Notas iniciais
Novo capítulo à vista!!!

Jane

Era sexta-feira e desde o início da semana eu estava com Ellen e Roman. No começo acho que ela estranhou minha volta, mas tentei despistar e disse que estava cansada de ficar tão longe e que havia conseguido um trabalho em uma empresa de segurança em New York. Eu passava boa parte do dia com o pessoal na força tarefa e no final da tarde eu voltava para a casa de Ellen. Eu ainda não havia contado para o Roman o que eu realmente estava fazendo, estava esperando um momento oportuno. Eu estava pisando em ovos com Ellen, pois precisava ganhar a confiança dela sem me comprometer e sem comprometer o trabalho de toda a equipe.

— Pessoal, vamos todos pra minha casa hoje após encerrarmos? – Kurt propôs. – Cada um leva algumas bebidas e nós confraternizamos.

Todos responderam que topavam e eu fiquei na minha. Não queria ir. Eu não achava oportuno. E ainda não me sentia parte da equipe, sei lá, às vezes percebia eles me olhando diferente, talvez por ser filha da Ellen. E depois tinha a Nas, muitas vezes a peguei olhando para o Kurt, eu tinha certeza que havia alguma coisa ali porque aqueles olhares não eram comuns. E por outro lado também o pegava me olhando de vez em quando, o que me fazia arrepiar devido à profundidade que ele trazia no olhar. Ás vezes eu me lembrava de nós dois juntos e sentia muita tristeza pela forma como tudo terminou e também por nunca ter contado à ele sobre o bebê.

— Rem... desculpa, Jane. – Eu estava tomando café quando ouvi Kurt me chamando. – Ainda não me acostumei.

— Tudo bem. Não tem problema. – Tentei forçar um sorriso.

— Você vai hoje? – Percebi como ele parecia sem jeito ao me perguntar. – Lá em casa.

— Ah não. Acho que não vai dar. – Menti. – Não posso passar muito tempo fora senão Ellen desconfia.

— Você não consegue arrumar uma desculpa? Quer dizer, se você quiser ir. – Ele estava um pouco decepcionado com minha resposta.

— Acho melhor eu não ir mesmo.

— Jane, se for por tudo o que aconteceu... eu quero me desculpar por tudo o que aconteceu e também quero que sejamos amigos. – Ele passou a mão pelos cabelos com certeza se sentindo um pouco incomodado por estar me falando tudo isso.

— Tudo bem. – Soltei um suspiro. – Nós podemos ser amigos.

— Então você vai?

— Ainda não sei. Mas obrigada pelo convite.

Natasha

Peguei um táxi com a Patty e chegamos juntas na casa do Kurt. Rich e Edgar já haviam chegado, Nas mandou uma mensagem avisando que não iria, e Mayfair já havia avisado mais cedo que não poderia ir também. Agora só faltava Jane. Patty e eu conversamos com ela no vestiário antes de ir embora e ela disse que não sabia se viria. Acho que ainda não estava se sentindo à vontade, mas nós insistimos muito e ela disse que iria pensar.

Edgar estava sentado em uma banqueta em frente ao balcão com uma garrafinha de cerveja e eu não pude deixar de olhá-lo. Ele usava calças escuras justas e um suéter azul marinho. Nos cumprimentamos e ele me deu um beijo no rosto.

— Olá! – Ele me dirigiu um sorriso maroto e eu estremeci quando senti o cheiro de seu perfume e de sua loção pós-barba.

Patty e eu pegamos nossas cervejas e nos assentamos no sofá. A conversa fluía e Rich fazia questão de soltar algumas piadinhas de mal gosto. Meus olhares com os de Edgar se cruzavam o tempo todo, parecíamos hipnotizados um no outro.

Remi chegou e estava um pouco tímida, logo Patty e eu cuidamos de pegar algumas cervejas pra fazê-la relaxar. Só assim pra eu me desligar de Edgar um pouco.

— Jane, você precisa tomar umas com a gente de vez em quando. – Patty já estava um pouco alta, pois estava bebendo sem parar desde a hora que chegamos. – E também trazer seu irmão.

— Tá, mas não quero ficar bêbada. E, meu irmão, ainda não acho que está na hora de trazê-lo. – Jane argumentou.

— Ninguém está falando em ficar bêbada, só diminuir um pouco a tensão. – Eu expliquei. – E, sobre Roman, depois falamos nisso, não é Patty?

— E aquele gato ali não para de olhar para você. – Patty falou para Jane se referindo a Kurt.

— Patty! – Eu notei como Jane estava vermelha. – Ele está te olhando mesmo, porque os homens não conseguem despistar, mas você não precisa olhar se não quiser.

— Assim como o Edgar não para de te olhar também. – Jane me provocou.

— Ah não começa! Já basta a Patty me enchendo.

— Vocês terminaram? – Jane me perguntou.

— Sim, já faz um tempo. É complicado. – Eu justifiquei e saí na desculpa de buscar outra cerveja.

Rich propôs um jogo de cartas e todos concordamos. Ficamos até um pouco tarde jogando e eu senti a bebida fazendo efeito.

— Gente, acho que já vou indo. – Me levantei pegando minhas coisas.

— Tasha, posso te levar... – Edgar veio até mim.

— Não tenho certeza se deveria aceitar já que você bebeu um pouco. – Falei sorrindo.

— Ah, eu parei já faz um tempinho e não estou bêbado. – Ele justificou.

— Tá bom, mas talvez você queria ficar mais um pouco.

— Não, já estou querendo ir também.

Patty não quis ir com a gente, dividiria um táxi com Rich depois. Deixamos eles lá e saímos.

