Hidden Life!
23 Hidden Lives! (I)
Notas iniciais
Apartamento Matteo Hayes (madrugada quarta — 01:15 a.m)
Hailey
—Agente especial Alejandro Matteo Hayes...
A resposta inesperada me pega de surpresa deixando-me sem ação por alguns segundos.
—Você, um agente federal? – questiono, ele acenando afirmativamente, o sorriso ainda estampado no rosto – Espera mesmo que acredite nisto? – indago, estreitando os olhos, encarando-o.
—Na verdade ficaria decepcionado se acreditasse logo de cara, mi carinõ – responde, desencostando-se da cabeceira, tentado acariciar meu rosto, mas não permito, afastando sua mão com aspereza – Ok – pronuncia devagar, segurando meu braço esquerdo de surpresa....Porra, ele rápido! , penso, tentando me libertar – Não queria que a soltasse? É o que pretendo fazer – avisa, desatando os nós que prendiam uma espécie de bracelete de couro a meu pulso, este a uma corrente fina que por sua vez me mantinha presa a cama – Antes que tente quebrar meu pescoço ou algo similar, na segunda gaveta que fica localizada nas portas do meio do guarda roupa, encontrara meus documentos – avisa, terminando de soltar todos os nós, acenando para que lhe estendesse o direito, repetindo o processo.
—Se tem tanto medo assim que tente matá-lo, porque permanece deitado? Não deveria levantar-se e se afastar? – interrogo, massageando os pulsos assim que me vejo livre.
—Em primeiro lugar porque sei que é uma policial sensata, que irá certificar-se de que estou mentindo antes de agir – começa – Em segundo lugar, a menos que tenha fabricado algum tipo de arma branca com os descartáveis que deixei com a comida e esteja escondendo sob seu traje, o que acho pouco provável – declara, olhando-me com luxuria. Mesmo contra vontade, sinto meu rosto esquentar e tenho certeza de estar vermelho – Por fim, devo admitir ter esperanças de estar errado em minhas suposições anteriores e que me ataque a qualquer momento, portanto não seria recomendável lhe dar as costas carinõ – conclui, rindo com o canto da boca.
—Tem esperança que tente matá-lo? – inquiro, arqueando a sobrancelha, surpresa – Sentimento estranho esse!
—Não se levar em conta que nossa pequena, digamos, luta de agora a pouco deixou-me excitado, ansioso por um novo duelo corporal, já que sexo está fora de cogitação – justifica, direto, e por sua reação sei que devo estar mais vermelha do que um pimentão....Não sei se por raiva ou por estar igualmente excitada! , pondero, mordendo meu lábio enquanto percorro o corpo másculo estirado sob o colchão, detendo-me no volume evidente sob a toalha, sentindo meu centro pulsar ao mesmo tempo em que a umidade entre minhas pernas aumenta consideravelmente... Por que tinha que ser tão gostoso, o desgraçado!? – bufo, fechando a cara.
—Então preciosa, o que vai ser? Luta corporal ou verificação de identidade? – questiona fazendo-medesviar os olhos de sua cintura para o rosto emoldurado por um sorriso sedutor – Particularmente prefiro a primeira opção – provoca-me.
Solto um suspiro longo antes de deslizar para longe daquela tentação, encolhendo as pernas, libertando meus tornozelos, saltando fora da cama assim que o faço, lhe dando as costas, caminhando em direção ao guarda roupa.
—Segunda então – escuto-o dizer também seguido por um suspiro – Pena – declara e pelo canto do olho o vejo levantar indo direto para o banheiro não se dando ao trabalho de fechar a porta.
—Cretino – xingo entre dentes, abrindo a porta que indicara, depois a gaveta, pegando uma carteira que abro, encontrando seus documentos lá dentro. Todos. Inclusive suas credenciais no Bereau Federal de Investigação – FBI – sussurro, verificando os demais documentos além de algumas fotografias.
Fecho-a, pondo-a de volta no lugar, não resistindo a curiosidade em examinar duas pastas que se encontravam no mesmo lugar. Uma continha o que pareciam ser cópias de documentos e notas fiscais. A outra uma agenda com diversas anotações de datas, horários e países marcadas, cada precedida por vários nomes, alguns de garotas, outras de homens incluindo o reitor da universidade, o tal russo, o espanhol e Travis.
Coloco tudo no lugar, fechando a gaveta, dirigindo meu olhar às roupas penduradas nos cabides. Ternos caríssimos e sofisticados dividiam espaço com blazers, camisas sociais.
Novamente minha curiosidade é maior e acabo por abrir as portas do lado, sorrindo ao me deparar com um visual completamente oposto ao anterior. Ali, camisas polo, camisetas com e sem manga, shorts e bermudas, dividiam espaço com tênis, sapatos e sobretudos. Abro a única gaveta encontrando meias e cuecas impecavelmente organizadas e deixo escapar uma interjeição de surpresa.
—Matando a curiosidade mi carinõ? – ouço-o perguntar e me sobressalto, olhando em direção a voz, um arrepio (esse de puro prazer) percorrendo meu corpo ao vê-lo parado junto a pia, olhando-se no espelho enquanto massageia o queixo, nossos olhares cruzando-se através do mesmo – Satisfeita? – questiona ainda me olhando.
—Não tem medo que seus ...sócios venham até aqui e descubram a verdade? – questiono, fechando o guarda roupa, indo até ele – Ou é tão convencido a ponto de achar que não corre esse risco? – não resisto provocá-lo, vendo seus olhos verdes brilharem.
—Um, eles não sabem onde realmente moro. Já tentaram descobrir, mas não permiti – começa dizer, abrindo o armário acima da pia, pegando pincel, gilete e creme de barbear, pondo-os sobre a bancada – Dois: só estão à mostra, por assim dizer, porque estou em casa. Quando saio os coloco em um local seguro. Mesmo que viessem a descobrir minha casa, não os encontrariam. E três: no momento não ocupo sequer um terço dos pensamentos deles – enumera, umedecendo o pincel antes de por um pouco de creme, espalhando-o uniformemente sobre o rosto.
—Li sua ficha – digo, a guisa de puxar assunto, ocupando minha mente com algo que não seja transar com esse deus grego a minha frente – Você e Travis eram amigos. Foi assim que entrou na organização? Como ele não sabe que é um federal? – interrogo, entrando, recostando-me a bancada perto dele. Perto demais.
—Éramos amigos na época da universidade – corrige-me – Depois que nos formamos, cada um seguiu seu caminho. Ele foi morar fora do país, eu continuei aqui, entrei para a academia de policia onde fui recrutado pelo FBI ao final de meu primeiro ano – conta, se concentrando em deslizar o aparelho na pele, removendo a barba rala.
