Notas iniciais
Imagina passar seu aniversário longe da pessoa amada...

Natasha

Natasha acordou com uma sensação estranha. Era pra ser um dia como outro qualquer, mas no fundo não era. Essa data tinha tudo para ser especial, mas devido às circunstâncias atuais não seria. Esperei durante muito tempo pelo dia que completaria meus dezoito anos, mas não parecia haver nada diferente de fato. Eu ainda estou na High School, minha mãe continua uma viciada que não vejo há anos, nem faço questão na verdade. Quando chego na cozinha para o café da manhã minha família me espera com um pequeno bolo e uma vela acesa, era tudo que eu precisava no dia de hoje, a não ser pelo fato de Ed estar a quilômetros de distância e não conseguir vir devido às provas do meio do semestre. Todos cantam os parabéns e recebo os abraços agradecida por tê-los ao meu lado, meus avós e meus irmãos, são tudo pra mim.

Edgar me envia uma mensagem carregada de carinho e se desculpa por não conseguir vir para me abraçar, eu choro e respondo a mensagem dizendo que é claro que não tem problema que ele não venha, mas eu sei que tem problema sim, e ele também sabe. Ele promete me ligar no final da tarde. A saudade dele aperta meu peito e eu saio para a escola com os olhos vermelhos. Na escola recebo abraços e piadinhas dos meus amigos e retribuo com sorrisos e agradecimentos. Não posso reclamar da minha vida, tirando o fato de que Ed está longe de mim, no mais sou uma garota de sorte. Tenho família, escola, amigos, e com muito esforço e ajuda de Deus vou ingressar na Polícia de New York.

O dia corre normalmente, volto da escola e ajudo minha vó nos afazeres da casa e quando terminamos as tarefas subo para meu quarto com o telefone do lado aguardando a tão esperada ligação. As horas passam, fico pensando nele, choro e acabo adormecendo. Quando acordo já está escurecendo e um vento frio está entrando pela janela indicando que deve chover logo. Como perdi a noção do tempo pego o telefone pra ver se não perdi a ligação de Edgar, mas não tem nada. Ele disse que me ligaria, talvez não tenha tido tempo ainda por causa das provas. Organizo meu quarto e vou para o banho levando o telefone na espera que ele ainda me ligue. No banho me pego chorando novamente. Não é possível que não vou ver meu namorado tão cedo. A saudade aperta tanto e isso dói, só sei chorar e me sinto horrível por achar que meu problema é muito grande enquanto tem tantas pessoas sofrendo por coisas muito maiores.

Edgar

Eu estou dirigindo há mais de uma hora e ainda faltam mais de três e muita estrada pela frente. Minha garota está esperando minha ligação e não quero deixá-la desapontada quando não conseguir ligar no horário combinado. Quero fazer uma surpresa muito maior que uma ligação. Sinto saudades demais de casa e de Natasha, minha menina. Todos os dias ao acordar me lembro de seu sorriso e encontro forças pra me apegar nos estudos com mais afinco torcendo para que o tempo passe logo e eu consiga voltar pra vê-la.

Hoje levantei mais cedo que de costume, pois nem dormi direito, a ansiedade era tanta que eu queria ir logo pra faculdade terminar as provas pra pegar a estrada. Antes de sair Meg veio ao meu encontro “tem certeza que vai pegar a estrada com esse tempo chuvoso”, “sim, você sabe que estou planejando isso há dias e não será uma chuvinha a me atrapalhar”, “boa viagem então”. Foi a nossa conversa, Meg sabe o tamanho do meu amor por Natasha, quando ela se aproximou e disse que estava gostando de mim eu deixei isso bem claro, mas não a fez se afastar. Eu espero que ela encontre um cara legal, pois é uma boa garota.

Dirijo mais alguns quilômetros e ouço um barulho estranho com o motor do carro. Paro pra olhar e o que vejo não é nada agradável. O carro parece ter esquentado e não tem uma gota de água no radiador. Só me faltava essa! Tenho uma garrafa de água, mas não é suficiente. Deixo o carro esfriando e caminho de encontro há um posto de gasolina. A chuva cessou um pouco e espero que não me pegue de surpresa.

Meia hora caminhando e tem um posto onde encho o galão de água. Volto debaixo de chuva e por sorte o carro já esfriou e sigo meu caminho, encharcado e com mais de uma hora de atraso nos meus planos. Sinal de celular ausente por toda estrada e não consigo ligar pra minha mãe pra avisar do atraso e nem para Natasha pra lhe dar os parabéns e dizer o quanto a amo. Pelos meus cálculos chego antes das oito da noite.

Natasha

Já são quase oito horas e nada de Edgar ligar, tento ligar pra ele e está fora de área. Pode ter acontecido alguma coisa, pois ele nunca descumpriu uma promessa comigo. Talvez seja a primeira vez a acontecer isso, ou às vezes achou uma garota mais legal e que esteja perto dele e não a quilômetros como eu. Choro de novo. Que droga! Só queria encontra-lo!

— Natasha! Corre aqui! – ouço minha vó me gritar. Desço as escadas correndo pensando ter acontecido algo com ela. Olho para a porta e ali parado está Edgar. Meu coração acelera tanto que fico sem reação.

