Hidden
5 Capítulo 4 - Ease
Em algum lugar na floresta
Estava procurando o lugar há horas, mas não conseguia acha-lo.
Os cabelos ruivos caiam no rosto conforme andava, e aquilo já estava começando a irritá-la.
Parou um pouco para olhar para o mapa, e foi então que ouviu o barulho.
Um simples barulho de gravetos e folhas sendo quebrados bastou para que ela soubesse quem era.
Ele havia a encontrado.
Começou a correr, mas suas pernas já estavam muito cansadas para irem longe. No meio do caminho, tropeçou na raiz de uma árvore e caiu de encontro com o chão. Era isso. Aquele era seu fim.
Os passos estavam se aproximando, mas ela não queria olhar. Quando percebeu que a figura estava muito próxima dela, fechou os olhos. E então apagou.
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Ela conseguia sentir o vento bater em sua pele, arrepiando-a e bagunçando seus cabelos. Gostava da sensação. Gostava também de ver as folhas caindo das árvores, o que era o que acontecia naquela estação do ano.
Estava sentada em meio às árvores, esperando alguém voltar. Talvez sua mãe. Não tinha certeza. Ainda era pequena, tinha no máximo nove anos.
Sentava naquele lugar e esperava, obediente, a volta da mãe. Horas se passaram e ela ainda não havia retornado. Ela, então, decide ir ver o que havia acontecido.
Segue a trilha que havia na floresta, até que se depara com uma cabana. Aproxima-se, cautelosamente, do lugar. Anda devagar até a janela e olha por lá.
Conseguia ver a mãe, o que já a assegurava de que ela estava bem. Estava sentada em uma cadeira, com uma pessoa em sua frente, do outro lado da mesa.
A garota se esticou um pouco mais, até conseguir ver a pessoa do outro lado da mesa. Era uma menina, um pouco mais velha que ela. Tinha cabelos ruivos e olhos azuis e lhe lembrava levemente alguém que conhecia.
Encarava a garota profundamente e jurava que havia a visto olhando-a de volta.
Percebeu, então, que a mãe já estava indo embora e correu de volta para o lugar onde estava.
Já de volta no lugar onde deveria estar, indagava sobre a garota que havia visto. Não sabia quem era, mas queria descobrir.
Regina acordou assustada. Não se lembrava daquele dia, não sabia nem mesmo da existência daquela memória. E afinal, quem era aquela garota que havia visto?
Levantou da cama, e seguiu até a sacada. Sentiu o vento bater em sua pele, levemente. Tentou concentrar-se no vento batendo contra sua pele, para tirar aquela lembrança da mente, mas não conseguia. Não conseguia parar de pensar naquela memória; na garota ruiva que nunca soube quem era, e mais importante, na mãe. Há tempos não pensava nela, não gostava de fazê-lo. Não achava que ela merecia tanto reconhecimento, até porque ela fizera as coisas que fizera.
Já era obvio que não iria conseguir voltar a dormir, então decidiu descer até a cozinha e pegar algo.
Estava saindo do quarto quando viu uma coisa na cabeceira de sua cama, que chamou sua atenção. Uma adaga, um tanto pequena, porém bem cuidada, estava lá. Até seria normal, mas ela não tinha uma adaga, nunca teve. O único tipo de arma que usava eram espadas, mas ela não tinha tido muitas chances de usá-las ultimamente.
Mas então se lembrou. Emma Swan tinha uma adaga, que era extremamente parecida com aquela. No primeiro dia que havia aparecido lá, carregava-a em uma bainha, e provavelmente devia ter a esquecido, de propósito ou talvez não.
Observava a adaga e sorria. O objeto, de alguma maneira, lhe trazia um pouco de plenitude.
E então percebeu. Ela não havia mais pensado na memória. Não havia nem mesmo passado em sua mente.
Achou aquilo um pouco estranho, mas não se importou. Então, olhou para a adaga novamente. E sorriu.