— Ele não desconfiou de nada quando o procurou pedindo para participar da organização? – pergunto, entregando-lhe a toalha de rosto.
—Curiosa carinõ? Ou ainda não acredita em mim? – questiona, roubando um beijo antes que pudesse responder – Não o procurei nem ele a mim. Nossos destinos se cruzaram – diz de forma vaga, ligando a torneira, lavando o aparelho no jato d’água.
—Então reencontrou seu amigo que não via há anos, por acaso, quando já era agente, saiu para conversar, relembrar os velhos tempos, ele lhe contou sobre seus negócios escusos e viu a oportunidade de subir dentro da agência desmantelando o esquema dele e de seus sócios – teorizo fazendo-o rir minimamente – Acertei?
— Apenas a parte de ter decido desmantelar o esquema– afirma, me pegando de surpresa ao erguer-me pela cintura, pondo-me sentada na bancada, encaixando-se entre minhas pernas, as mãos apoiadas a mesma, ladeando meu corpo...Droga, preciso ficar mais atenta perto desse homem! — recrimino-me mentalmente – Quando isso tudo terminar, conto toda historia a você carinõ, com detalhes, em nosso encontro – diz, seguro.
—Quem disse que vou querer encontrar com você quando tudo terminar? – questiono, ele aproximando-se a ponto de sentir o cheiro amadeirado que exalava de seu corpo, arrepios de prazer multiplicando-se numa velocidade assustadora.
—Isto – sussurra, colando os lábios a meu pescoço, sugando pele num chupão forte – Isto – repete, a boca ainda colada a minha pele, as mãos deslizando por minhas coxas – Esto! – diz, tocando meu sexo fazendo um gemido rouco escapar por meus lábios — Isto me diz que teremos nosso encontro, carinõ – declara, tentando se afastar, mas o impeço enroscando as pernas em seu quadril, cruzando-as, mantendo-o preso, a surpresa estampando-se em seu rosto.
—Finalmente consegui te surpreender – declaro vitoriosa.
—Ok, agora me deixe ...
—Por quê? – o interrompo.
—Por que o quê? – devolve franzindo o cenho.
—Por que temos que esperar? – questiono, abrindo os botões da camisa devagar, recebendo um olhar faminto.
—Não é certo...Estamos prestes a enfrentar uma guerra – argumenta, retendo o ar quando abro o ultimo botão.
—Na qual um de nós pode sair ferido ou mesmo ser morto – rebato, inclinando-me para frente até tocar seu queixo , mordendo-o, escutando-o gemer rouco – Além do mais, não vamos a lugar nenhum até amanhã, então, por que não aproveitar e fazer deste nosso encontro ? – insinuo, me afastando o suficiente para ver seu rosto.
—Usted será mi perdición, carinõ! – exclama.
—Não sei o que disse – digo, soltando a toalha que envolvia sua cintura – Mas gostei como soou! – afirmo, encostando meu corpo ao dele, minhas mãos passeando por suas costas, deliciando-me ao ver a pele arrepiada.
—Minha perdição – sussurra, levando a mão a minha nuca – Disse que será minha perdição, carinõ – traduz, tomando minha boca num beijo ávido.
Abro-a permitindo que a língua atrevida invadisse, instigando, provocando. Aperto mais as pernas a sua volta, eliminando qualquer distancia que ainda existia entre nós, gemendo ao sentir o membro duro roçar a parte interna de minhas coxas, uma torrente de palavras (ou palavrões, sei lá) em espanhol chegando ao meu ouvido quando cessa o beijo repentinamente levando as mãos a meu quadril, segurando firme. No instante seguinte o sinto enterrar-se dentro de mim em uma estocada vigorosa que me faz gritar de surpresa, dor e prazer. Solto outro gemido quando o sinto sair quase que totalmente só para entrar de novo, tão forte quanto da primeira vez, a boca apossando-se de um seio, devorando-o enquanto imprime um ritmo frenético a suas investidas, indo cada vez mais rápido e fundo dentro de mim.
Confesso: há muito tempo não sentia tanto prazer numa transa como estava sentido naquele momento. Quanto mais ele investia, mais prazer sentia. Me agarro a seu corpo cravando as unhas nas costas fortes e largas ao mesmo tempo em que comprimo meu sexo em volta do seu, aumentando o prazer que ambos sentíamos. Espasmos fortes me sacodem até que gozo, amolecendo em seus braços, ele fazendo o mesmo pouco depois.
—Mi preciosa...Carinõ! – sussurra em meu ouvido, saindo de mim e protesto, tentando, sem sucesso, detê-lo.
—Matteo – sopro, apertando seus braços.
—Estou aqui, pra você, carinõ. Não vou a lugar nenhum – afirma enquanto me ergue nos braços, carregando-me até a cama, onde me deposita, cobrindo-me com seu corpo – Está certa, carinõ, não temos porque esperar – diz, ficando de joelhos sobre o colchão já encaixado entre minhas pernas mais uma vez, segurando-as firmemente – Tú eres toda mia esta noche y yo soy todo su, preciosa!
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FBI – Safety house ( Quinta, 6/4 –11:20 a.m)
Connor
Ergo a cabeça ao escutar a porta ser aberta novamente e me volto ficando em alerta, o mesmo agente que acertara noite passada entrando acompanhado por outro.
Encontrava-me de pé ao lado da cama a qual havia sido preso, após tentar escapar, por uma corrente e algemas.
—Bom dia doutor Rhodes. Espero que a noite desconfortável o tenha feito amanhecer mais disposto a colaborar – comenta o desconhecido, sinalizando para o colega pôr a bandeja que trazia sobre a mesa a frente deles – Meu nome é Carlos Zannini, fui encarregado pelo agente responsável pela investigação a mantê-lo em segurança mesmo contra sua vontade e o farei utilizando, se necessário, força bruta ou métodos desagradáveis, como os da noite passada – avisa, parando a minha frente de mãos cruzadas a uma distância segura – Terei sua total colaboração? – pergunta.
Vai sonhando idiota! – Onde está meu pai? O que fizeram a ele? – quero saber, ignorando sua pergunta.
—Em outro local recebendo tratamento adequado, fique tranqüilo – responde.
—Quero vê-lo. Agora – exijo, encarando o homem a minha frente, calculando mentalmente a força necessária para derrubá-lo.
—Infelizmente isto não será possível visto que...
—Então não espere que colabore agente – corto-o, cerrando os punhos –Me leve até meu pai agora ou faço com que se arrependa, sendo você agente ou não – ameaço vendo-o puxar o ar com força apertando a têmpora.
