High Hopes

1 Capítulo 1 - Hotel Lobby


Notas iniciais
Espero que gostem!
Eu escrevi essa história ao som de High Hopes, do Kodaline... Por isso o nome.

A noite em Nova York tinha um clima agradável, mesmo com todo o barulho de carros e pessoas frenéticas. Robin De Locksley mal se lembrava do quanto a Quinta Avenida poderia ser movimentada; até onde se encontrava no Upper East Side, onde as principais atrações eram os nove museus da “Museum Mile”, era possível ver uma grande quantidade de pessoas com roupas de grife rasgando dinheiro em coisas insignificantes que não geravam nada mais além de status. Robin não pertencia à aquele meio, ele nunca pertenceu. E hoje era um dos dias em que ele podia dizer que se orgulhava disso.

Caminhando rapidamente pela calçada cinzenta, ele não se incomodava com os olhares desdenhosos que se direcionavam a ele, tampouco admirava as lojas luxuosas e os carros perfeitamente brilhantes. Ele apenas sentia nojo. Nojo de todas aquelas pessoas, de toda aquela riqueza e falta de perspectiva. E sabia que sentiam o mesmo dele, por motivos contrários, mas definitivamente, não se importava. Tudo o que ele queria era chegar logo ao hotel infame que tinha encontrado em um classificado de jornal qualquer; não era muita coisa, mas ele poderia pagar pela diária por algumas semanas. Ele sabia que tinha hotéis melhores e pelo mesmo preço fora de Manhattan, mas gastaria muito com transporte para chegar aos bairros nobres caso se instalasse em algum deles. O que ele queria estava justamente no Upper East Side, e embora odiasse aquele lugar, o mais fácil seria ficar ali mesmo.

Robin diminuiu o ritmo de seus passos ao sair da Quinta Avenida para entrar em uma ruela escura que cheirava a maconha e urina, o que não era um grande incômodo para ele, que passara anos em uma cadeia imunda que cheirava a coisas muito piores. Ignorando o pequeno grupo de pessoas que estavam o encarando com curiosidade, ele tirou um papel surrado do bolso da calça e leu as letras pequenas do classificado, conferindo se condiziam com o nome do letreiro luminoso estragado que estava acima de uma porta de vidro, protegida por grades de ferro enferrujado.

-Granny's Dinner, pensão e restaurante. — Ele leu baixo, tendo a certeza de que estava no lugar certo, e guardou o papel no bolso, sem hesitar para tocar a campainha.

-O restaurante está fechado. — Robin ouviu uma voz feminina gritar e foram-se alguns segundos até que ver que o som vinha de alguns metros acima de sua cabeça. Em uma das pequenas janelas empoeiradas do prédio que não deveria ter mais que três andares, estava uma mulher de cabelos longos e maquiagem pesada, os lábios pintados de vermelho se destacando em sua pele clara.

-Eu vim para me hospedar. — Ele respondeu, hesitante. Observou a mulher o encarar pensativa e depois virar-se subitamente para trás, gritando algo que ele achou ser “Vovó!”. Robin esperou paciente por alguns minutos, até poder ouvir sons de algo se destrancando do outro lado da porta.

-Deu sorte, estou de bom humor. — Uma idosa com semblante severo resmungou antes mesmo de terminar de abrir os vários cadeados que mantinham a grade devidamente trancada. — Mas saiba que fechamos o restaurante ás 20:00hr e só aceito hospedes até ás 23:00hr! Agora já são quase 00:00hr.

-Desculpe-me, não tinha ideia de quantas horas eram. — Robin disse com sinceridade. Horas eram uma das coisas que não faziam mais diferença para ele também. Quando se está na prisão, tem de se desprender do tempo, ou é capaz de ficar louco.

-Tudo bem. — A velha olhou desconfiada por cima do ombro de Robin, antes de dar espaço para que ele entrasse.- Vamos, entre logo. Esse lugar é perigoso a noite.

Robin atendeu ao pedido da idosa, e se colocou para dentro. O interior do prédio era consideravelmente bonito comparado ao seu exterior, e era mais do que Robin esperava encontrar. Ele olhou ao redor do lugar, reparando nas mesas de canto e no balcão de cor vermelha chamativa, antes de pousar os olhos na mulher que antes virá na janela. Ele saldou-a brevemente, tentando encontrar um motivo para ela estar maquiada aquela hora da noite, se sua camisola de cor negra indicava que ela já estava pronta para dormir.

-Quantas noites pretende ficar? — A idosa o perguntou, indicando caminho para uma pequena escada espiral que se encontrava no lado direito do restaurante. Robin engasgou ao notar que a velha levava consigo uma espingarda de dois canos, a ostentando com naturalidade.

-O suficiente para cumprir meu objetivo neste bairro. — Ele respondeu simplesmente e subiu as escadas logo atrás da moça da janela.

Chegando ao topo, ele encontrou-se no que parecia ser um hall. O balcão dessa vez era completamente de madeira, e, atrás dele se encontravam vários compartimentos quadrados do mesmo material, numerados de 1 a 8. A idosa encostou a espingarda no balcão e abriu um livro de registros que se encontrava em cima do mesmo.

-Qual o seu nome?

