Hidden Life!
4 Jealous! part. I
Notas iniciais
Apartamento Sarah (manhã de sábado, 5:45 a.m)
Pulo (literalmente falando!) da cama, sobressaltada com o toque de meu companheiro inseparável, o despertador, saindo correndo, quase me estatelando de cara no chão visto que enrolei meu pé no coberto e por muito pouco não fui a nocaute!
—AI MERDA! – xingo, apoiando as mãos na parede a fim de evitar o tombo – Vê lá se é hora de voltar a ter dois pés esquerdos! – reclamo, desenroscando-o (o direito pra ser justa!), atirando o edredom longe, despindo o camisão (adoro dormir apenas de camiseta ou camisão mesmo no frio), entrando apressada no box.... E só depois que começo o banho me dou conta de um pequeno e insignificante detalhe: Hoje é sábado! Mais ainda: Estava de folga tanto no hospital quanto na boate!
—Não acredito! – exclamo, chocando meu corpo contra a parede — Shhhhh!Ai! – me afasto com uma careta de dor ... “Quer dizer que além de perder preciosas horas de sono, aproveitando a raridade de um final de semana inteiro de folga nos últimos meses, ainda está a fim de se arrebentar? ”... Volte a dormir seu chato!... “Se você deixasse” – Na boa Sarah, precisa parar de falar sozinha ou vai acabar como paciente do doutor Charles! -... “Ah, mas a Robin iria adorar! Especialmente se descobrisse que está de olho no homem dela!”... Não estou de olho em ninguém e mesmo sendo seu namorando, ele não É dela!... “Uhum! É de quem então? Seu!?” – Ai saco! — bufo, decidindo ignorar o chato do meu subconsciente, terminar meu banho, tomar um café da manhã reforçado e depois... Faxina!
Decisão tomada, relaxo, aproveitando a água morna (coisa rara neste prédio já que o sistema de calefação vive dando problema), deixando-a massagear meu corpo antes de desligar o chuveiro para me ensaboar usando o delicioso sabonete líquido que acompanha meu perfume, um dos poucos luxos que me permito.
Todo dinheiro extra que ganho no clube uso para manter minhas contas em dia, abastecer a geladeira, manter um guarda roupa confortável e, a partir deste mês, mesmo contra vontade dela, enviar um pouco para ajudar minha mãe (não muito afinal não teria como justificar uma quantia grande), pois, apesar de minha família não ser pobre também não dispúnhamos de muitas posses a ponto de que pudéssemos abrir mão do que quer que fosse e sabia que havia tido gastos consideráveis com a doença de papai.
Portanto, luxo para mim se resumia a um bom perfume, um passeio ao shopping para compras no máximo uma vez por mês, o mesmo valendo para refeições em restaurantes (nestas ocasiões saia com Leslie e Sylvie, dividindo a conta) e, como não podia deixar de ser, salão de beleza, (este quinzenalmente) a fim de deixar meus cachos mais domados.
Havia conhecido Leslie e Sylvie poucos meses antes de iniciar meu estágio obrigatório no Med, em uma visita ao batalhão 51 onde trabalhavam, juntamente com outros quatro futuros estagiários do curso de medicina a fim de conhecer um pouco da rotina dos socorristas visto que futuramente iriamos sair em uma ambulância durante um turno.
Nos entendemos de primeira. Se bem que me dei bem com todos por lá, do chefe Boden ao maluco do Otis! Aquele é um batalhão especial, não há como negar. Mais parecem uma imensa família cuidando uns dos outros.
Por isso me surpreendi quando soube do segundo emprego das duas sobre o qual ninguém no batalhão tinha conhecimento, ficando ainda mais surpresa ao vê-las dançando naquele palco!
Evidente que, mesmo em se tratando de um ambiente requintado, com clientela selecionada, fiquei com os dois pés bem atrás quando me levaram para fazer um teste a fim trabalhar na Fifty.
Na ocasião faziam dois meses que meu pai falecera e não contava mais com a ajuda financeira integral de minha mãe (ela ainda conseguira manda um último cheque e prometera, mesmo eu dizendo não precisar, enviar qualquer quantia que conseguisse para me ajudar). Apesar de haver reduzido consideravelmente meus gastos, minha bolsa não estava sendo suficiente.
Ao saberem disto, as duas se ofereceram para me ajudar, primeiro com um empréstimo (o qual quitei com meu primeiro “salário extra”) e depois com a oferta do trabalho servindo mesas no clube.
