Hidden Life!
8 One fine day! (I)
Notas iniciais
“I’m trying hard to figure out;
Just what this feeling is all about;
Rush of blood like a wave crashing;
When I’m holding you close to me…”
Ïn Your Heart I'm Home
Alex Band
Apartamento Sarah (sexta, 7/4 – 19:30 p.m)
Narrador
Sarah acorda sentindo o calor do corpo de Connor junto ao seu, um sorriso iluminando seu rosto, as lembranças dos acontecimentos de algumas horas atrás a fazendo corar levemente, prendendo a respiração instintivamente ao senti-lo mexer-se, apertando-a possessivamente contra si, a barba rala roçando a pele sensível do pescoço quando ele apoia a cabeça contra o mesmo.
Uma sensação de intimidade e proteção toma conta dela, um suspiro escapando de seus lábios.... Como é bom senti-lo assim, tão perto! ... pensa, seu subconsciente vindo provocá-la: “ Mas já?? Até ontem eram praticamente estranhos e agora está aí, sentindo-se toda confortável perto dele é? ”... Fica quieto! Tá reclamando do que? Não era você que estava querendo essa aproximação?.... revida, ousando acariciar o braço que descansava sobre sua cintura suavemente para não o acordar... “Até porque ainda não pensou em como vai ser de agora em diante, pensou? Vão namorar ou serão apenas amantes? E no trabalho, como vai ser? E, principalmente, vai contar que é a dançarina mascarada que ele anda correndo atrás? Como acha que ele vai reagir? E...” – Quer fazer o favor de me deixar em paz! – exaspera-se consigo mesma, suspirando novamente, fechando os olhos, voltando a abri-los pouco depois ao sentir o braço ser retirado.
Devagar, volta-se a fim de ficar de frente para Connor, preparando-se mentalmente para encarar aquele mar azul hipnotizante, respirando aliviada ao notar que apenas mudara de posição, ficando de barriga para cima, permanecendo dormindo.
Posicionando o corpo de lado, o cotovelo apoiado sobre o colchão, a mão direita segurando a cabeça, Sarah aproveita para admirar o homem dormindo tranquilamente a seu lado, a respiração compassada, rosto relaxado, cabelos bagunçados, o corpo parcialmente descoberto revelando os músculos definidos (sem exagero).
Resistindo a tentação de tocá-lo, levanta-se, saindo da cama com cuidado, verificando a hora em seu relógio de pulso sobre a cômoda ao passar para o banheiro, encostando a porta ao entrar para que a luz não o incomodasse.
Lá dentro, olha-se no espelho tocando os lábios com as pontas dos dedos, a lembrança dos beijos e caricias trocadas fazendo-a corar novamente. Connor havia sido gentil, doce, sem, no entanto, deixar de ser viril. Fecha os olhos mais uma vez, relembrando tudo que o fizera passar, sentindo o peito oprimido.
—Você não vai chorar Sarah! Em hipótese alguma! – admoesta a si mesma diante do espelho, sacudindo a cabeça a fim de espantar tais pensamentos – Agora tenho que pensar em como será daqui para frente – afirma, abrindo e fechando as mãos nervosamente.
Suspirando alto, entra no box decidindo lavar os cabelos após cheirar uma mecha.
—Fedendo você não está, mas como fazem mais de três dias que te lavei – pondera, abrindo o chuveiro, deixando um primeiro jato frio cair, pondo a mão a fim de testar a temperatura – Acho que isso é o melhor que posso esperar – diz, colocando um pé sob o jato, girando-o, aguardando alguns segundos até seu corpo acostumar com a temperatura da água, mergulhando o restante sob a ducha logo em seguida, molhando bem os cabelos antes de desligar o chuveiro, pegar o shampoo, despejar uma quantidade na palma da mão que leva aos cabelos, começando a lavá-los, cantarolando uma melodia que vinha do apartamento vizinho.
