Hidden
3 Capítulo 2 - Breath of Life
A Rainha apreciava seu jardim, serenamente. Desde que foi presa em seu próprio castelo, cuidar de flores passou a ser um de seus passatempos preferidos. Depois, é claro, de observar a princesa Emma.
Seu jardim era magnífico. Com quase dois metros quadrados de extensão, tinha uma grande variedade de flores. No momento, sua favorita era a magnólia, então flores daquele tipo eram predominantes. Mas, é claro, também haviam flores de outros tipos.
E separado de todas as outras flores, em uma espécie de altar feito de madeira e folhagens que cresceram lá ao longo dos anos, havia um único e grande vaso, com um tipo especifico de flor. A amaryllis tinha um grande significado para a Rainha. Seu primeiro contato com a flor foi quando era criança, e seu pai costumava cultivar aquele tipo de flor. Não uma, não duas. Dezenas delas. Tinha um quarto especialmente reservado para o cultivo delas, visto que cresciam melhor em ambientes fechados. E todos os dias, eles iam ao quarto e cuidavam delas. Quando o pai se foi, tudo mudou. A mãe mandou que retirassem todas as flores, mesmo com as suplicias da menina para que não fizesse aquilo. Nunca soube o porque de a mãe ter mandado fazer aquilo. Talvez não conseguisse seguir em frente com algo que a lembrasse dele em sua casa. Ou talvez porque simplesmente era cruel. Ela nunca iria saber.
Depois de aguar o jardim, voltou para o interior do castelo. Ao passar na frente do espelho, não se contentou e olhou rapidamente para ver o que a princesa Emma estava fazendo.
Para sua surpresa, ela se encontrava na floresta, seguindo a trilha que levava até o castelo que era cativeiro da Rainha e olhando para um mapa aparentando estar confusa.
Primeiramente, a Rainha pensou que ela deveria estar perdida. Mas, ao olhar bem para o mapa em suas mãos, um mapa antigo, viu que o seu castelo ainda era incluído na mapeação. Aquilo deveria ser uma coincidência, pensou. Não era possível que a garota soubesse da existência do castelo. Afinal, fora exilada um ano antes do nascimento da mesma. Somente se acalmou quando se lembrou que, por conta do feitiço de proteção, somente os que pediram seu exílio poderiam ver o castelo.
Seguiu até a entrada do castelo, onde se encotrava um pequeno córrego artificial, que havia criado por motivo nenhum, e que em algumas ocaisões usava para limpar suas mãos sujas de terra depois de mexer com suas flores.
Enquanto lavava as mãos, ouviu, de longe, passos vindo na direção do castelo, quebrando galhos e amassando folhas pelo caminho. Preocupada, andou rapidamente até o aposento onde se encontrava o espelho. Nele, viu que a pessoa se aproximando era, na verdade, Emma Swan.
A garota já estava quase na divisória da barreira que separava a Rainha do resto do reino. A mesma observava atenta, esperando para ver se Emma conseguiria passar pela barreira e entrar em seus domínios. Esperava que não, apesar de ansiar conhecê-la.
Quando estava na frente da barreira, a princesa parou de andar. A Rainha, que observava atenta os passos da menina, ficou mais tensa ainda. A princesa respirou fundo. E entrou nos domínios da Rainha, determinada. A Rainha estava atônita. Não sabia como a princesa havia feito aquilo. Pelo que sabia, os únicos que conseguiriam fazer aquilo eram Snow White, Charming e Rumpelstiltskin. E, é claro, qualquer pessoa que possuísse magia. Mas Emma não se enquadrava naquilo. Não poderia, era filha de duas pessoas sem magia. Aquilo era, no mínimo, curioso.
Passou tanto tempo concentrada em seus pensamentos que, quando foi olhar novamente para a princesa, ela já se encontrava dentro do castelo.
A garota estava maravilhada. Olhava por todos os lados, observando cada parte do castelo. Nunca, em sua vida, imaginaria que havia um lugar tão bonito quanto aquele, situado no meio da floresta.
No andar de cima, a Rainha se encontrava em uma situação confusa. Não sabia se permanecia dentro do quarto onde estava, quieta e torcendo para que a princesa não entrasse lá ou se descia e conversava com a garota.
Seus pensamentos foram rudemente interrompidos quando a porta se abriu em um estrondo, mostrando a figura da princesa Emma, que antes tinha um sorriso no rosto e agora contemplava a mulher a sua frente, um tanto confusa.
Profundamente, elas se encaravam. Regina, a Rainha Má, não expressava nenhum sentimento, apesar de estar confusa e preocupada. Emma Swan, a princesa, olhava Regina por todo. Até porque, não era todo dia que entrava em um castelo que até então pensava ser abandonado e encontra uma mulher extremamente atraente, usando um vestido de gala roxo escuro, que a deixava com um ar um tanto maléfico.
“Quem é você?”, sem conseguir aguentar o silêncio entre elas, a princesa questiona.
“Acho que quem deveria estar perguntando isso sou eu, visto que quem entrou em meu castelo sem ser convidada é você”, a Rainha responde, com um ar de superioridade, mesmo já sabendo a resposta para a pergunta.
