudades do meu namorado. Ah! Tem dias que a saudade é quase insuportável, mas eu me levanto e inicio minhas atividades e o tempo passa e me perco nos acontecimentos. Tenho certeza que ele também deve se sentir assim. Os finais de semana são os piores, porque era quando passávamos a maior parte do tempo juntos, eu tento me ocupar, ajudo a vovó com os afazeres domésticos e quando pisco os olhos o fim de semana já acabou. O tempo voa...

Esqueci de mencionar, antes de partir Ed comprou um celular pra ele e outro pra mim, eu cheguei a brigar com ele por gastar dinheiro com isso, mas ele fez bem, pois podemos estar mais perto, trocamos sms várias vezes ao dia contando o que estamos fazendo e conversamos à noite. Eu choro na maioria das vezes, nem sempre deixo ele perceber, não quero que ele se preocupe e perca o foco dos estudos. Ele me conta tudo sobre a faculdade, da maneira como ele fala parece ser outro mundo, eu sei que ele está feliz, sempre foi o sonho dele e eu torço muito por ele. Ele fez alguns amigos. Eu sei que ele está feliz, mas também diz que sente saudades e eu sei que é verdade.

Estou treinando muito para meus testes. Mês que vem abrem as inscrições, estou empolgada, mas sinto um frio na barriga quando penso em segurar uma arma, mas quero fazer o bem para este país, sei que precisam de pessoas com coragem para essa profissão e eu quero ser uma delas. Ed torce por mim, sempre me tranquiliza dizendo que vou conseguir. Eu o amo, muito, até demais, o amo com minha vida. Não está sendo fácil a distância entre nós, às vezes penso que vou entrar em desespero, mas me lembro que o tempo voa.

Edgar

A faculdade é um pouco diferente do que eu pensei que fosse, sei lá, é muito estudo e os treinos para o time de futebol também são bem puxados. Quase não tenho tempo de sentir saudades de casa, mas quando penso em Natasha meu coração se aperta. Fazem dois meses que não a vejo, sinto tanta saudade. Quando encontrá-la quero abraçá-la tão forte, mas tão forte e beijá-la, ah! beijá-la, sinto tanta falta disso. Sinto falta daqueles olhinhos negros hipnotizantes, da maneira que ela aninha seu corpo no meu enquanto dorme, o cheiro dela, não quero ficar tanto tempo longe a ponto de esquecer de todas essas coisas. Sei que não vou esquecer. Eu ligo pra ela e me perco ouvindo sua voz e ela me conta o que está fazendo, estudando, treinando para os testes da polícia, ela é muito forte e persistente, sei que vai conseguir. Nunca pensei que ela seria minha, e quando isso se concretizou precisamos nos separar, mas estamos juntos, mesmo que longe eu sei que ela é minha e eu sou dela, sempre seremos um do outro.

Mês que vem ela faz aniversário, não sei se conseguirei ir vê-la, as provas estão chegando e fica complicado, pois são muitas horas de viagem. Não sei se ela me perdoaria, preciso de uma solução ou algo que amenize minha ausência. Preciso pensar sobre o que fazer. Cheguei a comentar com Megan, uma de minhas amigas da faculdade, ela é uma garota muito legal e quer ser jornalista a todo custo, por isso estuda muito sobre o assunto e já ingressou no jornal da faculdade. Nós tivemos uma afinidade instantânea, ela sempre me dá forças quando estou muito pra baixo e com saudades de Natasha. Os pais dela eram indianos e vieram para os EUA quando ela e os irmãos eram crianças, não foi fácil conseguirem a cidadania americana, mas o tio dela os ajudou, ela me contou tudo sobre a vida dela e eu também me abri com ela sobre minha vida. Eu pensei em me afastar, pois tenho namorada e não sei até que ponto pode ser natural uma amizade assim, pois ela chega a me ligar tarde da noite e me chama para comer alguma coisa, às vezes não vou pois estou muito cansado. Eu tento decifrar a proximidade dela, mas acho que não tem nada de errado, eu contei para Natasha sobre Meg e ela pareceu não se importar, não há nada de errado mesmo, é só uma amizade entre uma moça e um rapaz. Megan diz que vai me ajudar a pensar em algo para surpreender Natasha em seu aniversário.