Distraída, assusta-se, soltando um grito baixo ao sentir mãos tocarem sua cintura fazendo-a voltar-se, encontrando Connor.
—Desculpe se te assustei – pede, um sorriso no canto da boca, os olhos percorrendo o corpo feminino nu a sua frente com evidente admiração masculina.
—Tudo bem – sussurra a médica em um fio de voz, sentindo a pulsação acelerar diante do exame minucioso – Acordei você? – pergunta, abrindo e fechando as mãos mais uma vez sem saber onde pô-las.
—Não. Já estava meio acordado quando saiu da cama – garante – Posso te fazer companhia?
—Se quiser... Só aviso que vou demorar um pouco... Lavando o cabelo, sabe! – exclama, sem graça, segurando uma mecha.
—Quer ajuda? Sou muito bom com as mãos! – brinca, fechando os olhos em uma careta engraçada, sacudindo a cabeça negativamente antes de falar – Ok, isto não sou tão pervertido em minha mente! – abre-os, vendo-a sorrir – Só quis dizer que mãos extras podem ser úteis – faz nova pausa, inclinando levemente a cabeça – Isso também não soou muito bem não foi? – pergunta, seu sorriso aumentando diante do aceno afirmativo de Sarah – Ok, melhor me calar já que parece que acordei inclinado a falar besteiras! No entanto a oferta permanece. Posso te ajudar se quiser.
—Como? – Sarah indaga, enrugando a testa.
—Vire-se – ordena, erguendo as sobrancelhas, girando o indicador no ar quando a médica não faz o que pedira – Vire-se – repete, sendo obedecido desta vez – Me passe o shampoo – pede, estendendo o braço, recebendo o frasco.
Da mesma forma que Sarah fizera antes, despeja uma quantidade (generosa!) em sua mão esquerda, devolvendo o frasco a médica. Em seguida, une as duas mãos, dividindo o conteúdo antes de levá-las ao cabelo dela, deslizando as mãos desde o topo até as pontas, enroscando os dedos entre os fios cacheados, iniciando uma massagem vigorosa, as pontas dos dedos tocando o couro cabeludo, deslizando por entre os cachos, voltando a subir, repetindo tudo de novo, fazendo-a fechar os olhos, deliciada com os movimentos relaxantes executados por ele bem como com seu toque.
Devagar, Connor envolve os dedos entre os cachos longos novamente, separando mechas como se os penteasse. Após alguns minutos, liga o chuveiro, enxaguando-os, retirando todo o shampoo com a ajuda de Sarah, suas mãos se tocando uma vez ou outra.
—Creme – pede depois que desliga o chuveiro, estendendo a mão novamente, ouvindo-a rir baixinho – O que foi? – pergunta ao receber o frasco.
—É assim que funciona na sala de operações? Pede o que precisa e o instrumentador lhe passa? – indaga e é a vez dele rir.
—Exatamente assim! – exclama, repetindo com o creme o que fizera com o shampoo – Só que lá dentro geralmente não é tão agradável quanto isto aqui – acrescenta, deslizando as mãos por seus cabelos a começar pela metade do comprimento até as pontas, separando mechas, massageando-as uma a uma – Pode por mais um pouco – pede, estendendo a mão direita com a palma aberta.
—Sim senhor doutor! – Sarah brinca, obedecendo-o, voltando a fechar os olhos ao senti-lo massagear o couro cabeludo, suspirando.
—Linda! – Connor elogia, juntando o cabelo úmido em uma mão formando um rabo de cavalo, erguendo-o, expondo o pescoço – Você é linda Sarah! – repete, beijando-o, deslizando os lábios por toda extensão de seus ombros, ora lambendo, ora dando pequenas mordidas arrancando gemidos baixos.
Soltando o cabelo, desliza as mãos lateralmente pelo corpo de Sarah, descendo até a cintura, passando por seu ventre, subindo até os seios onde para, massageando os bicos rijos com os polegares arrancando novos gemidos de prazer, sua excitação aumentando no momento em que ela encosta seu corpo ao dele.