Aos poucos fui percebendo que as coisas funcionavam de forma diferente de tudo que ouvira dizer de locais como aquele.
Em primeiro lugar, quem servia as mesas não trabalhava com roupas mínimas ou seminuas (como vira em filmes e séries de tv). Havia um uniforme que, apesar de sexy, era bem elegante, em cor neutra para, segundo Erico, não desviar atenção dos clientes para as apresentações no palco, fazendo-nos quase invisíveis e, acredite, funcionava!
Em segundo lugar, caso algum cliente desejasse algo das garotas além de dança (ou seja, sexo!), esta era livre para aceitar ou não e ele teria que aceitar sua resposta. Em caso de aceitação, haviam quartos no terceiro andar disponibilizados para essa finalidade, com seguranças (três) nos corredores. As regras tanto para as danças privadas quanto para o sexo eram as mesmas: caso se sentissem ameaçadas, agredidas ou incomodadas, as garotas acionavam a segurança (e para tanto havia desde botões escondidos a códigos como batidas em portas ou paredes). Era infalível? Evidente que não. Prova disso é que durante estes quatro meses que estou trabalhando lá (um como garçonete e três, a completar na próxima semana, dançando) vira alguns incidentes bem desagradáveis ocorrem. Mas, no geral, funcionava bem.
As máscaras, que poderiam ser usadas também por garçonetes, serviam para proteger as identidades das garotas visto que a maioria esmagadora trabalhava ali como reforço orçamental, com raríssimas exceções!
Tínhamos desde estudantes de medicina, como eu, a estudantes de direito, sociologia e até mesmo engenheiras e arquitetas, sem emprego em nossas respectivas áreas, dependentes apenas de bolsas, a pessoas com emprego fixo, como minhas amigas, que faziam como renda extra ou apenas por prazer.
Os codinomes (ou alter egos, como preferimos) tinham a mesma finalidade e apesar de não ser regra a maioria, quando entrava nos domínios do clube, passava a se tratar pelos mesmo. Pouquíssimas sabiam seus verdadeiros nomes ou se conheciam fora da boate. Não que as amizades fora fossem proibidas, mas como cada uma tinha sua própria vida...
Ligo o chuveiro novamente, removendo a espuma, terminando meu banho, saindo vestida em um roupão.
Sigo direto para a cozinha onde preparo meu dejejum, comendo em frente à televisão, acompanhando as primeiras notícias do dia.
Assim que termino, levo meu prato e xicara para a pia, me sirvo de suco e torradas, como o que restara da salada de frutas que fiz duas noites atrás, retorno para meu quarto, ponho um short e uma camiseta mais velhos, voltando a seguir para a cozinha a fim de pegar o material para iniciar a faxina.
Separo tudo que preciso deixando-os a mão. Antes de começar, verifico minhas mensagens no celular respondendo as de minha mãe, de Leslie e Sylvie, que queriam saber se estava bem, a de Erico, avisando que, como no próximo final de semana completaria três meses dançando, me deixaria escolher a música de minha apresentação solo. Sorrio ao ler a mensagem pois quase posso ouvi-lo falando o texto em que diz “ ser bonzinho e confiar que não faria besteira! ” ( besteira seria escolher uma música “morta”, como chamava algumas que havíamos sugerido a ele para apresentações em grupo). Sabia que no final seria ele a bater o martelo gostando eu ou não.
Ponho meus fones de ouvido, escolho uma estação, coloco o celular no bolso traseiro do shorts e começo a faxina.
Quando estou praticamente no final da mesma, escuto uma canção na rádio que me chama atenção. Paro o que fazia, pego o aparelho, entro no youtube e procuro o clipe da tal música, assistindo tanto o original quanto uma participação da cantora em um programa de auditório. Repito-o diversas vezes a fim de fixar alguns movimentos que poderia usar, me conscientizando de duas coisas: (1) teria que improvisar alguns movimentos; (2) já conseguia até ouvir a voz do Erico, quando lhe mostrasse a música escolhida me dizendo: “Hum! Essa ai!? Tá. Me convença! ”...
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Connor (sábado, 12:05 p.m)
Entro no prédio que abriga a loja de departamentos pertencente a minha família sem vontade.
Havia cedido, depois de relutar bastante, a pressão (entenda chantagem!) de minha irmã em almoçarmos juntos pois queria me contar algo importante, que não poderia fazê-lo por telefone pois precisava muito de minha opinião bem como de minha ajuda, etc, etc...
