Hidden
4 Capítulo 3 - Holding On To You
Notas iniciais
O sol brilhava intensamente naquela manhã, apesar de chover muito.
Emma acordou animada. Estava ansiosa para rever Regina. A chuva não a atrapalharia, e nem mais nada nesse mundo. Ela, porém, não contava com sua mãe a proibindo de ir à floresta.
“Por quê?”, questionava, irritada. Não conseguia acreditar que não iria poder ver Regina.
“Emma, está chovendo. Não é seguro”, Snow disse, e Emma bufou. Quando é que a floresta era segura?, pensou.
Snow continuava a argumentar os milhares de motivos para Emma não poder ir à floresta, mas ela já havia parado de prestar atenção. Andava rapidamente, só queria sair daquele lugar.
Seus passos ecoavam enquanto descia correndo os degraus da escadaria central, sendo seguida por sua mãe. Escancarou as portas assim que parou na frente delas, e saiu andando para fora do castelo. As gotas d’água eram geladas, e quando encostavam em sua pele lhe causavam arrepios. Mas ela não se importava, gostava da chuva, gostava da água molhando seus cabelos e suas roupas, encharcando-as aos poucos.
Conseguia ouvir a voz de sua mãe, a alguns metros de onde ela estava:
“Emma! Volte aqui!”, gritava em meio a chuva, que começava a ficar mais intensa, “Onde está indo?”, questionava quase gritando.
“À feira!”, gritou de volta, sem olhar para trás. Apressou o passo, e quando já estava no meio do caminho a chuva começou a diminuir, até que caíssem somente alguns chuviscos.
O lugar estava quase vazio, com exceção de alguns poucos vendedores de coisas aleatórias, que continuaram lá durante a chuva, abrigando-se embaixo de suas tendas.
Emma correu os olhos pelo lugar, mas não conseguia achar a amiga. Perguntou-se se ela realmente estava lá. E foi enquanto estava focada nesse pensamento que sentiu alguém pular em suas costas, assustando-a e quase a fazendo cair.
Ruby era a melhor amiga de Emma, desde a infância. No começo, os pais de Emma não aprovavam a amizade, visto que Ruby não era da realeza ou coisa parecida, mas com o tempo a garota foi cativando eles. Morava na vila, com sua avó, que vendia coisas na feira. A mãe havia a deixado com a avó e nunca mais retornado. Quanto ao pai, não fazia a mínima ideia de quem era.
Era uma garota encantadora, realmente. Tinha cabelos negros e compridos, que caiam como uma cascata pelas costas. As roupas eram sempre muito simples (ela não se importava muito com roupas), nos ombros usava uma capa, que a protegia da chuva e do vento. Era visivelmente mais alta que Emma, o que por vezes era usado para fazer piadas contra ela. Se dava com todos, menos com quem faltasse respeito com ela ou com as pessoas que gostava. Passava a maior parte de seu tempo ajudando a avó e quando não estava fazendo isso estava paquerando pessoas nas tavernas espalhadas pela região, o que lhe dava a fama de namoradeira.
“Então, alguma novidade?”, agora, depois de Emma se recompor de seu quase-tombo, elas conversavam. Emma não sabia muito bem como responder aquela pergunta. Então ficou em silêncio, o que aumentou mais ainda a curiosidade de Ruby. Ela parou de andar e olhou fixamente nos olhos de Emma.
“Você conheceu alguém, não conheceu?”, perguntou, incrédula. Tinha um sorriso no rosto maroto no rosto e ambas as mãos na cintura, “Emma Swan envolvida com alguém. Ah, eu vivo pra isso!”, sua risada ecoou quando passaram na frente de um beco. Emma não se conteve e também começou a rir
“Eu não estou envolvida com ninguém, Ruby”, argumentou, com a cabeça baixa. Ruby, ao seu lado, se divertia com a situação.