—Sarah! – sussurra em seu ouvido, mordendo o lóbulo enquanto uma mão desliza até a intimidade dela, estimulando-a com movimentos ágeis – Hora de tirar o creme – diz, cessando os estímulos, afastando-a levemente, deixando-a confusa.
Ligando o chuveiro novamente, abre a ducha de mão, direcionando-a para o cabelo de Sarah, umedecendo-os, voltando a enroscar os dedos entre os fios, deslizando-os tal qual fizera anteriormente, “penteando-os” até retirar todo o creme, fazendo-a voltar-se de frente para ele, usando a ducha e sua mão livre para retirar o creme de seu corpo, deslizando-a por toda extensão do mesmo.
—Connor... – o sussurro rouco é a senha para que ele deixasse de lado as preliminares.
Segurando-a pela cintura, Connor ergue-a do chão fazendo com que enrosque as pernas ao redor de seu corpo, encostando-a contra a parede, usando um dos braços como apoio a fim de evitar que a pele delicada ficasse em contato com a cerâmica fria.
O beijo que trocam é urgente, selvagem e os deixa sem folego obrigando-os a cessarem o contato a fim de respirar.
Abandonando seus lábios, Connor desliza a boca até o pescoço, sugando a pele em um chupão forte que deixa uma marca ao mesmo tempo em que começa penetra-la devagar, controlando os movimentos, parando, tenso.
—Sarah, você toma anticoncepcional? Senão vou parar por aqui. Já transamos sem proteção uma vez e não é bom ariscarmos uma segunda – pondera com voz rouca.
—Conseguiria parar agora? – pergunta, mordendo o lábio inferior, olhando dentro dos olhos do cirurgião.
—Frustrado mas sim – admite, tentando afastar-se, sendo impedido por ela.
—Tomo anticoncepcional sim. Rigorosamente em dia – tranquiliza-o, beijando sua testa, descendo pela lateral do rosto até a boca, prendendo-a em um beijo ardente, a língua forçando passagem, invadindo, explorando.
Com um grunhido abafado, Connor se enterrar em sua intimidade em uma estocada vigorosa, iniciando movimentos cadenciados, provocando gemidos altos de puro prazer.
Entregues ao momento, não percebem a chegada da mulher que, ao vê-los, solta um “Oh!” abafado, girando no próprio eixo, fazendo o caminho de volta para a sala¨.
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“...I want you to stay, I won’t let you go;
I just can’t make it on my own;
Take me away ti someother place;
Where we don’t to be alone;
In your heart I’m home..”
Sarah
Deitada sobre seu peito de olhos fechados, escuto o coração de Connor voltando ao ritmo normal, sua respiração (assim como a minha) fazendo o mesmo.
Depois de termos feito amor (sim, é este o termo para o que fizemos!), terminamos nosso banho saindo direto para a cama, onde estávamos agora, abraçados, relaxando, apenas sentindo um ao outro, suas mãos passeando por minhas costas, subindo e descendo, lentamente, as minhas em seu peito, acariciando-o.
—Eram amigas? – escuto-o perguntar, fazendo-me abrir os olhos – Você e a garota que morreu, eram amigas? – esclarece.
—Não muito – digo, o que não era mentira visto que, de fato, não o éramos – Pelo que sei ela era mais amiga de uma das dançarinas. Carmenta, acho.
—Sei... E quanto ao assassino? O conhecia? – questiona.
—Tanto quanto a ela – afirmo, o que também era verdade.
—Por que trabalhou lá Sarah? – pergunta, direto, após alguns minutos de silêncio.
Apesar de ter usado o verbo no passado, pude notar uma certa hesitação na voz dele.