Kurt

Remi estava linda. Saudades do tempo em que estivemos juntos. Agora tudo parecia tão diferente, tanto tempo passou e eu não sabia nem como conversar com ela. Patty e Rich estavam se despedindo e ela também se levantou para ir. Eu me levantei para ir com eles até a porta. Os dois amigos já estavam descendo as escadas e eu puxei Jane de leve pela mão. Ela parou e se virou pra mim.

— Você vai embora de quê? – Eu perguntei a ela.

— Vou pegar um táxi. Não posso ir direto, tenho que despistar para não ser pega.

— Desculpa se te coloquei em risco.

— Não, eu vim porque quis.

— Não quer conversar um pouco, tomar mais uma cerveja?

— Eu preciso mesmo ir. – Ela olhou nossas mãos e só então percebi que ainda a estava segurando. – Mas antes quero te perguntar uma coisa.

— Sim , o que é?

— Qual o seu lance com a Nas? – Seu olhar era desafiador.

— Não tem nada demais. – Respondi. Não tinha mesmo, a não ser por umas duas vezes que saímos, mas não senti nenhum compromisso com ela.

— Não é da minha conta também. Já vou embora.

— Até mais então. – Me despedi. – Remi. – Eu a chamei de volta.

— Sim? – Ela parou e eu fui até ela.

— Eu... Eu só. – Falei sentindo ela se aproximando mais de mim. Ela estava muito perto e me deu um beijo na boca, foi um selinho e eu fiquei sem reação.

— Tchau Kurt. – Dessa vez ela foi embora mesmo e me deixou sem palavras. Que mulher era aquela e o que era isso que ela fazia comigo? Não sei como ela era capaz de mexer com meus sentimentos dessa forma.

Edgar

Natasha estava calada durante o trajeto. Eu olhei pra ela e vi um pequeno sorriso em seu rosto.

— O que foi? – Perguntei.

— Você sabe onde eu moro? – Ela me olhou com sorriso malicioso.

— E quem disse que estou te levando pra sua casa? – Sorri de volta.

— É? Você esqueceu de perguntar se eu quero ir pra algum lugar com você. – Ela provocou.

Encostei o carro no meio fio e cheguei muito perto dela de maneira que era possível sentir o calor de sua respiração. – Natasha, posso te levar pra algum lugar legal? – Falei bem baixinho e minha voz saiu meio rouca.

Eu percebi que ela ficou séria e seu olhar estava profundo. – Tudo bem. – Ela concordou e eu sorri vitorioso. Me afastei dela e liguei o carro novamente.

Estacionei o carro e abri a porta pra ela descer. Não sei o que ela estava esperando, mas chegamos a um pub com uma pequena boate em anexo. Eu a levei pela mão e entramos no pub Pedi bebidas pra nós e nos assentamos em um bistrô. Era impossível conversar ao som da música, então apenas bebemos enquanto flertávamos. Os cabelos caíam em ondas sobre os ombros, ela usava uma blusa vinho justa de mangas compridas, uma calça preta justa e sapatos de salto. Ela estava linda mesmo sem muita produção, e eu estava encantado com sua beleza.

Terminamos o conteúdo dos nossos copos e eu me levantei e a chamei. – Vamos dançar um pouco.

A música estava um pouco alta e começamos a nos mexer ao som das batidas. Eu sentia meu corpo leve e procurava ficar muito perto de Natasha que estava hipnotizada pelo som da música. Não havia muitas pessoas na boate, eu contei três casais e dois grupos de amigos. Dançamos bastante e eu já estava com sede.

— Vou buscar umas bebidas pra gente. – Falei perto do ouvido dela.

Fui bem rápido até o balcão e quando estava voltando percebi dois carinhas perto dela. Fiquei parado observando sua reação e percebi que ela dava corda pra eles. Me aproximei e a enlacei pela cintura.

— Ela está comigo. – Os dois se afastaram um pouco decepcionados.

— Eles só estavam sendo gentis. – Ela tentou explicar.

— Gentis te chamando pra dançar? – Eu entreguei a bebida a ela e me afastei um pouco.

— Não vai admitir? – Ela me provocou após tomar um gole da bebida.

— O quê? – Perguntei curioso.

— Que ficou com ciúmes. – Ela me estudou por trás do copo de bebidas.

Eu voltei a segurá-la pela cintura e a puxei pra mim. – Sim, eu estava com ciúmes. – Admiti.

Eu senti o calor do seu olhar e queria muito beijá-la, mas ela se virou e eu a beijei no rosto perto da orelha. Percebi que ela estava com as bochechas coradas. – Você quer ir embora? – Perguntei.

— Sim, vamos.

Peguei sua mão e saímos em direção ao carro. O trajeto para meu apartamento foi em tempo recorde. Subimos as escadas rapidamente e eu não soltava a mão dela. Fechei a porta atrás de nós e prendi seu corpo com o meu contra a parede. Seu olhar estava quente e seus lábios convidativos. A beijei com intensidade e ela enlaçou os braços em meu pescoço. Fomos para a cama deixando um rastro de roupas pelo caminho. Nos amamos intensamente e nos perdemos nos braços um do outro.

Ela estava deitada em meu peito quase dormindo e eu estava segurando meu sono. Seus cabelos espalhados sobre mim me faziam cócegas.

— Me promete? – Perguntei mexendo em seus cabelos.

— O que? – Ela perguntou num sussurro.

— Que não vai embora antes de amanhecer.

Ela me olhou com carinho e sorriu sonolenta. – Não vou.

A puxei pra mim e a beijei com doçura. Nos aninhamos ainda mais um no outro e pegamos no sono.

Notas finais
Obrigada por acompanhar e me deixe saber o que você achou!!!