High School Blindspot
16 Cap 16
Notas iniciais
Natasha
O convite de Patty para ir ao seu apartamento me surpreendeu. Faz tempo que eu não a encontro, na verdade faz tempo que não vejo nosso grupo de amigos do colégio. Desde que entrei para a polícia vou muito pouco ao nosso antigo bairro e quase não tive contato com nenhum deles nesse período. Na verdade por todos esses anos evitei ao máximo voltar, apenas vou à casa dos meus avós cerca de duas vezes por ano. Acho que senti medo de me encontrar com Edgar e não saber o que fazer com a presença dele.
Escureceu a pouco e ainda tem bastante gente nas ruas, afinal é New York. Subo as escadas do prédio em que ela mora e assim que abre a porta sinto um aperto no coração, nos abraçamos tão forte, como nos velhos tempos, senti tanta saudade da minha amiga. Sempre fomos muito próximas e ultimamente mal trocamos algumas mensagens eventualmente. Quando terminei com Edgar ela me deu muita força, conselhos e se mostrou próxima para caso eu precisasse de alguma coisa. O principal conselho que ela me deu foi dizer para que eu seguisse meu coração, e se eu achasse que estava fazendo a coisa certa pra eu seguir com isso, e me dizia que qualquer decisão que eu tomasse haveriam consequências. Eu pensei muito sobre isso e a consequência de eu me afastar de Edgar foi a solidão que viveu comigo desde aquela tarde e a certeza de que ele logo encontraria alguém que preencheria o lugar que eu deixei.
— Você está tão diferente, e bonita! – Da última vez que nos vimos eu ainda tinha aqueles cabelos longos, mas há algum tempo cortei na altura dos ombros, sempre gostei dos meus cabelos longos, mas senti que precisava mudar.
— Ah, devem ser meus cabelos, obrigada! – Passo a mão pelos cabelos e nos sentamos no sofá. Tento parecer o mais natural possível, mas encontra-la me traz tantas lembranças do passado, coisas que tentei esquecer a todo custo durante esses três anos. – E você? Está bem?
— Sim, estou bem, estou trabalhando muito com minhas pesquisas e todo dia é algo novo. – Patty continuava na faculdade e agora explorava o ramos da biotecnologia, no campo das pesquisas de antídotos e vacinas contra novas doenças que vinham surgindo a cada dia.
Conversamos um pouco e ouvimos alguém bater na porta e Patty se levanta para abrir. Eu pensei que fôssemos apenas nós duas, pois ela disse que precisava conversar comigo. – Não sabia que estava esperando mais alguém.
— Não te falei porque temi que se falasse você não viria, mas está tudo bem. – Ela me tranquiliza. – Espere aqui que vou abrir a porta. – A loira se levantou e me deixou confusa com o que acabou de falar. Me levantei e fui atrás dela.
Quando ela abriu a porta eu fiquei paralisada, juro que não esperava que Edgar e Kurt fosse quem estivesse chegando. Senti faltar o chão sobre meus pés, vi Edgar poucas vezes depois que terminamos e a última há mais de um ano e nem conversamos. Meu coração disparou, abri a boca para falar algo, mas nada saiu.
Os dois entraram e nos cumprimentaram, meu olhar cruzou com o de Edgar e nos demoramos assim por um tempo. Ele estava um pouco diferente, uma aparência mais madura, e parecia mais forte também, e bonito. Acho que ele também não esperava me ver. Eu sentia muito pelo que havia feito, mas no momento foi o certo a fazer. Depois daquele dia eu sofri e chorei por longas noites até que tudo pareceu anestesiado dentro de mim e me esforcei para seguir em frente. Ele me ligou e mandou várias mensagens, eu não atendi as ligações e apenas mandei uma mensagem dizendo que seria melhor assim e precisávamos aprender a caminhar sozinhos. Após isso desliguei o telefone e o deixei assim por vários dias, quando liguei apaguei as mensagens e ele não ligou mais. Agora ao vê-lo ali eu não sabia o que falar pra ele, apenas dirigi um sorriso fraco e todos fomos para a sala.