“Esse castelo é seu? É magnífico”, disse, olhando para todos os cantos do quarto onde se encontravam, “Mas que falta de respeito minha não me apresentar. Sou Emma. Emma Swan”, abriu um sorriso e estendeu sua mão.
A Rainha olhou para a mão estendida a sua frente, receosa. Por fim, cedeu e disse:
“Emma. Escolha interessante. É um nome bonito. Sou Regina”, e gentilmente apertou a mão da garota. Há tempos não falava aquele nome. Pareciam séculos desde que ouvia seu real nome. A sensação era um tanto estranha.
“Prazer em conhece-la, Regina”, o sorriso de Emma era tão alegre, tão contagioso que não pôde se conter e deixou um pequeno sorriso escapar. Desde que foi presa, nunca mais teve motivos para sorrir. Não sabia o que estava acontecendo consigo, mas sabia que estava confusa.
“Então, como encontrou meu castelo?”, perguntou. Precisava saber, estava inquieta desde o momento em que a garota havia pisado em seus domínios.
“Bem, ontem, quando estava observando algumas flores aqui nos arredores, vi a ponta de uma torre de um castelo. Tentei me convencer que era o cansaço, mas sabia que havia visto um castelo. Então hoje decidi que iria encontrar o castelo. E aqui estou!”, falou, com empolgação.
Então era nisso que ela estava pensando ontem. Em encontrar o castelo, pensou.
“Então, já que já nos apresentamos apropriadamente, se importa em mostrar-me o castelo? Estou muito curiosa”, ela falou, com um sorriso no rosto. Além de adorável era abusada, Regina pensou. Mesmo assim, respondeu com um sorriso:
“Claro. Me siga”, e saiu graciosamente do quarto, seguida por Emma, extremamente contente.
Visitaram todos os cômodos do castelo, e a princesa ficou encantada com todos eles. Estavam no andar de baixo, falando sobre um assunto aleatório, quando Emma notou o jardim.
Seu primeiro instinto foi de ir até lá. Regina a seguiu.
Novamente, estava maravilhada. Ela, assim como Regina, era fascinada por flores. Aproximou-se um pouco mais e se abaixou para sentir mais de perto o perfume delas. Atrás dela, Regina a observava atenciosamente. Não sabia o que pensar da garota. Ela simplesmente aparecia em seu castelo, do nada. E o fato de que havia conseguido entrar em seus domínios? Esses pensamentos invadiam sua mente a deixavam confusa, a ponto de não ouvir a garota a chamando.
“Regina?”, na terceira vez, ela notou e olhou para Emma, “Por que seu castelo não é mostrado nos mapas atuais? Encontrei um com ele representado, mas ele é de trinta anos atrás. E lá diz que ele é chamado Palácio Negro. É verdade?”, seu olhar era esperançoso, e olhava diretamente para Regina.
“Bem, ele realmente é chamado Palácio Negro”, disse, hesitando.
“E por que não é mostrado nos mapas de atualmente?”, aquela era a pergunta que ela tinha mais receio de responder. Mesmo assim, respirou fundo e disse:
“A verdade é, Emma, que não é à toa que antes você não sabia da existência desse castelo. Há vários anos atrás, foi feito um feitiço de proteção, me separando do resto do mundo e me mantendo presa em meus domínios”, sua voz era baixa e seu olhar permanecia fixado no de Emma.
A garota parecia confusa. E surpresa também. Nunca imaginaria aquilo.
“Mas quem faria tal coisa?”, pergunta, inquieta.
Não podia dizer a verdade. Afinal, o que ela diria se descobrisse que seus próprios pais haviam feito aquilo? Então, mentiu:
“Não importa. O que precisa saber é o que eu lhe disse”, naquele momento, ela estava distante, parecia ter esquecido das horas anteriores, que havia passado conversando alegremente com Emma.
Emma, por sua vez, estava desconfiada. Sabia que havia mais por trás daquela história e queria descobrir logo.
Olhou para o lado e viu que o sol já começava a se pôr. Ótimo, atrasada de novo, pensou.
“Preciso ir”, disse olhando para Regina, em um tom de voz baixo.
“Ah, sim”, respondeu. Emma deu alguns passos, mas Regina a parou, segurando seu braço, “Emma? Me prometa algo”
“Claro”, disse, atenta.
“Me prometa que não irá contar a ninguém que me encontrou”, seu olhar permanecia focado no chão, mas ainda segurava sem apertar o braço de Emma.
“Eu prometo”, e com essas palavras foi embora do local.
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Já no palácio real, Emma e seus pais jantavam silenciosamente.
“O que fez hoje, querida?”, sua mãe perguntou, olhando para ela.
“O de sempre. Andei pela floresta. Passei pelo mercado para ver Ruby”, mentiu, descaradamente. No momento, não conseguia pensar em mais nada a não ser em Regina, a mulher misteriosa que havia encontrado no castelo que pensava estar abandonado.
Seus pais, é claro, não acreditaram nela. Sabiam que estava mentindo. Trocaram um olhar, como se concordassem entre si que havia algo de errado com ela. Emma, porém, não prestava atenção neles. Estava imersa em seus pensamentos, lembrando-se de suas conversas com Regina. Aquela mulher havia a intrigado, e ela mal esperava para vê-la novamente.
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