Hidden Life!
7 Dangerously! (II)
Notas iniciais
Apartamento Connor (segunda, 06:30 a.m)
Connor
—Definitivamente alguma coisa deixou de funcionar ai dentro! – Will exclama após alguns minutos me encarando – Que história é essa de Sarah ser Dione!? Ficou maluco!?
—Nunca estive tão lúcido em toda minha vida! – afirmo – É ela Will, tenho certeza. As duas têm a mesma altura, a mesma cor de olhos e cabelo, o mesmo sorriso, o mesmo perfume.... Não sei como não puder perceber isso antes... E sei: sou um idiota retardado!
—Nisso estamos de acordo! – anui, apoiando as mãos sobre os joelhos – Connor, ainda está confuso com tudo que aconteceu, suas emoções devem estar bagunçadas, se bem que isso me parece ser o seu normal!... Mas daí a afirmar que a mascarada é Sarah vai...
—Por quê? – questiono-o – Por que acha tão difícil assim elas serem a mesma pessoa?
—Primeiro porque Sarah não me parece o tipo de garota que dançaria seminua em um palco, ou em qualquer outro lugar, ainda mais de forma tão sensual. Não a Sarah que conheço e acompanho a praticamente dois anos na emergência. Não a residente, tímida que mal olhava em nossos olhos quando chegou...
—E que agora não apenas nos olha como é capaz de interagir com os pacientes, seu principal receio no começo – interrompo sua argumentação – As pessoas mudam Will. Você mudou, eu mudei, ela também.
—Concordo. Mas daí a se tornar uma rainha ninfa destruidora de corações... — gira a mão em volta da própria cabeça – Não parece algo que ela fizesse, mesmo tendo mudado, e reconheço que mudou bastante, especialmente depois da morte do pai.
—As evidências estão ai Will! Basta abrir os olhos para ver. Foi o que fiz, principalmente depois que a beijei – afirmo – Por isso ficou assustada quando entrou naquele quarto e nos viu. Por isso não disse uma palavra quando ficamos a sós. Temia que reconhecesse sua voz, com certeza! Por isso passou a me evitar! – concluo, entendendo os acontecimentos à medida que os enumerava para meu amigo.
—Ok, espertinho – começa dizer, aproximando mais a cadeira de minha cama – Evidencias você disse não foi? – indaga e aceno afirmativamente – Pois bem: Um, metade das mulheres que trabalham conosco no Med tem a mesma altura; Dois, cabelos podem ser pintados e olhos ganharem lentes; Três, Maggie, April e Doris usam o mesmo perfume, só para exemplificar... Portanto, pode ser apenas uma coincidência sua ninfa misteriosa e Sarah usarem o mesmo, isto partindo do princípio que seu nariz esteja funcionando melhor do que sua cabeça! – exclama, dando uma tapa em minha testa – Quanto ao sorriso, não vou nem discutir isso porque, pelo andar da carruagem, a próxima comparação que faria seria com o beijo! – enumera, contando nos dedos, questionando um a um meus argumentos.
—Não teria como fazer já que não tive chance de beijá-la como Dione visto que fugiu de mim, o que reforça minha teoria de que são as mesma pessoa! – afirmo.
—Está me dizendo que iria tentar beijar Dione para comparar com Sarah!? – questiona, respondendo a si mesmo – Evidente! Por isso foi a boate na sexta à noite, mesmo depois que o idiota aqui aconselhou não fazer! – bufa, batendo as mãos nas pernas – E qual seria o próximo passo, caso não tivesse acontecido essa fatalidade e ela continuasse te evitando: fingir um desmaio durante a apresentação dela e forçar um boca a boca, ou ir direto ao ponto, como fez com Sarah, pular no palco, agarrá-la e beijá-la a força?
—Até que não seria uma má ideia! – digo, fazendo-o revirar os olhos.
—Connor, sabe do que está precisando? Uma consulta com o doutor Charles! E para ontem! – diz, suspirando – O que faço com você??
—Me ajude a convencê-la a terminar com Voight e ficar comigo – brinco.
—Só pode estar de brincadeira! – diz – E qual argumento usaria? Que você sabe que ela, supostamente, se transforma em uma dançarina sexy nos finais de semana? – indaga, franzindo o cenho, pensativo
—Viu! Diga que não achou estranho que ela só trabalhe nos finais de semana?! – vibro, vendo-o sorrir.