Por conta disto me encontro, em meu final de semana de folga, tendo que arriscar um encontro nada agradável com nosso pai só porque Claire havia conseguido me deixar com a consciência pesada!
—Boa tarde, poderia avisar Claire que... – antes que eu termine de falar, escuto a voz de minha irmã ecoar me fazendo erguer os olhos para vê-la descendo pela escada volante.
—Você veio! – exclama, pulando em meu pescoço ao mesmo tempo em que beija meu rosto.
—Falei que viria não falei!? – digo, notando o olhar interrogativo da funcionaria por detrás do balcão – O que é tão urgente e sigiloso que não pode ser dito por telefone? – questiono, encarando-a.
—Como acaba de dizer, é sigiloso, portanto não vou falar aqui, praticamente na rua, em meio a uma multidão! – exagera, arrumando a gola de minha camisa, passando as mãos como que removendo poeira (inexistente, diga-se) de meus ombros – Venha, vamos subir para almoçarmos e aproveito para te mostrar o novo espaço gourmet que convenci papai fazer no último andar do edifício. Tem uma vista magnifica de toda a cidade. Dá até para ver o mar! – afirma, me fazendo revirar os olhos com mais este exagero, praticamente me arrastando pela mão– Alicia, quando parar de babar por meu irmão, veja com Roberta para fazerem reposição no departamento de maquiagem e perfumaria. Passei por lá e vi muitos espaços vazios – ordena, deixando a garota com o rosto vermelho e sem graça.
—Quem diria, minha irmãzinha uma empresaria de sucesso! – brinco, acompanhando-a até o elevador panorâmico.
—Pois é, tive que me superar e esmerar para suprir sua falta! – exclama, recostando-se em uma das paredes de vidro – O que não foi nada fácil já que sempre é muito competente em tudo faz, maninho!
—Não adianta tentar me ganhar com elogios, se não gostar do que ouvir não vou te ajudar! – ameaço, ficando a seu lado, cruzando meus braços – O que está aprontando Claire?
—Quem apronta aqui é você e não eu! – rebate, tranquila, voltando-se, desconversando, o que me dá a certeza que deve ser algo muito sério – Viu o que falei sobre a vista? – indica com um gesto me fazendo virar o rosto.
—É realmente muito linda! – admiro-me, voltando-me ao escutar as portas abrirem-se, ficando imediatamente tenso ao dar de cara com nosso pai acompanhado por quatro homens. Pela reação dele, também não esperava me ver ali o que espanta minha suspeita de um encontro armado por Claire.
—Claire.... Connor... – olha de mim para ela com a sobrancelha arqueada – Estão indo almoçar?
—Estamos – Claire confirma, apertando as mãos nervosamente – Boa tarde senhores! — cumprimenta os homens que o acompanhavam, estes respondendo com acenos – Reunião de negócios? – pergunta um pouco alto demais como que me dizendo estar tão surpresa pela presença do grupo quanto eu.
—Apenas velhos amigos se reencontrando – o mais velho afirma, sorrindo, dirigindo-me um olhar estranho, o mais novo fazendo o mesmo.
—Desculpem minha má educação – nosso pai começa com seu jeito formal – Oscar, Silvester, Giancarlo e Matteo, meus filhos, Claire e Connor – apresenta-nos.
—Seus filhos? – o tal Matteo indaga.
—Nos conhecemos de algum lugar? – questiono, não gostando da maneira como passou a me olhar depois de sermos apresentados.
—Não formalmente – diz, saindo, sem maiores explicações, assim que o elevador para.
Fazemos o mesmo, Claire conseguindo, de maneira educada, manter nosso almoço separado do deles.
—Connor, não sabia que papai estria aqui hoje, juro – assegura, sentando-se a minha frente em nossa mesa – Não armei nenhum encontro entre vocês, acredite! – pede, preocupada.
—Eu sei Claire, relaxe – tranquilizo-a, notando o cochicho entre o tal Matteo e o mais velho, Oscar, ambos olhando em nossa direção – Conhece algum daquele homens?
—Oscar e Matteo são amigos de papai, da época da universidade, acho -informa – Os outros dois não sei quem são.
—Eles trabalham em quê? – quero saber.
—São empresários do ramo do entretenimento. Tem uma casa de shows ou algo do gênero, não sei bem. Por que a curiosidade? – questiona-me.
—Não gostei da maneira como o tal Matteo me olhou... Na verdade, continua a me olhar – afirmo, começando a me irritar.
