High School Blindspot
18 Cap 18
Notas iniciais
Natasha
“Senhor, receba a Sra. Amélia em seus braços...” Eu estava de pé ao lado do sepulcro que foi aberto para receber o corpo da minha avó enquanto o padre fazia as últimas orações antes que seu caixão fosse abaixado. Esse estava sendo um dos piores dias da minha vida, desde o momento em que recebi a mensagem de Mart e cheguei ao hospital e ela já havia falecido. Minha avó sempre fez tudo por nós e sinto que nunca conseguimos retribuir da forma como ela merecia, mas sabia que por ter sido uma pessoa maravilhosa em vida, com certeza, Deus iria recompensá-la de alguma forma.
Permaneci ao lado da minha família e meus amigos se aproximaram para me abraçar. O abraço de cada um foi reconfortante, mas tudo estava estranho, parecia que eu não estava em mim e não me dava conta do que acontecia à minha volta, era como um sonho que eu poderia acordar a qualquer momento. Quando chegou a vez de Edgar eu senti um nó se formar em minha garganta e então me deixei levar pelo aconchego dos braços dele, eu chorava feito criança enquanto ele me segurava, ele estava ali por mim nesse momento e era tudo o que eu precisava, ele sempre fora meu amigo desde criança e com o tempo passou a ser mais que isso e não tinha como apagar de nossas vidas tudo o que vivemos. Depois de desfrutarmos desse momento nos soltamos e ele se afastou.
Eu estava ao lado da lápide e não sei quanto tempo estava ali, pois não havia me dado conta de que todos tinham ido embora. Passavam flashes como um filme em minha cabeça, de todos os momentos que vivi ao lado dela, das refeições que dividimos, das noites de Natal, as conversas ao pé da lareira nas noites frias, os pequenos presentes que meus avós faziam questão de nos dar nos natais e aniversários. Apesar das dificuldades tivemos uma infância feliz no tempo que passamos com eles.
— Venha, vou te levar pra casa. – Edgar passou o braço pelas minhas costas e eu apenas me deixei ser levada.
— Quer ir pra casa dos seus avós, ou pra sua casa? – Ele estava dirigindo há alguns minutos quando me perguntou.
— Não, não quero olhar praquela casa triste sem ela. – Com certeza o vazio estava instalado na casa dos meus avós e eu ainda não estava pronta pra isso. – Também não quero ir pro apartamento. – Provavelmente Karin estaria lá com suas músicas e toda movimentação e eu não queria estragar o humor de ninguém.
— Tá bom.
Já estava bem escuro quando entramos no apartamento dele e eu não pude deixar de observar o quanto tudo parecia limpo e organizado e era possível sentir a presença dele em cada detalhe.
— Fique à vontade. Vou preparar algo para comermos.
— Eu não estou com fome...
— Eu sei que não, mas também sei que não deve ter comido nada desde ontem. – Ele se dirigiu para a pequena cozinha e eu fiquei quieta no sofá até que ele se aproximou com dois pratos de macarrão com legumes e dois copos de refrigerante.
Quase não toquei na comida, não que não estivesse bom, porque o cheiro parecia ótimo, mas meu estômago não estava aceitando nada, apenas mordisquei um pouco para que ele não ficasse decepcionado.
Edgar
— Você quer fazer alguma coisa, ver um filme, sei lá. – Percebi que fui idiota ao perguntar isso, ela devia querer apenas ficar sozinha sem ninguém perturbando e perguntando a todo momento se ela queria alguma coisa. – Vou te deixar sozinha. – Ia me levantando e ela segurou meu braço.
— Fica aqui. – Ela tinha os olhos inchados e o que eu vi foi alguém que estava se sentindo mal por tudo aquilo e eu não queria piorar nada.
Voltei a me assentar e ela se aconchegou em meus braços e ficamos assim. Estávamos tão perto como não ficávamos há tanto tempo e eu só queria que ela ficasse bem. Eu sabia o que ela estava passando e não era fácil. Perder alguém que nós amamos é o golpe mais duro que podemos receber da vida. Quando perdi meu pai pensei que não conseguiria continuar vivendo, mas com o tempo as coisas vão se acalmando e nós acabamos aceitando aquilo como algo pelo qual precisamos passar.
Após um tempo que não consegui contabilizar Natasha se soltou dos meus braços e me olhou fundo nos olhos, ela estava muito perto, segurou meu rosto com ambas as mãos, nossas testas e narizes quase se tocando e era possível sentir o calor de sua respiração em meu rosto, e também o cheiro de seu perfume. – Tasha... – Minha voz quase não saía.
— Eddie, não fala nada, só me beija. – Como se o pedido dela fosse uma ordem eu a beijei, e foi perfeito, senti voltar no tempo, aquele tempo em que estávamos juntos e beijá-la era algo que eu fazia com muita frequência.