—E como sabe que não trabalha durante a semana? Por acaso já foi... — cala-se, balançando a cabeça negativamente – Claro que já foi lá no meio da semana, checar! – conclui, rindo ainda mais – Cara está tão ferradamente apaixonado que perdeu a noção de tudo! — exclama – Suponhamos que esteja certo e Sarah seja Dione, o que pretende fazer, além de me pedir para arriscar o pescoço me metendo com Hank Voight, o que já lhe adianto não vou fazer, mas nem sob tortura! – avisa.
—Não falei sério Will. Até porque do jeito que sugeriu seria chantagem! – friso – Na verdade, não pretendo falar nada para ela. Quero que ela me conte de livre e espontânea vontade.
—E por que faria isso? Em agradecimento por ter salvado a vida dela? – questiona-me.
—Porque sente o mesmo que eu e não quer ter segredos entre nós como, por exemplo, há entre ela e Voight – afirmo.
—E como sabe que ela não contou para ele? Supondo que seja verdade, evidente – indaga.
_Não sei. É só um palpite – admito – Mas algo me diz que se ele soubesse, ela não teria ido à boate aquela noite.
—Pelo que Jay me falou Sarah foi até lá para receber um pagamento pendente do tempo em que trabalhou na boate...
—Ela disse que trabalhou lá? – interrompo-o surpreso.
—Como garçonete – completa, calando-se – E você Connor, que vai fazer se por acaso se acertarem e Sarah quiser continuar dançando? –pergunta após alguns minutos.
—Em primeiro lugar temos que, como disse, nos acertarmos – digo – Somente depois poderei questioná-la sobre esse segundo trabalho e o porquê de tê-lo. Ai sim poderemos, os dois, resolver essa questão de ela continuar ou não dançando.
—Não vai se opor caso ela queira continuar? – pergunta.
—Honestamente não sei Will – assumo, suspirando – Não sei quais motivos a levaram a fazer algo tão... Diferente do que se esperaria dela, como disse – pondero – Por hora, o mais difícil será convencê-la que estou apaixonado tanto por Sarah quanto por Dione pois acho que pensa que só me interesso por sua versão sexy, por assim dizer.
—Ok. Isso é muito louco até para você! – Will exclama, levantando-se, olhando o relógio — Tenho que ir andando. Já estou atrasado. Ainda bem que tenho uma boa justificativa – diz, explicando-se ao me ver franzir o cenho – Estou cuidando do herói do momento! – brinca, sorridente – Aliás, os dois, por coincidência, estão sob meus preciosos cuidados! – acrescenta, esquivando-se do travesseiro que atiro contra ele.
—Vai dar alta a Sarah hoje? – pergunto.
—Acho que sim – diz, jogando-o de volta para mim – Se estiver bem, o que é quase certo já que não teve ferimentos severos. Vou avaliá-la e muito provavelmente dar alta, mas só deverá voltar a trabalhar semana que vem, pelo que Miss Goodwin comentou com Natalie e Maggie. Humm, isso me lembra: ela deve vir falar com você ainda hoje. Vai falar com Sarah no hospital, antes que saia, e com você muito provavelmente na hora do almoço ou no final da tarde – informa, deixando-me preocupado – Relaxe, não ficaria nada bem para o hospital demitir seu herói e estrela em ascensão! – brinca novamente – Falando sério Connor, não precisa se preocupar com isso. Nenhum de nós, em momento algum, pensou que fosse culpado, por mais que as evidências dissessem o contrário – assegura, tocando meu ombro – Descanse um pouco. Logo sua irmã deve aparecer. Não precisa me acompanhar, sei o caminho. Até mais – despede-se, caminhando até a porta do quarto.
—Até. E muito obrigado Will. Por tudo – agradeço, vendo-o fazer sinal de positivo com o polegar.
—De nada. Para isso servem os amigos não é. Fez o mesmo por mim quando impediu que jogasse minha careira pelo ralho – relembra, acenando antes de sair.
Sozinho, coloco a bandeja trazida por Natalie de lado, recosto na cabeceira da cama, passando a refletir sobre tudo que havia conversado com Will, ao mesmo tempo em que tento imaginar qual será nossa reação, tanto minha quanto de Reese, ao nos reencontrarmos.
