Notas iniciais
A história começa a esquentar! O que será que nossos personagens favoritos estão aprontando?

Edgar entrou pela porta da delegacia e a viu sentada em uma cadeira em um canto, seus olhares se cruzaram. A fisionomia dela era de uma garota cansada e abatida. Ele quis correr e abraçá-la , mas não o fez. O avô da garota estava ao lado dela e trazia um semblante triste e cansado. Algo não estava certo e ele precisava entender. Ele apenas se assentou ao lado dela.

— Você está bem?

— Sim.

— Ele fez algo com você? Te bateu ou te machucou. – Natasha apenas balançou a cabeça negativamente.

Então ela lhe contou o que havia ocorrido após Edgar tê-la deixado em casa. Ricky ficou esperando ele ir embora e a chamou. Ela se negou a ir, mas o outro rapaz insistiu e disse que machucaria Edgar e também poderia fazer algum mal aos irmãos dela. Ela não teve escolha. Eles saíram de moto e havia uma outra moto com mais dois amigos de Ricky. Os rapazes pararam as motos em um posto de gasolina e invadiram e roubaram a loja de conveniência. Natasha permaneceu do lado de fora, pois não queria se sujar. Quando saíram da loja ela pediu que Ricky a levasse para casa porque ela estava cansada, mas o rapaz ligou a moto e saiu em disparada. Uma perseguição policial se iniciou, eles foram cercados e pegos pelos policiais que os revistaram e encontraram drogas com todos os rapazes. Natasha saiu limpa e Ricky jurou que ela não tinha participado do assalto. E agora estava ali esperando para prestar depoimento e ser liberada.

Após toda a narrativa os dois permaneceram em silêncio, Edgar não sabia como reagir e preferiu ficar quieto, pois não queria conversar com ela ali. A verdade era que ele estava se sentindo traído.

Deve ter passado uma hora até ela prestar depoimento e ser liberada. Natasha pediu seu avô para deixá-la ir embora com Edgar. Quando ele parou o carro na porta da casa dela já havia amanhecido e ela não conseguia descer. Precisava conversar com ele, pois o rapaz parecia muito chateado.

— Você está com raiva? Eu entendo se tiver...

— Que merda foi aquela? – Edgar olhou pra ela e Natasha não sabia bem a origem da pergunta. – Você dançou comigo, depois me deu aquele beijo, e... depois Ricky te chama pra dar uma volta e você vai?

— Não foi bem assim que aconteceu, Edgar, eu te contei. Ele ameaçou machucar você, e meus irmãos.

— Deixasse ele vir, porque não deixou? Eu chamaria a polícia pra ele, pois não iria ficar parado vendo essas coisas acontecerem.

— Você precisa me entender. Essa noite foi tão perfeita, e eu não queria que ele machucasse você... – As lágrimas caíam pelo rosto dela.

— Você quer ser policial? Pois quase arruinou tudo, Natasha! – Edgar respirou fundo e parou de falar por um momento.

— Eu sei. Eu não pensei na hora, só pensei nas maldades que ele poderia fazer com você ou com meus irmãos. Eu... eu sou toda errada mesmo, me desculpa.

— Natasha, é a sua vida, você sabe o que faz. Não adianta eu ficar aqui te falando tudo isso. É melhor você ir embora descansar que já amanheceu e você nem dormiu.

Edgar ficou olhando enquanto ela caminhava para casa com a cabeça baixa. Ele estava mais preocupado que chateado, mas pelo menos Ricky estava preso e pagaria por seus atos errados e Natasha poderia seguir com sua vida com mais segurança.

Natasha desabou em sua cama e deixou que as lágrimas molhassem seu travesseiro. Ela havia arruinado tudo. Um cara legal como Edgar merecia mais, ele não era pra ela, sua vida estava uma bagunça e ele não merecia fazer parte disso. Ela queria ter dito não a Ricky, mas o medo foi maior.

Em meio a esses pensamentos ela adormeceu e teve vários sonhos desconexos, ora abraçava Edgar, mas quando ia beijá-lo era o rosto de Ricky que via. Acordou no final da tarde e ainda se sentia cansada e com dores por todo o corpo. Tomou um banho e encontrou os avós na sala esperando-a para uma conversa.

Os avós de Natasha não eram de dar bronca, e sim, conselhos, então conversaram com ela por longos minutos sempre deixando bem claro que tudo que acontece conosco é fruto de nossas escolhas, pediram pra que ela pensasse bem sobre tudo que estava acontecendo na vida dela e se queria continuar assim ou pretendia fazer escolhas melhores.

Natasha era muito grata por ter pessoas como seus avós em sua vida. Eles foram verdadeiros anjos nos momentos em que ela mais precisou, ela estava se sentindo muito mal por fazê-los passarem por isso e prometeu a si mesma que iria pensar melhor antes de fazer suas escolhas.

A segunda-feira feira amanheceu chuvosa e Kurt se assentou em seu lugar de costume e não viu Remi na classe, pensou que ela tivesse se atrasado devido à chuva, mas ela não apareceu até o final da aula. Ele decidiu que assim que chegasse em casa ligaria pra ela. A festa do último sábado foi perfeita e ele pode conhecê-la melhor, não desperdiçaram nenhum minuto do tempo que passaram juntos e Kurt sentiu uma entrega plena da parte dela. Apenas na hora de deixá-la em casa, já de madrugada, sentiu uma sombra de medo passar pelo olhar da moça, o rapaz a beijou profundamente e prometeu que estaria ali se ela precisasse de qualquer coisa e que não hesitasse em ligar se tivesse qualquer problema. “Não é tão simples assim...” Remi dissera. Kurt não entendia muito bem a submissão dela referente à mãe adotiva, mas sentia que havia gratidão da parte da moça por tudo que Hellen já fizera por ela e pelo irmão.