—Esqueça eles. Que tal trocarmos de lugar? – sugere e nego com um meneio de cabeça.
—Não precisa – afirmo – Afinal, o quer comigo? – pergunto.
—Primeiro comemos, depois conversamos! – insiste, deixando-me ainda mais desconfiado.
Depois de ordenarmos, iniciamos uma conversa leve sobre amenidades, continuando-a por todo almoço até a sobremesa.
—Então, ainda está namorando aquela médica loira? – começa a falar, remexendo na taça de sorvete a sua frente.
—Não. Terminamos pouco antes de ela ir embora – informo.
—Ahh...Então está sozinho? – quer saber.
—Agora sim...Mas não foi para falar de minha vida amorosa que me chamou aqui foi? – questiono-a – Ao menos espero que não! – exclamo vendo-a rir minimamente, os olhos baixos, uma expressão tensa – Claire, o que está acontecendo? Algum problema com Lívia? Ou entre vocês? – pergunto, lembrando que desde que nos encontramos não tocara no nome de sua namorada.
—Eu e Liv não estamos mais juntas desde dezembro – informa.
—Sinto muito – digo, sem graça – É isso que te incomoda?
—Na verdade não. Já superei e, inclusive, como dizem, já partir pra outra! – garante, erguendo os olhos, me encarando finalmente – E é por causa dessa nova relação que preciso de sua ajuda – afirma, continuando sem me dar tempo comentar nada – Preciso que me ajude a convencer papai a aceitar Spencer.
—OI??? – indago, surpreso – Claire, como eu poderia...
—Depois que Lívia terminou comigo, decidi seguir seu conselho e viver um pouco, deixar o trabalho de lado por alguns dias – recomeça, me interrompendo – Com essa ideia em mente, conversei com papai e fui passar o final de ano fora, no Brasil para ser exata. Você falou tanto sobre as belezas naturais do país que decidi passar as últimas semanas do ano por lá...E foi justamente lá que conheci James! – informa, os olhos brilhando – Ele é agente do FBI, estava visitando os filhos no Rio, os dois que moram lá com a mãe, ex esposa dele...
—O cara já foi casado e tem dois filhos? – minha vez de interrompe-la – E agente do FBI? Que idade ele tem? Não que isso seja importante – acrescento rápido.
—Não é tão velho quanto está supondo – afirma – O pai dele era diplomata e a mãe funcionaria da embaixada no Rio, ele tem dupla nacionalidade, e tem quatro filhos! Dois moram nos Estados Unidos com ele, e antes que pergunte não tem nenhum problema com a ex – despeja, me deixando zonzo – O problema está no fato de ser agente do governo – diz, mordendo o lábio, observando minha reação. Com as mãos faço sinal para que prossiga, até porque não conseguiria falar mesmo que quisesse – A três anos atrás tivemos problemas com um carregamento da Dolan vindo da Europa e tanto a loja quanto papai e eu acabamos sendo investigados – revela, me deixando ainda mais surpreso – Como pode imaginar, papai não ficou nada feliz com isto e bateu de frente com o chefe da equipe de investigação – para, respirando fundo antes de concluir – Acontece que o chefe da equipe na época...Era o James!
—Puta que...
—Connor! – ralha, não me deixando terminar a frase – Poderia controlar sua linguagem por favor!
—O que esperava depois de tudo que me contou? – rebato.
—Empatia, solidariedade, a promessa de que vai me ajudar, coisas do gênero e que um Bom Irmão faria! – diz, enfatizando o final da frase.
—Justamente por ser um Bom Irmão -parafraseio – Vou me manter fora disto! – exclamo.
—Mas não pode! Preciso de sua ajuda, seu apoio! – choraminga.
—Claire, eu sou a última pessoa no mundo a quem deveria pedir para interceder junto a nosso pai em favor de algo ou alguém, ainda mais um namorado! – argumento – A não ser que me oponha a seu namoro e.... – me calo ao ver o brilho em seu olhar – Está de brincadeira! – exclamo – Não vou me opor gratuitamente a ninguém!
—Não precisaria se opor abertamente – declara, esperançosa – É só não demonstrar que está a meu lado e pronto – simplifica.
—Não acredito que está sugerindo isto! – resmungo, encarando-a.
—Pra ver o quanto estou desesperada! – pontua – Não te pediria nada do tipo se não estivesse. Lógico que vou te apresentar a James assim que ele voltar a Chicago, explicar para ele o que estou te pedindo...