—Depois que meu pai morreu, minha mãe precisou retirar a ajuda , financeira no caso, que me mandava mensalmente – respondo – Minha família, apesar de não ser pobre também não dispõe de tantos recursos assim e com a doença de meu pai, minha mãe acabou contraindo dividas altas com o hospital, exames, medicação...Enterro... Não achei justo que continuasse me enviando dinheiro... então quando uma ...Amiga me indicou para a vaga , depois que vi que era um lugar confiável, decidi aceitar – explico de um só folego, voltando a fechar meus olhos – O dinheiro da bolsa não é suficiente para tudo: aluguel, seguro, transporte, alimentação, vestuário, entre outras coisas.
—Entendo – escuto-o dizer, beijando o topo de minha cabeça.
—Você frequenta a boate? – pergunto.
—Passei a frequentar recentemente – diz – A primeira vez fui com um grupo de médicos que estava no congresso. Depois voltamos para comemorar o aniversário de Jeff...
—Ah, então est...Comemoram lá – corrijo-me a tempo – Natalie estava curiosa para saber onde tinham ido – revelo, escutando-o rir.
—Kelly Severide tem um amigo que trabalha na boate, como segurança – revela, surpreendendo-me... Será que Leslie e Sylvie sabem disso?, penso – Depois fui outras vezes, sozinho.
—Algum motivo especial? .... Ou alguém? – interrogo, meu coração acelerando antes mesmo que responda.
—Uma das dançarinas chamou minha atenção – responde, honesto – A princípio, não soube porque – afirma, calando-se.
—E agora? – incito-o prosseguir.
—Ela me lembra você – prendo a respiração ao ouvi-lo dizer – Muito – acrescenta e agradeço mentalmente seu celular tocar.
—Não vai atender? – pergunto.
—Não – responde – Ou é minha irmã ou meu advogado e no momento não quero falar com nenhum dos dois.
—Retiraram as acusações contra você não retiraram? – pergunto, sentando-me rápido, encarando-o.
—Já, não se preocupe – garante, esticando o braço, pegando uma mecha de meu cabelo entre os dedos.
—Pretende voltar a boate? – a pergunta sai antes que possa controlar – Não que seja de minha conta – acrescento rápido, vendo-o sorrir.
—Talvez... Ainda não sei – responde – Vai depender... – cala-se mais uma vez, enrolando o dedo indicador na mecha que segurava, rindo alto ao escutar minha barriga roncar.
—Desculpa! – peço, sentindo meu rosto esquentar – Não comi nada depois que cheguei da delegacia – justifico, sem graça – Tinha acabado de acordar de um cochilo depois que Hank foi embora, quando você mandou a mensagem.
—Somos dois, já que minha irmã teve a infeliz ideia de convidar nosso pai para almoçar conosco! – diz – Falando no Voight, sei que não faz seu estilo, portanto posso supor....
—Nós terminamos – interrompo-o – Hank e eu... Nós conversamos e... Bom, nós terminamos – concluo, encarando-o, séria – Não pensou que iria para a cama com você sem antes terminar com ele pensou?
—Tinha certeza que não o faria – afirma calmamente, ficando ele sem graça ao escutarmos sua barriga roncar também – Sabe, acho que seria uma boa ideia providenciarmos algo para aplacar nossa fome!
—De acordo! – exclamo, procurando algo para vestir, acabando por puxar o edredom, enrolando-o em meu corpo ao levantar, deixando-o com a coberta. Caminho até meu guarda roupa, abrindo-o, escolhendo um short de viscose e uma blusa de alças em tecido de seda, ambos lisos e de cor neutra – Posso tentar arranjar algo mais confortável para você vestir – sugiro ao vê-lo parecer hesitar em pôr a calça jeans – A menos que já queira ir embora! – pondero, procurando meu relógio, Connor adiantando-se.
—Dez e trinta e cinco – informa, recolocando seu relógio sobre a mesinha de cabeceira – Na verdade, se não se importa, gostaria de ficar mais um pouco para conversamos.... Também! – acrescenta, fazendo meu rosto esquentar (e meu corpo também!) com o olhar que me dirige.