“Então você admite que conheceu alguém! Vamos já contando os detalhes, quero saber tudo!”, dizia, toda animada. Sua animação era tanta que contaminava Emma. Mesmo receosa, ela começou a contar.
“Bem, há dois dias atrás eu estava na floresta e-”, foi cortada no meio de sua frase, por um comentário de Ruby.
“Nossa que surpresa. Emma Swan na floresta? Chocada”, seu tom era extremamente irônico, e chegava a ser engraçado. Emma riu.
“Pare de me interromper, ou não conto a história”, disse, e Ruby fez um sinal de que iria ficar quieta, “Então, como eu estava dizendo, eu estava na floresta. E vi uma coisa estranha, que pensei ser a torre de um castelo. Mas, como já estava tarde, voltei somente no dia seguinte. E, estranhamente, encontrei uma pessoa naquele castelo. Uma mulher, na verdade. Seu nome é Regina”, e contou o resto da história, em detalhes. A amiga, sempre curiosa, ouvia atentamente a história.
“Socorro! É verdade isso, que ela está presa lá?”, questionou, um tanto aflita.
“Bem, nunca vi ela fora de lá”, Emma respondeu. Na realidade, não sabia muito bem se era verdadeiro o que Regina havia dito, mas não queria discordar dela.
Ruby ainda a olhava incrédula. E um pouco confusa também. Continuava fazendo perguntas, e Emma continuava a responde-las.
Passaram quase meia hora somente falando sobre Regina. Cansada daquele assunto, Emma pergunta:
“Mas agora chega de falar sobre mim. Vamos falar sobre você. Conheceu alguém novo? É claro que sim, afinal você é você”, debochou, rindo. Ruby a olhou com uma cara não muito feliz.
“Muito engraçado, Swan. Muito engraçado. E sim, eu conheci alguém”, disse, com o nariz empinado. Emma olhou-a com um olhar esperançoso, como se quisesse ouvir mais. E é claro que queria.
“Vamos, fale mais!”, Emma encorajou-a, e Ruby riu.
“Só vou contar porque sou obrigada”, Ruby disse e Emma revirou os olhos, ambas rindo, “Bem, esses dias eu estava em uma taverna aqui perto-”, aquela foi a vez de Emma interromper:
“Nossa, que novidade”, debochou, e Ruby olhou-a um tanto brava. Mesmo assim, continuou:
“Enfim, eu estava na taverna e talvez, mas só talvez mesmo, eu estava bêbada. Levemente”, disse, e elas riram, “Ainda lá dentro, eu já tinha visto uma moça, ruiva com olhos verdes, maravilhosa”, ambas riram com o comentário, “Que ficava me olhando o tempo todo. Quando fui sair, vamos dizer que eu não estava muito em condições de andar sozinha. Fiquei um tanto chocada quando vi ela sair da taverna e perguntar se podia me acompanhar, mas eu aceitei. Durante o caminho ela me perguntou onde ficava um tal de Palácio Negro”, quando ela disse aquilo, Emma lembrou vagamente de algo que Regina havia falado, mas decidiu não falar, “Respondi que não sabia, porque não faço a mínima ideia do que era aquilo”, agora, Emma já havia se recordado totalmente, aquele era o nome do castelo de Regina, o Palácio Negro, que aparecia nos mapas de antigamente, mas atualmente não era nem mencionado, “Enfim, foi isso. Bem menos interessante e diferente que a sua”
“Pelo menos é uma história”, disse, e apoiou o braço no ombro de Ruby. Então continuaram a andar e a falar sobre coisas aleatórias, como sempre faziam. Mesmo assim, Emma não conseguia tirar da cabeça a ideia de que mais alguém soubesse da existência do Palácio Negro. E afinal, quem era aquela mulher que havia ajudado Ruby? Pensamentos desse tipo inundavam sua mente naquele momento, e ela não conseguia se livrar deles.
Andaram e conversaram por horas, e quando se deram conta já estava um pouco tarde. Bem, Ruby falava e Emma a ouvia, enquanto andavam.