—Então vamos esperar ok? – interrompo-a – Quando ele voltar, me liga, marcamos um almoço, jantar, o que for, e depois decidimos o que fazer – sugiro, completando ao vê-la hesitar – Claire, já pensou que o tiro pode sair pela culatra? Já pensou que nosso pai pode gostar de minha oposição e me apoiar?
—Não seria tão azarada assim! – exclama e tenho que rir.
—Desculpem interromper uma reunião entre irmãos tão agradável, mas o fotografo que contratou para promover este espaço está irritantemente insistindo em tirar uma foto da família reunida – nosso pai informa parado ao lado de nossa mesa.
—Era só o que me faltava! – bufo, inquietando-me na cadeira.
—Connor, é só uma foto – contemporiza Claire e aceno em concordância.
Nosso pai puxa uma cadeira, sentando entre mim e Claire, apoiando os braços no encosto de nossas cadeiras.
—A família reunida novamente – sibila em meu ouvido.
—Que tal um sorriso? – o tal fotografo pede.
—Que tal fazer seu trabalho de boca fechada! – respondo, fazendo-o recuar dois passos antes de fazer o que sugerira, batendo várias fotos – Obrigado – diz, saindo.
—Ainda bem que imagens não falam ou as pessoas pensariam que não lhe dei educação Connor – meu pai comenta, levantando-se – Até qualquer dia – afasta-se, voltando para seus amigos.
—Ainda vai querer minha ajuda? – questiono minha irmã, que sorri sem graça – Se já terminamos, vou embora. Quero tentar aproveitar minha folga e descansar um pouco – aviso, levantando-me.
—Obrigada Connor – agradece, fazendo o mesmo – Entro em contato assim que James retornar e marcamos- avisa.
—Ok – concordo, beijando-lhe o rosto, saindo, notando mais uma vez o olhar estranho do tal Matteo sobre mim.
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Chicago Med (segunda, 09:40 a.m)
Narrador
—Doutora Manning, criança vítima de queda chegando – Maggie avisa.
—Ok. Reese, comigo – chama a médica, a residente seguindo-a – O que temos Sylvie ? – pergunta assim que a paramédica entra com a maca.
—Daniel Voight, um ano e meio, caiu do escorregar no parquinho da escola, suspeita de fratura no pulso, pressão 10x5, sem febre, dor no local da lesão e pelo corpo – informa, posicionando-se ao lado de Sarah, preparando-se para relocar o garotinho, que chora chamando a mãe.
—Na minha contagem, gentilmente pessoal ... Em 3,2,1 – transferem-no para o leito hospitalar.
—A mãe está a caminho – Sylvie avisa.
—Você disse Daniel Voight? – Maggie questiona-a antes que saia – Não seria por acaso...
—Neto do sargento Voight! – informa ela, acenando para Sarah, que sorri de volta.
—Obrigada Syvie – Natalie agradece, passando a coordenar o atendimento ao garotinho – Quero raio x do pulso agora, April, aplique 1ml de cetoprofeno — comanda.
—Não parece ter nenhuma outra fratura – Sarah avisa, terminando de apalpar a criança – Vai fazer ultrassom?
—Sim. Do abdômen, por favor – pede, a residente preparando-se para executar o exame.
—Dan! Dan! – uma jovem adentra o hospital, desesperada, seguida de perto pelo sargento Voight.
—Fique tranquila meu bem, estamos cuidando dele – Maggie tranquiliza-a, cumprimentando Hank Voight com um aceno.
O policial e a nora acompanham o restante do atendimento até a criança ter seu pulso imobilizado por Sarah.
—Não houve nenhum outro ferimento além de pequenas escoriações e o pulso fraturado. Mas vou deixa-lo em observação até o final de meu plantão – Natalie avisa – Fiquem tranquilos, ambos. Daniel está bem – assegura – Assim que a doutora Reese terminar de imobilizá-lo podem ficar com ele.
—Obrigada doutora, muito obrigada! – agradece Olive Voight, apoiando-se no sogro.
—Obrigado Nat – Hank diz, entrando no quarto junto com a nora.
—Pronto garotão, está terminado. Você é muito corajoso sabia!? – Sarah conversa com o garoto, afagando seus cabelos.
—É sim. Ele é muito corajoso! – anui a mãe, sentando ao lado do filho – Posso ficar aqui não posso?