—Doutor Rhodes, mais uma vez lhe peço que colabore. Apesar de ter ordens para não machucá-lo... Então não pode me ferir!? Bom saber... Foi-me igualmente ordenado a garantir que esteja seguro até que toda a operação esteja concluída – repete o discurso que ouvi nas ultimas horas depois que acordei neste maldito quarto no meio do nada!
—Pouco me importa que ordens tenham recebido e de quem! Se realmente são agentes federais como dizem – olho de um para outro – Sabem que tenho direito em saber por que estou sendo mantido como prisioneiro – retruco.
—Não é prisioneiro doutor... – rebate e mais uma vez o interrompo.
—Sério? Essas algemas são o que então? Tratamento para hospedes Vips? – ironizo fazendo aspas com os dedos – Se não sou cativo, me soltem e deixe-me ir embora ao encontro de meu pai, se é que ainda está vivo – insinuo, estreitando os olhos ao vê-los trocarem um olhar tenso – Meu pai ainda está vivo? – questiono, notando que o tal agente Zannini dera um passo em minha direção sem perceber, ficando ao meu alcance.
Antes que responda, acerto um chute preciso em sua perna esquerda, na dobra do joelho, fazendo-o perder o equilíbrio e cair pesadamente.
—HEY! – o outro suposto agente grita, sacando sua arama – Não me obrigue a feri-lo doutor – pede enquanto o colega levanta ao mesmo tempo em que a porta é aberta.
—Você??? – interrogo, surpreso, encarando o namorado de minha irmã, que olha de mim para os dois agentes de sobrancelha erguida.
—Vejo que não houve exageros, conforme supus, quanto a dificuldade que estavam tendo com Connor – James Spencer comenta, fechando a porta – Das duas uma: ou ele é muito mais qualificado do que imaginei...Ou a agência precisa rever seus métodos de treinamento urgente! – exclama, cruzando os braços.
—Recebemos ordens para não machucá-lo senhor – Zannini defende-se, me dirigindo um olhar nada amistoso.
—Receberam ordens para o manterem em segurança agente, e se a única maneira que enxerga de fazê-lo é amarrando ou sedando, definitivamente precisamos rever nossos métodos – reitera.
—Que mais podíamos fazer senhor? – questiona o agente que derrubei noite passada.
—Pensaram em contar-lhe a verdade, agente Montenegro? – questiona, os dois homens trocando olhares confusos.
—Pensamos que não poderíamos fazê-lo senhor – dizem fazendo Spencer fechar os olhos apertando o septo nasal com força.
—Por que não? – questiono recebendo o apoio do mesmo, que me indica com ambas as mãos.
—Hayes – dizem e sinto como se tivesse sido atingido por um soco no estômago.
—Acham que trabalho com ele, é isso? – pergunto sentindo o sangue ferver.
—Podem se retirar assumo daqui. Providenciem roupas limpas para ele – Spencer ordena– Sente-se – convida assim que os agentes se retiram, aguardando que o fizesse antes de começar a falar, permanecendo de pé – Em primeiro lugar quero lhe pedir desculpas por não estar presente quando acordou. Por conta da atitude de Travis contra você e seu pai, achamos por bem antecipar nossos planos – comunica.
—Onde está meu pai? Como ele está? Tico e Teco não me passaram segurança – digo, ele rindo minimamente.
—Peço desculpas por isso também – diz, apoiando as mãos no encosto da cadeira a sua frente – O ferimento de Cornelius era mais severo do que julgamos a princípio – começa e sinto um calafrio percorrer minha espinha – Optamos por levá-lo a um lugar seguro onde pudesse receber tratamento adequado – diz, fazendo uma breve pausa – Seu pai está no Med – comunica e respiro aliviado – Entrei em contato com a administradora, contei-lhe a fragilidade da situação e o levamos para lá em segredo. Ninguém além dela, a equipe medica que o atendeu, e agora você e sua irmã, sabem da presença dele nas instalações do hospital e assim deve permanecer até que tudo termine – alerta.
—Claire sabe que estou bem? E Sarah? Como ela está, onde está? Escutei alguém dizendo que haviam invadido meu apartamento – interrogo, tenso.
—Contei a Claire tudo que estava acontecendo enquanto a conduzia até seu pai. Quanto a doutora Reese, ela está bem, não se preocupe. Estava acompanhada de policiais quando chegou ao apartamento e mesmo que estivesse sozinha, nosso agente não permitiria que fosse ferida – comunica e franzo o cenho.
—Um de seus agentes que invadiu minha casa? – quero saber, entendendo cada vez menos o que se passava.
—Sim, em companhia de um dos homens de Travis – revela, aumentando minha confusão –Temos atualmente dois agentes, oficiais, infiltrados na organização que usa a boate como fachada, sendo que um deles conseguiu se infiltrar cinco anos atrás– revela e é como se uma luz acendesse em minha mente.
—Hayes é um federal! –exclamo, o sorriso discreto confirmando minha suspeita – Por isso não estou morto, nem meu pai – concluo — Por que não evitou que a primeira dançarina fosse morta? Para se proteger? Ela era informante de vocês – questiono, uma lembrança vindo à tona – Ela não sabia sobre ele, não é? Se soubesse não teria advertido meu pai a respeito dele.
—Sabia que havia um agente, mas julgava ser outra pessoa – Spencer informa, voltando-se ao escutar a porta ser aberta.
—As roupas – Zannini avisa, deixando uma sacola de ginástica sobre a mesa – O agente Hayes mandou uma mensagem. Está indo se reunir com Travis e Ivanov e que dará notícias em breve – completa, me dirigindo um olhar amistoso – Desculpe-me o mal jeito doutor. Julgamos que teríamos que aguardar o final da operação para explicar-lhe o que se passava – explica, rindo amarelo antes de sair.
—Como disse, temos que rever nossos métodos de treinamento – Spencer comenta novamente, sacudindo a cabeça – Respondendo sua pergunta: Matteo não impediu que Nick fosse morta porque estava fora do país a trabalho, caso contrário teria impedido da mesma forma como impediu diversas outras anteriormente e o fez com você e Cornelius – assegura, respirando fundo – Quando me avisou que Travis pretendia fazer de seu pai bode expiatório, ficamos em alerta, Matteo, inclusive, planejava impedir Cornelius de aceitar a proposta que lhe fora feita, mas além de ter-se atrasado o surgimento do pendrive nos pegou de surpresa – conta – Como ele foi parar em suas mãos? – quer saber.
—Estava no meio da correspondência – respondo – Peguei na segunda pela manhã, mas apenas ontem assisti parcialmente seu conteúdo. O retirei antes do final, depois de ter feito uma cópia em meu computador.