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Chicago Med ( 08:15 a.m)
Will Halstead
Chego ao Med com quase uma hora de atraso, mas, conforme tinha dito a Connor, me deram um desconto, por assim dizer, porque estava cuidando dele.
Durante todo trajeto de seu apartamento até o hospital, relembrei cada detalhe de nossa conversa.
Por mais que tentasse, não conseguia enxergar Sarah como a dançarina mascarada que capturara o coração de meu amigo. Simplesmente não conseguia.... Até vê-la de pé, encostada a cama, já sem a bata de paciente, me aguardando lhe dar alta.
Algo na forma com arrumou o cabelo, olhando meio de lado a fim de responder à pergunta feita por April lembrou a mascarada, fazendo-me paralisar a alguns passos da porta, boquiaberto, observando-a mais atentamente.
—Doutor Halstead, tudo bem? – Miss Goodwin me desperta da letargia.
—Está.... Está sim – respondo, voltando meu rosto para ela, que me olhava de sobrancelha erguida, intrigada.
—Doutor Halstead? – Sarah chama minha atenção.
Volto-me, vendo-a parada de frente para mim, a boca entreaberta, a cabeça levemente inclinada, os cabelos cacheados soltos emoldurando o rosto... Puta que.... Não é que Connor pode estar certo!
—Doutor Halstead! – o tom claramente impaciente de Miss Goodwin funciona como um choque.
—Desculpem.... Desculpem-me. Acho que ainda estou um pouco sonolento – minto, baixando os olhos para o tablete em minhas mãos onde a ficha de Sarah estava aberta – Senhorita Reese, pelo que vejo está tudo bem. Já posso liberá-la — digo, erguendo o rosto para ela, tentando ser formal, desistindo – Que se dane! Vem aqui garota, me dá um abraço! –peço, indo até ela, abraçando-a – Fico feliz que esteja bem. Deu-nos um senhor susto! – confidencio, escutando-a fungar, afastando-a a fim de ver seu rosto – Hey, nada de choro. A menos que não queira ir para casa e ficar longe de nós por uns dias! – brinco.
—Obrigada por tudo doutor...Will – corrige-se ao ver meu olhar severo – A todos!
—Pode parar! Isso não é uma despedida garota – Maggie ralha, segurando suas mãos.
—Certamente que não – Miss Goodwin garante – Doutora Reese, Sarah, aproveite esta semana para descansar, se recuperar e voltar com força total segunda feira próxima – recomenda – Isto é uma ordem mocinha! – completa, abraçando-a – Não se preocupe, seu lugar na equipe está garantido – tranquiliza-a.
—Parece que cheguei na hora certa – Hank Voight fala, aproximando-se de onde estamos e sem querer me pego pensando no que Connor pedira.
—O que foi Will? – Nat pergunta em meu ouvido – Por que está rindo – balanço a cabeça negativamente.
—Nada não... Reese, em caso de sentir dor, tome analgésico, comum mesmo. No mais, muito repouso, nada de esforço – olho para Voight, que ergue uma sobrancelha interrogativamente... Está doido pra morrer, não está Will?!...—penso — Descanse, como Miss Goodwin sugeriu, e volte renovada – concluo.
—Isso mesmo! – escuto April dizer.
—Vou descansar sim. Até segunda – despede-se, abraçando Maggie, April, Nat, Miss Goodwin e eu antes de aceitar a mão que Voight lhe estendia, caminhando com ele para a saída.
—Gozado, não consigo ver os dois como um casal! – April comenta – E olha que até gostei quando soube que estavam saindo juntos. Mas agora... – cala-se, fazendo uma careta, me encarando, ambos rindo.
—Só espero que não seja por conta da diferença de idade ou vou bater nos dois! – Maggie ameaça, apontando o dedo dela para mim – Aham, aham, nem pense me contrariar! Está escrito em suas caras! – afirma, circulando o próprio rosto com o indicador.
—Doutor Halstead, doutor Rhodes pode receber visitas não pode? – Miss Goodwinn pergunta.
—Pode sim. Connor está bem.... Fisicamente falando – a última parte digo baixinho – Miss Goodwin, ele não vai ter problemas agora que foi inocentado vai? – quero saber.
—Não seria justo – Nat afirma.