—Com certeza! – diz a residente, sorrindo para ela, chocando-se com o policial ao voltar-se para sair – Desculpe sargento – pede, apoiando as mãos em seu peito.
—Não foi nada – garante ele, sorrindo levemente – Obrigada pelo carinho com meu neto – agradece.
—Daniel é um garotinho muito valente, quase não chorou – volta a elogiar, ficando sem graça diante do olhar do policial – Se me der licença... -pede, ele afastando-se a fim de que pudesse sair, seguindo a garota com o olhar até que sumisse de seu raio de visão.
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CFS – Quarta (20:20 p.m)
Sarah
Que dia estranho esse de hoje! , pondero enquanto faço alongamento antes começar a ensaiar ao mesmo tempo em que olho o buque de flores que o sargento Voight havia me levado no meio da manhã.
Certo, ele também havia levado um para Nat em agradecimento pelo atendimento ao neto dele. Mas, como ela, Maggie, April e Doris haviam frisado, o meu além de maior era mais bonito...
—Não é justo! – Nat reclamara em tom de brincadeira após ele ter ido embora – Por que seu buque é maior que o meu?
—Porque o seu é para agradecer, enquanto o da Reese… — Maggie justificara, me olhando significativamente.
—O que tem o meu? – perguntei fingindo não entender sua insinuação.
—A Nat ele quer agradecer...A você paquerar! — Doris verbalizara fazendo todos que estavam na recepção emitirem “Hunnns!” uníssonos. Ou quase todos. Por alguma razão que me é desconhecida, doutor Rhodes além de não seguir o exemplo dos demais pareceu não ter gostado ou aprovado a gentileza...
—Ok, minha rainha, vamos ver que música escolheu para comemorarmos seus primeiros três meses arrasando corações!! – a voz de Erico interrompe meus pensamentos.
—Não vamos esperar as outras chegarem? – questiono, enrugando a testa.
Normalmente venho de carona com Sylvie e Leslie mas hoje me avisaram que haveria uma reunião depois do final do turno e não sabiam sequer se poderiam ensaiar, o que elevou consideravelmente minha insegurança visto que contava com o apoio delas.
—Não a menos que queira dormir aqui! – avisa – Vamos lá, me mostre o que pensou – pede, sentando a meu lado na borda do palco.
Ainda insegura, abro o vídeo que já tinha deixado pré-selecionado, mostrando-lhe o clipe.
—Hum.... Esta música!?…-diz, massageando o queixo, a sobrancelha erguida – Convença-me! – exclama e caio na risada automaticamente, fazendo-o ergue as mãos interrogativamente.
Assim que consigo me controlar, levanto-me, passando a falar o que havia pensado fazer.
—No words dear! Mostre-me o que pensou! Me encante! – ordena, sentando-se em uma cadeira próxima ao palco.
—Ok – digo, conectando meu celular com o aparelho que usamos para ensaiar, me posicionando, soltando a música, começando a executar os passos que pensara. Ao final, paro junto a borda do palco, de costas, olhando por sobre meu ombro direito – Então, o que achou? – pergunto, sentando no chão próxima a ele, estranhando não apenas seu silêncio como também o silêncio do pessoal (garçonetes, barmen e seguranças) que estavam parados olhando-me de boca aberta.
—CHO.QUEI!! – Erico finalmente fala.
—Então aprova minha escolha? – questiono.
—Se eu aprovo? Minha rainha, olhe a seu redor! Todos pararam pra te ver. Se conseguir, e com minhas pequenas e preciosas correções conseguira, repetir essa apresentação na sexta à noite, vamos precisar chamar o corpo de bombeiros porque isto aqui vai pegar fogo! – exagera, como sempre – Não sei quem está querendo matar, mas espero que o pobre coitado tenha plano de saúde ou no mínimo um coração muito forte!
Isto supondo que virá! – Não pensei em ninguém em especial – minto, não querendo, na verdade, admitir que tinha pensado sim.
—O dono do buque? – pergunta, curioso e nego com a cabeça – Bom, então que Deus tenha piedade dos dois, o responsável pelas lindas flores, e o pobre coitado alvo dessa dança! – diz, benzendo-se – Agora venha, vamos aperfeiçoar sua “arma mortífera”! – brinca, segurando minha mão, levantando-me, passando a dar seu toque no número que pensei.
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Chicago Med (sexta, 19:00 p.m)
Sarah
—Até segunda Mags. Bom final de semana – despeço-me acenando.
—Até e bom jantar amanhã! – deseja, piscando para mim.