—Soube disso. Foi esperto. Arriscou-se, mas foi esperto – elogia – Nos deu a chance de trazer o vídeo à baila sem precisar revelar o disfarce de Matteo antes da hora – diz, dando atenção a seu celular, que tocava – Sim – responde, ouvindo atentamente o que a pessoa do outro lado dizia – Então ele está disposto a colaborar? – pergunta – Excelente! Agora só precisamos descobrir a origem da chave ...Uhum...Pode ser...Vale a pena tentar. Faça isso e me avise, por favor....Não, estou como Connor, precisava ver como estava...Entrarei em contato assim que tiver notícias dele – avisa, despedindo-se, desligando antes de me dar atenção novamente – Era Hank Voight – revela, sentando – Sarah está segura. Irá ficar com os amigos e dois policiais da equipe dele estarão de guarda – avisa e respiro aliviado. A ideia de tê-la posto em perigo mesmo sem querer me apavorava – Agora falta pouco para isso tudo terminar e terem sua vida de volta. Nós todos termos, na verdade – afirma, levantando-se – Tenha um pouco mais de paciência, é tudo que te peço Connor. Só mais algumas horas.
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Apartamento Connor (17:36 p.m)
Sarah
Termino meu banho, visto uma roupa confortável e sento na cama olhando o nada.
O dia estava sendo um verdadeiro carrossel de emoções, todas negativas infelizmente, e a noite não acenava com nada diferente. Sentia-me deprimida, perdida, sufocada, confusa com tudo que estava acontecendo. Não entendia o porquê de Connor ter ido atrás do pai após ter visto o conteúdo do tal pendrive, estava com medo de que estivesse gravemente ferido ou nas mãos daqueles homens....
—E ainda tem Downey – murmuro, as lágrimas começando a cair mansamente sem que me dê ao trabalho de impedi-las. Tinha que chorar. Precisava disso para tentar aliviar o peso que sentia sobre meus ombros e coração.
—Minha rainha, posso entrar? – Erico pergunta batendo levemente a porta. Ele, July, Aline e Andrer haviam chegado minutos depois que Will, o irmão e Erin terem saído. Desconfio que tenham se cruzado no caminho, porém, por alguma razão que me era desconhecida, ninguém comentara o fato.
—Sim – respondo simplesmente vendo-o abri a porta lentamente, entrando com um sorriso afável no rosto.
—Minha rainha, sei que está sendo difícil, mas precisa reagir. Não pode se entregar desta forma – pede, sentando a meu lado, envolvendo meus ombros com um braço, fazendo-me deitar a cabeça em seu ombro – Pode e deve chorar, mas não se entregar. Precisa ser forte para apoiar seu homem quando ele voltar, porque ele vai voltar, esteja certa disso! Acredite!– encoraja.
—Acredito Erico, mas essa ausência de notícias é bem pior do que saber o que aconteceu – digo, fungando — Por que Connor foi ver o pai? O que Cornelius tem a ver com isso? Onde eles estão? Algo de muito grave deve ter acontecido que o impediu de tentar contato comigo ou com qualquer outra pessoa – digo, sentindo a dor no peito aumentar – E ainda tem toda essa situação envolvendo doutor Downey! – relembro-o, deixando o choro fluir livremente, deitando a cabeça em seu colo
—Por favor, não fique assim, minha rainha. Não suporto ver minhas musas sofrendo! – pede, afagando meu cabelo – Gente, não estou conseguindo lidar com isso não! Não dá pra ficar calado! – exclama ao mesmo tempo em que ouço a voz de Aline praguejando ao entrar no quarto.
—Que se dane! Aquele federal que vá a merda! Não vou deixar minha amiga sofrendo quando posso aliviar parte de sua dor – declara, segurando meu rosto entre suas mãos ainda sobre o colo de Erico, me obrigando a encará-la –Connor está bem, em segurança. Ele e o pai quase foram mortos pelo senhor Travis, mas está bem – conta e levanto de um salto, olhando-a incrédula – Tem mais: Hayes é um federal. Ele estava infiltrado este tempo todo. O FBI está trabalhando em conjunto com a polícia de Chicago, mais especificamente a equipe do Voight, para prender Travis e todo o bando nas próximas horas. Pronto, falei! Ai que alivio! – desabafa, sentando no chão, olhando em direção a porta e só então percebo a presença de Andrer e Jully – Estava entalado aqui – aponto para o pescoço.
—Eu também não estava aguentando mais – Jully anui, ficando de joelhos a minha frente – Antes que pense que estávamos escondendo as coisas de você, nós mesmos só descobrimos isso tudo poucas horas atrás, quando Hayes fechou a boate e mandou todo mundo embora. Quase todo mundo – revela, sentando também.
—Ficamos desesperados porque aquela menina, Hailey, sumiu desde a noite da terça, quando os sócios começaram a escolher garotas a serem levadas pra Europa –Erico começa a contar – Ela foi uma das que subiu e não retornou. Kim estava fula da vida consigo mesma por não ter conseguido dar cobertura e a coisa só piorou depois do anuncio do Hayes, até nosso cavaleiro de armadura brilhante aqui nos trazer alivio – indica Andrer com um gesto de cabeça.
—Minha vez de pedir desculpas – ele diz, levando uma mão ao peito – Embora tenha descoberto recentemente que nosso suposto chefe –traficante-assassino era na verdade um federal, andava desconfiado havia um tempo que ele não era exatamente quem parecia. Até porque Brenno o defende com unhas e dentes! – explica – Mas somente na terça tive a confirmação – prossegue – Uma das garotas passou mal antes mesmo de começar a rolar o teste dela e me fizeram levá-la para o alojamento a fim de prestar os primeiros socorros. Deixei-a no quarto com as outras, excerto Kim, que estava lá em cima com Erico, no quarto ao lado da suíte...
—Mas não conseguimos ouvir ou ver nada –Erico intervém, sinalizando para Andrer continuar.
—Quando cheguei ao salão vi que todos, excerto Hayes e Hailey, estavam descendo. Lógico que subi o mais rápido que pude, entrando na suíte no momento em que ele saia carregando-a nos braços, enrolada num lençol, pela passagem secreta – faz uma pausa para respirar – Gelei pensando que estava morta. Mesmo sem ele pedir, o segui escadas abaixo até que saímos do lado de fora, perto de onde o carro dele estava estacionado. Foi quando virou e mandou-me abrir o mesmo. Paralisei. De jeito nenhum ia ser cúmplice no assassinato de uma policial. Disse isso a ele com todas as letras. Todas mesmo. Além de ter garantido que desta vez não iriam escapar impunes, etc e tal. Ele riu e disse que sabia muito bem quem ela era assim como sabia da Kim. Foi neste momento que se identificou e repetiu a ordem para abrir o carro, o que fiz ...e depois me xinguei porque pensei ter caído no conto do vigário – confessa.
