Hidden
6 Capítulo 5 - Pray You Catch Me
“Mãe, vou sair!”, e com essas palavras, a princesa Emma deixou o castelo. Novamente. Pela quinta vez na semana.
Snow estava preocupada. Não sabia onde a filha ia, com quem falava, o que fazia. E isso estava a perturbando. Precisava descobrir. Precisava saber. Então, naquele momento, a solução mais fácil para seu problema era mandar alguém para segui-la e descobrir tudo aquilo. Simples assim.
Mandou chamar Graham, um de seus soldados mais confiáveis. Explicou, detalhadamente, o que queria que ele fizesse. Seguir Emma, sem ser notado e sem deixar nenhuma suspeita. Simplesmente isso.
O soldado, por seu lado, não entendia muito bem o proposito daquilo. Achava um tanto errado ela estar fazendo aquilo, sendo que a vida era de sua filha e não dela. Afinal, é para isso que existe privacidade. Mas mesmo assim não falou nada. Até porque estava falando com a rainha e não seria muito sensato falar aquilo a ela.
Depois de receber as ordens, Graham saiu a procura da princesa.
Passou um bom tempo tentando achá-la, passando por ruelas e becos, lugares por onde, segundo a rainha, Emma normalmente passava. Até que, em uma dessas ruelas, viu-a. Conversava com uma outra garota, um pouco mais alta que ela. Graham jurava que já tinha a visto alguma vez no castelo. Lembrou-se, então, que aquela era a melhor amiga da princesa, Ruby.
Mas a rainha conhecia Ruby, já havia visto ela milhares de vezes. Era disso que estava preocupada? De Emma com sua amiga? Não conseguia entender aquilo. Sentia-se mal por estar lá, seguindo a princesa, que aparentemente não estava fazendo nada de errado.
Olhava para Emma, esperando que ela fizesse algo que desse a ele qualquer motivo para estar fazendo aquilo. E nada.
Esperou por minutos. Depois, horas. E ainda não havia encontrado nada de errado com o que ela estava fazendo.
Então, subitamente, ela se despediu de Ruby. Graham não conseguiu ouvir o que ela falou, muito menos o que a amiga respondeu. Viu somente elas se abraçando e Emma seguindo por um caminho e Ruby seguindo por outro.
Aquela era sua hora. Sua hora de provar que havia, afinal, um motivo para ele estar a seguindo o dia todo.
Graham observou ela entrar na floresta, seguindo por uma trilha extremamente apertada, virando esquerdas e direitas como se a floresta fosse seu lar.
Ele já estava perdido. Não fazia a mínima ideia de onde estava. Onde a princesa estava indo?
Já estava cansado de tanto andar. Precisava parar. Precisava se sentar, nem que fosse por segundos.
Começou a diminuir os passos e, aos poucos, foi parando. Porém sem parar de prestar atenção em onde Emma ia.
E foi então que a coisa mais estranha que já havia visto em sua vida aconteceu. Emma estava parada, na frente de nada. Olhava para as árvores, todas iguais e parecia ansiosa. O que estava fazendo?
Então, ela deu um passo para frente. E outro. E, do nada, desapareceu. Graham ficou chocado. O que tinha acontecido? Em um momento ela estava lá e no próximo havia simplesmente desaparecido. Desaparecido, dissipado no ar. Simplesmente não estava mais lá.
E o que iria dizer à rainha? ‘Bem, sua filha estava na floresta e depois simplesmente desapareceu, indo para sabe-se-lá-onde’. Ótimo, pensou. Além de ter de descobrir o que havia acontecido com a princesa teria de descobrir o que falar à mãe dela. Realmente, ótima situação.
Tentou, em vão, voltar para a vila. Se perdeu uma, duas, três, quatro vezes. Então, de alguma maneira milagrosa, encontrou a trilha por onde vieram e assim retornou à vila.
Seguiu andando na direção do castelo ainda sem saber o que ia falar à rainha. Preso em seus pensamentos, surpreendeu-se ao perceber que já estava em frente ao castelo.
Entrou, a procura da rainha. Disseram-lhe que ela estava em seus aposentos e que, em alguns minutos, desceria.
Ele então esperou, pacientemente.
Bem, não tão pacientemente pois já estava à beira dos nervos, e cada minuto que passava parecia ser uma hora.
As palmas de suas mãos estavam suadas e ele sentia seu coração bater extremamente rápido. Ainda não sabia o que iria dizer, não fazia a mínima ideia. Mas mesmo assim esperava, pacientemente (ou nem tanto) a rainha.
Depois de um tempo, ela apareceu. Os trajes impecáveis, como esperado, e o olhar, cansado.
Esperançosa, ela olhou para Graham.
“Então?”, perguntou, se aproximando e tocando levemente em seu ombro, conduzindo-o até uma sala, onde se sentaram em um sofá.
E ele pôs-se a explicar.
Depois de quase uma hora ele havia terminado de falar e Snow estava pasma. Não conseguia acreditar, não queria acreditar. Onde Emma havia ido parar? E afinal, o que estava fazendo na floresta?
Começou, então, a fazer perguntas. Onde ela e Ruby iam, em que parte da floresta ela estava antes de desaparecer. Perguntas desse tipo.
Tentava descobrir o que havia acontecido, mas não fazia a menor ideia. Seu raciocínio não parecia funcionar, e isso estava se tornando agonizante.
Milhares de coisas passavam por sua cabeça, o que foi interrompido pelo barulho das portas da frente abrindo, estrondosamente.
Snow se levantou de uma maneira surpreendentemente rápida e seguiu até a entrada do castelo, encontrando Emma fechando as portas.
A garota parecia extremamente feliz, em paz.
Da sala, Graham observava a situação. Sentia pena de Emma. Ainda achava que aquilo que Snow estava fazendo, e o que estava prestes a fazer, era errado. Não conseguiria assistir àquilo. Então, sorrateiramente, saiu do lugar, indo até a cozinha. Não se orgulharia daquilo, mas era melhor que ficar observando a situação prestes a acontecer.
“Emma!”, os pensamentos da garota para com Regina foram interrompidos pela voz da mãe, que exalava irritação, “Onde esteve?”, questionou.
“Na floresta”, ela parecia (e estava) confusa. Nunca havia visto sua mãe daquele jeito, tão alterada.
“Fazendo o que?”, questionou novamente. Emma não sabia o que estava acontecendo, e certamente não iria ficar respondendo um questionário feito pela mãe.
“Por que você precisa saber?”, rebateu, e seguiu em direção ao seu quarto, subindo rapidamente as escadas e trancando a porta do quarto assim que entrou lá.
No andar de baixo, Snow estava intrigada. Sabia que Emma estava mentindo, e descaradamente. Não conseguia entender o porquê. O que ela estava fazendo de tão errado?
Perguntas vinham à sua mente como jatos de água, sem parar. Precisava descobrir o que ela estava escondendo, independente do que fosse preciso para consegui-lo.
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