Notas iniciais
Estou de volta! Rápido, né? Mas aposto que estão gostando dessa chuva de capítulos. Então esse capítulo será apenas uma forma de ligar os acontecimentos que virão e também estabelecer uma conexão entre essa equipe que está aprendendo a trabalhar junto. Boa leitura!

Kurt

Fazia mais de uma semana desde a reunião na casa da Patty e eu estava apreensivo com as notícias recebidas. Remi some há quase quatro anos e quando finalmente tenho notícias dela é bem provável que esteja trabalhando para uma célula terrorista.

A reunião foi marcada em uma sala de conferências do FBI. Esperávamos há mais de vinte minutos até que uma mulher negra com cerca de cinquenta anos, vestindo um terninho preto entra pela porta e se apresenta.

— Olá pessoal, meu sou Bethany Mayfair, sou assistente direta da unidade do FBI em NY. Me desculpe fazê-los esperar, é que estava com alguns contatos ao telefone. – A mulher era simpática, mas tinha a voz firme. – Então, peço que se apresentem, por favor.

Enquanto falávamos sobre nós, tive a impressão que éramos medidos com atenção, é claro que era necessário, pois esta operação parecia muito delicada e não seria permitido falhas. Cada um falou sobre si, o que fazia e por que estava ali. Estávamos um tanto apreensivos com tudo aquilo, pois era uma situação nova e envolvia pessoas que conhecíamos, mas precisávamos ser imparciais em qualquer situação.

— Então pessoal, o que tenho a dizer é que já conversei com os superiores de vocês, Kurt Weller e Natasha Zapata e eles liberaram vocês para trabalharem nessa força-tarefa. Agente Edgar Reade estou te liberando, e vocês Patterson e Rich, se estiverem dispostos também estão incluídos.

Todos ficamos aliviados e agradecemos por esta confiança. Uau! Uma força tarefa do FBI, isso era demais! Eu fiquei feliz por poder ajudar e tinha outra coisa, se Remi estava mesmo envolvida eu queria ser o primeiro a saber, porque se ela me enganou, e a todos nós, era mais que merecido que fosse pega.

— Só tem mais uma coisa. – O que viria agora? – Tem uma pessoa que está atrás desse pessoal há algum tempo e ela está aqui para conversar com vocês. Vou chama-la. Só um instante.

Bethany sai da sala e ficamos todos apreensivos sobre quem é essa pessoa a que ela estava se referindo. Ela volta uns minutos depois com uma mulher em seu encalço. A mulher parece ser de algum lugar do oriente, morena, estatura mediana, com uma postura de superioridade, e também muito bonita.

— Bom, gente, essa aqui é Nas Kamal, ela trabalha para a NSA. – Bethany a apresenta. – Vou deixar ela conversar com vocês.

— Bom, Bethany já me apresentou então vamos ao que interessa. A NSA está interessada em Ellen Briggs e seu grupo há algum tempo. Rastreamos alguns ataques que fizeram parecer aleatórios, mas acreditamos que esse grupo está envolvido. Nós chamamos eles de Sandstorm. Já conseguimos rastrear algumas atividades e precisamos que vocês encontrem a Remi e o Roman, pois sabemos que vocês os conhecem. – A mulher passa o olhar sobre cada um de nós querendo sentir nossa reação. – Quando soubemos que estavam montando uma força-tarefa para rastrear as atividades desse grupo sentimos necessidade de nos envolvermos.

— Não sabemos se eles querem nossa aproximação, pois tentamos rastreá-los há algum tempo e não obtivemos sucesso. – Patty complementou.

— Vocês precisam tentar, pois a garota não parece estar no país, então pode ser que não esteja envolvida ou pode estar agindo à distância, encontrando ela é bem capaz de nos levar até o rapaz. Esses dois podem ser a chave de que precisamos para entrar na organização e pegarmos Ellen Briggs, que ao que tudo indica é a cabeça da organização.

— O que me dizem? – Bethany Mayfair quis saber.

— Olha, não tínhamos pensado em envolver tantas pessoas nessa operação. – Tasha se opôs.

— E, se eles tiverem do lado da mãe queremos que eles tenham a chance de se defender, pois podem ter sido coagidos a participarem das operações deles. – Dei minha opinião, pois quero que a justiça seja feita, mas ainda assim acho que todos devem ter direito de serem ouvidos.

— Kurt, temos que agir com imparcialidade mesmo que tenhamos envolvimento com os dois irmãos. – Edgar estava calado há algum tempo resolveu falar.

— Pessoal, acho que a NSA é a nossa melhor opção, pois eles podem acrescentar muitas informações importantes de que vocês precisarão. – Bethany tomou a palavra. – Então, essa operação será liderada por mim e por Nas Kamal e nos encontraremos toda manhã aqui na sede do FBI. Vocês terão todos os recursos e acessos necessários para que a operação ocorra da melhor forma possível.

Bethany Mayfair encerrou a reunião e nos direcionamos para o local onde seríamos registrados e receberíamos nossos acessos. Após todos os trâmites concluídos fomos liberados e no próximo dia começaríamos pra valer.