—Problemas não. Mas preciso que consiga uma certidão negativa dizendo que não está mais sendo formalmente acusado de nada – revela- Política do hospital, nada mais. Na verdade, estou preocupada com a possibilidade de o setor de marketing querer tirar algum proveito do incidente.
—Nossa! Espero que não pensem nisso. Seria horrível para os dois, Connor e Sarah, serem expostos desse modo – Nat diz.
—Bem mais do que imagina Nat – digo, lembrando do que Jay havia me contado sobre a forma como o sêmen de Connor havia ido parar no corpo de Isabela Rossi – Não queiram saber! – exclamo, fazendo um gesto de “deixa pra lá” com a mão – Deixem-me fazer a ronda para ver quem mais recebera alta. Tenho que compensar o atraso, portanto, licença senhoras! – peço, encaminhando-me para os quartos a fim de ver meus pacientes, sem, no entanto, conseguir esquecer a conversa com Connor.
—Beleza Will, agora você também vai ficar maluco!! – resmungo, entrando no elevador.
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Apartamento de Sarah ( 08:50 a.m)
Sarah
—Entregue sã e salva – Hank declara, colocando minha bolsa, que recuperara da cena do crime, sobre a mesinha de centro – Vai ficar bem? Quer que lhe faça companhia por um tempo? – questiona, me abraçando.
—Não precisa. Pode ir tranquilo – asseguro, fazendo um carinho em seu rosto – Vou tomar um banho, comer alguma coisa e tentar relaxar. Quem sabe estudar um pouco, ou arrumar o apartamento – comento, olhando ao redor, só então notando as flores arrumadas em um vaso sobre o centro onde ele colocara minha bolsa.
Antes que pergunte se eram dele, uma sombra na varanda chama minha atenção e fico tensa.
—O que foi? Viu alguma coisa? – Hank pergunta, pondo-se a minha frente.
—Não eu só... — pelo reflexo na porta de vidro, vejo a cabeleira loira de Leslie – Me assustei com meu reflexo – minto – Desculpe. Ainda estou um pouco nervosa.
—Compreensível – diz, acariciando minha bochecha com o polegar – Tem certeza que não quer que eu fique? Posso ligar e avisar...
—Não Hank. Pode ir sossegado. Depois que sair fecho tudo – afirmo.
—Ok então. Passo a noite para te ver – avisa enquanto caminhamos de volta até a porta – Não se esqueça de trancar tudo antes de deitar – recomenda, inclinando o rosto para me beijar – Até mais tarde – despede-se, após alguns segundos olhando dentro de meus olhos, me fazendo corar, mais por vergonha do que por outra razão.
—Até mais Hank – retribuo, sorrindo sem vontade, encostando-me a porta ao fechá-la – Ele já foi – aviso alto, sorrindo ao ver Leslie e Sylvie surgirem e antes que pergunte, entendo o motivo de terem se escondido de Hank – Erico?
—Oi minha rainha! – nosso coreografo corre a meu encontro, abraçando-me tão forte que preciso bater em seu ombro para que afrouxasse os braços a minha volta – Desculpe linda. Às vezes esqueço que tenho força! – pede, pondo a mão sobre a boca para rir – As monas vão ficar nas sombras por acaso? – diz, virando-se em direção a varanda.
—Monas é a puta...
—Andrer!! – um coro encabeçado por Leslie ralha – Desculpa Sarah, mas não conseguimos dizer não a essas criaturas chantagistas! – Sylvie pede, trazendo Carmenta, Andrer e Erato pela mão.
—Mas o que?? Como..? – gaguejo, recebendo o abraço triplo, completamente surpresa.
—Bom, para começar, deixa eu me apresentar – Carmenta diz, estendendo a mão para mim – Julyanna Bauer – aceito a mão, ainda mais surpresa – Essa aqui é Aline...
—Goes – completa a garota que conheço por Erato – Esse idiota aqui você já conhece! – estapeia Andrer, que coça a cabeça, sem graça.
—Gente, não estou entendendo nada! – exclamo, sentando no sofá, zonza – Vocês contaram para eles? Por quê? Não que esteja achando ruim a visita de vocês! – apresso-me dizer – Só me pegaram de surpresa.