—Claro – respondo, mais rápido do que deveria.... “Conversar? Há! Sei!”, meu subconsciente se manifesta...Quieto!, ordeno – Então? Quer que te arranje algo mais confortável para não ter que usar jeans? .... “Por mim ele pode ficar como está agora! Ou só de cueca!”
—Se acha que consegue, gostaria sim – afirma, sentando-se, fazendo uma careta diante de mais uma chamada.
—Deveria atender. Só assim ela vai deixa-lo em paz – aconselho, voltando-me para o guarda roupas, revistando-o com o olhar em busca de algo que pudesse servir nele (e não fosse estragar!), escutando-o seguir meu conselho.
Acabo escolhendo um moletom, rosa, que comprara alguns meses atrás com a intenção de me exercitar, sorrindo antecipadamente ao imaginar sua reação.
—Não Claire, não estou em casa e muito provavelmente não irei para lá hoje – escuto-o afirmar, meu coração dando um salto ao imaginar uma noite inteira a seu lado... “Ainda mais com essa chuvinha boa!” — Não, a chuva não me prendeu em lugar nenhum e não preciso que me busque...- diz, seu tom demonstrando impaciência – Olha só, me deixe esquecer o que fez e ai, quem sabe amanhã, talvez, te ligue para conversarmos ok? Agora, se não se importa, vou desligar pois ainda não jantei... Não Claire, não insista! ...Até amanhã – despede-se e me volto com o conjunto de moletom nas mãos no exato momento em que ergue os olhos do celular, arqueando uma sobrancelha, rindo com o canto da boca – A calça pode ser, mas a camisa não! – exclama – Nada contra a cor mas acho que vai ficar apertada. A calça já vai! — afirma vindo até mim e instintivamente corro os olhos por seu corpo (nu!) à medida que se aproxima, segurando o ar em meus pulmões ao parar a minha frente – Se continuar a me olhar assim, além de não vestir nada também não iremos jantar – diz, vestindo a calça devagar – Apesar de tentador, precisamos repor nossas energias... Para mais tarde! – a promessa contida na frase e em seus olhos provoca um arrepio que percorre meu corpo de alto a baixo, a umidade entre em minhas pernas aumentando consideravelmente – Sarah?? – desperto de meu devaneio, girando em meus calcanhares, pegando a primeira camiseta folgada que vejo.
—Esta pode servir – digo, entregando-lhe.
—Vai sim – garante, prendendo-me em seu olhar – Vamos – convida.
—Uhum – é tudo que consigo dizer, me encaminhando para fora do quarto, Connor me seguindo de perto.
Assim que chegamos na cozinha, abro a geladeira pensando em pegar alguns ovos pra fazer panquecas.
—O que acha de panquecas? – pergunto, sem encara-lo, franzindo o cenho ao ver uma embalagem grande de pizza.
—Por que não essa pizza? – questiona, as minhas costas – Se bem que panquecas são irrecusáveis!
—Podemos fazer os dois – digo, retirando a embalagem, notando um bilhete preso a caixa – Quer panquecas de que? – pergunto, abrindo o bilhete: “ Escute a mensagem sozinha, se possível, ou com fone de ouvido. Bjs. Les. P.S: Foi mal!”
—Sarah? Escutou o que eu disse? – Connor me chama de volta a realidade.
—Desculpe, me distrai um segundo. O que disse? – peço, sorrindo sem graça.
—Se gostaria de comer panquecas doce – diz, sorrindo de leve.
—Sim, com certeza – respondo, pegando os ovos, leite, morangos e pêssego em calda que tinha na geladeira – Me dê licença um minuto, preciso ver uma coisa. Já volto para ajudar – digo, pondo as coisas sobe o balcão da pia.
—Posso começar a preparar? – pergunta e aceno afirmativamente, saindo em direção a meu quarto.
—Já volto – reforço.