Patty e Rich ficaram admirados com tanta tecnologia que era um prato cheio para um jovem hacker como o Rich que eu, sinceramente, esperava que fizesse bom uso e não colocasse em cheque a confiança que nos foi depositada.

Saí dali naquela tarde e passei em um bar, precisava de uma bebida para ajudar a digerir tudo o que estava acontecendo. Eu amei Remi, mas ultimamente meus sentimentos por ela estão confusos, todo esse lance de terrorismo, não parecia a mesma pessoa que eu conheci, eu só queria encará-la nos olhos e perguntar se ela me amou ou só me usou.

Edgar

A reunião foi muito positiva, foi bom saber que teremos apoio do FBI e também da NSA, apesar que aquela agente me pareceu um tanto sinistra, mas precisávamos de apoio e agora teremos.

Natasha estava linda, de farda, eu não a tinha visto vestida assim, pois quando terminamos ela ainda não havia começado a trabalhar. O ar imponente e mal-humorado típico de Natasha Zapata estava ali o tempo todo, e eu sempre amei isso nela, aquela pessoa que parece estar ali e não se importa com nada, mas no fundo possui um grande coração, essa foi a garota por quem eu me apaixonei anos atrás. Ela ainda me enfeitiça e eu não consegui ficar muito tempo sem olhar pra ela, não dava para evitar, ainda mais com ela sentada à minha frente. Eu notei que ela às vezes também me olhava, mas depois do que ela fez com a gente, não acredito que ainda existam sentimentos da parte dela.

Quando a reunião finalizou eu levei o pessoal para fazer seus registros, era bom ter todos eles aqui, cada um com seu jeito particular preencheria seu papel nessa força tarefa. Não pude perder a oportunidade de trocar algumas palavras com Natasha.

— Você fica bem de farda. – Sorrio tentando parecer natural.

— Ah, obrigada, você não tinha visto... – Ela responde de maneira sincera. – É quente às vezes, mas com o tempo você se acostuma. Você também fica muito bem de terno, todo certinho e engomadinho.

— Não sou engomadinho! – Fico sem graça e ela me dá um pequeno empurrão com o braço.
Rimos um pouco, é tão bom tê-la aqui, mesmo que dessa maneira. Só de saber que estarei perto dela todos os dias meu coração se enche, mas preciso me segurar, não quero que ela saiba o quanto sinto falta dela. Quando ela me dirige esses olhares enigmáticos e levanta a sobrancelha minha vontade é de beijá-la ali mesmo sem pensar nas consequências.

Natasha

Já faz mais de uma semana que estamos na força tarefa. Estamos nos entendendo bem, apesar das diferenças que cada um carrega. Nas tem o pulso firme e eu admiro sua forma de trabalho, apesar que às vezes ela tem uma sede de justiça que chega a me dar medo. A equipe está se conhecendo novamente, pois há anos não ficávamos tão próximos, é claro que acontecem algumas divergências de opiniões, mas nada que não consigamos contornar. Kurt parece ansioso e às vezes o sinto distante, acho que pela proximidade que ele esteve de Remi, talvez não esteja lidando muito bem com o fato de ela poder ser uma terrorista. Patty eu sinto que está conseguindo separar bem apesar de seu envolvimento com Roman, o que eles tiveram pode não ter sido tão forte como o que Kurt teve com Remi.

Edgar, ah esse às vezes me dá nos nervos com seu jeito certinho, mas acho que esse balanço é importante para conseguirmos pesar o certo e o errado em algumas situações que estamos vivenciando na força tarefa. Eu gosto do jeito dele mesmo que as nossas opiniões muitas vezes sejam diferentes. Acho que estamos lidando bem com a proximidade depois de tanto tempo sem nos vermos, sempre que possível conversamos um pouco, brincamos e até descontraímos em algumas situações, mas sempre evitando ultrapassar a linha que estabelecemos mentalmente.

Tem dias que me pego pensando em como seria se ainda estivéssemos juntos, será que estaríamos aqui? Ou casados? Não sei, é estranho porque existe uma lacuna de três anos entre nós e vejo que estamos tentando nos adaptar, nos conhecendo novamente tentando não deixar com que o passado interfira no que precisa ser feito.

Chego em casa no início da noite, entro pela porta e me deparo com som de uma música metálica vinda do aparelho de som disposto no canto da sala, pelo menos não está tão alto dessa vez. Tiro minhas botas e me dirijo para a cozinha na tentativa de encontrar algo para beber e relaxar um pouco a tensão do dia. Moro com outras duas garotas que também trabalham para a polícia de NY e uma delas é bagunceira e gosta de som alto e quando quero descansar não é pra cá que sinto vontade de vir. Abro minha cerveja e sinto meu celular vibrar no bolso. “Venha agora, vovó passou mal e está no hospital”.

Notas finais
Obrigada pela leitura e qualquer dica ou crítica me deixe saber! ; )