—Então minha rainha – Erico começa dizer, sentando-se a meu lado – Eu, Andrer e Aline, fomos apresentados a Sarah Reese, por assim dizer, por um policial lindo, ruivo e maravilhoso de belos olhos azuis, uiiiii!
—Jay Halstead – Leslie informa, revirando os olhos.
—Ele estava querendo saber se nós te conhecíamos – prossegue – Disse que sim, que você tinha trabalhado conosco um tempo e tal...
—Nós já tínhamos passado seu depoimento para eles, evidente – Sylvie interrompe – Sabíamos que em algum momento iriam até a boate interrogar o pessoal sobre você, Isa e Connor, saber qual ligação existia entre os três. Não dava para correr o risco de alguém apontar sua foto e dizer: “ Ah, Dione!” – conclui, piscando.
—Por isso, Erico, Erato e Andrer assumiram a frente como testemunhas – Leslie completa – Desculpa não ter te consultado — pede, me abraçando ao sentar no lugar vago a meu lado.
—Tudo bem – digo, encostando minha cabeça a sua.
—Já euzinha aqui, sabia bem antes deles! – Carmenta se vangloria.
—Como? – indago, encarando-a.
—Então, na quinta, no finalzinho da tarde, estava ensaiando em meu apartamento, sozinha, quando levei uma queda e cortei o supercílio – aponta a testa – Menina, nunca pensei que um cortezinho de nada sangrasse tanto! – exclama, fazendo-nos rir da cara de drama que faz – Daí, acabei tendo que ir ao hospital, Med, conhece? –pisca – Fui atendida por dois médicos, que valha-me nosso Senhor! – joga-se sobre nosso colo, abanando-se – Um chinês, descendente, acho, e um de cabelo grisalho, cada um melhor que o outro... E como se não bastasse apareceu um ruivinho chamando o chinês, desculpem, mas sou péssima de nomes –justifica-se – A menos que veja todos os dias...
—Vai chegar a algum lugar mona!? – Erico a provoca.
—Como dizia antes de ser grosseiramente interrompida – rebate – O ruivinho e o chinês saem, fica o grisalho, gaaaatooooo! .... Fazendo a sutura – faz uma pausa dramática – Ai, estou sentada esperando ele me liberar, olhando o movimento fora da sala...E quem vejo passar?
—Dione! – Aline diz.
—E um coroa charmoso, esse que saiu daqui – volta o rosto para me encarar – Tu é sortuda em mulher! Tua mãe te banhou com mel foi? – brinca, me fazendo rir – Não bastasse o... – estala os dedos.
—Hank – Leslie responde sua pergunta muda, torcendo o nariz para ela.
—Obrigada fofa – agradece, mando-lhe um beijo – Hank todo derretido, igual agora a pouco, e me chega aquele blockbuster em forma humana... – faz outra pausa, revirando os olhos – Só de olhar dava pra ver que ficou com tanto ciúme a ponto de virar o rosto para não ver o beijo que trocou com Hank – exclama, estapeando minha mão – Por isso estava evitando ele. Trabalham juntos.
—É – respondo, coçando meu queixo, suspirando – Ele me beijou aquela noite – deixo escapar, me arrependendo em seguida.
—WHAT!!! – gritam (literalmente) juntos – Como assim beijou? — Leslie quer saber – Nem pense em parar de falar agora! – diz, apontando o dedo em meu nariz ao me ver mordendo o lábio.
—Não se atreva! – Sylvie e Aline ameaçam, fazendo o mesmo que Leslie. Suspiro me rendendo.
—Durante a madrugada, quando as coisas estavam calmas, procurei por ele para saber do paciente que atendemos juntos – explico – O encontrei no terraço, abrigado em um canto, de olhos fechados.... Quando me aproximei, chamou por Dione... – faço uma pausa, mordendo meu lábio, a simples lembrança dos lábios dele nos meus fazendo meu corpo vibrar – Começamos a conversar, acabamos nos desentendendo por conta de um comentário dele, tentei sair, ele me segurou e me beijou.
—Ai, que tudo! – Julyanna vibrar, batendo palmas – Ele beija bem? Você gostou? Correspondeu? – interroga, curiosa.
—Sim...Para todas as perguntas – respondo – Estavam certas – olho de Sylvie para Leslie – Estou apaixonada por ele – assumo.