Assim que entrei para a polícia o tempo pareceu passar mais rápido devido a todas as atividades que eu tinha para fazer e com isso fui deixando cada vez mais longe tudo o que vivemos, mas nunca o esqueci, havia noites que eu perdia o sono e ficava imaginando o que ele estaria fazendo, se estaria com alguém, se ainda pensava em mim. Há um tempo fiquei sabendo que ele estava namorando, Meg, a garota da faculdade sobre a qual ele havia me falado algumas vezes e não dei importância, foi bom saber que ele tinha alguém. Eu também tentei outros relacionamentos, mas não consegui fazer com que durasse, nada era como antes e nenhum deles era Edgar, nem nunca seria.
Rich entra sem bater e me surpreendo novamente. Quem mais ainda entrará por aquela porta?
— Começaram a festinha sem mim? – O técnico em informática coloca seu notebook sobre a mesa da sala e não para de falar um minuto. – Acho que Patty já atualizou vocês sobre o que se trata essa reunião.
— Não... – Estou completamente perdida com tudo isso. – Acabamos de chegar e ela ainda não falou nada...
— Calma pessoal. Rich, deixe eu situá-los sobre o que está acontecendo aqui. Eu estava esperando você chegar para começarmos. – Patty toma o comando da situação e começa a nos explicar o porquê daquela reunião. – Há alguns anos estamos tentando localizar Remi e para isso colocamos alguns sinalizadores na internet com palavras-chave, como, Remi, Roman, Ellen Briggs. – Ela para por um minuto e olha para Kurt que apenas faz um gesto de confirmação com a cabeça para que continue.
— Não tivemos sucesso por um longo tempo, mas essa semana os sinalizadores começaram a mostrar atividade ligada ao nome de Ellen Briggs, então rastreamos alguns testes ligados a ela dentro dos EUA. – Rich continuou explicando.
— Tentamos descobrir mais coisas, mas a falta de recursos nos limitou. – A loira completou.
— E vocês acham que Ellen tem uma equipe ou algo assim? – Kurt estava sem expressão nenhuma desde que Patty começou a explicar.
— Na verdade, achamos que ela tem uma equipe e... – Patty tenta escolher as palavras, mas sabe que terá que contar logo de uma vez.
— Achamos que Remi e Roman podem estar envolvidos. – Rich completa.
— Vocês não tem provas. Não sei se Remi seria capaz de fazer algo para prejudicar alguém. – Kurt passa a mão pelos cabelos e parece um pouco confuso com tudo aquilo.
— Que tipo de testes são esses? – Eu perguntei do nada, pois não havia entendido muito bem o sentido dessa reunião. – E para que precisam da gente?
— Então, precisamos de recursos, parece ser algo ligado ao terrorismo devido ao tipo de criptografia usada nas mensagens. – Patty olhou atentamente para o rosto de cada um de nós. – Precisamos de vocês, Natasha na NYPD, Kurt no Exército Americano, Edgar no FBI e Rich e eu com a parte tecnológica. Todos tem os recursos de que precisamos.
— Olha, eu entrei no FBI há pouco tempo e não quero me prejudicar dentro da agência. Não sei se quero me envolver com tudo isso. – Edgar sempre com medo de se arriscar. Apenas reviro meus olhos.
— Edgar, eu não acho que você vá se prejudicar no seu querido emprego, e isso parece ser por uma boa causa. Nós não conhecemos essas pessoas e não sabemos do que são capazes. Alguém tem que pará-los. – Replico o que Edgar disse e tento colocar meu ponto de vista sobre tudo aquilo.
— Olha, Edgar, ninguém deverá sair prejudicado, mas se você não se sente seguro tudo bem. Tentamos de alguma outra forma. – Patty se mostrou um pouco decepcionada com a recusa de Edgar.
— Tá, tá bom. Mas tem uma condição.