-De Locksley, Robin De Locksley. — Ele respondeu, hesitante outra vez. Se perguntava se as pessoas dessa cidade ainda se lembrava de seu rosto estampado nos principais jornais do país, quando fora acusado de matar Daniel Horse.

-Seu quarto será o número 6, Sr. De Locksley. — Ela disse, Robin suspirou aliviado ao ver que ela não sabia quem ele era. Tudo o que ele menos queria era ser lembrado. — E pode me chamar de Granny. Dinheiro ou cartão?

-Tudo bem, Granny. — Ele esperou que ela terminasse de fazer algumas anotações no registro. — Cartão. — Ele informou, e tirou do bolso a carteira que costumava usar dez anos atrás, antes de ir para a prisão. Alguns meses antes dele sair, sua conta no banco e seus cartões, tinham sido revalidados pelo advogado que o governo tinha lhe cedido. Um suspiro de alívio saiu por seus lábios entre abertos ao ouvir o barulho da nota fiscal sendo emitida, talvez os advogados do governo não fossem tão imprestáveis como ele pensava.

-Seja bem vindo ao Granny's. — A idosa lhe deu um sorriso e entregou um chaveiro que tinha duas chaves pesadas, as chaves do quarto número 6. — O seu quarto fica no andar de cima. — Ela disse, e indicou as escadas.

Robin aspirou o ar abafado da pensão, e subiu as escadas apertadas que o levariam para o terceiro andar. Adentrou rapidamente para seu quarto alugado, se deitando desajeitadamente na cama. Decidiu dormir, ignorando a reclamação de seu estômago faminto. Queria estar descansado, pois no dia seguinte daria um grande passo em sua vida.

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Regina Mills observava calmamente o movimento da rua pela varanda de seu apartamento, que tinha uma bela vista do Central Park. A madrugada estava agitada, era sábado e a maior parte das pessoas se divertia em alguma casa noturna do Upper East Side, o bairro mais rico de toda Manhattan. Mas Regina preferia o comodismo de sua casa e uma boa xícara de chá. A advogada mal se lembrava da última vez em que tinha saído para divertir-se com amigos. Depois da morte de seu marido, ela tinha focado sua vida inteiramente em duas coisas: seu trabalho e seu filho adotivo Henry.

Com um longo suspiro, Regina decidiu voltar sua atenção para seu notebook. Ela lia aos vários e-mails que tinha recebido ao longo da semana, ficando surpresa ao ver que tinha recebido um da Penitenciaria Estadual de Nova York. Rapidamente ela abriu o link, ignorando todos os outros e-mails.

Senhora Mills, como amigo, tenho o pesar de lhe informar que

Robin De Locksley sairá da prisão na manhã de sexta-feira, dia 02.

Em um enorme texto, isso fora tudo que ela prestara atenção. Regina sentiu seu estômago se embrulhar enquanto tentava convencer a si mesma de se manter calma. Segundo aquele e-mail, o assassino de seu marido tinha saído da prisão no dia anterior, aproximadamente dez anos depois de ter sido preso. Logo após o susto, a raiva a dominou. Ela não sentia que o assassino tinha ficado tempo suficiente atrás das grades. Dez anos não foram o suficiente para ela esquecer a morte de seu marido, e ela sentia que nem mesmo a eternidade poderia curá-la daquela dor, por tanto, não seria tempo suficiente para o homem que cometera um erro ser absorvidos pelos seus atos.

Ela fechou a tela do notebook depois de olhar ás horas, já era mais de uma da manhã. Decidiu que era melhor esperar o amanhecer para ligar para o superintendente do presídio. Regina deixou a varanda fria e caminhou vagarosamente para o quarto de seu filho, Henry. Ele era tudo o que ela tinha, e de alguma maneira, temia que o assassino de seu marido pudesse o tirar dela também. Ela vivia em pânico desde o dia que se tornara viúva, e esse medo apenas se intensificou depois de ler o e-mail.

Regina entrou no quarto de seu Henry e deitou em seu lado na cama king size que era exageradamente grande para ele. Ela sentiu o menino se remexer em seu sono quando ela o abraçou da melhor maneira que pode.

-Mãe? — Ele chamou com a voz embargada, coçando um olho com se tentasse se livrar do sono.

-Shh, sou eu. Pode voltar a dormir, só queria ficar com você. — Ela respondeu sussurrando, e depositou um beijo na testa de seu filho.

O menino se aconchegou aos braços de sua mãe, e voltou a dormir tão rápido quanto tinha acordado. Em meio a todos seus demônios interiores, Regina sentia que seu filho era seu porto seguro. A única coisa pela qual ela ainda vivia. Ela o apertou mais fortemente contra seu corpo, vendo na liberdade de Robin De Locksley, uma possível maneira de perder o seu filho. Ela já tinha anos suficientes de trabalho como advogada para saber que a maioria dos criminosos que conseguiam sua liberdade, iam atrás de vingança contra aqueles que tinham os posto na cadeia. Nesse caso, Regina participava como vítima e como defensora. Robin tinha motivos em dobro para ir atrás dela, ou assim ela pensava. Com lágrimas ameaçando sair por seus olhos, ela resolveu dormir. Na manhã seguinte iria atrás de respostas para o motivo de Robin ter sido solto tão cedo.

Notas finais
:)