Hidden Life!
3 Path to Fifty Shades....Pushing bottons (II)..
Notas iniciais
CFS – Sexta, 3 de março (00: 30 a.m)
Sarah
Vinte minutos. Há vinte longos minutos estamos sentados um de frente para o outro em silêncio, apenas nos observando.
Passado o susto inicial, consegui me recompor mantendo meu equilíbrio e foco. A duras penas mas mantive!
Não estava sendo nada fácil ficar sob a “mira” daquele mar azul que assume tons mais claros ou mais escuros dependendo da luz do ambiente ou do estado de espirito de seu dono. Havia observado isto não apenas hoje, mas a muito tempo, no hospital.
Se estava tenso, irritado ou nervoso, ficavam escuros, quase cinza, lembrando o prelúdio de uma tempestade. Se estava feliz, animado ou relaxado, assumiam uma tonalidade mais clara, lembrando um dia de sol sem nuvens. Mas o tom que apresentavam agora era novidade. Pelo menos para mim pois, apesar de não ter muita experiência nessa área, aprendi, principalmente nestes quase três meses em que passei a dançar naquele palco com roupas mínimas e transparentes, a reconhecer esse tipo de olhar: desejo!
PUTZ! Connor Rhodes me deseja!! Devo estar delirando!! Isso! Estou fraca por não ter me alimentado direito hoje, e estou delirando! Só pode ser! — pondero, sustentado seu olhar.
No começo, tentara iniciar uma conversa, me cobrindo de perguntas as quais, para minha sorte, pude responder com acenos de cabeça, sem precisar falar.
Não é que eu tivesse certeza de que, caso começássemos a conversar, ele me reconheceria de imediato. Até porque não o fazemos com frequência no hospital e menos ainda fora dele visto que raramente saímos com o mesmo grupo para o mesmo lugar, geralmente o Molly’s. Nunca fui de ir a bares (e agora, por ironia do destino, trabalho em um!). Nas poucas vezes em que isto aconteceu havia tanta gente que duvido muito que lembrasse que estive lá muito menos de minha voz.
Mas nunca é bom desafiar uma das leis de Mendel: o que tiver que dar errado, dará! Ainda mais depois de termos trabalhado juntos no início da semana... Portanto Sarah, quanto menos abrir a boca melhor! Deixe que ele pense que é maluca, convencida, que tem algum problema nas cordas vocais, que sua voz é feia e tem vergonha, o que quiser pensar!!! Só mantenha sua boca bem fechada e se precisar falar faço o mais longe e baixo possível!.... “Como se isso fosse adiantar alguma coisa! ” — meu subconsciente vem perturbar.... “Se ele tiver ouvido aguçado, basta um “AI” e pronto! Vai te descobrir sua tonta! ”— Que se calar por favor! Se não é pra ajudar também não me põe mais nervosa do que já estou! — Enquanto discuto comigo mesma, Rhodes se levanta, me pondo imediatamente em alerta. E é com um suspiro mal disfarçado de alivio que o vejo caminhar até a junkie (que de antiga só tem a casca!), parando a frente da máquina, escolhendo, suponho, a música que deveria dançar para ele.
Sorrio discretamente ao lembrar de um comentário feito por Carmenta, onde disse que os homens pagavam por momentos como estes para sentirem-se como sultões cujas odaliscas de seu harém executavam danças sensuais para seu deleite e prazer. E Connor Rhodes definitivamente teria, se assim desejasse, um harém a sua disposição. Bastava ver o furor que causou ao terminar sua relação com Samantha Zanetti (na verdade foi ela quem terminou por ter recebido uma proposta de trabalho melhor). Para infelicidade de seu fã clube, não ficou solteiro por muito tempo. Robin Charles, filha de nosso psiquiatra, Daniel, tratara de ocupar a vaga deixada pela loira rapidinho.
Espanto tais pensamentos ao escutar o som metálico indicando que havia escolhido a música e me ponho de pé, me preparando para tentar ( se minhas pernas bambas deixarem!) realizar alguma coreografia para a música que escolhera. Tínhamos alguns passos básicos que serviam para praticamente todas as músicas que faziam parte do playlist da junkie.
—Não precisa subir ai – escuto-o dizer e paro, voltando-me em sua direção, os primeiros acordes da canção ecoando no ar – Não quero que dance para mim – afirma, me estendendo a mão – Quero que dance comigo! – convida.