— O que é? – Rich quis saber.
— Vamos envolver meus superiores. Não faremos nada por debaixo dos panos.
— Ouça, Edgar. Se os envolvermos não teremos chance de ouvir o lado da Remi, quer dizer, o lado deles, pois se a CIA chegar a se envolver não sabemos o que pode acontecer. – Kurt mostrou sua preocupação.
— Não, Kurt. Ele pode ter razão. – Patty argumentou. – Talvez seja bom para termos cobertura caso algo saia do controle.
— Mas teremos que mostrar pra eles nossos planos, ou eles farão tudo do jeito deles. Tá, vocês podem pensar que falo isso por causa do meu envolvimento com a Remi, pode até ser, mas eu sei bem a maneira como a mãe tratava ela e o irmão, e eles podem estar sendo manipulados. – Kurt tenta argumentar.
— Tudo bem. Vou conversar com meus superiores e tentar marcar uma reunião com eles.
Patty e Rich continuaram falando e eu só consegui lembrar das palavras ‘Edgar no FBI’. Isso era uma novidade pra mim, aliás tudo que estava sendo falado ali era novidade. Desde quando ele foi pro FBI? E como não fiquei sabendo disso antes? Isso tudo me pareceu um tanto confuso.
Edgar
Encontrar Natasha foi realmente surpreendente. Depois que ela me deixou eu mal a vi, e apenas de longe. Nunca mais conversamos. A maneira como ela foi embora foi inesperado, ontem estávamos bem e hoje ela me diz que quer terminar. Eu realmente não entendi os argumentos dela, passei por um dos momentos mais difíceis da minha vida e com o tempo tentei seguir minha vida sem ela, mas esquecê-la, acho que é impossível. Me deparar com ela em minha frente essa noite fez remexer com todos meus sentimentos, ela está linda, diferente, devem ser os cabelos, nossa! Difícil definir o que está se passando pela minha cabeça nesse momento.
Tudo o que aconteceu essa noite, as coisas que Patty e Rich nos contaram, e Natasha na minha frente, não sei o que pensar sobre tudo isso. Acho que ela não sabia que eu estava no FBI, faz pouco tempo e ainda estou me adaptando, é tudo muito novo e diferente. Nem sei por que decidi ir pra Quântico, acho que percebi que poderia fazer algo mais pelo meu país que ser advogado, engenheiro ou qualquer outra profissão. E a cada dia aprendo e gosto mais do que estou fazendo, mas não posso deixar que tudo isso que foi falado aqui me prejudique dentro do FBI.
Patty e Rich terminam de explicar o que faremos a seguir. Nos despedimos e saímos do apartamento dela. Ao chegar na rua Natasha me chama.
— Edgar. – Me viro e ela está me olhando de forma curiosa. – FBI? – Apenas afirmo com a cabeça. – E como não fiquei sabendo antes?
— Digamos que faz cerca de três anos que não nos falamos, depois que... – Ironizo e paro por um momento, não quero tocar no passado, não agora. – Sabe, Natasha, eu não tive chance de te contar, é isso. Não é como se simplesmente eu pudesse pegar o telefone e te ligar e te falar ‘olha, estou trabalhando pro FBI’. Não, não dava pra fazer isso, Natasha.
Sinto Natasha ficar séria e me arrependo por ter sido tão áspero, mas depois de tanto tempo realmente não sei como agir com ela. Está tudo tão estranho, parecendo fora do lugar.
— Tudo bem. – Ela se vira para ir embora.
— Natasha. – Me arrependo e a chamo.
— Que foi? – Ela se volta, mas agora com a expressão fechada.
— Desculpa, não quis ser mal educado, eu... – Tento me desculpar.
— Não tem problema, eu não devia ter perguntado. Eu vou indo.
— E, ouça. – Ela me olha e eu tento sorrir pra quebrar o clima. – Foi bom te ver.
Ela apenas sorri em consentimento e vai embora mergulhando na noite escura.
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