Remi

Acordei hoje com muita dor de cabeça e de estômago, era a terceira vez essa semana. Eu sempre fui muito saudável, por isso o estranhamento com esse mal estar. Não quero preocupar Hellen, por isso tomo um analgésico e fico quieta. Faço minhas tarefas como de costume. Roman estranha meu comportamento e pergunta se está tudo bem, digo que sim. O mal estar se repete ao longo da semana e decido ir à farmácia. Constato o que temia. Estou grávida. Não sei se interrompo a gravidez ou se peço ajuda. O que Hellen irá pensar. Kurt. Será que ele tem o direito de saber? Às vezes não, pois a gente não deve se encontrar nunca mais mesmo. Isso foi um deslize, nós sempre usamos preservativo, mas uma vez ou outra acabamos nos empolgando e deixando isso de lado.

Sinto muita falta dele, mas ele com certeza está bem, pois tem Allie. Eu também vou ficar bem. O tempo passa e com o tempo tudo se resolve. Eu vou ficar bem.

Kurt

Hoje é sábado e estou em casa, sempre venho ver Sarah, não gosto de deixá-la muito tempo a sós com nosso pai. Ele não presta, não é bom exemplo pra ninguém. Sarah parece bem, daqui dois anos irá para a faculdade e poderá se manter longe desse crápula. Evito bater de frente com Bill, pois não quero problemas para Sarah na minha ausência.

Allie vem no início da noite, eu não queria estar com ela, mas ela insiste, ela é linda, não consigo resistir. Bebemos juntos, passo da conta, transamos e eu chamo ela de Remi. Allie briga e chora, peço desculpas. Ela sabe que penso em Remi, depois que ela partiu não tive mais notícias, não sei onde ela está e com a rotina da escola militar não tenho tempo para procurá-la.

Estou pegando no sono e ouço o telefone tocar. Me levanto para atender, mas Allie já foi, quando ela retorna me diz que foi engano. A essa hora ainda ligam errado na casa dos outros, praguejo e volto a dormir, com Allie ao meu lado.

Patty

Ah, estou em Harvard. Isso aqui é um sonho de tecnologia, mas ao mesmo tempo é rústico e com ar de pré-história. Estou amando tudo isso, estudo pra caramba e penso no meu futuro. Quero trabalhar na inteligência e me esforço para tirar boas notas. Tem muitos alunos inteligentes demais aqui, muito mais que eu, mas tento acompanhá-los. Já ingressei em alguns projetos e ocupo todo meu tempo com isso.

Às vezes penso em Roman, sinto saudades, mas ele é muito diferente de mim, nunca se abriu de verdade, vive no mundinho dele, ou no mundo que a mão criou pra ele e a irmã. Também sinto falta dos meus amigos, Natasha, Edgar, Kurt, Remi, ela foi embora com a família e vi Kurt sofrendo, mas Allie não deixou isso acontecer por muito tempo. Sinto falta de Rich, aquele maluco me dava nos nervos, mas no final acabava sendo um bom amigo. Estamos combinando de nos encontrarmos nas férias de julho quando teremos tempo para colocar todos os assuntos em dia, até lá trocamos e-mail e mensagens de celular. Logo estaremos todos juntos novamente.

E tem David, um nerd muito legal que estou conhecendo, ele me chamou pra sair algumas vezes, nos beijamos, mas nada se tornou sério ainda. Estamos deixando rolar.

O tempo voa...

Notas finais
Obrigada pela paciência com essa história. Um pouco de calma para tentarmos resolver os problemas dos nossos queridos.