“Há! Ele te pegou! Vai fazer o quê agora? ” – Cala a boca!! ......-- Rhodes está fazendo uso da única “brecha” dentro das normas da casa: podemos dançar com os clientes que assim desejarem, desde que não precisemos ficar grudadas neles, e pela melodia que começava a ouvir enquanto aceitava a mão estendida, essa estava totalmente dentro das regras!
Play You Got Me – Colbie Caillat
“You’re stuck on me and my laughing eyes;
I can’t pretend though I try to hide;
I like you, I like you...”
Com calma, sem tentar me agarrar, Connor segura minha mão direita, o braço levemente curvado, uma mão em minha cintura, eu apoio a outra mão em seu ombro, ele começando a me conduzir na batida da canção...
“I think I felt my heart skip a beat;
I’m standing here and I can hardly breathe;
You got me, yeah, you got me...”
Connor se mostra um bom parceiro e apesar de nunca termos dançados juntos em momento algum, me conduz com maestria em movimentos ritmados...
“.....The way you take my hand is just so sweet;
And that crooked smiles of your, it knocks me off my feet!...”
Ao iniciar o refrão, retira a mão de minha cintura sem soltar a que segurava, erguendo-a, fazendo-me girar em meu próprio eixo, voltando a pô-la em minha cintura novamente....
“.... Oh, I just can’t get enough;
How much do I need to fill me up?
It feels so good it must be love;
It’s everything that I’ve been dreaming of;
I give up. I give in. I let go. Let’s begin;
Cause no matter what I do;
Oh (oh) my heart is filled whit you..”
Seguimos dançando em silêncio, de vez em quando nossos olhares se cruzam, permanecendo presos um ao outro....
“...I can’t imagine what It’d be like;
Livin’ each day in this life;
Without you, without you...”
Aos poucos vou relaxando, deixando o medo e a tensão de lado, curtindo as sensações provocadas tanto pela proximidade de seu corpo com o meu quanto pela forma precisa, suave e delicada com que me conduzia no espaço do quarto, ainda impressionada como conseguia acompanhar cada movimento dele sem titubear, errar ou pisar em seus pés....
“....One look from you I know you understand;
This mess we’re in you know is just so, out of hand..”
—Está vendo? Eu não mordo! – brinca, e me pego sorrindo junto com ele que, como fizera antes, no refrão, separa nossos corpos, desta vez nos deixando lado a lado, nossos braços abertos lateralmente, unidos pelas mãos, minha esquerda, direita dele, puxando-me de forma que enrosco meu corpo em seu braço, parando de costas para ele, que balança nossos corpos de uma lado para outro suavemente...
“... Oh, I just can’t get enough;
How much do I need to fill me up?
It feels so good it must be love;
It’s everything that I’ve been dreaming of;
I give up. I give in. I let go. Let’s begin;
Cuz no matter what I do;
Oh, my heart is filled with you...”
Um novo giro e estou novamente de frente para ele, desta vez ponho minhas mãos em seus ombros enquanto ele leva as suas a minha cintura sem, no entanto tentar forçar uma aproximação maior, nossos olhos presos um no outro mais uma vez, ambos estamos sorrindo e por um momento me permito imaginar que somos apenas um casal normal dançando em alguma festa, evento, barzinho...Sem segredos ou medos. Apenas duas pessoas que estão se conhecendo, desfrutando da companhia um do outro...
“....I hope we always feel this way (I knew we will);
And in my heart I know that you’ll alway stay;
Oh, I just can’t get enough;
How much I do I need to fill me up?
It feels so good it must be love...”
Antes que o próximo refrão comece, uma batida na porta chama nossa atenção, fazendo-me sair do devaneio em que me encontrava.
Paramos de dançar, nos afastando devagar sem, no entanto, perdermos o contato visual, Connor beijando minha mão antes de soltá-la.
—Obrigada – me pego dizendo enquanto me afasto sem lhe dar as costas.
—Eu que agradeço – sorri, prendendo os polegares nos bolsos da calça – Até a próxima Dione – despede-se.
Assim que saio do quarto, não consigo conter as lágrimas, um misto de alegria, dor e frustração oprimindo meu peito.
—O que houve? Ele fez alguma coisa pra você Dione? Diz que entro lá e dou uma surra nesse doutorzinho!! – Andrer ameaça, fazendo menção de ir até o quarto, mas o impeço.
—Não, ele não fez nada Andrer, não se preocupe. É coisa minha. Está tudo bem – asseguro, passando meu braço pelo seu, fazendo-o caminhar a meu lado até os camarins, onde me deito no sofá, abraçando uma das almofadas, me entregando de vez ao choro.