No quarto, pego meu celular vendo que recebi uma mensagem de voz algum tempo atrás.
Sento no colchão, ponho o fone de ouvido, escutando o áudio deixada por Leslie:
“Em primeiro lugar: Desculpe-nos!”- um coro pede, rindo –“Não foi nossa intensão invadir sua privacidade....Só pra constar Eu fui contra fazer surpresa” – a voz de Sylvie sobressai – “Que seja!” – Leslie retorna – “ O fato é que encomendamos aquela pizza que você ama, nos reunimos, eu, Sylvie, July e Erico, e partimos para te fazer uma surpresa...E nós é que tivemos uma! Só pra constar: só usei minha chave porque tocamos a campainha e você não atendeu ai esses histéricos começaram a fantasiar, me assustaram, abri a porta, entramos, a louca da July foi correndo até seu quarto... E votou correndo!” – um coro de risos seguido por uma reclamação se faz ouvir antes que ela conclua — “ Enfim, desculpe mais uma vez por ter invadido sua intimidade, mas saiba que saímos assim que July avisou que não estava sozinha...A propósito, sei que não preciso me preocupar com isso, mas tenho que perguntar ou não vou conseguir ficar sossegada: Terminou com o Voight não terminou? Não me odeie! Beijos!”
Mesmo tendo ficado chocada e chateada, não consigo evitar o riso.
—Durma tranquila Les! – gravo, direta, enviando para ela, largando meu celular antes que ela respondesse, voltando rapidamente para a cozinha, parando junto ao balcão, admirando o moreno que movia-se com agilidade no espaço restrito de minha pequena cozinha, suspirando – Desculpe a demora. Precisei apagar um incêndio! – brinco, fazendo-o franzir o cenho – Bobagens – digo – O que faço, já que parece que não deixou nada pra mim! – reclamo, fazendo bico.
—Minha culpa! – diz, pondo a mão no peito dramaticamente – Pode providenciar algo para bebermos, ou preparar mais alguma coisa que queira além da pizza e panqueca.
—Acho que está de bom tamanho – franzo o nariz em uma careta – Vou pegar geleia e cobertura – aviso, abrindo a geladeira novamente – Tenho vinho e suco de uva integral. O que prefere?
—Para o jantar, suco. Para depois, vinho – diz, piscando para mim, um sorriso sedutor nos lábios me fazendo corar até a raiz do cabelo.
Pego o suco, a geleia e as coberturas, sento em um dos bancos, Connor dá a volta sentando a meu lado, me servindo antes de servir-se.
Comemos a maior parte do tempo em silêncio, comentando uma vez ou outra sobre amenidades, tempo, retorno ao trabalho (me revela que também irá retornar na segunda-feira), qualquer assunto excerto a boate e aquela noite especificamente. No entanto, sabia que era questão de tempo Connor voltar ao tema. Se não o fizesse hoje, certamente faria noutro dia. Mas pelo menos sobre um assunto teríamos obrigatoriamente que falar...
—O que vamos fazer? – pergunto, passando o ultimo prato para que ele enxugasse, secando minhas mãos – Digo, a respeito do que aconteceu algumas horas atrás. Como ficamos, eu e você? Quer dizer...
—Ficamos como você quiser Sarah – me interrompe, segurando minhas mãos, fazendo-me encara-lo – Por mim, todos iriam saber imediatamente...
—Não sei se é o mais indicado no momento – mordo meu lábio, insegura – Talvez seja melhor darmos um tempo. Tanto eu quanto você acabamos de sair de relacionamentos, sendo que, no meu caso, apenas você e as garotas sabem – revelo – Não acho que Robin Charles vá gostar de saber que já está envolvido com outra pessoa .... Especialmente sendo eu!
—Está parecendo meu advogado falando! – resmunga, me puxando para junto de si – Mas tenho que reconhecer que estão certos. Você e ele. Por motivos diferentes.