Nosso beijo foi intenso e durou um longo tempo, nossas línguas lutando por espaço. Ela puxou minha camiseta para cima e a ajudei a retirá-la e também tirei a dela. A peguei no colo e levei para o quarto a deitando na cama. Nossas ações eram urgentes e em pouco tempo estávamos apenas com as roupas íntimas. Cada toque, cada beijo parecia acender um fogo que há muito tempo estava adormecido.
— Tasha, você tem certeza que quer fazer isso? – Falei baixo tomado por toda emoção que aquele momento me trazia. Eu não sabia até que ponto ela tinha noção do que estávamos fazendo, tanta coisa acontecera nesses dois dias e eu precisava saber se o que acontecia ali era real.
— Sim, eu sei o que tô fazendo. – Ela me olhou e eu decifrei muito desejo em seus olhos. – Só quero fazer amor com você.
Mais que depressa retiramos o que faltava de nossas roupas e tudo passou para uma tremenda urgência, como se dependêssemos disso para viver, talvez dependêssemos de fato, como se essa noite fosse dissipar todos os acontecimentos pesados dos últimos dias e também todos os anos que passamos separados. Eu toquei e beijei cada parte do corpo dela naquela noite e ela fez o mesmo comigo, a amei intensamente, estávamos entregues e o mundo lá fora era nada perto de tudo o que acontecia ali naquele quarto. Por fim abraçados e exaustos sucumbimos ao sono.
Remi
Acabamos de chegar de mais uma missão de resgate. Estou cansada, porém revigorada por ter dado tudo certo mais uma vez. Passamos por mal bocados por termos que fugir de uma milícia controlada pelo chefe da máfia juntamente com a polícia de Bangladesh. Nós agimos fora da lei, podemos ser chamados de mercenários, mas o que fazemos salva muitas pessoas inocentes das mão de mafiosos. Consegui um corte no braço esquerdo que me renderam oito pontos que foram suturados por uma garota do nosso grupo que possui treinamento em primeiros socorros. Agindo fora da lei é o melhor que temos. Esse abrigo é menor que os outros, porém mais aconchegante, a lareira foi acesa há pouco e já sinto o calor se dissipar por todo o ambiente. Acho que o pessoal se retirou cedo devido ao cansaço.
— Você quer uma bebida? – Me assusto com Clem de pé atrás de mim. – Ou algo mais...
— Já te falei sobre isso... – O repreendo.
— Eu sei, mas tiveram algumas vezes que você não pensou nele e cedeu. – Ele me provoca.
— É, mas isso não vai mais acontecer. – Ele me dirige um olhar enigmático. — Por que tanta resistência em falar sobre o seu passado?
— Porque acho que quanto menos soubermos uns aos outros, menor será o apego se algum dia isso acabar, e eu não me importo se algum de vocês já foi policial ou um assassino de aluguel.
Juro que tentei seguir em frente, mas todas as vezes foram frustrantes, até consigo viver o momento, mas depois me sinto mal, então decidi não pensar mais nisso até ter certeza de que conseguirei deixar tudo pra trás.
Os dias por aqui voam, as missões são desgastantes, mas gratificantes. Devolver a vítima à família é o que nos move a continuar. Se eu penso em NY? Sim, no meu passado, em tudo o que aconteceu. Sinto saudades de Roman e também da época do colégio que era quando eu preocupava menos com o futuro e com o que eu me tornaria dali há alguns anos. Me afasto e pego o telefone, preciso fazer uma ligação.
Patty
Vejamos, essa atividade ainda não tinha aparecido dessa forma.
— Ei Patts!
— Rich! – Me assusto e dou um pulo. Rich me irrita, apesar de ser um bom técnico em informática. – Não chegue mais sem me avisar! – O repreendo.
Ele se posiciona ao meu lado e começa a observar o que eu estou fazendo. – O que você está fazendo aqui a essa hora?
— Perdi boa parte da tarde no enterro da avó da Tasha e precisava finalizar algumas coisas que deixei pendentes. – Tasha estava arrasada, eu teria ficado para leva-la pra casa, mas Edgar se ofereceu. Ela precisa de alguém por perto nesse momento e talvez ele seja a melhor pessoa.
— E o que você tava olhando aí?
— Olha essa atividade piscando aqui. Parece uma chamada telefônica. Vou tentar triangular. – Com a ajuda de Rich posiciono todos equipamentos e softwares possíveis.
— Estou quase! – Rich segura o mouse com uma força desnecessária.
— Calma, Rich, talvez não seja nada!
— Tem que ser, Patty. Há quanto tempo estamos esperando por um sinal e ainda não temos nada.
— Consegui!
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