—E caiu, porque se ele estivesse mentindo, estaria frito. Onde já se viu acreditar de cara, sem contestar? Estúpido! – Aline xinga, atirando uma sandália contra ele – Hayes te mataria e sumiria com os dois corpos. Ele é bom nisso, pelo que ouvimos – acrescenta.
—Bom, graças a Deus ele era quem dizia ser, desta vez – Andrer declara, devolvendo a sandália – Me fez entrar no carro, dirigiu até um prédio daqueles que tem garagem acoplada e dá...Enfim, me levou para a casa dele onde deixamos Hailey em segurança. Lá me explicou o que estava e ainda iria acontecer, que Brenno sabia e que nós dois deveríamos ajudar a proteger vocês todos – gira o dedo indicando-nos – O que ninguém esperava, nem ele, acho, era o que aconteceu na manhã de ontem na residência dos Rhodes– para novamente, me dirigindo um olhar preocupado.
—Fale, por favor, preciso saber o que aconteceu – peço, aceitando o lenço que Erico me estendia.
—Brenno me ligou logo cedo dizendo que tinha dado merda, palavras deles, e que Hayes estava precisando de ajuda. Fomos até a casa do pai do doutor Rhodes. Quando chegamos, fomos instruídos a roubar – faz aspas no ar – O carro do Connor levando a carteira dele conosco. Deveríamos abandoná-lo em Hambold Park e atear fogo deixando o relógio e algum documento dele e do pai para que fossem encontrados pela polícia enquanto o FBI colocava os dois em um lugar seguro. Estávamos conversando com Hayes quando os vi saírem, ambos desacordados. Juro que quase surtei nessa hora! – exclama — Só não pergunta o que aconteceu porque não tenho detalhes – avisa – Sei que Travis tinha estado lá mais cedo, que o pai do doutor Rhodes estava ferido, e Connor apenas desmaiado. Os dois foram colocados sob proteção, mas Travis e os demais precisavam pensar que estavam mortos. Todos deveriam pensar... Só que não consegui esconder da Aline – admite, levando uma mão ao pescoço, encabulado.
—E eu não consegui esconder dos outros – ela declara, indicando Jully e Erico com um gesto de cabeça – E agora não pudemos manter segredo pra você. Não dava – diz, ficando de joelhos para me abraçar.
—Não dava mesmo. Passei a tarde inteirinha mordendo minha língua pra não falar nada. Ta toda lascada, a coitada! Oh só! – Erico diz, expondo-a para nós e mesmo com toda preocupação (agora um pouco menor) rio junto com eles.
—Não sei como agradecer – digo, beijando-os um a um, Andrer por último – De verdade. Não sabem o quanto me deixaram mais tranquila agora — admito.
—Mas lembre Sarah, ninguém pode saber, por enquanto, nada do que conversamos aqui – Andrer reforça, tenso.
—Ninguém saberá – asseguro, olhando-os com gratidão – Vai ser difícil manter segredo dos demais...- paro, lembrando da irmã de Connor – E quanto a Claire? Ela tem que saber. Não nos falamos, mas imagino sua aflição. Não posso deixá-la no escuro – afirmo.
—Não posso te garantir, mas capaz de ela já saber posto que é o namorado quem está coordenando tudo juntamente com Voight e Hayes – Andrer comenta.
—Pode estar certo disso baby – Erico anui, ficando em alerta quando a campainha toca – Quem poderá ser? – interroga, tenso, dando um pulo ao escutar meu celular tocar.
Pego o aparelho sorrindo minimamente ao ver a foto na tela.
—É Leslie – aviso, atendendo – Oi amiga.
< Abre aqui antes que Sylvie tenha uma sincope e caia dura no chão! > ordena e mais uma vez não consigo conter o riso.
—Já estou indo – digo, desligando sem esperar resposta, me dirigindo a sala com meus amigos seguindo-me de perto.
—Só quero ver qual a desculpa para terem demorado tanto em vir aqui! – Erico ralha tentando fazer cara de bravo fazendo-me rir novamente, o mesmo morrendo em meus lábios quando abro a porta.
—Boa tarde Sarah. Posso entrar? – Claire Rhodes pergunta, Leslie e Sylvie me encarando, tensas, por sobre os ombros dela.
—Evidente que sim senhorita Rhodes – digo de maneira formal, ficando de lado para que entrasse, Less e Sylvie a seguindo.
—Me chame de Claire, por favor – pode, cumprimentando a todos com um meneio de cabeça – Poderíamos conversar em particular? – pergunta.
—Claro. Por aqui – anuo, indicando o terraço com um gesto de mãos. Não me sentia suficientemente confortável em indicar o quarto sem a presença ou permissão de Connor.
Fecho a porta da varanda, sinalizando para o pessoal ficar mais afastado a fim de nos dar mais privacidade.
—Sente-se – convido, indicando a cadeira a sua frente, fazendo o mesmo após ela se acomodar.
—Como bem sabe, não vi com bons olhos sua relação com meu irmão. Até tentei fazê-lo se entender com a filha de James – começa, direta, e retenho o ar nos pulmões, pronta para ouvi-la dizer que deveria deixar o apartamento e me afastar de Connor, no entanto, não é isto que acontece – Mas depois de ver você e ele juntos, de ver a forma como se olham, de ver como meu irmão está feliz ao seu lado, não pude fechar meus olhos ao que estava evidente: Connor te ama e você a ele – declara, olhando o horizonte antes de continuar – Estas últimas horas foram de longe as mais longas e terríveis de minha vida. Nem mesmo a morte de nossa mãe me abalou tanto e sabe por quê? – questiona, me encarando e balanço a cabeça negativamente – Em menos de vinte e quatro horas fui do céu ao inferno e de novo ao céu ao pensar que havia perdido meu pai e irmão ao mesmo tempo. Não imagina a dor, o medo, que senti ao entrar em casa e encontrar aquela poça de sangue – para de falar, contendo um soluço. Instintivamente seguro suas mãos entre as minhas transmitindo força – Quando James contou-me o que havia acontecido e por que, me explicou os detalhes, desde quando a tal dançarina, Nichole, procurara o FBI passando pelo envolvimento dela com nosso pai, finalmente chegando ao porquê de Connor ter-se envolvido na morte da outra dançarina...- faz nova pausa, respirando fundo antes de falar novamente – Fiquei com muita raiva. Raiva dele, de meu pai, de meu irmão, de você...Raiva de tudo e todos! – admite, chorando mansamente – Mas logo a raiva começou a ser substituída pela magoa por nenhum dos três ter confiado em mim, por ser mantida de fora da vida de pessoas que amo mais uma vez – revela, suspirando, enxugando o rosto com o dorso da mão....Porra, será que todos nesta família tem feridas emocionais!?! — Fiquei em silencio até chegarmos ao hospital...Até ver meu pai naquela cama, lutando pela vida...Ali tudo, toda magoa e ressentimento, ficou pequeno e sem valor. Tudo que me importava agora era meu pai sobreviver, meu irmão estar em segurança e ambos voltarem para mim – volta a segurar minhas mãos, olhando dentro de meus olhos – Voltarem para nós – afirma fazendo-me reter o ar mais uma vez – Se é de você que meu irmão precisa para ser feliz, não vou me opor ou interferir. Só preciso saber de uma coisa: você o ama? – pergunta.