—Está dizendo a verdade Dione? Aquele cara não te fez mal mesmo? – insiste, me estendendo um copo com água.
—Estou Andrer, não se preocupe – reitero, aceitando o copo com água, tomando-a lentamente, escutando a euforia e algazarra feita pelas garotas, que retornavam de seu número para o tal grupo vip.
—O que aconteceu? – Xanta pergunta, preocupada, agachando-se junto ao sofá, segurando em meu braço.
—Ela disse que nada, que é coisa dela, mas acho que está protegendo aquele doutorzinho com quem estava! – Andrer exclama, me olhando bravo.
—Não estou, te asseguro. Não faça nada contra ele por favor! – peço – Eu que estou meio emocional hoje só isso – minto, sorrindo para ele, que finalmente parece acreditar em mim, pedindo licença, saindo em seguida.
—O que exatamente aquele médico significa pra você e nem vem tentar me enganar com algum conto da carochinha garota! – exclama Carmenta, abaixando-se ao lado de Xanta, me encarando – Tenho experiência suficiente para saber que existe algo entre vocês!
—Na verdade este é o problema Carmenta – Xanta começa dizer, mas a interrompo.
—Não existe nada e nunca vai existir! – afirmo, retirando a máscara, sentando-me, enxugando meus olhos com as costas da mão – Se ele não é capaz de Me Ver fora daqui, não existe a menor chance de acontecer coisa alguma entre nós – decreto, levantando-me – Agora me deem licença, vou me trocar. Estou cansada, com dor de cabeça e louca por um banho quente... E dormir para esquecer! Esquecer a bagunça que minha vida se tornara, esquecer que ainda preciso manter essa vida dupla por um bom tempo e principalmente esquecer Connor Rhodes!! Nem que seja por algumas horas.
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Connor
Eu a conheço! Não sei de onde, mas a conheço, tenho certeza disso! Penso, acompanhando-a seguir pelo corredor ao lado de um dos seguranças, o braço enlaçado ao dele, até sumir de vista.
Me encaminho para o salão só para descobrir que Will e os demais estavam em um dos quartos com duas garotas.
Sento no espaço que havíamos reservado, pedindo um drink enquanto os espero.
Passa das uma da madrugada, algumas garotas se apresentam, mas Dione não está entre elas o que me lava a supor que já tenha ido embora fazendo-me sentir ao mesmo tempo triste e aliviado afinal, por hoje, nenhum outro homem iria vê-la, tocá-la, sentir seu perfume...
—Já senti aquele cheiro em algum lugar! – falo para mim mesmo, terminando minha bebida.
—Ih, já está falando sozinho!!! O caso é mais grave do que pensei!! – a voz de Will me desperta – Então, como foi com sua rainha das ninfas? – pergunta, sentando-se.
—Ela não é minha – digo, acrescentando– Ainda. E se quiser que seja, algum dia, vou ter que me esforçar muito, a começar por descobrir quem ela é de verdade!
—Boa sorte então! – exclama meu amigo – Só um conselho: não acha melhor resolver sua situação com Robin Charles antes? – questiona.
—Ela já resolveu por mim. Terminamos hoje à tarde – revelo, surpreendendo-o – Pedi um tempo e me respondeu que, para ela, não existe essa coisa de tempo. Ou estamos juntos ou não. Na atual situação, para mim, é não e Não é por causa da Dione – me adianto – Nossa relação começou a se desgastar muito antes de conhece-la.
—Suspeitei quando não me deixou dizer a ela onde esteve durante todo mês de dezembro – relembra – Me fez ganhar uma inimiga, por assim dizer, com sua atitude.
—E te agradeço muito por ter mantido sua palavra – digo, tocando seu copo em um brinde, tomando o restante da bebida de um só gole – Cometi um erro ao me envolver com Robin tão pouco tempo depois de Samantha ter me deixado. Não estava preparado, principalmente para as cobranças dela.
—Sem querer ser chato já sendo: Eu Te Disse!! – diz, devagar, entrelaçando os dedos, me encarando.
—É , disse sim – reconheço—E se tivesse te escutado não teria ganho dois “inimigos” – faço aspas no ar – Daniel negou mas sei que, se não gostou de meu envolvimento com sua filha no princípio, gostou menos ainda de nossa separação repentina – afirmo, mudando de assunto – Onde estão os outros? Ainda vão demorar? – pergunto.
—Talvez. Jeff está animado!! – revela – Eu, particularmente, estou a fim de ir embora. O dia foi cansativo! Quero aproveitar ao máximo o final de semana para descansar – diz, esticando braços e pernas.