—Isso! Queremos todos os detalhes na segunda! – April acrescenta, enlaçando seu braço ao meu – Todos mesmo!
—Detalhes de quê? – Robin Charles pergunta, encostando-se no balcão, Connor e Will a seu lado.
—Do encontro da Reese com o Voight! – April se adianta e vejo Rhodes fechar a cara.
—Opa, então a coisa é pra valer mesmo? Vou pedir informações sobre seu pretendente a meu maninho, afinal, não é assim que a banda toca por aqui! – Will diz, completando – Ele não pode simplesmente chegar e ir “pegando” – faz aspas no ar – Uma das nossas sem passar por nosso crivo antes, não é Maggs?
—Com certeza doutor Halstead! – anui, rindo de minha expressão de surpresa.
—É só um jantar, nada mais! – minimizo, vendo pelo canto do olho Rhodes inquietar-se.
—Mesmo assim. Hank não pode simplesmente entrar e pegar! Tem que pedir permissão, não acha Connor? – Will pergunta, fazendo todos, inclusive Robin, voltarem-se para ele.
—Acho que foi um dia cansativo e devemos ir para casa, descansarmos, é isso que acho – diz, azedo – Boa noite e bom final de semana para todos – despede-se, saindo rápido.
—Que bicho o mordeu? Até parece que está...– Will começa dizer, Maggie fazendo-o calar-se com o olhar.
—Com ciúmes! – Robin Charles completa, me olhando de alto a baixo.
“Se não conseguiu segurar seu homem, problema seu meu bem! ”.... Quer ficar calado por favor! ... “ Mais de jeito nenhum! Ele está com ciúmes; Ela está se mordendo de raiva! E eu estou A.DO.RAN.DO!”— Até segunda. Bom final de semana para todos! – desejo, girando em meus calcanhares, não me dando ao trabalho de responder a pergunta no olhar da doutora Charles. Até porque não saberia o que dizer.
Se a reação dele era por ciúmes das duas uma: ou havia concluído por conta própria, de alguma forma, que sou Dione; Ou era tão convencido que pretendia conquistar duas mulheres ao mesmo tempo!... “Cacife para isso ele tem! ” ....Ca.la.do!
Corro até o ponto de taxi mais próximo, pegando o primeiro disponível, erguendo a cabeça, olhando para fora do carro tendo a impressão de ouvir meu nome. Como não vejo ninguém, volto a me concentrar na mensagem de Erico. Havia mudado de ideia e colocara meu número logo após o de Carmenta, que seria o antepenúltimo da noite, Leslie, ou melhor, Xanta, ficaria encarregada de fechar os números nesta noite.
Suspiro, olhando a paisagem enquanto o taxi segue seu caminho, pensando que, desta vez, não esqueceria meu despertador ligado novamente pois sairia do clube com o raiar do dia e precisaria descansar para meu jantar com Hank Voight.
Por sorte marcara em um horário intermediário (20:00), já que só precisaria estar no clube depois das onze no sábado.
Não sabia bem o que me levara a aceitar o convite do sargento, talvez sua gentileza em me dar flores, talvez o brilho que vi em seu olhar, ou a forma como havia feito o convite, não sei. O fato é que aceitei e agora não sabia o que esperar desse jantar... “Só faz um favor: seja honesta com ele. Diga que tem outro no páreo. Não o engane!’ — Não precisa pedir duas vezes! – murmuro para mim mesma, pagando a corrida, entrando rapidamente no clube.
Nos camarins, tomo um banho refrescante, começando a me vestir calmamente.
Erico havia escolhido um conjunto de sai e top mais uma vez em tons de lilás (ele pretendia vermelho, mas não achou nada que o agradasse). Apesar de a sai ser longa, suas fendas frontais me permitiriam executar os movimentos sem dificuldades.
Após me vestir, sento em frente ao grande espelho da penteadeira, fazendo minha maquiagem, dando preferência aos tons na cor da roupa que usava, arrumando meu cabelo, fazendo três tranças medias, deixando o resto do cabelo solto. Escolho uma máscara de um lilás mais vivo, coloco-a e me olho no espelho, gostando do que vejo.
Assim que termino, repasso os passos a princípio mentalmente, depois executando alguns a fim de fixa-los na mente.