—Sim – respondo sem pestanejar – Amo. Muito. Connor é meu ar, minha vida! – declaro, sentindo as lágrimas rolarem.
—Então o faça feliz, é tudo o que te peço – diz, me surpreendendo ao ergue-se e me abraçar durante alguns segundos – Spencer me disse para ficar no Med, com meu pai, para não te procurar e manter segredo, mas simplesmente não consegui – afirma, rindo amarelo – Não podia te deixar no escuro...
—Estava dizendo o mesmo sobre você a pouco – revelo, cortando-a, uma ruga se formando em seu rosto – Venha, preciso te apresentar umas pessoas – convido, levantando, ela seguindo-me de volta ao interior do apartamento, onde a apresento a todos, revelando o teor de nossa conversa antes de ela chegar. Claire confirma que o pai estava no Med, em um quarto particular sob a proteção do FBI (assim como ela), que tivera um trabalhão para convencer um dos agentes a trazê-la até mim. Aproveito para contar sobre doutor Downey, ambas concordando que iríamos precisar de muito tato para manter Connor calmo quando descobrisse o que estava acontecendo a seu mentor.
—Vai ser um golpe duro para meu irmão – Claire comenta, mordendo o lábio, fazendo uma careta ao escutar seu celular tocar.
—Não vai atender? – questiono ao notar que o ignorava.
—Deve ser Spencer para me dar bronca – comenta, rindo sem graça – Melhor ir andando. Dará plantão amanhã não é? – pergunta e aceno afirmativamente – Então vá nos ver. A mim e papai, em seu horário de almoço. Ficarei feliz em ter alguém com quem conversar um pouco – pede, me entregando um cartão seu – Meu número. Ligue avisando quando estiver subindo e dou um jeito de te levar até o quarto – avisa, voltando-se para Erico e os demais – Foi um prazer conhecê-los. Quem sabe, depois que essa tempestade passar, possamos nos reunir para comemorar o final do pesadelo – afirma, sorrindo discretamente, só então me dou conta do quanto parece abatida.
A acompanho até a porta, despedindo-me com a promessa de a procurar no dia seguinte.
—Olha, confesso que me surpreendi – ouço Leslie dizer e me volto para ela – Esperava uma pessoa mais esnobe, metida. Ela até que é bem legal. Tirando o fato de ter feito terrorismo com vocês no início.
—Só estava preocupada com o irmão Less, nada mais – defendo-a, sentando ao lado de Erico, recostando a cabeça em seu ombro mais uma vez – Por que isso tinha que acontecer? Por que as coisas tinham que ser deste jeito Erico? – questiono, as lágrimas voltando a cair.
—Minha rainha, isto ninguém além do todo poderoso sabe lhe responder – diz, afagando meu cabelo – O importante agora é que todos estamos bem e logo, logo estaremos, como miss Rhodes disse, comemorando o fim deste pesadelo, felizes e em segurança.
—Se mais nada der errado – Andrer solta e escuto o estalar da mão de Aline em seu ombro seguido pela interjeição de dor.
—Nada vai dar errado, lindinho. Nossa deusa Cher não permitirá que suas afilhadas sofram mais. Tenho certeza de que já está mexendo os pauzinhos junto ao chefe para tudo correr bem – assegura, cruzando os dedos.
—Assim espero Erico – suspiro, mordendo o lábio insegura.
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Vigésimo primeiro distrito (sábado, 8/4 – 10:00 a.m)
Hank Voight
Entro em minha sala batendo a porta com força, descarregando parte de minha frustração e irritação.
Depois de dois dias favoráveis onde conseguimos, nós e o FBI, ganhar bastante terreno (estávamos com a chave do tal armário só faltando descobrir a localização do mesmo, Vidall prestara depoimento, após perceber que seus sócios o abandonariam, pondo-se a nossa disposição, temos a cópia feita por Rhodes e o dispositivo original em nossas mãos bem como estarmos cientes dos planos da organização), as coisas simplesmente começaram a desandar!
Primeiro alguém fotografa Claire Rhodes dentro do Med e enviara a foto para a impressa, que por sua vez passara a questionar o que a herdeira de Cornelius fazia ali, andando tranquilamente, sorrindo e conversando com funcionários do local, enquanto pai e irmão permaneciam desaparecidos.
O fato pôs em risco a posição de Hayes deixando-nos em alerta, situação da qual saímos apenas quando Brenno Vargas, um dos seguranças que dava auxilio a ele, conseguiu nos enviar uma mensagem assegurando estar tudo bem. Com todos.
Mas nosso alivio durou poucas horas.
Antes do final do dia de ontem, fomos informados que o reitor James cometera suicídio dentro da cela onde se encontrava. Ao que tudo indicava havia escondido uma colher plástica que fora entregue junto com a comida e conseguira cortar os pulsos. Fora socorrido, mas não resistiu. Essa era a versão extraoficial. A oficial nos seria dada em mais algumas horas pelo legista.
Para completar, minutos atrás um suposto advogado tentara matar Jorge Vidall muito provavelmente a mando de Ivanov ou Travis, o que me levou a questionar a capacidade de Hayes em manter as coisas sobre controle bem como se estava realmente em segurança e com capacidade para proteger Burguess e Upton.
—Evidente que Matteo não pode controlar tudo e todos Voight – Spencer rebatera – Ele sempre contou basicamente apenas consigo mesmo. Recentemente havíamos conseguido infiltrar outro agente passando-se por segurança pessoal dele, mas, como bem sabe, fomos obrigados a retira-lo já que supostamente foi preso no apartamento de Connor – relembrara – No momento a prioridade dele é manter-se e manter suas detetives em segurança além de garantir que Travis e Ivanov não fujam e acredite, se para isto Vidall tiver que morrer, ele não impedira – avisara deixando transparecer que havia um motivo oculto em suas palavras.
