Notas iniciais
Quando amamos alguém de verdade tudo o que precisamos é estar junto com a pessoa, cuidar e se deixar cuidar. E é assim esse capítulo. Espero que gostem!!!

Natasha

Já fazia mais de uma semana desde que fomos todos beber na casa de Kurt. Edgar e eu estávamos ‘juntos’. Quero dizer, eu dormi na casa dele algumas vezes nesse tempo, mas não falamos em nada oficial, apenas estávamos nos deixando levar, sem promessas, sem declarações de amor, sem nada que pudesse trazer decepção caso não desse certo. Mas no fundo eu sabia que não era bem assim, apenas estávamos com medo de colocar o relacionamento na mesa e dar merda. Estava bom assim. Trabalhávamos juntos durante o dia e algumas tardes íamos embora juntos para o apartamento de Edgar onde assistíamos jogos, filmes, bebíamos cerveja e até cozinhávamos e no final da noite estávamos juntos na cama dele onde nos amávamos até chegar aos limites da exaustão. Eu estava vivendo um dia de cada vez ciente de tudo o que havia acontecido no passado e não queria magoá-lo e nem me magoar.

Estávamos todos reunidos na hora do almoço quando Jane fez uma expressão estranha ao atender o telefone e saiu preocupada.

— O que era, Kurt? – Perguntei a ele que era a pessoa que mais sabia sobre Jane, estavam sempre perto um do outro. Sempre se olhavam antes de decidirem algo. Apesar de que eu tinha quase certeza que ainda não havia rolado nada entre eles.

— Parece que era ligação de Roman. – Kurt respondeu.

— E você acha que aconteceu algo grave? – Edgar perguntou.

— Não sei, mas esses dias ela está bem preocupada com o irmão. – Kurt parecia preocupado com ela.

Após alguns minutos Jane voltou aflita.
— Vou ter que ir. Roman precisa falar comigo e disse que é urgente.

— Vou até lá fora com você. – Kurt ofereceu.

— Tudo bem.

— O que você acha, ein? – Falei com Edgar assim que eles saíram.

— Não sei. Só sei que a Jane tem uma família muito complicada.

— Ah, isso é verdade. – Concordei.

— Mas vem cá. Vamos falar de nós. – Ele pegou minha mão.

— Ed. Estamos no trabalho. – O repreendi.

— Eu sei. Só quero saber se você vai embora comigo hoje. – Ele estava sentado ao meu lado e colocou uma mecha solta do meu cabelo atrás da minha orelha. Eu senti um arrepio me percorrer a espinha ao sentir seu toque na minha pele.

— Você não acha que estamos indo muito rápido com isso? – Falei o fitando nos olhos.

— Ah, Tasha, já perdemos tanto tempo. – Ele sussurrou. – Eu não quero sair do seu lado...

— Ela já foi e ficou de me ligar pra dar notícias. – Kurt entrou e nos tirou do transe. – O que há com vocês dois?

— Nada. – Edgar falou com um risinho e nos afastamos.

Voltamos para o trabalho e finalizamos as pesquisas por algumas pistas que havíamos iniciado pela manhã. Passamos o resto da tarde no laboratório onde focamos nas pistas que já tínhamos traçando nossos próximos passos.

No final do dia me atrasei um pouco estudando os últimos detalhes com Patty no laboratório. Encontrei Ed no vestiário. Ele estava parado em frente aos armários e exibia um sorriso sedutor.

— Ei! – Falei.

— Já estou indo. – A forma como ele me olhava me desarmava de uma maneira que eu me sentia muito perdida. A profundidade de seus olhos escuros parecia me despir. Minha reação faltava nesses momentos e tudo o que eu conseguia fazer era me deixar hipnotizar por ele. – Você vem?

Ed se aproximou e me prendeu com seu corpo contra os armários. Sentir seu olhar me deixava sem jeito, mas sentir seu toque, seu corpo contra o meu, isso me seduzia completamente e eu me deixava levar por esse sentimento que assolava meu ser fazia muito tempo. Meu olhar estava preso no dele e sua mão acariciava meu pescoço até minha orelha. Por sorte não havia ninguém mais ali. O toque dos seus lábios no meu rosto completou o momento. Eu fechei meus olhos enquanto ele traçava o caminho até minha boca, mas foi apenas um selinho demorado. Eu sabia o que ele estava fazendo e me senti rendida pelo seu contato.

— Eu vou. – Minha voz falhou quando seu corpo se distanciou do meu.

Saímos do prédio juntos ansiosos por chegarmos logo a seu apartamento e continuarmos o que havia se insinuado no vestiário.

Jane

— O que você está dizendo, Roman? – Perguntei ao Roman assim que ele mencionou que escutou Ellen falando que meu filho não morreu e sim que foi dado.

— Isso mesmo. – Ele afirmou. – Eu escutei com todas as letras. Só não entrei na sala porque quis te falar primeiro e se ela soubesse que eu ouvi a conversa daria um jeito de sumir de vez com a criança.