—Quais os motivos dele? – questiono, sentindo meu corpo responder a seu toque.
—Que os repórteres poderiam supor que fui a boate atrás da garota morta – diz, causando-me um mal-estar que não passa desapercebido por ele – Sarah, fui a boate aquela noite por causa de uma dançarina sim, não nego. Não de Isabela, de outra, como lhe disse... Mas isso foi antes de nós dois, antes de hoje especificamente – frisa, envolvendo minha cintura, inclinando-se para me beija porém o impeço pondo a mão em seus lábios.
—Isto quer dizer que não vai voltar lá? – repito a pergunta que tinha feito anteriormente.
—Minha resposta continua a mesma de antes – reafirma, me apertando mais junto a ele – Quer mesmo voltar a este assunto? – questiona, segurando meu queixo com uma mão, me fazendo olhar em seus olhos.
—Só quero saber se terei que competir com uma mascarada também! – exclamo, tentando não parecer irritada.
—Você não – assegura, me olhando intensamente, abrindo a boca como se fosse acrescentar algo porém voltando a fecha-la, calando-se – O que acha de mudarmos de assunto? – sugere, beijando meu pescoço.
—Só me responde uma coisa, só mais uma – peço, afastando-o levemente a fim de ver seu rosto – O que sente por mim? De verdade? – pergunto, sustentando seu olhar.
A resposta vem na forma de um beijo tão intenso que me deixa sem folego, zonza, as pernas tremulas a ponto de, se não estivesse abraçada a ele, cair ao chão.
—Não posso e não devo dizer que te amo pois acredito que amor se constrói com o tempo, com a convivência e confiança mutuas – frisa, acariciando meu rosto – Se me der a chance, é o que pretendo fazer conosco. Construir, transformar esse sentimento, essa paixão em um amor forte o suficiente para enfrentar qualquer desafio! – declara – Mas isto apenas se você também quiser. Você quer Sarah? – pergunta, e aceno afirmativamente, fazendo-o sorrir.
—Quero. Quero muito! – garanto, envolvendo seu pescoço com meus braços, beijando-o de forma tão intensa quanto me beijara antes, sendo completamente correspondida...
“.....You make it harder than it seems;
Your love to me is like a dream;
Spinning circles all around my head;
Falling into every word you said;
I want you to stay, I won’t let you go;
I just can’t make it on my own...”
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Escritórios Fifty Shades (00:45 a.m)
Narrador
—Tem noção do quanto aquele estupido do seu primo pôs em risco nossa operação? – o homem questiona, encarando seu segurança – Nós — aponta seu sócio sentado atrás do birô – Tiramos vocês da sarjeta, demos trabalho, uma casa, uma oportunidade de ganhar dinheiro e quem sabe, no futuro, passarem a postos mais altos dentro de nosso pequeno porém bem sucedido negócio – prossegue, andando de um lado para o outro, passando as mãos nos cabelos, impaciente – Anos de uma bem sucedida operação postos em risco simplesmente o idiota não soube receber e aceitar um Não de uma garota!
—Eu sinto muito senhor Travis, senhor Hayes – pede o segurança, mantendo as mãos cruzadas a frente do corpo – Sei que Cesar agiu errado e certamente deve estar arrependido. Mas lhe dou minha palavra que não irá dizer nada que possa compromete-los ou a boate – assegura.
—Assim espero – diz Travis, parando ao lado da cadeira do sócio, cruzando os braços a frente do peito.
—Amanhã ou no máximo na segunda irei ter com ele na... – Hayes não o deixa terminar.
—Está delirando se pensa que permitiremos que vá até a delegacia falar com ele – afirma, tranquilo, apoiando as mãos sobre o tampo – Não vai falar, ligar nem tentar contato algum com o idiota do seu primo.