—Sarah, isso é... – Sylvie começa dizer, calando-se – Não pode continuar com o sargento. Sabe disso não sabe? – questiona-me.
—Sei. Mas também não posso ficar com Connor! – exclamo, sentindo as lágrimas aflorarem – Ele deve me odiar!
—Bebeu por acaso? – Erico pergunta, segurando meu queixo com a mão, fazendo-me virar para ele – Linda, já disse uma vez e repito: aquele homem está louquinho por você e não será um maluco que vai fazer isso mudar – assegura – Não tenha medo minha linda. Não se prive de viver essa paixão por medo ou insegurança – aconselha.
—E pare de por palavras e sentimentos na boca do Connor – Leslie ralha – Só quem pode dizer o que sente é o próprio Connor.
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Quatro dias depois ( sexta, 7/4 – 11:50 a.m)
Narrador
Sarah desce do carro em frente ao vigésimo primeiro distrito acompanhada do sargento Voight.
A médica havia sido trazida a fim de tentar reconhecer o segundo agressor através do vídeo recuperado pela inteligência.
—Depois que terminarmos podemos almoçar aqui perto – Hank Voight sugere, enrugando a testa ao notar a expressão da jovem, seguindo seu olhar – Rhodes também foi chamado – avisa, tocando a mão da garota – Quer falar com ele? — pergunta.
—Não – responde rápido – Quer dizer, ele já está indo embora, parece apressado... E chateado – diz, voltando-se para o cirurgião mais uma vez, vendo-o parar junto a um carro, conversando com a irmã e mais dois homens, um certamente advogado, entrando em um outro, sozinho, partindo, cantando pneus – Muito chateado! – exclama ela, mordendo o lábio.
—Venha, vamos entrar – convida o policial, estendendo-lhe a mão.
Lá dentro, a jovem se esforça, mas, assim como o cirurgião, não reconhece o homem que aparece com o rosto parcialmente visível no vídeo, ficando igualmente frustrada.
—Não se preocupe Sarah, esse cara vai ser encontrado mais cedo ou mais tarde – Kim Burgess assegura, fazendo-a sorrir minimamente.
Meia hora depois, os dois saem do distrito dirigindo-se para um restaurante nas proximidades.
Durante todo o almoço o policial nota a médica inquieta, como se algo a incomodasse, a sensação o incomodando cada vez mais enquanto dirigia no caminho para o apartamento da garota.
—Sarah, quer me dizer algo? – questiona ao entrarem.
—Sim – responde tão baixo que ele mal consegue ouvi-la – Sim – repete, mais forte – Hank, preciso ser honesta com você... Não que não tenha sido até agora – corrige-se.
—Sei disso – afirma o policial, sorrindo.
—Esse tempo que temos passado juntos foi maravilhoso. De verdade – começa dizer, apertando as mãos nervosamente – Você é um homem incrível, muito diferente, de uma forma positiva, de tudo que ouvi a seu respeito, não que tenham falado mal ...- atrapalha-se – Droga, por que as coisas não são mais simples? – bufa, fechando os olhos, abrindo-os ao sentir as mãos dele seguraram as suas, transmitindo-lhe segurança para continuar – Hank, eu tentei, juro que tentei... Mas a verdade é que...A verdade é....
—Que você gosta de outra pessoa – completa, segurando o rosto da médica entre suas mãos – Já desconfiava – afirma, rindo com o canto da boca – Desde o começo percebi. Mas confesso que tive uma pontinha assim – mostra o indicador e o polegar a fim de exemplificar o que dizia – De que teria alguma chance! – exclama, acariciando seu rosto – Rhodes? – questiona, direto, vendo-a corar acenando afirmativamente – Ele sabe?
—A- Acho que sim – gagueja – Hank, me desculpe, eu tentei esquece-lo e não tem nada a ver com o que aconteceu – afirma – O contrário. Acho que agora ele vai me odiar por tudo que o fiz passar! – diz, baixando a cabeça, ele segurando em seu queixo, erguendo-a para que o encarasse.
—Só se for muito idiota! – exclama, fazendo-a sorrir – Se gosta dele não desista, especialmente se sente que é correspondida – aconselha – É uma mulher encantadora Sarah – elogia – Além de inteligente, sensível e bonita e se o idiota do Rhodes não perceber ou souber valorizar isso, me chame que dou um corretivo nele! – brinca.