—Também estou a fim de ir embora. Se importa? – pergunto.
—Não. Pode ir. Vou até o quarto ver se consigo arrastar aqueles abobados para irmos embora também! – exclama, levantando-se junto comigo.
—Tem certeza? – insisto.
—Tenho. Vai lá – reitera, apertando minha mão.
Após me despedir de Will, saio da boate, pedindo um taxi pelo aplicativo do celular visto que meu carro ainda não havia saindo da oficina e não estava a fim de caminhar àquela hora da madrugada…. Como será que ela vai para casa? Será que tem carro próprio ou vai de taxi? Só espero que não vá de metrô. A esta hora é perigoso para uma garota sozinha! – reflito enquanto o taxi segue seu caminho, parando, minutos depois, a frente do prédio onde moro.
Em meu apartamento, sigo direto para o banheiro, me despindo, entrando no box a fim de tomar um banho relaxante, apoiando as mãos na parede a minha frente, deixando a água morna massagear meus músculos, suspirando, as lembranças povoando minha mente.
Há mais ou menos um ano atrás fui desafiado a sair de minha zona de conforto ao ser escolhido por Downey como seu pupilo. Só isto já me custara meu recém iniciado romance com Samantha Zanetti, residente sênior na época em que cheguei ao Med. Sabia que o motivo mais forte para ela ter aceitado a proposta do John Hoppinks, em Baltimore, foi por não ter se conformado com esse fato.
Contrariando todos os conselhos e meu próprio instinto, entrei, quase que imediatamente em outro relacionamento ainda mais conturbado com ninguém menos do que a filha de Daniel Charles, Robin.
Resultado: suas cobranças aliadas a pressão pela qual estava passando em minha segunda especialização junto a Downey, mais a difícil reaproximação com minha família, me levaram ao limite extreme e para não fugir, me isolei por um mês inteiro em um recanto escondido no Havaí aproveitando para tirar, finalmente, merecidas férias. Apesar de ter sido ele a sugerir, David não quis saber se havia seguido seu conselho ou não. Apenas Will soube como e onde me encontrar.
Evidente que Robin não gostara nada de minha atitude. Mas a princípio, depois que retornei, dissera que entendia meus motivos e voltamos a ficar juntos. Só que as coisas já não eram as mesmas. Na verdade, nossa relação, desde o início, foi meio morna, por assim dizer. Até mesmo o sexo não era tão empolgante quanto com Sam, por exemplo.
Termino meu banho, enrolo uma toalha na cintura e vou para o quarto.
Sentado na cama, ligo a televisão enquanto enxugo o cabelo com outra, minhas lembranças me levando a um par de olhos castanhos e doces, um rosto angelical emoldurado por longos cabelos cacheados...
—Reese! – sorrio ao lembrar da residente tímida e ao mesmo tempo forte que me surpreendera algumas vezes com suas atitudes.
Havia a observado no metrô na segunda, o cabeço preso em uma trança, distraída com seus fones. Havia sido grosso algum tempo atrás e, por motivos alheios a minha vontade, acabei viajando sem lhe pedir desculpas. Quando retornei, ela estava de férias. Quando retornou, por conta da correria diária acabei por não o fazer mais uma vez até que surgiu a oportunidade no início da semana. Trabalhamos juntos aquele dia, que por sinal foi um dos mais agradáveis nos últimos meses.
—Por que raios lembrei dela agora?? – me questiono, coçando o queixo – Dione. Ela me faz lembrar Dione! – surpreendo-me – Ambas tem a mesma altura, a mesma cor de olhos, os mesmos cachos... – reflito por um segundo, balançando a cabeça negativamente – Não! São apenas parecidas. Reese é muito tímida para.... Não! Está imaginando coisas Connor. Essa garota está te tirando do sério. Já está começando a delirar e ver coisas que não existem! – concluo, deitando-me, acabando por adormecer, um sono repleto de sonhos eróticos onde a dançarina misteriosa e residente tímida e doce ocuparam o mesmo espaço....
Continua.....
“....I give up. I give in. I let go. Let’s begin.
Cause no matter what I do;
Oh (oh) I just can’t get enough;
How much do I need to fill me up?
It’s feel so good It must be love;
(It’s everything that I’ve been dreaming of);
I give up. I give in. I let go. Let’s begin.;
‘Cause no matter what I do;
Oh, my heart is filled whit you;
Oh(oh) You got me. You got me.
Oh (oh) You got me. You got me”

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