E quando pensei que mais nada poderia dar errado, eis que fomos avisados (por Hayes) que os planos haviam mudado. De uma hora para outra a partida do grupo fora adiada para o final do domingo, perto da meia noite.
Hayes não dera maiores detalhes, mas conseguimos descobrir que tinha a ver com o consulado Russo, algo que envolvia Dimitri Ivanov.
Agora, mais uma vez, estávamos em compasso de espera, o que era irritantemente frustrante.
—Esperar no limiar de uma guerra é mil vezes pior do que participar de uma! – All filosofa entrando em minha sala.
—Provérbio de algum lugar? – interrogo, encarando-o de forma nada amistosa.
—Não que eu saiba. Vi num filme. Citação de Peregrim Tuk. O Senhor dos Anéis, o retorno do rei...Acho – responde, rindo.
—Sério? Vai fazer brincadeiras agora? Justo agora? – interrogo, irritado.
—Hank, tudo que podemos fazer o estamos fazendo, assim como os federais. Não dá pra controlar e prevê o futuro meu amigo – retruca – Só podemos nos preparar para o pior esperando o melhor. Uma hora os ventos voltarão a soprar a nosso favor – afirma com seu jeito sereno (as vezes!) e como para ratificar, Dawson bate à porta.
—Temos uma pista sobre o armário onde a dançarina escondeu as provas. Acho que desta vez descobrimos o lugar – avisa – Estou indo com Halstead e Ruzeck verificar.
—Certo. Deem notícias – ordeno, ele acenando afirmativamente antes de sair, juntando-se a Jay e Adam.
Sigo-os com o olhar até começarem a descer as escadas, vendo-os cumprimentar Jullyana, que chegava. A morena caminha graciosamente em minha direção, um sorriso pequeno no rosto.
—Como disse, os ventos já começaram a soprar a nosso favor – All comenta – Senhorita – cumprimenta-a, retirando-se, fechando a porta ao sair.
—Bom dia Hank – cumprimenta-me – Será que podíamos conversar?
—Evidente. Sente-se – convido, vindo até ela, sentando na borda da mesa – O que houve? – preocupo-me ao notar a forma como apertava as mãos tentando esconder o nervosismo – Algum problema? – quero saber.
—Não sei se será um problema ou não. Você que vai dizer – começa apertando mais as mãos, parecendo escolher as palavras.
—O que aconteceu minha querida? Alguém te ameaçou? – questiono, tomando suas mãos entre as minhas, notando o quão gélidas estavam – Jully, o que há? Me fale para que possa ajuda-la – peço, olhando em seus olhos.
—Hank eu...Acho...Eu...- titubeia, respirando fundo antes de pronunciar a frase que mudaria minha vida – Estou esperando um filho seu!
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Aeroporto Internacional Chicago O’Hare (Domingo, 9/4 — 23:57 p.m)
Matteo Hayes
Sentado em uma das poltronas da sala Vip do aeroporto, massageio minhas têmporas a fim de controlar a impaciência que ameaça me tomar. Não podia deixar meus sentimentos estragarem tudo justo quando estava tão perto de atingir meu objetivo.
Como se lesse minha mente, Hailey põe sua mão sobre a minha discretamente, fazendo-me olha-la de soslaio, seu sorriso pequeno e gracioso aquecendo meu coração.
Parte de minha ansiedade era por ela e sua colega de farda, admito. Teria sido bem melhor não ter-me envolvido emocionalmente , ter protelado, no entanto não o fiz. Fui imprudente. Meu sangue quente mais uma vez saiu-se vencedor. Mas não faria ou deixaria que isto representasse uma fraqueza. O contrário. Quanto mais rápido resolvesse tudo, quanto mais cedo pusesse Ivanov e Travis definitivamente atrás das grades, mais cedo poderia desfrutar de sua companhia sem medo ou reservas. Deus sabe o quanto trabalhei isso em minha mente. Trocar vingança por justiça! Justiça por Nichole, Isabela, por todas as garotas que estes cretinos enganaram e mataram nos últimos anos mesmo depois que me infiltrei (algumas evitei, outras não, infelizmente). Justiça por Helena...Por minha família.
—Finalmente!! – a interjeição feita por Travis me traz de volta a realidade ao mesmo tempo em que Hailey recolhe a mão rapidamente — Podemos partir – anuncia, pegando seu sobretudo.
—O que diabo estava acontecendo afinal? – Ivanov questiona, nervoso e rio minimamente – Não tem nada engraçado aqui Matteo!- bufa, atirando a revista que foleava com força sobre a mesa a minha frente. Ergo os olhos, encarando-o – James morto, Jorge encarcerado, furioso e disposto a nos delatar, a policia secreta Russa em meu calcanhar e você rir!? – revolta-se.
—James escolheu seu destino....Espero que esteja ardendo no inferno!....Você se enrolou sozinho – aponto-o – Quanto a Jorge, em breve não será um problema para nós – enumero, abrindo os braços sobre o encosto da poltrona – Meu amigo Giani também andou fazendo suas cagadas – lembro, ele me dirigindo um olhar fulminante – Não tenho culpa de, apesar de pensarem o contrário, por motivo justo, reconheço – digo, deslizando o dorso de minha mão pelo braço da loira a meu lado, que se retrai fazendo-os rirem – De ser o único a permanecer lúcido – declaro, observando o movimento discreto as costas de ambos, reconhecendo dois dos agentes da antiga KGB juntamente com dois dos nossos.
Imediatamente uma descarga de adrenalina começa a circular por meu sangue, preparando-me para o que iria acontecer dentro de alguns minutos.
—Está correto amigo. Apesar de ter-se distraído em tão bela companhia, ainda é de longe o mais equilibrado de nós três – elogia Ivanov.
—Vamos deixar a rasgação de seda para depois. Quero ir embora o quanto antes. Todos estes imprevistos estão me pondo tenso! – Travis convida, olhando a volta, nervoso – Matteo, tem certeza de ter cuidado daquele assunto com eficiência? – questiona, me encarando.
—Por que a dúvida agora? Acaso perdeu a confiança em meu trabalho? – questiono com fingida mágoa .
—Não, não. Apenas....Deixa pra lá. Vamos indo – decide, retirando-se com seus homens sem nos esperar.
—O sumiço dos Rhodes está nos noticiários – Ivanov avisa enquanto nos movemos para fora sinalizando para Brenno e os demais conduzirem as garotas conforme planejado.
—E dai? Até quando ele pensou que o sumiço de um homem como Cornelius ainda mais junto com o filho, permaneceria oculto? – questiono, trazendo Hailey para meu lado, Dimitri respondendo com um movimento de ombros.