— Remi não veio na aula, né? – Edgar o perguntou assim que terminou a aula.

— É. Deve ter acontecido alguma coisa. Vou ligar pra ela mais tarde. E você e Natasha? Vi que estavam muito próximos na festa, mas hoje não a vi.

— É mais complicado que parece. – Edgar se mostrou desanimado. – Ricky foi preso, você soube?

— Sim. Eu nunca fui muito com a cara desse cara, mas não desejava que acontecesse algo assim.

— Eu também nunca gostei muito dele, mas nunca disse à Natasha. Ela que tem que saber o que quer.

Edgar ainda parecia estar chateado por tudo que havia acontecido, não havia conversado com Natasha desde que a deixara em casa no dia anterior e também não pretendia procurá-la. Ele queria dar espaço para que ela decidisse o que fazer. Ele a viu de longe na hora de ir embora, no momento que seus olhares se cruzaram ele teve certeza que estava apaixonado, então ela foi embora com Patty.

— Não quer ir lá falar com ele? – Patty perguntou assim que as duas entraram no carro.
— Não. Ainda não. Ele está chateado e eu não acho certo trazê-lo pra tudo isso que está acontecendo comigo.

— Talvez seja melhor você deixar ele decidir sobre isso.

Natasha queria falar com Edgar mais que tudo, mas achava que ele não merecia passar tudo isso com ela. Ele era um cara legal e ela estava uma bagunça. Melhor dar tempo ao tempo.

— E você e o gato loiro? – Natasha sorriu maliciosamente para a amiga se referindo a Roman.

— Não sei. Somos diferentes demais. Acho que não daria certo de qualquer jeito.

— Ah! Para com isso. Apenas curta o momento.

— Vou fazer isso.

Patty não queria era se apaixonar, pois tinha muitos planos para seu futuro e não queria incluir nenhum garoto nisso, mas a verdade é que Roman mexia demais com ela. Apenas respirou fundo e seguiram para casa.

Remi não foi à aula naquele dia. Já era noite e ela estava chateada com a mãe adotiva. Trabalhara o dia todo e para Hellen nunca parecia suficiente. Ela realmente chegara muito tarde no sábado, mas poxa, nunca podia fazer o que queria. E, Kurt era um cara muito legal e ela estava gostando demais dele. A forma como ele fora carinhoso e atencioso com ela quando estavam juntos foi demais. O sermão que Hellen leu pra ela quando chegou a deixou humilhada, a mulher disse coisas sobre se envolver com um cara pobre e que não tinha condições de dar a ela um futuro decente. Esse pensamento idiota nunca faria o estilo de Remi. A mulher mais velha estava decidida sobre o que fazer com o futuro deles e Remi não gostou da conversa que tiveram no dia anterior. O telefone tocava sem parar, mas Hellen não atendeu e também não permitiu que nenhum deles atendesse.

Remi se trancou no quarto e fez algo que já fizera antes, pulou a janela. A noite estava fria e escura, mas nada assustava Remi. Ela já havia enfrentado situações piores por motivos piores. Quando terminou de descer pela lateral da casa rumo à rua, em sua mente apenas o roteiro que seguiria até a casa de Kurt. Precisava reencontra-lo.

Deixou sua casa para trás ciente do quanto isso lhe custaria num futuro próximo. Hellen não deixaria barato essa sua ousada aventura. Mas isso não lhe importava agora.

Era grata à mãe por tê-los tirado daquele maldita orfanato. Mais que isso, amava Hellen apesar da austeridade dela cobrar lealdade e não outras formas de sentimentos. Entretanto, mesmo sabendo que ela e Roman nunca poderiam ser pessoas normais após tudo que viveram, havia algo dentro dela que se negava a aceitar isso. Remi nunca antes havia admitido isso, mas ainda sonhava em ser feliz e Kurt reacendeu isso dentro dela com uma força que nunca antes vivenciou.

Kurt estava em seu quarto quando ouviu baterem em sua janela. Qual não foi o susto quando abriu e viu Remi. Ele a ajudou a subir e a aqueceu com seu cobertor pois a garota estava gelada.

— Estava com saudades. — Remi disse ao se sentir aquecida.

— É. Você não foi à aula. Senti sua falta.

— Tive alguns problemas.

Ele não quis perguntar detalhes, pois sabia se tratar da mãe adotiva. A puxou para ele e ela se entregou ao beijo apaixonado que ele lhe deu.

Ambos desejavam estar mais perto e não sabiam o quanto resistiriam. Entre beijos e carícias Kurt perguntou se ela tinha certeza do que estava fazendo.

— Eu já fiz isso antes se é isso que você quer saber. — Remi teve um relacionamento muito intenso com Oscar, mas no final ele não se revelou o que ela esperava e ela se afastou dele.

— Tudo bem. Não tem problema. Melhor assim. — O rapaz sorriu e a beijou com fervor.

Entre toques e beijos os dois se entregaram ao amor e ao desejo que os assolava.

Notas finais
Gostaram? Muita coisa louca ainda pode acontecer! Obrigada por lerem. Me digam suas opiniões, ficarei muito feliz em saber. Obrigada Carla pelas dicas!