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Emma e Ruby corriam, alegres, pelos corredores do castelo.
Brincavam de algo que agora não conseguia se lembrar, e pareciam estar extremamente felizes.
Deviam ter, no máximo, dez anos. Ruby já era mais alta que Emma, que ao lado dela aparentava ser bem mais nova.
Depois de horas correndo, decidiram brincar de pique-esconde. Ruby adorava a brincadeira, e apesar de Emma não gostar muito, ela brincava.
A vez de contar era de Ruby. Ela começou a contar e Emma saiu correndo, a procura de um lugar para se esconder.
Corria pelos corredores, mas não conseguia encontrar um lugar.
Andando pelo castelo, sem perceber, chegou em um lugar onde não deveria estar. Desde pequena, os pais a proibiam de ir àquele corredor. Ela nunca entendeu o porquê, afinal aquele era um corredor como todos os outros.
Pisava suavemente no chão, na tentativa de não fazer barulho.
Próximo à uma janela havia cortinas. Vermelhas, de algum material caro. Era ali que iria se esconder.
Ficou parada lá, em pé, esperando Ruby encontrá-la. Passaram-se dois minutos. Depois, cinco. Dez. Quinze, vinte.
Cansada de esperar, saiu do esconderijo e começou a andar em direção ao salão principal, lugar onde supostamente Ruby estava.
Estava saindo quando ouviu uma das portas se destrancar, e duas vozes falando.
“Por quanto tempo vamos conseguir manter isso em segredo?”, Emma reconheceu a voz de seu pai, que falava com alguma outra figura, que não conseguia reconhecer. Escondia-se atrás da mesma cortina onde estava antes, e torcia para que não a vissem, “Emma algum dia vai descobrir, e você sabe disso”, a menina se surpreendeu ao ouvir seu nome na conversa. Do que estavam falando?
“É isso que me assusta”, reconheceu, então, a voz como a de sua mãe, o que a deixou mais confusa ainda. Do que eles estavam falando?, “Mas agora temos que ir, ou senão alguém vai começar a procurar por nós”, ouviu passos, e ainda sem fazer nenhum tipo de barulho esperou que eles fossem embora.
Voltou para o salão principal, onde Ruby a esperava, preocupada. Havia esquecido que tinha passado um grande período de tempo escondida. Tentou explicar a situação para Ruby, mas não conseguia. Então, elas simplesmente voltaram a brincar, como se nada tivesse acontecido. Mas mesmo assim, Emma continuava intrigada. Do que os pais estavam falando? E ainda, por que ela estava naquela conversa? Ela nunca saberia.
Emma acordou assustada. Que sonho havia sido aquele? Aquilo era uma memória ou uma invenção de sua mente? E afinal, do que seus pais estavam falando?
Presa naqueles pensamentos, a última coisa que conseguiria fazer naquele momento era voltar a dormir. Então, decidiu dar uma volta pelos jardins do castelo, coisa que fazia na maioria das vezes em que perdia o sono.
Estava pondo os sapatos, pronta para sair, quando a viu. Primeiramente, de relance. Depois, olhou-a por completo.
Havia esquecido da flor que Regina havia lhe dado, e que ela se encontrava na cabeceira da cama.
Pegou a flor delicadamente em suas mãos e aproximou-a ao seu rosto. Sentiu o perfume dela, que instantaneamente a lembrou de Regina, do momento no qual ela entregou aquela flor a ela. Lembrou-se do que havia sentido naquele momento, uma mistura de felicidade com algum tipo de dúvida de o que estava acontecendo com ela naquele momento. Lembrou-se de sua volta para casa, de seus pais perguntando o motivo de tanta felicidade. Lembrou-se de mentir descaradamente, dizendo que havia encontrado a flor no caminho de volta.
Então, sorriu. Sorriu verdadeiramente. E de uma maneira inexplicável, se sentiu extremamente bem. Sentiu como se todos os seus problemas tivessem desaparecido por um momento. Sentiu-se livre.
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