—Senhor, com todo respeito, preciso que ele saiba que o ajudarei a sair dessa – argumenta – Não posso deixar que se sinta abandonado ou ai sim correrão o risco de que diga algo comprometedor – avisa-os – E ainda preciso providenciar um bom advogado.... – novamente o interrompe,
—Mais uma vez está errado em seu pensamento – Hayes diz, mantendo uma calma que está longe de sentir – Acha mesmo que a polícia não estará em alerta para qualquer ajuda a seu querido primo? Acha que não montarão uma armadilha a fim de pegar o segundo homem, no caso você, envolvido na morte e agressão das garotas? – indaga, encarando o segurança — Hank Voight pode ter inúmeros defeitos, mas burro com certeza não é um deles! – exclama.
—Seu primo será defendido por um defensor público, pago por nós em sigilo, evidente, para tentar amenizar o estrago causado – Travis avisa, completando – Onde diabos estava com a cabeça Phil? – questiona – O que deu em você para incriminar Connor Rhodes daquela maneira?
—Só quis ajudar Cesar – justifica-se – Ele não a matou por querer. Foi um acidente. Ela gostava de transas fortes, sadomoso, pelo que disse ele no dia...
—Ahhh, agora foi uma trepada que deu errado foi isso? – ironiza sem dar-lhe chance de responder – Você devia tê-lo pego e nada mais! – bufa – Deveria ter apagado o Rhodes e a outra garota e saído fora o mais rápido possível! – pontua – Sorte sua que nenhum dos dois conseguiu identifica-lo...
—Ainda – Hayes interrompe – E não iremos correr o risco de que isto aconteça. Vai partir hoje, junto com o carregamento para a Espanha – determina – Vai ficar lá até que digamos que pode retornar.
—Mas senhor Hayes, minha esposa e filha...- tenta argumentar.
—Pensasse nelas antes de fazer a merda que fez juntamente com o cretino do seu primo! – braveja o Hayes, batendo a mão aberta sobre a mesa – Leve-as se quiser. Invente uma desculpa, diga a verdade, afinal sua esposa sabe muito bem o faz para viver – frisa – Faça do jeito que quiser mas esteja dentro daquele avião quando ele partir de madrugada ou arque com as consequências e não me refiro a ser preso!
—Senhor?!? – indaga o segurança, confuso.
—A polícia tem uma fita com imagens do terreno- revela – Como acha que Rhodes foi inocentado afora o depoimento da outra garota? – questiona-o – Sua sorte é que não conseguiram uma imagem suficientemente boa que permitisse sua identificação. Porém nada impede que tanto a garota quanto Rhodes o reconheçam se o virem aqui ou pela rua – cala-se ao escutar uma leve batida na porta, que é aberta logo a seguir.
—Senhor Hayes, ligaram do hangar, está tudo pronto – avisa um outro segurança.
—Avise-os que esperem meia hora. Terão mais passageiros – ordena, acenando para que saísse, dirigindo-se até um cofre na parede de onde retira um envelope entregando-o ao segurança – Isto deve dar para suas despesas iniciais. Caso precise de mais procure nosso contato e ele o ajudara.
—Certo – diz o homem, baixando a cabeça, resignado.
—Não tente entrar em contato com seu primo. Nós lhe daremos notícias. Agora vá – ordena, o segurança acenando afirmativamente, saindo em seguida.
—Acha que podemos confiar nele e no primo? – Travis questiona – Não seria mais simples eliminar a garota e Rhodes?
— E ter Hank Voight e Cornelius Rhodes em nosso calcanhar? Não obrigado! Um só já seria incomodo suficiente, os dois então!! – Hayes diz, sentando-se – Vamos manter os dois sob controle. Garanta que o defensor passe nossa proposta para Cesar. Eu me encarrego de manter Phillip na linha. Além do mais, não chegamos até aqui, não conseguimos manter um negócio lucrativo e acima de qualquer suspeita deixando um rastro de corpos – frisa – Vamos manter nossa calma e nossa rotina. Ações drásticas apenas se formos obrigados a isto, o que espero, honestamente, não aconteça!
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