Ao sairmos da sala vip, nos dividimos em grupos distintos. Dei um jeito para Brenno e Kimberly ficarem em grupos separados a fim de protegerem as garotas com mais eficácia. A maior parte delas sabia, agora, do que se tratava pois Kim e ele haviam revelado o que se escondia por detrás das tentadoras propostas oferecidos pela organização e haviam concordado em nos ajudar.
Fazemos o chek in, embarcando sem nenhum problema.
—Até aqui tudo correndo como planejado – murmuro baixinho quando tomo assento ao lado de minha loira.
—Então por que está tão ansioso? – me questiona e a olho, rindo divertido – Se disser que é por minha causa, esfrego sua cara pelo corredor do avião! – ameaça, me olhando feio quando solto uma gargalhada chamando atenção de todos.
—Gata brava! – explico-me, piscando para os passageiros e comissários que nos observavam, fazendo-os voltarem-se para seus próprios umbigos – Não carinõ, não é por sua causa. Não totalmente – garanto, entrelaçando os dedos ao ver Spencer surgir a porta, interpelando a comissária – Vai começar. Preparem-se – alerto, escutando Kimberly e Brenno confirmarem pelo ponto — Aconteça o que acontecer, não se ponha em perigo por mim, está entendendo? – encaro Hailey por alguns, vendo-a acenar afirmativamente – Ótimo. Onde está a arma que te dei? – interrogo, ela erguendo a perna discretamente, tocando a parte interna de seu tornozelo esquerdo e sorrio, desviando minha atenção, seguindo Spencer com o olhar.
—Boa noite senhoras e senhores. Sou o agente Spencer, FBI. Estamos a procura do homem que sequestrou o senhor Cornelius Rhodes e seu filho na manhã da ultima quarta. Temos informações seguras de que o mesmo se encontra neste voo – informa causando grande burburinho, caminhando devagar em nossa direção – Poderiam nos acompanhar senhores? – convida, indicando-nos.
—Como é? Nós? Por que ? – Travis contesta, levando uma mão discretamente a cintura. Com o olhar alerto Spencer.
—Levante-se e ponha suas mãos onde possa ver – ordena, sacando sua arma – Agora! – reforça.
—Certo, certo. Tenha calma – pede ele, obedecendo, meu colega fazendo-o virar-se, revistando-o, encontrando a arma cujo proteção de porcelana passara tranquilamente pelo raio x – Tenho porte.
—Sei que tem – Spencer escarneia, algemando-o – Senhores, por favor – convida a mim e Dimitri, que obedecemos.
Em poucos minutos todos estamos fora do avião sendo conduzidos para salas separadas onde os interrogatórios tem inicio.
—Vejamos qual dos dois roi a corda primeiro – Voight comenta a meu lado enquanto observamos as duas salas pelos vidros.
—Pode dar uma ajudinha nisso sargento – incentivo, ele rindo antes de sair com a pasta nas mãos, entrando na sala onde Travis se encontrava, atirando-a sobre a mesa, começando a jogar todas as acusações ,trafico de mulheres, drogas e armas, finalizando com a tentativa de homicídio de Cornelius e Connor Rhodes.
Confesso: poucas coisas me deram mais prazer do que ver a expressão de espanto em sua cara.
—Minha deixa – declaro, saindo da sala de observação para a de interrogatório, Hailey a meu lado, devidamente identificada.
—Você! Você é o responsável por tudo isso! – acusa assim que me vê – É a ele que procuram não a....- cala-se, olhando de mim para Voight, depois Hailey, a ficha finalmente caindo – Como fui idiota! Todos estes anos....Todas as vezes que sofremos algum golpe...Você. Era você o tempo todo.
—Agradeço o elogio, mas não. Nem sempre estive por detrás das apreensões – afirmo, parando a sua frente – Algumas vezes apenas colaborei para o sucesso das ações – declaro vendo a raiva transbordar por seus poros.
—Por que? – pergunta – Te demos apoio quando precisou, quando estava na pior. Te acolhi e recebi como a um filho!
—Engraçado dizer isto já que foram vocês a me tiraram o direito de ser filho, irmão ...e pai! – rosno, a surpresa estampada em sua face – Não lembra não é mesmo? Foi apenas mais uma queima de arquivos para você e sua maldita organização – esbravejo, me aproximando mais, Ambos, Voight e Hailey, interpondo-se – A família que destruiu, primeiro seduzindo e viciando uma jovem indefesa...Mais tarde, matando-a com seus e cunhada sem nenhum remorso apenas por suspeitarem que iriam a policia – relembro, toda raiva e angustia que senti na época vindo a tona.
—Então é disso que se trata: vingança – ironiza.
—No começo era sim – admito – Não sabe quantas vezes estive perto de te matar! – revelo – Mas depois.... Depois se tornou justiça! – asseguro – Justiça por eles e por todos que prejudicou, feriu ou matou em todos estes anos.
—Belo discurso...Agente! – cospe, aplaudindo de forma irônica – Agora, por que não conta a seus amiguinhos da lei – dirige um olhar furioso ao dois policias presentes – Quantas pessoas Você matou e torturou a nosso pedido no começo a fim de ganhar nossa confiança – lembra, encarando Hailey – Por que acha que o chamávamos de homem de gelo? – sugere, voltando a me encara.
—O agente Hayes não nos deve nenhuma explicação senhor Travis e tenho certeza que já o fez a seus superiores – Voight declara, apoiando as mãos sobre a mesa – Se sua melhor defesa é ataca-lo, lamento informa que se dará muito mal – avisa, o som de tiros do lado de fora chamando nossa atenção.
No instante seguinte o vidro que separa as duas salas é quebrado, o corpo de Philiph Wortington caindo por ela ainda segurando a arma.
Pegos de surpresa, durantes alguns segundos não esboçamos reação alguma, e Travis se aproveita disso.
Só me dou conta do que acontecia ao sentir o impacto seguido pela dor aguda em meu ombro esquerdo, o primeiro disparo sendo seguido por mais dois simultâneos, um realizado por Spencer e outro realizado por alguém dentro da sala de interrogatório, ambos atingindo o alvo com perfeição milimétrica.
Estarrecido, observo o corpo de Giancarlo vacilar e tombar, caindo sobre a mesa. Olho de lado vendo Hailey apontando sua arma na direção antes ocupada por ele, soltando-a de qualquer jeito, vindo em minha direção rapidamente.
—Matteo, está ferido! – exclama assustada, pressionando o ferimento em meu ombro.
—Nada grave, carinõ – minimizo, sacudindo a cabeça na tentativa de espantar a escuridão que tomava conta de meus olhos – Ou talvez não – digo, encarando-a, seu rosto tenso sendo a ultima coisa que vejo.
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