—Obrigada Hank. Por tudo – agradece, lhe dando um selinho – E saiba que chamo sim! – garante, acompanhando-o até a porta – Desculpe – pede novamente.
—Não há do que se desculpa pequena! Não escolhemos quem amamos. Assim seria fácil demais – diz, beijando-a de leve – Até qualquer dia Sarah. Cuide-se – despede-se.
Depois que o policial vai embora, Sarah senta-se no sofá, olhando o nada, deitando-se, começando a chorar até que adormece.
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Sarah
Passa das três da tarde quando acordo, sentindo-me aliviada.
Cheguei a pensar que Hank ficaria mais zangado, porém, mais uma vez, me surpreendeu.
Olho o tempo lá fora notando que chovia mansamente trazendo uma brisa fresca para dentro de casa.
Me levanto, pego meu celular, checando minhas mensagens no whats up enquanto caminho para o quarto, duas chamando minha atenção: a de Erico, avisando que a irmã de Isa chegaria no sábado à noite e ela seria enterrada no domingo à tarde. Suspiro, controlando as lágrimas.
A segunda era de um numero desconhecido e perguntava se poderia vir até meu apartamento.
Como a pessoa está online, pergunto quem é e como conseguiu meu número. A resposta, vinda segundos depois, me faz prender o ar nos pulmões: “ Com Maggie. Connor. Posso? ”. Meu coração pulsava no mesmo ritmo que o cursor no visor do aparelho.
Lembro o conselho que Hank me dera e, respirando fundo, respondo “Sim”, meu dedo vacilando na hora de enviar... “ Ok. Estou subindo”
—Subindo? Como assim subindo? – me assusto, digitando freneticamente .... “Onde você está? ”... “Entrando em seu prédio”.... “Elevador”... Passam-se alguns minutos durante os quais permaneço estática no meio de meu quarto, olhando o visor como que em transe, puxando uma nova lufada de ar para os pulmões ao sentir o aparelho vibrar... “Corredor” ... Segundos depois a campainha toca, sobressaltando-me.
Passam-se mais alguns segundos sem que consiga me mexer, tomando novo susto ao sentir o celular vibrar... “Sarah?”... “Sarah, está ai?”... Giro nos calcanhares, andando a passos largos (correndo na verdade!), parando com a mão na maçaneta, soltando o ar antes de abri-la.....
Play I Knew I Loved You – Savage Garden
“Maybe it’s intuition;
But some things you just don’t question;
Like in your eyes;
I see my future in na instant;
And there it goes;
I think I’ve found my best friend...”
—Oi – Connor é o primeiro a quebrar o silêncio que se intalara
—Oi – respondo, deixando sair o ar que prendera, voltando a respirar.
—Pra você – diz, e só então percebo o buque em suas mãos.
—Obrigada – agradeço, recebendo as flores – Entre – convido, ficando de lado para lhe dar passagem.
Fecho a porta, voltando-me para vê-lo parado, me observando atentamente. Instintivamente faço o mesmo.
Connor está um pouco abatido, seu rosto ainda tem algumas marcas, o aranhão no pescoço continua visível, mas, no geral, me parece bem. Está usando uma camisa de cashemire cinza, gola em V, manga longa com detalhes de losangos azuis e brancos no peito, uma calça jeans azul clara simples e lindo.... Mais lindo do que nunca! – penso, lutando para controlar minha ansiedade...
—Espero não estar incomodando ou atrapalhando nada – diz, tirando-me do transe.
—Hum,hum – é tudo que consigo dizer, caminhando automaticamente até a cozinha, pondo as flores em um jarro, voltando a encara-lo.
Mais uma vez ambos ficamos em silêncio por um bom tempo, quebrando-o ao mesmo tempo.
—Sarah...
—Connor.. – nos calamos, sem graça.
—Eu queria.... – mais uma vez falamos ao mesmo tempo, acabando por rirmos – Você primeiro – Connor sugere.
—Me desculpe – peço, baixando a cabeça – Me desculpe por tudo que te fiz passar! – repito, não conseguindo conter as lágrimas.