— Eu preciso falar com ela. – Falei furiosa. – Ela me deve uma satisfação do por que fez isso comigo.

— Não, Remi, escuta aqui. – Ele me pediu com calma. – Se falar com ela vai arruinar tudo! Você está metida nessa investigação aí e se confrontá-la agora podemos perder essa pista.

— Você pode ter razão. – Talvez fosse melhor tentarmos controlar isso primeiro. – Mas não consigo olhar pra cara dela hoje. – Eu não tinha estômago para encará-la sabendo o que ela fez.

— E vai pra onde? – Ele perguntou.

— Sei lá. Eu me viro. – Falei e saí.

Kurt

— Jane? – Ela estava na minha porta e parecia muito preocupada. – O que houve? Entra.

Ela entrou calada e se assentou no sofá e eu sabia que tinha algo acontecendo.

— Eu nem sei porque vim aqui, mas precisava de companhia e não queria voltar pra casa da Ellen hoje. E a Patterson com certeza está muito ocupada com suas pesquisas e eu não queria atrapalhá-la e a Tasha deve estar com o Edgar, então... – Ela falava toda atrapalhada.

— Então só veio aqui por falta de outra opção? – Perguntei com um sorriso sarcástico.

— Pelo amor de Deus, Kurt, você me entendeu! – Ela me dirigiu um olhar perdido. – Eu só preciso de uma companhia legal. Posso ficar aqui hoje?

— Claro que sim. Eu estava brincando. – Me assentei ao lado dela. – Quer fazer o que? – Perguntei. – Podemos ver um filme, pedir algo pra comer.

— Não precisa se preocupar com nada disso por minha causa. – Ela se justificou.

— Olha, você chega aqui toda preocupada e acha que não farei nada por você? – Recebi um olhar carinhoso depois das minhas palavras. – Me deixe cuidar de você, tá bem?

— Tá bom. – Ela concordou com um sorriso.

— Tenho um quarto extra. Você pode ficar com ele. Tem toalhas lá no armário. Fique à vontade para tomar um banho, se quiser.

— Obrigada. – Mostrei a ela o quarto e a deixei lá.

— Vou pedir comida pra gente. – Falei saindo do quarto. – Quando terminar vem que escolhemos um filme.

A deixei lá e voltei pro meu quarto com os pensamentos a mil na minha cabeça.

Jane

— Tem alguma coisa que você queira me falar? – Kurt me perguntou enquanto terminávamos de comer a pizza.

— Não. Está tudo bem.

— Você saiu preocupada para falar com Roman e quando voltou não disse nada.

— Não era nada demais. – Desviei meu olhar para o filme que passava na TV.

— Eu quero te perguntar uma coisa. – Voltei a olhar pra ele com medo do que viria.

— Pode perguntar. – Dei de ombros.

— Você esteve grávida? – E eu senti um tom levemente acusatório na sua pergunta.

— Por que está me perguntando isso?

— Nós investigamos seu sumiço por um longo tempo e conversamos com muitas pessoas e em uma dessas conversas afirmaram sobre uma garota grávida que viveu por perto. – Eu não sabia o que falar. No máximo negar que era eu. Eu não sei se deveria contar tudo a ele. Ainda mais agora que soube que meu filho, nosso filho pode estar vivo.

— Eu... Eu não tenho nada para falar sobre esse assunto.

— Então é verdade. – O tom de acusação continuava no ar.

— Olha. O que aconteceu comigo é assunto meu e eu não quero entrar em algo que foi muito doloroso pra mim...

— Me desculpa. – O tom acusatório desapareceu. – Eu só pensei que... – Ele parou de falar por um momento enquanto me olhava. – Deixa pra lá.

— Tá. – Me levantei em um impulso. – É melhor eu ir embora.

— Não. – Ele se levantou também e segurou firme meu braço. – Você não precisa ir. – Seu tom ficou mais doce e seu olhar também. – Fica. Por favor.

A maneira como seu olhar prendeu o meu me fez lembrar nosso passado. Tudo que vivemos pelo tempo que estivemos juntos. Foi tudo muito complicado, porém muito intenso. Nós fomos um do outro pelo tempo que pudemos. Nós dois sabíamos e sabemos que não dependia apenas de nós, mas de tudo o que acontecia, nossas prioridades, minha família. Eu queria, sim, eu o quis muito, mas não consegui lutar o suficiente por ele e agora estávamos aqui tão perto, tão juntos e poderíamos ter uma nova chance.

Eu me deixei levar pelo beijo que ele me deu e me deixei levar pelo seu toque no meu corpo e não foi nada singelo ou simples, tudo o que aconteceu nessa noite foi intenso, foi pra valer a pena todo o tempo que passamos longe. Eu me permiti por uma noite esquecer tudo o que me incomodava. Eu só quis viver esse momento com ele e voltar ao passado e deixar o amor e o desejo que eu sentia por ele falar mais alto que qualquer pensamento racional que eu poderia ter.

Notas finais
Obrigada por acompanharem!!!