—Vamos minha rainha! Hora de cometer um, ou vários, assassinatos! – Erico chama, estendendo a mão, me conduzindo até as coxias – Achou quem procura? – pergunta ao me ver correndo os olhos pela plateia, sorrindo junto comigo quando aceno afirmativamente – Pobre coitado! – brinca, beijando minha mão – O palco é todo seu!
Play Cool Girl – Tove Lo
Enquanto os primeiros acordes ecoam pelo salão, sigo pelo túnel de malhas montado sobre o palco que terminava centímetros antes do pole, que envolvo com minha mão direita, fazendo um giro antes de deslizar até o chão apoiando minhas costas assim que a voz de Tove Lo se faz ouvir...
“You can run free, I won’t hold it against ya;
You do your thing, never wanted a future;
Fuck if I knew how to put it romantic;
Speaking my true , there’s no need to panic...”
Ergo meu corpo, caminhando lentamente na direção da mesa onde Connor se encontra, parando a poucos passos do final do palco, erguendo meus braços para o alto de minha cabeça, mexendo meu corpo lateralmente, descendo devagar, preparando -me para o próximo movimento..
“...No, let’s not put a labelo n it, let’s keep it fun;
We don’t put a label on it, so we can run free, yaeh;
I wanna be free like you...”
Antes de o refrão começar já estou com as pernas flexionadas, joelhos no piso do palco olhando diretamente para ele antes de bater com um dos punhos fechados no chão, deslizando ambos lateralmente, abrindo e fechando as pernas no ritmo da canção, minhas mãos subindo por meu corpo até a cabeça, dançando junto com o resto do corpo...
“...I’m a, I’m a, I’m a cool girl, I’m a, I’m a cool girl;
Ice cold, I roll my eyes at you, boy;
I’m a cool girl, I’m a, I’m a cool girl,
Ice cold, I roll my eyes at you, boy...”
Ergo meu corpo mais uma vez, serpenteando o corpo lateralmente, jogando meu cabelo para um lado com a mão, recuando até encostar no pole, passando a usá-lo na coreografia....
“....Rules you don’t like, but you’re still gonna keep’em;
Said you want fines for whatever reason;
Show we can chill, try and keep it platonic;
Now you can’t tell I’m really ironic...”
Tal como havia feito no começo, deslizo até o chão , desta vez deitando-me por completo, erguendo a medida que o refrão se aproximava....
“...No, let’s not put a label on it, let’s keep it fun;
We don’t put a label on it, so we can run free, yaeh;
I wanna be free like you...”
Diferente da primeira vez, durante o refrão apoio as mãos no solo, erguendo meu quadril no rtimo da canção...
“...I’m a, I’m a, I’m a cool girl, I’m a, I’m a cool girl;
Ice cold, I roll my eyes at you, boy;
I’m a cool girl, I’m a, I’m a cool girl,
Ice cold, I roll my eyes at you, boy...”
Ao final do segundo refrão, fico de joelhos, erguendo-me lentamente, os braços atrás da cabeça, caminhando devagar, sempre mexendo o corpo lateralmente, voltando a procurar o olhar de Connor, capturando-o...
“...I got fever hights;
I got boilling blood;
I’m that fire;
We could burn together...”
Estou no limite do palco, tão próxima que quase posso sentir sua respiração claramente alterada, volto a mexer o corpo, flexionando as pernas de forma a ficar parcialmente agachada, meus quadris indo e vindo, para frente de para trás lateralmente, girando em meu eixo, caminhando de volta, fazendo breves paradas, as mãos erguendo meu cabelo, soltando-o, até parar por completo junto ao pole, encostando meu corpo para finalizar a performance...
“....I’m a cool girl, I’m a, I’m a cool girl;
Too cool for you;
I’m a cool girl, I’m a, I’m a cool girl;
I’m a, I’m a cool girl, I’m a, I’m a cool girl
Ice cold, I roll my eyes on you boy...”
Enrosco uma perna no pole, ficando de lado, baixando levemente a cabeça até a música cessar, as luzes apagando, uma cortina fechando, me permitindo sair sem ser notada.
Nos bastidores, me jogo no divã recém colocado no local, respirando fundo, a imagem de Connor, me olhando com os olhos em brasa fazendo minha respiração acelerar...
—Ok, se você pretendia pôr fogo em um certo cirurgião, conseguiu! — Xanta comenta, recostando-se na penteadeira.
—E com louvor! – Hespéra acrescenta.
—Só espero que não sai queimada desse fogo! — Xanta exclama.
—Eu Já me queimei Xanta! – afirmo, suspirando – Eu já me queimei!

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