—Hey, não tem do que me pedir desculpa – afirma, vencendo a distância que nos separava rapidamente, segurando meu queixo com uma mão, erguendo minha cabeça a fim de encara-lo – Não teve culpa de nada – diz, prendendo-me em seus olhos, e tenho vontade de gritar que era culpada sim: culpada por tê-lo provocado e depois evita-lo fazendo com que fosse até a boate aquela noite; Culpada por não ter sido honesta com ele quando tentou saber quem eu era; Culpada, culpada, culpada... Mas tudo que consigo fazer é chorar ainda mais – Por favor não chore. Muito menos se culpe – pede, abraçando-me, afagando meus cabelos enquanto diz palavras de alento....
“....I know that it might sound more than a little crazy;
But I believe;
I knew I loved you before I met you;
I think I dreamed you into life;
I knew I loved you before I met you;
I have been waiting all my life...”
Aos poucos sinto-me mais calma, escutando as batidas de seu coração, sentindo suas mãos acariciando minhas costas, meus cabelos. Suspiro, erguendo o rosto sem separar nossos corpos, mergulhando naquele mar azul levemente escurecido, não sei se pelo entardecer ou se por outra razão, vendo seu rosto aproximar-se cada vez mais até ficar tão perto que posso sentir seu hálito morno tocar meus lábios.
Suspiro mais uma vez, entreabrindo-os ao mesmo tempo em que fecho os olhos, antecipando o que viria a seguir.
Diferente daquela madrugada no terraço do hospital, o beijo é suave, tranquilo, doce, começando com um roçar de lábios tão leve que mal podia sentir, intensificando-se devagar sem, no entanto, perder a doçura.
Nossas mãos, antes quietas, começam a movimentar-se, explorando, acariciando.
Lentamente começamos a nos mover, saindo detrás do balcão, Connor deixando-se guiar por mim, caminhando abraçados, cessando os beijos de vez em quando, trocando olhares, perguntas e respostas mudas sendo feitas e dadas, voltando a nos beijar e caminhar até finalmente chegarmos a meu quarto....
“... There’s just no Rhyme or reason;
Only this sense of completion...”
Sem pressa nem tampouco perdemos o contato visual, nos despimos, ajudando-nos mutuamente, trocando beijos e caricias mais e mais intimas. Olhando diretamente em seus olhos, me deito, trazendo-o comigo, encaixando-o entre minhas pernas....
“....And in your eyes;
I see the missing pieces;
I’m searching for;
I think I’ve found my way home;
I know that it might sound more than a little crazy;
But I believe...”
Prendo a respiração ao sentir seu membro tocar minha intimidade, fechando meus olhos mais uma vez.
—Sarah!? – escuto-o sussurra fazendo-me abrir os olhos, encontrando os seus, uma pergunta muda que respondo enroscando minhas pernas em sua cintura, erguendo meu quadril contra o seu, ouvindo-o seu gemido rouco no momento em que começa a me penetrar sem pressa, avançando, parando, me dando tempo de acostumar com sua presença dentro de mim, voltando a avançar até estar completamente dentro de mim....
“... I knew I loved you before I met you;
I think I dreamed you into life;
I knwe I loved before I met you;
I have been waiting all my life...”
Após alguns segundos, Connor começa a mover-se, a princípio realizando movimentos circulares, depois saindo e entrando de mim, aumentando ritmo e intensidade de suas estocadas guiado por meus gemidos.
Acompanho seus movimentos, cravando minhas unhas em suas costas, apertando minhas pernas a sua volta, mantendo-o perto, fazendo-o ir mais fundo.
Gotas de suor escorrem de seu rosto caindo sobre meus lábios. Deslizo a ponta da língua, sorvendo-o, levando uma mão a sua nuca, trazendo sua boca para a minha em um beijo repleto de desejo, meu corpo estremecendo a medida que o ápice se aproxima.
—Connor! – meu gemido rouco contra seus lábios é a senha para ambos explodirmos de prazer, chegando ao êxtase juntos, meu corpo amolecendo sob o seu.
Connor ainda investe mais algumas vezes antes de se aquietar, deitando-se sobre meu corpo, permanecendo assim até sentir-me movendo-me sob ele, recomeçando tudo de novo até um novo gozo para só então, saciados, relaxarmos, adormecendo abraçados...
“....A thousand angels dance around you;
I am complete now that I’ve found you...
I knew I loved you before I met you;
I think I dreamed you into life;
I knew I loved you before I met you;
I have been waiting all my life...”

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