Ele corre ao meu encontro e o abraço tão forte, não quero solta-lo nunca mais! Ele é meu pra sempre, só meu. Choro de novo, agora de surpresa e alegria, é tão bom tê-lo aqui. Edgar está todo molhado e o semblante tão cansado, também parece mais magro, mas ainda é o meu Ed!

— Pensei que não viria. – digo debaixo de lágrimas.

— Quis fazer surpresa. Tava morrendo de saudades, e são seus dezoito anos. Você está tão linda, Natasha. – Ele também chora e me abraça e me beija.

Vamos para a casa dele onde Emma espera com jantar pronto, pois sabe que o filho chegaria faminto. Após Edgar jantar e tomar banho vamos para o seu quarto. Ele me dá de presente um colar de prata com pingente de coração. “Pra você nunca se esquecer de mim.” Como se isso fosse possível. Edgar me beija tão profundamente e eu me agarro nele com tanto amor, ele é meu namorado e está aqui. Nós fazemos amor depois de tanto tempo e ele me enche de carinho e atenção. “Deixa eu cuidar de você, é seu aniversário.” Após nos amarmos ficamos abraçados e ele está tão cansado que logo adormece. Amanhã nós conversamos, o importante agora é que ele está aqui.

Remi

Estou entrando na vigésima semana de gestação, já sinto meu bebê mexer dentro de mim, é estranho, não sei se já me acostumei com a ideia de ser mãe. Ellen quer que eu dê o bebê, mas já disse que não darei, quero cria-lo, um pedaço de mim, e de Kurt. Às vezes me entristeço ao lembrar dele e do relacionamento que tivemos, foi muito intenso, me entreguei completamente, mas nunca fomos um do outro de verdade, eu sabia que iria embora, eu quis ficar, mas não pude, e Kurt sempre teria Allie. Oscar sempre vem me ver, ele sabe do meu estado, não o amo, mas sinto um carinho por ele, por enquanto me basta.

Faço planos para meu filho, quero contar a ele quem é seu pai e como o amei, e se algum dia ele quiser conhece-lo terá meu apoio. Liguei para Kurt uma certa noite em que estava muito triste e me sentindo sozinha, mas Quando Allie atendeu não tive coragem de completar a ligação. Melhor deixar as coisas como estão. Ele está bem e nós vamos ficar bem, me refiro ao bebê.

Roman me apoia, está estudando e treinando como nunca, disse que me ajudará com o bebê. Ele quer prestar provas para a aeronáutica, é muito inteligente e esforçado, torço para que consiga, um rapaz de outro que precisa de boas oportunidades. Às vezes sinto que Ellen o trata de maneira tóxica, mas espero que ele saiba tirar de tudo isso algo bom para sua vida.

A noite está escura e caminho sozinha pela rua deserta, sei me defender, mas não posso colocar em risco a vida do meu bebê. Volto pra casa, me esgueiro pela janela de onde saí e volto para a cama onde adormeço pensando em como será meu futuro.

Natasha

Ai, como o tempo passa rápido! Edgar e eu aproveitamos ao máximo nosso final de semana. No sábado de manhã ele deixou o carro na oficina para fazerem uma checagem e não correr risco de haver algum problema em sua viagem de volta. Depois disso fomos correr pelo parque, ele me ajudou a monitorar meu tempo me orientando na maneira correta de respirar e correr, eu vinha me preparando desde o início do ano e queria estar bem em meus testes. À tarde fomos até a piscina do clube onde frequento para o treino de natação que também fazia parte dos testes. Mais tarde fomos à sorveteria depois voltamos pra casa dele pra descansar um pouco. Conversamos muito, ele me contou com muito entusiasmo detalhes sobre tudo o que fazia na faculdade, sobre os treinos, jogos e estudos. Era tão bom vê-lo feliz, ele merecia mesmo tudo isso.

À noite fomos ao cinema e nos encontramos com alguns amigos, depois saímos para um barzinho onde nos divertimos muito. Já cansados voltamos pra casa sabendo que ele iria embora no outro dia e meu coração já se apertava. Mas a páscoa estava próxima e não demoraria muito para nos encontrarmos. Ele estava tão cuidadoso e atencioso comigo, não que antes não fosse, mas a intensidade estava maior, provavelmente estava tentando suprir todo o tempo que passou longe, eu estava amando tudo, eu sei que faltava muito tempo para ficarmos juntos de vez, nem sei quando isso aconteceria na verdade, mas não queria ficar bitolada com isso, por enquanto vamos nos esforçar para garantir nosso futuro e aproveitar nossos encontros com muita intensidade.

Edgar

Natasha estava linda, uma energia que dava gosto de ver, treinamos juntos e ela estava se saindo muito bem, com certeza passaria nos testes. Nos curtimos muito no fim de semana, fizemos várias coisas juntos, eu estava com tanta saudade que não sei como não vim antes. Não quero demorar tanto tempo assim para voltar, vou tentar me programar, pois apesar da longa viagem o sorriso dela compensa tudo.

No domingo na hora de ir embora nós dois choramos, mas sabíamos que logo nos veríamos, tentei tranquilizá-la que iria dirigir com cuidado e permanecemos abraçados por longos minutos até que precisei ir. A viagem de volta foi tranquila sem contratempos, ao deitar na minha cama tarde da noite só consigo pensar em Natasha sorrindo pra mim.

Notas finais
Obrigada por acompanhar! Qualquer dica deixe nos comentários xoxo