Ruby precisava ajudar sua avó na feira, então se despediram e Emma foi embora.
Não sabia onde ir. Não queria voltar para casa, muito menos lidar com sua mãe. Analisou sua situação e viu que ainda tinha algumas horas de sobra até que precisasse voltar para casa, e a primeira coisa que veio à sua mente foi Regina. Precisava vê-la, ou ia enlouquecer.
Pegou um atalho, então chegou mais rápido. Quando chegou na frente do castelo, parou. Respirou fundo e colocou a mão na maçaneta, pronta para abrir a porta. Quando ia girar a mesma, a porta abriu rapidamente, mostrando a figura de Regina, com o semblante confuso e surpreso.
Sua vestimenta, como sempre, estava impecável, apesar de simples. O vestido carmim caía perfeitamente em seu corpo, moldando a forma majestosa que este tinha. O tecido fino balançava com o vento que entrava pela porta aberta e as mangas estavam dobradas, de modo com que ficassem um pouco abaixo de seu cotovelo. Seu cabelo caía solto pelas costas, mas alguns fios insistiam em cair em seu rosto.
As duas se olhavam intensamente. Não sabiam o que falar, então simplesmente se olhavam. Regina, então, quebra o silêncio agoniante:
“Bem, senhorita Swan, o que exatamente está fazendo aqui?”, falava, como sempre, em tom de superioridade.
Emma não sabia muito bem o que responder. Não sabia o que estava fazendo lá. Tinha ido por impulso, sem saber o porquê.
“Eu-”, ela mesma se interrompeu. O que iria dizer? Mesmo assim, continuou, “Vim para ver você!”, disse e sorriu. Não sabia porque havia dito aquilo. Se arrependia e ao mesmo tempo não. E sorria alegremente.
Já Regina não sabia como reagir. Estava preparada para dispensar a garota, mas agora não sabia como. Seu sorriso era tão alegre e tão... contagioso. Então, sorriu de volta. Desta vez, sem nenhuma encenação, sem esconder nada. Simplesmente um sorriso, puro e verdadeiro.
Sem ser convidada, Emma entrou no castelo. Observou novamente os detalhes do lugar. Sentia-se feliz, sentia-se livre. Sentia como se nada pudesse estragar aquele momento. Só ela e uma pessoa de quem gostava, rindo e sendo felizes.
Conversaram, novamente, por horas. Só pararam porque já estava quase escuro, e Emma tinha de retornar.
Estavam paradas em frente a porta, olhando-se. Ainda sorriam, não conseguiam parar de fazê-lo.
“Bem, adeus”, Emma disse, cabisbaixa.
“Adeus, senhorita Swan”, Regina respondeu, com a mesma postura de sempre.
Emma já havia se virado e começado a andar de volta para casa, quando ouviu Regina a chamar.
“Emma, espere”, ela vinha em sua direção, com os braços para trás, como se estivesse escondendo alguma coisa, “Quero que fique com algo”, disse, e estendeu a mão que estava escondida, mostrando uma flor branca, extremamente perfumada, “É uma gardenia. Achei que fosse gostar”, ela sorria, de uma maneira maravilhosa. Emma sorriu de volta e pegou a flor da mão de Regina, arrepiando-se com o contato de suas mãos.
“Obrigada”, respondeu, lisonjeada. Levou a flor ao rosto e sentiu o perfume da mesma, que era extremamente bom, “Agora preciso ir. Adeus, Regina”, despediu-se sorrindo.
“Adeus, Emma. Até outro dia”, Regina respondeu.
“Até”, disse baixo e seguiu andando.
Estava extremamente feliz, e qualquer um que a visse naquele momento perceberia. Olhava para a flor e ficava mais feliz ainda, enchia-se de alegria e de um sentimento que ainda não havia conseguido identificar. Não sabia o que estava acontecendo com ela, mas estava gostando.
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